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quarta-feira, 30 de março de 2011

Fracturas da Extremidade proximal do Femur Recomendações para intervenção terapêutica.

As fracturas da extremidade proximal do fémur são frequentes em pessoas de idade avançada, com índices de morbilidade e de mortalidade elevados.

“Vimos ao mundo pela bacia e dele vamos pelo colo do fémur”1 reflecte a atitude derrotista com que se encaravam, em 1955, as fracturas do colo do fémur.

O desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas e de novos implantes veio melhorar substancialmente o prognóstico destas fracturas, que são hoje encaradas como uma patologia que permite uma recuperação nalguns casos total, restituindo o doente à sua vida social anterior à fractura.

Esta publicação, dirigida a todos os profissionais directamente envolvidos no tratamento dos doentes com fractura da extremidade proximal do fémur, tem como objectivos estabelecer recomendações para intervenção terapêutica e alertar para princípios básicos e normas de procedimento que facilitem um tratamento ainda mais correcto e eficaz.
O tratamento hospitalar, com particular relevância para a intervenção cirúrgica, é fundamental, mas, se não houver um grande empenhamento de uma equipa multi-interdisciplinar, o seu sucesso poderá estar em risco. A aplicação das recomendações agora compiladas, que certamente já são do conhecimento da grande maioria dos profissionais, necessitará do empenhamento de todas as instituições e de todos os profissionais, para que, com uma redução dos custos ou sem agravamento dos mesmos, se possa obter uma optimização dos resultados.
 
No idoso, são consideradas fracturas da extremidade proximal do fémur todas as fracturas respeitantes ao segmento ósseo demarcado proximalmente pelo limite inferior da cabeça do fémur e distalmente por um nível situado 5 cm abaixo do limite inferior do pequeno trocanter. Neste segmento, podem existir três tipos de fracturas2:

  •  Trocantérias (a)– Situadas na área limitada acima pela linha intertrocantérica e, abaixo, pelo limite distal do pequeno trocanter.
  • Do Colo (b) – Situadas entre a cabeça e a área trocantérica. Subdividem-se em subcapitais, transcervicais e basicervicais.
  • Subtrocantéricas (c) – Ocorrem no segmento entre o limite inferior do pequeno trocanter e um nível 5 cm abaixo dele.

Fracturas da extremidade proximal do fémur no idoso são as fracturas trocantéricas (a), as do colo (b) e as subtrocantéricas (c).

A maioria destas fracturas ocorre na população com idade superior a 65 anos, havendo um pico médio de incidência nos 80 anos de idade. O sexo feminino é mais atingido que o masculino, numa relação de 3:13.
Neste grupo etário, as fracturas são resultantes de um traumatismo mínimo ou moderado (a maioria das vezes consequência de uma queda) sobre o osso fragilizado, osteoporótico.

No ano de 1990, ocorreram 1,7 milhões de fracturas da extremidade proximal do fémur em todo o mundo 4. Com o aumento da esperança de vida e o envelhecimento da população, este número tem vindo a aumentar, calculando- se que, em 2050, se atinjam os 6,26 milhões5. Em Portugal, entre 1993 e 1997, foram internados nos hospitais públicos (exceptuando as ilhas dos Açores e Madeira), em média, anualmente, 7 000 doentes com idade superior a 50 anos 6.

Os índices de mortalidade e de morbilidade associados a estas fracturas são elevados: apenas 50% dos doentes retomam a sua função anterior7 e, ao fim de 6 meses, 17 a 30 % dos doentes vêm a falecer8,9,10.
Os custos, tanto directos como indirectos, também são elevados, assistindo- se na maioria dos países a um esforço na sua contenção e na optimização dos cuidados, através de uma diminuição dos tempos de internamento e de uma programação concertada da reabilitação.

Em Portugal, calculava-se, em 1989, um dispêndio de 15 milhões de dólares11 e, em 1991, 3,5 a 4,1 milhões de contos12. Embora exista ainda uma grande disparidade de actuações (o tempo médio de internamento varia, consoante os serviços hospitalares, entre 613, 1814 e 29,2 dias12 e a demora cirúrgica entre 24 horas13 e 4,8 dias14), verifica-se, em alguns serviços hospitalares, uma preocupação em diminuir os tempos de internamento e em instituir protocolos multidisciplinares para o tratamento e reabilitação dos doentes com fracturas da extremidade proximal do fémur 13.

O principal objectivo do tratamento destas fracturas é o rápido retorno do doente ao seu nível de funcionalidade anterior. As intervenções cirúrgicas actualmente realizadas, com a utilização de materiais que proporcionam a estabilidade necessária para o início rápido da mobilização e da locomoção, diminuem certamente as complicações da imobilização. Mas, para que a recuperação funcional máxima seja possível, são necessárias, para além de uma cirurgia eficaz, outras medidas que previnam as complicações pós-fractura e pós-cirurgia e mantenham o doente na melhor condição física possível.Uma abordagem multi-interdisciplinar no internamento, que proporcione  as condições necessárias para a reabilitação do doente e o seu rápido retorno ao nível funcional anterior ou ao nível funcional máximo, reduzirá os efeitos, por vezes devastadores, desta patologia. As recomendações que se propõem, para a intervenção junto do idoso  com fractura da extremidade proximal do fémur, têm como objectivos, para além da uniformização de procedimentos, a optimização dos resultados funcionais, com uma diminuição do tempo de internamento e dos custos. Optou-se por uma abordagem global do doente, em que o conhecimento da sua capacidade funcional e do nível de independência pré-mórbidos, a identificação da patologia associada, o tratamento cirúrgico da fractura e a prevenção das complicações constituem passos fundamentais para o sucesso da reabilitação. Esta só é possível se o terreno tiver sido preparado desde o primeiro dia de internamento.
As recomendações a seguir apresentadas dividem-se em 13 pontos, em que se tentou seguir a ordem habitual e sequencial de actuação, desde o primeiro até ao último dia de hospitalização do idoso com fractura da extremidade proximal do fémur. Se nos primeiros 12 pontos são assinaladas as recomendações necessárias para a actuação durante o período de internamento, no último ponto, o de reabilitação, pretende-se fazer a ponte entre o internamento, o tratamento ambulatório e a comunidade, devendo os
procedimentos e actuações ser iniciados em internamento e continuados nos locais apropriados, após a alta clínica.
Os profissionais que consultarem este documento poderão escolher entre a leitura dos pontos relacionados apenas com a sua actividade profissional e a leitura da totalidade dos assuntos a seguir enumerados:

1. Imobilização do membro fracturado – tracção/não tracção

2. Prevenção das complicações da imobilização

3. Prevenção do tromboembolismo

4. Analgesia pré-operatória

5. Tempo cirúrgico

6. Prevenção da infecção

7. Tipo de anestesia
 
8. Tipo de cirurgia

9. Analgesia pós-operatória

10. Drenos cirúrgicos

11. Nutrição

12. Prevenção da confusão mental

13. Reabilitação
 
1. IMOBILIZAÇÃO DO MEMBRO FRACTURADO – TRACÇÃO  / NÃO TRACÇÃO

A aplicação de tracção cutânea/esquelética nos doentes com fractura da extremidade proximal do fémur, com o objectivo de aliviar a dor e facilitar a redução da fractura na altura da intervenção cirúrgica, não parece trazer benefícios para o doente, com base em alguns estudos. Deste modo, o uso, por rotina, de tracção (cutânea ou esquelética) prévia à cirurgia pode não trazer qualquer benefício. A aplicação do método deve ser uma decisão baseada na avaliação individual do doente15,16,17,18.
Não está demonstrado que a tracção do membro fracturado traga benefícios para o doente ou para a redução da fractura. A sua utilização deve ser ponderada individualmente.

2. PREVENÇÃO DAS COMPLICAÇÕES DA IMOBILIZAÇÃO

A imobilização prolongada pode causar profundas alterações fisiológicas e bioquímicas em praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Muitas vezes a imobilização dos doentes de idade avançada leva a um maior grau de incapacidade do que o causado pela fractura, pondo em risco o processo de reabilitação e aumentando significativamente o custo da assistência hospitalar.
A recuperação e reposição dos níveis anteriores ao decúbito demorará, pelo menos, um período de tempo igual ao período de permanência no leito.
A melhor prevenção para as complicações da imobilização é a mobilização e o levante, efectuados o mais precocemente possível.
Devem ser prevenidas as complicações cardiovasculares (alterações electrolíticas, trombogénese, desadaptação ao esforço e hipotensão ortos-tática); respiratórias (pneumonia por estase brônquica e modificação da  cinética costo-vertebral); digestivas (obstipação); genito-urinárias (estase, litíase e infecção urinária); do aparelho locomotor (perdas ósseas, rigidez articular, atrofia muscular); do revestimento cutâneo (escaras) e as neuropsicológicas (privação sensorial, ansiedade, agitação, desorientação temporo-espacial, alterações do sono)19, 20, através de:

Hidratação adequada, com registo dos líquidos ingeridos e eliminados

Dieta rica em fibras, com reforço proteico e de vitaminas. Em caso de obstipação, prescrever laxantes de contacto, como bisacodil, ou amolecedores das fezes, como docusato sódico

Prevenção do tromboembolismo (ver ponto 3)

Algaliação apenas quando estritamente necessário, pelo menor tempo possível e com os cuidados máximos de assepsia. Nos casos em que é necessário prolongar a algaliação mais de 24 horas após a cirurgia, passar
de drenagem contínua para intermitente, com os mesmos cuidados de assepsia

Posicionamentos alternados, consoante as possibilidades e tolerância

Protecção das proeminências ósseas

Higiene cuidada e lubrificação da pele com massagens suaves, tendo em atenção os pontos de pressão

Vigilância constante das ligaduras e da tolerância da pele aos adesivos, durante a tracção cutânea

Utilização de colchões anti-escara, de espuma, gel, água ou ar, consoante o grau de risco do doente

Cinesioterapia respiratória, com mobilização da caixa torácica, treino da respiração diafragmática, estimulação da tosse e aspiração das secreções, se necessário

Posicionamento articular correcto, evitando flexão das ancas, joelhos e tíbio-társicas

Mobilização articular, passiva ou activa, nas amplitudes máximas permitidas

Exercícios isométricos ou isotónicos diários

Acompanhamento dos doentes por um familiar ou amigo, na altura da transferência para o serviço, para que se sintam mais protegidos e mantenham um melhor sentido de orientação.
 
Explicação ao doente e família do tratamento que irá ser feito, o tempo  de espera cirúrgico e o tempo provável de recuperação

Estimulação e comunicação com o doente

Colocação de objectos pessoais na cabeceira do doente

Levante e carga o mais precocemente possível.

O melhor meio de prevenção das complicações da imobilização é o levante do doente.Nas situações em que a intervenção cirúrgica tem que ser protelada (para além das 24-48 horas), devem ser tomadas todas as medidas que previnam as consequências e desequilíbrios que a perda de mobilidade e o decúbito provocam na pessoa idosa. A intervenção em equipa, dos serviços de orto-traumatologia e de medicina física e de reabilitação, é fundamental nestas situações.

3. PREVENÇÃO DO TROMBOEMBOLISMO

O tromboembolismo venoso é uma causa importante de mortalidade e morbilidade pós-operatória em doentes com fractura da extremidade proximal do fémur. Um terço a metade dos doentes desenvolve trombose venosa profunda21,22 e 4% embolia pulmonar fatal 23.
A profilaxia do tromboembolismo é actualmente consensual, persistindo no entanto algum debate quanto ao agente mais eficaz e à duração do tratamento18,24,25,26,27.
A heparina de baixo peso molecular é uma terapêutica eficaz na prevenção do tromboembolismo. Tem uma maior biodisponibilidade do que a heparina não fraccionada e um maior efeito anticoagulante em doses fixas, não requerendo monitorização. A profilaxia pré-operatória tem uma reduzida frequência de complicações hemorrágicas (0,9% a 3,5%).
A heparina não fraccionada em doses baixas, por via sub-cutânea ou por infusão contínua endovenosa, é igualmente eficaz, mas requer uma monitorização do tempo de tromboplastina parcial activado ou dos níveis de heparina no sangue, sendo difícil administrar a dose correcta.
A varfarina sódica provou ser eficaz, mas torna necessária uma monitorização (INR), com o risco de sobre ou subdosagem.
A aspirina é menos eficaz que os anteriores, devendo ser apenas utilizada em doentes com risco de complicações hemorrágicas.As meias elásticas de compressão ou outros meios mecânicos (compressão
pneumática intermitente) parecem prevenir a trombose venosa profunda e proteger contra o embolismo pulmonar, reduzindo a mortalidade.
Devem ser um complemento terapêutico, aumentando a eficácia dos agentes anteriores.
A terapêutica deve ser iniciada na admissão e continuada por 7-10 dias, podendo ser prolongada para além destes dias, com provável redução dos fenómenos tromboembólicos em doentes de alto risco. Serão, no entanto, necessários mais estudos de custo/benefício.
Nos doentes operados, sob anestesia loco-regional, deve haver um intervalo de 10-12 horas entre a última administração de heparina de baixo peso molecular e o acto anestésico. A heparinização poderá ser reiniciada ao fim de 2-4 horas após a colocação do catéter. A remoção do catéter deve ser efectuada 10-12 horas após a última administração de heparina de baixo peso molecular, ou 1 hora antes da próxima administração.
A heparina de baixo peso molecular é uma terapêutica eficaz e, comparativamente à heparina não fraccionada, é de mais fácil administração, não necessitando monitorização. A associação de meias elásticas ou de outros meios de compressão mecânicos aumenta a eficácia. A terapêutica deve ser iniciada na admissão hospitalar e continuada pelo menos durante 7-10 dias.

4. ANALGESIA PRÉ-OPERATÓRIA

O reconhecimento da dor como expressão sensorial desencadeadora de consequências preocupantes, quer fisiológicas quer comportamentais, conduziu ao desenvolvimento de novos fármacos e de novas formas terapêuticas, procurando melhorar a qualidade dos serviços prestados e reduzir a morbilidade e os custos.
Assim, nasceu, entre outros, o conceito de analgesia balanceada, em que, utilizando diferentes fármacos (anti-inflamatórios não esteróides e opióides), consoante a intensidade da dor, se alcança uma melhor qualidade analgésica, com um mínimo de efeitos secundários28.
Administrar anti-inflamatórios não esteróides e opióides para diminuir o sofrimento e o stresse, evitando assim o agravamento da patologia associada.5.

TEMPO CIRÚRGICO

A intervenção cirúrgica deve ser efectuada o mais precocemente possível, após a estabilização da patologia médica comórbida, particularmente a de carácter cardio-pulmonar e de equilíbrio hidro-electrolítico. A demora cirúrgica leva a um aumento do tempo de internamento e pode causar complicações, incluindo escaras, pneumonia e confusão mental.
Os resultados de vários estudos sugerem que o tratamento cirúrgico precoce (dentro das primeiras 24 a 48 horas) está associado a uma redução da mortalidade destes doentes no primeiro ano18,25.
A cirurgia deve ser efectuada nas primeiras 24 a 48 horas de internamento e só deverá ser protelada se o doente necessitar de compensar patologia associada.

6. PREVENÇÃO DAS INFECÇÕES

Utiliza-se antibioterapia profiláctica para prevenção de infecções no pós-operatório, podendo optar-se pelo uso de cefalosporinas de primeira ou de segunda geração (desde que não exista contra-indicação, por exemplo alergias). A primeira dose deve ser administrada até duas horas antes da cirurgia e mantida durante 24 horas 25,29.
Administrar antibioterapia intravenosa até duas horas antes da cirurgia e manter durante 24 horas.

7. TIPO DE ANESTESIA

Actualmente a maioria destas fracturas é tratada cirurgicamente, sob anestesia geral ou loco-regional. A escolha da técnica anestésica deve ter em conta as características e preferência do doente e a experiência do anestesista.
Os estudos realizados não apontam grandes diferenças entre a anestesia loco-regional e a anestesia geral, no que respeita à morbilidade e mortalidade.
Contudo, a anestesia loco-regional (bloqueio subaracnoideu e bloqueioepidural) está associada a uma menor incidência de trombose venosa profunda, menos estados confusionais e menor índice de mortalidade durante o 1º mês.30,31
A anestesia loco-regional (bloqueio subaracnoideu e bloqueio epidural)  apresenta vantagens em relação à anestesia geral, com diminuição da incidência do tromboembolismo e da mortalidade no 1º mês.

8. TIPO DE CIRURGIA

O método de estabilização cirúrgica deverá permitir uma mobilização e carga precoces, com a utilização de técnicas pouco agressivas, mas com implantes que possibilitem uma estabilização mecânica imediata 13,15,18,32,33.

FRACTURAS DO COLO FEMORAL

Nas fracturas subcapitais encravadas pode optar-se por tratamento conservador (com carga precoce, com o objectivo de promover a impactação e consolidação da fractura), ou a fixação à mínima com parafusos canulados.
Nas fracturas subcapitais descoaptadas e nas transcervicais deverá proceder-se à substituição artroplástica da cabeça do fémur, com artroplastias parciais ou totais da anca. Nos doentes com idade avançada e/ou pouca mobilidade devem efectuar-se artroplastias parciais da anca (tipo prótese de Moore).
Nos doentes com idade avançada e boa actividade física, sem sinais artrósicos na anca, deve efectuar-se artroplastia parcial com cabeça fisiológica ou bipolar.
Nos doentes com uma esperança de vida alargada, e com um bom potencial funcional, deve optar-se pela artroplastia total da anca.
Nas fracturas basicervicais, desde que seja possível a conservação da cabeça do fémur, deve optar-se por sistemas de osteossíntese com parafuso dinâmico de deslizamento e placa.

FRACTURAS TROCANTÉRICAS

Nas fracturas trocantéricas, consideramos dois grandes grupos: as estáveis e as instáveis. Nas fracturas estáveis deve efectuar-se osteossíntese com parafuso dinâmico de deslizamento e placa; nas instáveis a osteossíntese deve ser realizada com encavilhamento endomedular e parafuso dinâmico.

FRACTURAS SUBTROCANTÉRICAS

Nas fracturas subtrocantéricas podem utilizar-se vários métodos de osteossíntese: encavilhamento endomedular com parafuso dinâmico; encavilhamento endomedular estático, se a fractura se situar já na zona diafisária; osteossíntese com placa, com ou sem parafuso dinâmico.Optar, na maioria das fracturas da extremidade proximal do fémur,  pelo tratamento cirúrgico, com implantes que possibilitem uma estabilização mecânica imediata e a mobilização e carga no pós-operatório.

9. ANALGESIA PÓS-OPERATÓRIA

A dor pós-operatória é uma experiência sensitiva e emocional e, ou, disfunção visceral. É uma dor aguda que possui a particularidade de conhecermos o seu início, e que, em geral, diminui de intensidade como consequência do processo de recuperação cirúrgica. No doente submetido a cirurgia da extremidade proximal do fémur, a dor é essencialmente do tipo somático, afectando a pele, músculos, articulações, ligamentos e osso. A sua principal característica é estar bem localizada e ser definida pelo doente de forma clara e precisa.
É fundamental relacionar a dor com a cirurgia, já que o doente pode sofrer também de dor de outra causa, por algum tipo de complicação relacionada ou não com a intervenção. A dor pós-operatória não depende unicamente do acto cirúrgico, mas também está relacionada com outros factores como a idade, o sexo, factores étnicos, socioculturais, psicológicos e da técnica anestésica utilizada durante a intervenção.
Uma vez definida a dor como pós-operatória, devemos avaliar a sua intensidade.
Existem múltiplas escalas de dor, sendo as mais comuns a verbal, a numérica (0 a 10) e a escala visual analógica (VAS). O registo da intensidade da dor vai proporcionar a avaliação da eficácia do seu tratamento.
O tratamento da dor pós-operatória, para além das vantagens referidas no ponto 4 (aumento da qualidade, diminuição da morbilidade e dos custos), vai ainda permitir uma mobilização mais rápida e facilitar a execução do programa de reabilitação.
A Unidade de Dor Pós-Operatória, já existente nalguns hospitais, e que se pretende alargar a todos os hospitais públicos com actividade cirúrgica, virá certamente facilitar e tornar mais eficaz o tratamento da dor pós-operatória.
Podemos recorrer a diferentes formas e vias de administração para tratar a dor pós-operatória nestes doentes28,34:

Analgesia balanceada com opióides e anti-inflamatórios não esteróides, por via endovenosa ou per os PCA (“patient controlled analgesia”), a analgesia controlada pelo doente,  que consiste na auto-administração de pequenos bólus de um analgésico, geralmente um opióide, através de um dispositivo electrónico, com intervalos previamente fixados e de acordo com as suas necessidades
Analgesia epidural, técnica particularmente indicada nesta situação, que consiste na colocação de um catéter epidural lombar, através do qual se administram fármacos seleccionados (principalmente opiáceos e anestésicos locais), em bólus, perfusão contínua ou a pedido do doente.
A dor pós-operatória deve ser controlada com analgesia balanceada (anti-inflamatórios não esteróides e opióides), analgesia controlada pelo doente (PCA – “patient controlled analgesia”) ou analgesia epidural.

10. DRENOS CIRÚRGICOS

A utilização de drenos, no pós-operatório da cirurgia da fractura da extremidade proximal do fémur, deve ser deixada ao critério do cirurgião. Existem, contudo, algumas considerações a ter em conta. Se tiver havido um bom cuidado na hemostase e o tipo de intervenção cirúrgica não tiver sido muito agressivo, pode prescindir-se da utilização de drenagens. Quando se opte pela sua utilização, os drenos devem ser removidos 24 a 48 horas após a intervenção cirúrgica18.
Utilizar drenagens cirúrgicas, quando consideradas necessárias, e remover os drenos 24-48 horas após a sua inserção.

11. NUTRIÇÃO

Cerca de 20% dos doentes com fractura da extremidade proximal do fémur encontram-se subnutridos na altura do acidente. Durante o internamento, metade dos doentes consome menos de 50% das suas necessidades energéticas e cerca de 1/3 consome menos de 50% das necessidades proteicas35. A subnutrição pode levar a um aumento das complicações pós-operatórias, a uma maior dificuldade na mobilização e à apatia mental.

No ponto 2 destas recomendações já foi focada a importância da nutrição e hidratação dos doentes, na prevenção das complicações da imobilização.Assim, durante o internamento deverá ficar assegurada uma alimentação com suficiente aporte calórico, proteico, glucídico, vitamínico e hídrico, de forma a minimizar as complicações e permitir a reabilitação.
Estudos recentes mostraram que os suplementos de multinutrientes (proteínas, vitaminas, sais minerais), por via oral, podem reduzir as complicações, apesar de não terem demonstrado qualquer efeito na redução da mortalidade 35.
Os suplementos proteicos orais podem reduzir o tempo de permanência na reabilitação e o número de complicações, não tendo efeito na mortalidade 25,35.
Os doentes muito magros, com subnutrição moderada a grave, podem beneficiar com a alimentação por via entérica (tubo nasogástrico), caso a tolerem, com redução do tempo de internamento 25,35.
A ingestão de suplementos de multinutrientes (proteínas, vitaminas e sais minerais) pode reduzir as complicações pós-operatórias. A administração de reforço proteico, para além de poder reduzir as complicações, pode diminuir o tempo de permanência na reabilitação.

12. PREVENÇÃO DA CONFUSÃO MENTAL

A confusão mental ocorre em 61% dos doentes com fractura da extremidade proximal do fémur. Em doentes internados a confusão mental aumenta o tempo de internamento, o risco de complicações, a mortalidade e a institucionalização. Pode interferir com a reabilitação, atrasando o retorno à deambulação 25.
As causas mais frequentes de confusão mental são os desequilíbrios hidro-electrolíticos, as infecções, as alterações metabólicas, a diminuição da perfusão cerebral e a toxicidade medicamentosa 25. O internamento, ao inserir o doente num ambiente diferente do seu e rodeando-o de caras desconhecidas, pode contribuir para o agravamento da confusão mental.
Assim, a sua prevenção passa por uma correcta nutrição e hidratação, pelo controlo e reposição dos níveis de hemoglobina, pela prevenção das infecções, pela administração de O2 no pré e pós-operatório (mediante controlo da oximetria) e pela prescrição criteriosa de sedativos-hipnóticos e anti colinérgicos18,25.
A manipulação do meio ambiente, através da introdução de objectos  pessoais junto à cabeceira do doente e da presença da família ou de pessoa significativa, pode contribuir para a reorientação do doente e reduzir a incidência de confusão mental 25.
Para diminuir a incidência de confusão mental, é importante, para além de prevenir e combater os factores e causas precipitantes, colocar junto do doente objectos pessoais e autorizar a presença da família ou de pessoa significativa, sempre que possível.

13. REABILITAÇÃO

Reabilitar o doente idoso significa facilitar o desenvolvimento das suas potencialidades máximas, a nível físico, psicológico, familiar e social, em função das suas deficiências fisiológicas e anatómicas e limitações ambientais36.
Para que estes objectivos sejam atingidos, é necessária uma intervenção não só no próprio doente, mas também junto dos familiares ou dos prestadores de cuidados e a nível do meio ambiente envolvente.
Neste ponto – reabilitação – abordar-se-á a intervenção dos vários elementos da equipa multi-interdisciplinar, tentando, dentro do possível, seguir uma ordem sequencial de actuação. Quanto à prevenção das complicações da imobilização, uma vez que já foi focada no ponto 2 destas recomendações, não será aqui apresentada. Serão abordados os seguintes temas:

Avaliação funcional e determinação do potencial de reabilitação

Reeducação funcional

Avaliação sociofamiliar e dos recursos na comunidade

Alta clínica e reinserção na comunidade

Prevenção de novas fracturas.

AVALIAÇÃO FUNCIONAL E DETERMINAÇÃO DO POTENCIAL DE REABILITAÇÃO

O retorno do doente ao nível funcional e de independência anterior à fractura será facilitado, se houver, logo nos primeiros dias do internamento, uma intervenção multi-interdisciplinar que englobe, para além dos profissionais dos Serviços de Orto-Traumatologia e de Anestesia, elementos do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, Enfermeiro de Reabilitação e Técnico do Serviço Social (caso não estejam inseridos nos serviços anteriormente designados). Para o estabelecimento do programa de reabilitação, é necessária uma avaliação funcional do doente, assim como a colheita de dados importantes para a estratégia de reabilitação, tais como o nível funcional anterior, o grau de independência nas actividades da vida diária, o tipo e local de residência e os suportes sociais 19,36.
Nos primeiros contactos com o doente, o Fisiatra, através da anamnese, observação do doente e quantificação da sua funcionalidade (com a utilização de escalas funcionais – Ex: Barthel, MIF), toma conhecimento dos problemas e potencialidades existentes: as patologias comórbidas e a medicação efectuada, a capacidade para a marcha e o nível de independência nas actividades da vida diária antes da fractura, as capacidades cognitiva e cárdio-respiratória presentes, a mobilidade articular e a força muscular ao nível do aparelho locomotor.
O conhecimento do doente completa-se através do contacto com a família, que deverá ser, sempre que possível, interveniente e peça fundamental no processo de reabilitação. Os familiares poderão fornecer os dados, que doentes com demência ou confusão mental não conseguem transmitir, e dar uma panorâmica mais clara da situação social do doente, local de residência e acompanhamento humano na comunidade.
É através deste conhecimento global que se determina o potencial de reabilitação e os objectivos a atingir e se estabelece o programa de reabilitação, com vista à mobilização do doente imediatamente após a cirurgia e a um rápido retorno ao seu nível funcional anterior e à comunidade. Para além do Fisiatra, serão chamados outros profissionais para intervir nesta fase da reabilitação, consoante os recursos existentes nos serviços e as necessidades dos doentes, nomeadamente: Enfermeiro, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional e Assistente Social.
A equipa multi-interdisciplinar deve avaliar o doente nos primeiros dias, após o internamento, com a finalidade de elaborar o programa de reabilitação e, em conjunto, programar desde logo a alta hospitalar.

REEDUCAÇÃO FUNCIONAL

O programa de reeducação funcional deverá ter sempre em conta o doente (grau de funcionalidade anterior e potencial de reabilitação), acirurgia efectuada e a estabilidade adquirida. É importante e desejável que o planeamento da reeducação seja resultante da intervenção conjunta do Ortopedista e do Fisiatra.

Após o tratamento cirúrgico da fractura, a reeducação incidirá em três vertentes principais:

Mobilização articular da anca operada e restantes articulações dos membros

Fortalecimento muscular, em especial do membro operado, em isometria ou através de exercícios isotónicos

Treino das transferências e da marcha, dependentes do potencial do doente.

A mobilização da anca operada e a carga sobre o membro operado, durante a marcha, poderão efectuar-se com ou sem restrições. A mobilização da anca operada é realizada sem restrições, na grande maioria das intervenções cirúrgicas, respeitando apenas a tolerância do doente. As excepções são as fracturas operadas de artroplastia parcial ou total. Nestes casos, devem ser tomadas precauções no sentido de prevenir a luxação da prótese, durante 8 –10 semanas19,32. As limitações serão diferentes, consoante a via de abordagem cirúrgica utilizada:

(a) Via de abordagem anterior ou antero-externa – Não efectuar flexão acima dos 70-90º, rotação externa ou adução (para além da linha média) e, sobretudo, não efectuar estes movimentos em combinação.

Não efectuar a hiperextensão da anca.

(b) Via de abordagem posterior – não ultrapassar os 70º - 90º de flexão, não efectuar rotação interna, adução (para além da linha média) ou a combinação destes movimentos.

A transferência do doente do leito para a cadeira pode efectuar-se após a remoção dos drenos, desde que o doente esteja hemodinamicamente estável. A locomoção pode ser então iniciada (24-48 horas após a cirurgia).
Todo o doente que realizava marcha, antes da fractura, deverá fazer o treino com o auxiliar mais adequado para a suas capacidades (começa habitualmente com o andarilho).

A carga sobre o membro operado vai depender da estabilidade da fractura e do tipo de implante utilizado. Estes dois factores estão directamente dependentes do acto cirúrgico, cabendo ao Ortopedista ditar as regras, caso a caso. De uma maneira geral, desde que a fractura esteja estável, a carga épermitida apenas com as limitações impostas pela tolerância do doente19.


Na artroplastia total não cimentada, alguns cirurgiões não permitem a carga total no membro operado antes de 6 a 8 semanas19, 32, 37.

O programa de reeducação funcional deve ser o resultado dum plano conjunto do Ortopedista e do Fisiatra.Tanto a mobilização da anca operada como a carga no membro estão dependentes do tipo de cirurgia e da estabilidade conseguida.

Na maioria dos casos não existem restrições à mobilização da anca operada ou à carga durante a marcha, para além das impostas pela tolerância do doente.

A artroplastia parcial ou total da anca é a excepção, levando a restrições na mobilização, durante 8-10 semanas.

Na artroplastia total não cimentada alguns cirurgiões limitam a carga total durante 6-8 semanas.

AVALIAÇÃO SOCIOFAMILIAR E DOS RECURSOS NA COMUNIDADE

Só é possível conhecer o doente na sua globalidade quando esse conhecimento vai um pouco mais além da instituição de saúde. Apreender o ambiente familiar, as relações afectivas, a disponibilidade dos familiares (quando existam), ou mesmo das instituições de suporte social, é questão fundamental para a preparação da alta clínica. Compreender o impacto da situação “doença – fractura do fémur”, tanto no doente como na família, e suas repercussões é de extrema importância para os técnicos da equipa multi-interdisciplinar. É importante que se proporcione, informalmente, espaço para que verbalizem os seus medos e inseguranças “de estragar o que está feito”. Detectar e despistar as “ameaças” e barreiras sentidas pelo doente e família é um trabalho que deverá ser desenvolvido durante o internamento,o mais precocemente possível, e trabalhado dentro da equipa.

Deste modo, será possível preparar a reintegração na comunidade, eliminando barreiras, sejam elas psicológicas ou físicas, accionando os recursos disponíveis na comunidade, para que funcionem como agentes facilitadores da reabilitação do doente. Perceber o enquadramento sociofamiliar do doente será o primeiro passo para a sua reintegração social. Eliminar ameaças e barreiras é questão fundamental para o sucesso da reabilitação.
 
Recursos na comunidade
 
Os recursos a accionar podem ser monetários ou humanos. Relativamente aos primeiros – monetários -, deve-se apurar se a queda foi acidental ou causada por terceiros.
No caso de queda acidental, devem accionar-se os sistemas do Serviço Nacional de Saúde, seja a Segurança Social, outros subsistemas ou seguros de saúde. No caso de queda causada por terceiros (acidente de viação ou queda em espaço público), deverá recorrer-se, de imediato, à respectiva companhia seguradora, como entidade financeira responsável – EFR.

Os recursos monetários envolverão:

Subsídio de dependência

Subsídio para apoio domiciliário

Subsídio para lar

Aquisição de ajudas técnicas.

Estes recursos contemplam não só o doente, mas também suportam a perda eventual de ganhos da pessoa que acompanha o doente.

Os recursos humanos serão:

Apoio domiciliário – Integrado normalmente nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) – Misericórdias locais, Cáritas, Associações de Reformados, Ligas de Amigos e Associações Mutualistas. Este apoio tem normalmente três vertentes: higiene pessoal e ambiental e apoio de refeições.

Em algumas localidades, para utente que vive só, existe apoio nocturno e também o sistema TELEALARME

Cuidados Continuados – que poderão envolver várias modalidades e técnicos, consoante as localidades (Médico, Enfermeiro, Fisioterapeuta e/ou apoio domiciliário)

Centro de Dia – cuidados de higiene, alimentação e acompanhamento diário

Integração em equipamento colectivo – Lar / Casa de Repouso

O familiar ou acompanhante poderá usufruir até 15 dias (justificados) para assistência à família, que deverão ser utilizados quando o doente regressar ao domicílio.A activação atempada (enquanto o doente se encontra hospitalizado) de todos os meios disponíveis irá permitir que a alta clínica coincida com a saída do doente do hospital e que este prossiga a sua reabilitação, sem barreiras ou inseguranças, de modo a retomar a sua vida normal o mais rapidamente possível.
A avaliação psicossocial deverá ser efectuada o mais precocemente possível, de forma a permitir que sejam activados todos os recursos necessários, ainda durante o internamento do doente.

ALTA CLÍNICA E REINSERÇÃO NA COMUNIDADE

O levantamento das condições socioeconómicas e dos recursos na comunidade, como atrás desenvolvido, é fundamental. É da comunicação entre os elementos da equipa e o doente e/ou seus familiares que se desenha a reeducação e a reabilitação.
Com vista a uma diminuição dos custos com as fracturas da extremidade proximal do fémur, vários modelos de intervenção têm sido utilizados.
Consoante os recursos existentes, as opções vão diferir de país para país e de local para local, preferindo alguns a reabilitação dos doentes no domicílio, outros em casa de repouso, em lar, ou em centros de reabilitação e outros ainda em internamento, com equipa multidisciplinar, sob a supervisão de Fisiatra ou de Geriatra. Qualquer que seja o modelo escolhido,
a finalidade é reduzir o tempo de internamento, mas preservando ou aumentando a qualidade dos cuidados. Não se conhecem, até à data, estudos conclusivos quanto ao modelo mais eficaz38.

No nosso país, alguns estudos14 mostraram que tempos de hospitalização alargados não equivalem a uma melhoria dos cuidados ou a uma mobilização e treino da marcha mais prolongados em internamento. Em muitos casos, os doentes têm alta sem receberem a visita do Fisioterapeuta e com um decréscimo acentuado do seu nível funcional14.
Por outro lado, a reabilitação fora do internamento parece ter vantagens39,40,41, sendo preferida pelos doentes e acelerando o retorno ao nível funcional e independência anteriores, embora com a sobrecarga dos prestadores de cuidados39.
A diminuição dos tempos de internamento requer, no entanto, o estabelecimento de alternativas seguras para a reabilitação após a alta clínica.

Antes de o doente deixar o hospital, deverão estar asseguradas as seguintes condições:
 
Ausência de sinais de infecção da ferida operatória


Estabilização hidro-electrolítica e cardio-respiratória

Aquisição do nível funcional previsto para o período de internamento

Prescrição da medicação domiciliária, não esquecendo a analgesia

Prescrição e/ou aconselhamento dos auxiliares da marcha e dispositivos de compensação necessários

Activação dos recursos humanos necessários para a integração na comunidade

Certificação de que os familiares ou prestadores de cuidados compreenderam e apreenderam os limites de mobilização impostos pelo tratamento da fractura, seja cirúrgico ou conservador, de forma a auxilarem o doente nas suas actividades diárias, sem medo e em segurança. A aprendizagem pode ser facilitada através de folhetos que contenham as indicações julgadas necessárias

Continuação atempada do tratamento de reeducação funcional, seja em ambulatório, no Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital, seja no domicílio, com apoio dos cuidados continuados e de Fisioterapeuta do Centro de Saúde, em Clínica Convencionada, ou em Lar/Casa de Repouso, desde que com o recurso de Fisioterapia. Deve ser assegurado transporte nos casos em que for necessário

Marcação de consultas de seguimento (Orto-Traumatologia, Medicina Física e de Reabilitação e outras que se afigurem necessárias).

Quaisquer que sejam os recursos ou instituições utilizados, na data da alta hospitalar, o doente deverá ser referenciado com informação clínica e funcional, através de carta, impresso próprio ou do boletim de cuidados no domicílio.

Cada serviço deverá encontrar o modelo de reabilitação mais adequado às condições e meios existentes, tendo por objectivos a diminuição dos custos e a melhoria dos cuidados. Na data da alta clínica, devem estar asseguradas as condições essenciais e necessárias para o restabelecimento médico-cirúrgico do doente e para a continuação da sua reabilitação.

PREVENÇÃO DE NOVAS FRACTURAS

Cerca de 1% dos doentes com fractura da extremidade proximal dofémur sofrerá nova fractura ao fim de 1 ano42,43. A prevenção de novas fracturas deverá ser uma prioridade para todos os profissionais que acompanham estes doentes em consultas de seguimento. A intervenção deverá incidir em três variáveis:

Prevenção das quedas

Protecção das ancas

Estabilização ou diminuição das perdas ósseas

PREVENÇÃO DAS QUEDAS

No idoso, numerosos factores podem ser causadores de queda, uns intrínsecos, outros extrínsecos ou ambientais.
Como causas intrínsecas apontam-se: idade avançada, défices visuais, auditivos e vestibulares, doença cardiovascular ou neurológica, diminuição da força muscular e da flexibilidade e equilíbrio deficiente. As causas ambientais também são várias: mobiliário, chão molhado ou encerado, tapetes, degraus e escadas, falta de iluminação, animais domésticos e outros44,45.

Não está comprovado que programas isolados de exercício físico diminuam a incidência das quedas46. As intervenções que provaram ser mais eficazes foram as de duração mais prolongada, ou de maior intensidade, e as que tinham por objectivo ou alvo múltiplos factores de risco, tanto intrínsecos como extrínsecos.

Os esquemas de intervenção poderão conter:

Exercícios para melhoria da força dos membros superiores e inferiores, do equilíbrio estático e dinâmico, das transferências e da subida e descida de escadas47.

Modificação de comportamentos de risco nas diversas actividade diárias.

Estudo das ajudas técnicas necessárias para melhorar a segurança e aumentar a confiança do doente.

Para o desenho do programa de prevenção das quedas será necessária uma avaliação prévia dos défices funcionais e dos comportamentos de risco, permitindo, assim, focar a intervenção nos riscos específicos de cada doente46. As intervenções desenhadas para reduzi o número de quedas serão mais benéficas, se incidirem em factores e comportamentos de risco, após estudo prévio e individual. A realização de exercícios para melhoria da força muscular e do equilíbrio, associada às modificações comportamentais e do ambiente, parece ser eficaz na prevenção das quedas.

PROTECÇÃO DAS ANCAS

Os protectores da anca são cintas ou calções em algodão com a inserção de duas protecções laterais, que, numa queda, reduzem a força transmitida à região proximal do fémur48. Estão comercializados em Portugal dois tipos de protectores, um deles utilizando almofadas macias e outro conchas semi-rígidas.

A eficácia dos protectores da anca foi já definitivamente estabelecida, tendo-se demonstrado que reduzem o risco de fractura da extremidade proximal do fémur em 53%49. A sua utilização parece justificar-se em certas populações de alto risco (como o idoso, com osteoporose e história de quedas), não sendo ainda claro o seu custo/benefício48. A adesão é ainda um problema, seja por aspectos estéticos50, seja pela dificuldade em vestir e despir, sobretudo em doentes com défices músculo-esqueléticos ou cerebrais49.
A aceitação pode melhorar com a aplicação das protecções laterais directamente na pele ou na peça de vestuário49.

Os protectores da anca, já comercializados em Portugal, reduzem o risco de fractura da extremidade proximal do fémur, justificando-se a sua utilização nas populações de risco.

ESTABILIZAÇÃO OU DIMINUIÇÃO DAS PERDAS ÓSSEAS

Os idosos deverão manter um estilo de vida fisicamente activo, com a prática regular de um programa de exercícios de endurance e/ou carga escolhidos de acordo com as capacidades e apetências de cada um, salientando- se a marcha, a ginástica de manutenção, a dança (T’ai Chi), a hidroginástica e a natação. Realçamos, no entanto, que o seu efeito na massa óssea após a adolescência é modesto, sendo importante, como já citado, na prevenção das quedas. De forma adicional, é aconselhável uma boa exposição solar e, de acordo com as doses diárias recomendadas, uma adequada ingestão de cálcio (entre 1500 e 2000 mg/dia) e de vitamina D (entre 400 e 800 UI/dia). A vitamina D deve ser administrada nos casos em que a exposição solar se afigure insuficiente, sendo então necessária a monitorização da calciúria na urina de 24 horas para um adequado ajuste posológico.

Relativamente à introdução específica, a atitude a tomar deverá ter em consideração a idade, o estado geral e a actividade do próprio doente. Nos doentes com uma esperança de vida alargada, que faça prever perdas ósseas prolongadas, deverão ser instituídas as terapêuticas anti-reabsortivas, como os bifosfonatos, as terapêuticas hormonais de substituição (THS), os moduladores selectivos dos receptores de estrogéneos (SERMS) e a calcitonina.

A eficácia destes fármacos, na densidade mineral óssea e na redução do risco fracturário, é variável. Medicamentos com acção estimulante na formação óssea estão ainda em fase de investigação, embora a PTH, as estatinas e o renalato de estrôncio tenham vindo a mostrar resultados promissores51.

Na presença de fracturas do colo femoral ou vertebrais, o The International Committee for Osteoporosis Clinical Guidelines52 recomenda, como primeira linha de tratamento, os bifosfonatos ou THS. Como alternativas, o etidronato cíclico ou a calcitonina em spray nasal. A THS torna-se agora menos consensual após a apresentação dos resultados do estudo WHI (Women’s Health Initiative Study), em que se registou o aumento de acidentes cardio e cerebrovasculares e de tromboses venosas 53,54.

Nos doentes com baixa esperança de vida e que raramente saem à rua, a terapêutica combinada, cálcio-vitamina D, poderá ser a mais adequada.

As atitudes a tomar para prevenir as perdas ósseas, para além da realização regular de exercício físico e da ingestão das doses diárias recomendadas de cálcio e de vitamina D, vão depender da esperança de vida, do estado geral e da actividade do doente:

Doentes com esperança de vida maior – Bifosfonatos ou THS (1ª linha); etidronato cíclico ou calcitonina em spay nasal, em alternativa.

Doentes com baixa esperança de vida – Cálcio e Vitamina D.
 
Apresentação das recomendações para intervenção terapêutica junto do idoso com fractura da extremidade proximal do fémur tem como objectivos a diminuição da morbilidade, da mortalidade e dos custos. Considera- se fundamental a intervenção duma equipa multi-interdisciplinar que, através duma avaliação e intervenção logo nos primeiros dias de internamento, previna as complicações e programe a reabilitação do doente.

Imobilização do membro fracturado – Tracção

Ponderar a sua utilização caso a caso. Não está demonstrado que traga benefícios para o doente ou para a redução da fractura.

Prevenção de escaras

Alternar os posicionamentos, proteger as proeminências ósseas, proceder à higiene e lubrificação da pele, utilizar colchões anti-escara.

Prevenção das complicações urinárias

Hidratar. Algaliar apenas quando estritamente necessário.
Passar a drenagens intermitentes, quando for necessário prolongar a algaliação para além das 24 horas, após a cirurgia.

Prevenção do tromboembolismo

Iniciar heparina de baixo peso molecular, na admissão, e continuar pelo menos durante 7-10 dias. Associar meios de compressão mecânicos.

Tempo cirúrgico

Efectuar a cirurgia nas primeiras 24 a 48 horas de internamento e protelá-la apenas se o doente necessitar de compensar patologia associada.

Prevenção das infecções

Administrar antibioterapia intravenosa até duas horas antes da cirurgia e manter durante 24 horas.

Tipo de analgesia

Pré-operatório – analgesia balanceada (AINE, opióides)
Pós-operatório – analgesia balanceada, analgesia controlada pelo doente (PCA) ou analgesia epidural.Tipo de anestesia

A anestesia loco-regional, comparada com a anestesia geral, diminui a incidência de tromboembolismo e a mortalidade no 1º mês.

Tipo de cirurgia

Utilizar implantes, que possibilitem uma estabilização mecânica imediata e a mobilização e carga no pós-operatório.

Drenos cirúrgicos

Utilizar quando considerados necessários e remover os drenos 24-48 horas, após a sua inserção.

Nutrição

Promover a ingestão de suplementos de proteínas, vitaminas e sais minerais. Considerar alimentação por via entérica em doentes subnutridos.

Prevenção da confusão mental

Manter o equilíbrio hidro-electrolítico e repor os níveis de hemoglobina. Administrar O2, se necessário (mediante oximetria). Autorizar a presença de familiar e a colocação de objectos pessoais junto do doente.

Reabilitação

Avaliação clínica, funcional, sociofamiliar e dos recursos na comunidade, por equipa multi-interdisciplinar, nos primeiros dias de internamento. Estudo das ajudas técnicas e programação da alta clínica e da reinserção na comunidade.

Reeducação funcional

Iniciar mobilização da anca operada e treino da marcha 24-48 horas após a cirurgia, apenas com as restrições impostas pela tolerância e capacidade funcional do doente, na grande maioria das intervenções cirúrgicas.

Prevenção de novas fracturas

Prevenir as quedas através da realização de exercícios para melhoria da força muscular e do equilíbrio, conjuntamente com modificações comportamentais e do ambiente. Proteger as ancas. Estabilizar ou diminuir as perdas ósseas.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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ISBN 972-675-088-1


ISSN 0871-2786

Stroke AVC Guidelines for multidisciplinary allied health professional care

Allied Health Professional Care Pathway


Case Example
  • Betty is a 40-year-old woman, married with no children; she lives with her husband in a first floor flat.
She works as a personal secretary in a large company.

  • Betty collapsed and was admitted to the A&E department with the signs and symptoms of a stroke.


Diagnostic and assessment

• Diagnostic Radiographer – fast-tracked CT brain scan and was responsible for taking, evaluating and reporting on the scan which showed the location of the stroke and any other problems it may have caused.

• Speech and Language Therapist – on admission conducted a dysphagia screen.

• Occupational Therapist –initial interview to determine previous level of function, roles, tasks required within roles and home/community environment.
A neurophysical assessment, cognitive and perceptual screen and a functional assessment were undertaken.



Intervention

Dietitian – assessed nutritional status and requirements and risk of refeeding syndrome. A feeding regimen was planned in liaison with nursing and medical staff. The feeding process was monitored daily initially until blood results were stable.

• Physiotherapist – acute rehabilitation work with 2 physiotherapists to facilitate balance and normal movement including safe transfers and walking.

• Speech and Language Therapist – a comprehensive swallow assessment was conducted within 72 hours of admission and a communication assessment within 7 days of admission. Recommendations were made for alternative feeding, supplementary feeding and supervision. The nature of the swallowing problem was discussed with Betty and her husband and swallowing therapy exercises were advised.

• Diagnostic Radiographer – instrumental assessments with videofluoroscopy provided further information on overall swallow physiology.

• Orthoptist – a subtle 4th cranial nerve palsy caused vertical double vision on downgaze. This was originally missed by the neurology registrar, but detected by orthoptic stroke service. Temporary prisms were fitted on Betty’s glasses and she was advised how to use head movements (rather than eye movements) to look down, and to use separate reading glasses rather than bifocals, which helped eliminate double vision for everyday tasks. Regular follow-ups were required to change prisms during recovery.

• Occupational Therapist – worked with Betty to assist her in achieving occupational goals relating to identified self-care, leisure and work activities.
• Physiotherapist - assessed within 72 hours of her admission and short and long term goals were set with Betty and her husband.



Follow up and rehabilitation

• Diagnostic Radiographer – a follow-up CT brain scan to monitor progress. Images were taken, evaluated and reported.

• Dietitian – information regarding the long-term management and feeding process was supplied.

• Physiotherapist – 30 rehabilitation sessions over 6 weeks were undertaken at the community stroke unit.

• Orthotist – due to her loss of ability to dorsiflex her ankle Betty required an ankle foot orthosis; this gave her ankle dorsiflexion and prevented her from tripping up. In addition, she required a knee brace to prevent hyperextension of the knee.

Ongoing involvement

• Speech and Language Therapist – Betty continued to require therapy exercises for swallowing and communication difficulties and for vocational support for her return to work, social and leisure pursuits.

• Occupational Therapist – Betty required help with her home environment, including self care and meal preparation. She also needed support with her shopping and with her return to work. This included in-depth task analysis of activities required within her working life, analysis of her current skills and deficits which would impact on her roles, a visit to her work place to assess her work environment and liaison with her employers.

No Allied Health Professional Care Pathway

• Diagnostic Radiographer – without the imaging, exact diagnosis and progress of the condition were unknown and therefore management was compromised.

• Occupational Therapist - no assessment was conducted therefore cognitive and perceptual deficits were not identified. Behavioural, psychosocial and confusion issues were wrongly assumed. No rehabilitation which led to a loss of independence, inability to perform her own self-care tasks, transfers etc. Discharged with full care package and husband also had to stop work to look after Betty. Unable to leave her home which led to isolation and a lack of integration back into society. As a result there was a loss of roles and their marriage broke down. Disability benefit for life was required.

• Speech and Language Therapist - swallowing problems led to malnutrition which resulted in complications including chest infections, urinary tract infections, breakdown in skin integrity and subsequent sores and ulcers which led to delays in discharge. Communication issues reduced efficacy of rehabilitation and decision making with the family; reduction in mood and depression and behavioural problems such as aggression as a result of not being able to communicate.

• Dietitian - Betty required ongoing feeding at home and was assessed by the multidisciplinary team as a candidate for nasogastric feeding.
Arrangements were organised for home feeding.

• Physiotherapist - development of further musculoskeletal problems e.g. contractures with the need for surgery.

• Orthoptist - diplopia was not diagnosed and therefore Betty was uncertain with stairs and kerbs which led to several falls. Discharged home with double vision on downgaze. Unable to read or do close work comfortably.

• Orthotist - Betty tripped and had a fall breaking her ankle.

• Betty became housebound and needed 24 hour care, a wheelchair and hoist. Avoided going out, suffered loss of confidence and depression and was unable to return to work.

rfahp@ahpf.org.uk

quarta-feira, 9 de março de 2011

Anatomia Articulação Temporomandibular ATM









Best Practice Guidelines in cardiac rehabilitation

Cardiovascular disease remains the leading cause of death in Australia. In 1995, it accounted for 46% of all deaths, with 24% being attributed to coronary heart disease.
However, while age-adjusted certified deaths from coronary heart disease are falling, increasing numbers of patients are being discharged alive from hospitals after acute cardiac events and interventions. These patients constitute the major pool of those eligible to attend cardiac rehabilitation and secondary prevention programs. Cardiac rehabilitation programs were originally introduced to facilitate recovery from acute cardiac events. In both the USA and Australia, work classification or cardiac rehabilitation units were set up in the 1950’s and 1960’s to encourage return to work among those with physical or psychological disabilities. In Australia, hospital-based programs were established in the mid 1970’s. Since that time, many programs have been established in metropolitan and rural hospitals throughout Australia, and more recently, in community settings. Australia now has a large network of programs, particularly in Victoria. As well as facilitating recovery, cardiac rehabilitation programs function as launching pads for secondary prevention of cardiovascular disease. Education, counselling and behavioural interventions to promote lifestyle change and modify risk factors have become an increasingly important part of cardiac rehabilitation programs.

In 1993, the National Heart Foundation of Australia produced a document to establish minimal standards for cardiac rehabilitation to guide health care providers and policy makers. The purpose of these new Best Practice Guidelines is to provide optimal standards for cardiac rehabilitation and secondary prevention programs, particularly those conducted during convalescence. The recommendations contained within these Guidelines apply to cardiac rehabilitation programs not only in Victoria, but also elsewhere in Australia and in other countries.

The Guidelines examine evidence for the effectiveness of exercise training, education, counselling and behavioural interventions upon physical, psychological, social, occupational and behavioural outcomes, risk factors, morbidity and mortality. Recommendations for best practice are based upon a comprehensive review of the scientific literature. However, where scientific evidence from clinical trials and observational studies is lacking, recommendations are based upon expert opinion and consensus statements derived from surveys and focus groups with practitioners in the field.
These Best Practice Guidelines do not duplicate the contents of the Clinical Practice Guideline of the US Agency for Health Care Policy and Research (AHCPR), which was published in 1995. Whereas the major part of that document deals with evidence concerning exercise training, these Best Practice Guidelines focus equally on education, counselling and behavioural interventions, as well as other aspects of cardiac rehabilitation which were not extensively addressed in the AHCPR Clinical Practice Guideline. Reference is also made to the findings of studies published since the production of the AHCPR Clinical Practice Guideline.

Exercise Training

There has been extensive research into the benefits of exercise training in patients with cardiovascular disease, particularly after acute cardiac events. Physical and functional outcome measures have been well defined and it is clear that exercise training produces definite physical, quality of life and secondary prevention benefits.
Available evidence confirms that exercise training produces definite improvements in physical performance (exercise tolerance, muscular strength and symptoms), psychological functioning (anxiety, depression, well-being), and social adaptation and functioning. Further, exercise training produces a demonstrable reduction in mortality, morbidity, recurrent events and hospital readmissions.

In general, psychosocial outcomes have been less well studied than physical and functional effects of exercise training. Conclusions concerning psychosocial benefits, widely claimed by patients and endorsed by practitioners, have been much less well documented scientifically. It is likely that many of the psychosocial benefits of exercise training are attributable to group activities, peer support and access to professional advice rather than to the exercise itself.

It is probable that exercise training has a favourable impact upon other outcomes, including modification of risk factors. These benefits are mostly apparent when exercise is provided as part of a comprehensive program including education, counselling, behavioural interventions and support. Further, evidence indicates that for such beneficial lifestyle changes to be sustained, continued physical activity and support are required.

Studies have now confirmed that high intensity and low intensity exercise programs produce similar benefits. Nevertheless, some patients may prefer high intensity exercise. Those returning to heavy manual jobs may benefit from more intensive exercise training. For the majority of patients, however, low intensity exercise is sufficient. Further, low intensity exercise has some important practical advantages. It is more suitable for a broader population, including older men and women and patients with functional impairments, and it is more likely to be sustained in the longer term. Because low intensity programs do not require such careful supervision and use less technology and equipment, they can be conducted at low cost. Clinical rather than technological methods can be used for risk stratification, assessment and monitoring, with considerable cost savings. Exercise conducted in groups also significantly reduces costs.
Further research is needed to determine best practice with regard to the frequency of exercise sessions and the duration of exercise programs. On the basis of both evidence and expert opinion, it is apparent that twice weekly group exercise programs are as effective as thrice weekly. While twice weekly group exercise is recommended, there is some evidence that once weekly supervised group exercise may achieve similar benefits to twice weekly group exercise, provided it is accompanied by an additional daily home walking program.
There is no scientific evidence to indicate the preferred duration of exercise cardiac rehabilitation programs. On the basis of expert opinion, most of the aims of ambulatory cardiac rehabilitation programs conducted during convalescence should be achieved with a twice weekly program lasting four to eight weeks.
It should be emphasised that individual patients vary considerably in their need for a group exercise program. Thus, it is essential to provide flexible programs to meet particular needs.

Recommendations

Exercise programs for cardiac patients should:

• be based on low to moderate intensity exercise

• be suitable for a broad population

• be tailored to individual needs while being conducted in groups

• be preferably conducted twice per week

• be accompanied by a home walking program

• be continued for four to eight weeks

• have a ratio of no more than 10 patients to one staff member

• be designed by a physiotherapist or exercise specialist

• be conducted by a physiotherapist, exercise specialist or an additionally trained nurse or occupational therapist

Education, Counselling and Behavioural Interventions

Scientific evidence concerning the benefits of education, counselling and behavioural interventions is less conclusive than that concerning exercise training. Much of the research in these areas has been poorly designed. Further, the evidence base is confounded by markedly differing interventions, duration of programs and outcome measures. In some areas, evidence is nonexistent or scanty. For example, the application of behavioural approaches to modify risk factors has not been extensively tested to date in cardiac rehabilitation.
Despite these qualifications, there is now some good evidence to support the effectiveness of education, counselling and behavioural interventions in cardiac rehabilitation, whether combined with, or provided independently of, an exercise program. Available evidence confirms that education, counselling and behavioural interventions increase patient knowledge and enhance psychosocial functioning.

Further, favourable effects have been demonstrated upon reduction of smoking, lipid levels and stress. However, increases in knowledge do not necessarily lead to improved health behaviours. More emphasis upon teaching patients the necessary skills for making lifestyle changes is required. Further research is needed to develop interventions which produce measurable improvements in health behaviours and modification of risk factors.

Recommendations

Education and counselling for cardiac patients should:

• be conducted in groups

• be preferably conducted twice per week

• be conducted over four to eight weeks

• be supplemented by individual counselling as required

• follow adult learning principles and encourage interactive discussion

• apply behavioural principles, including goal setting and monitoring, to promote lifestyle changes

• involve psychologists and other appropriately trained specialists to teach patients skills for making lifestyle changes

• provide information relevant to the needs of particular patients or groups of patients

• provide scientifically accurate information

• be delivered by a multidisciplinary team of appropriately trained facilitators

Psychosocial Interventions

Cardiac patients and spouses commonly experience psychological distress following an acute cardiac event. Unfortunately, there appears to be less emphasis upon psychosocial than physical and functional aspects of cardiac rehabilitation.

Participation in group exercise and education programs enhances psychological functioning. Such groups also provide social support. Cardiac rehabilitation programs conducted in groups have significant advantages over individually based programs (such as home programs) in these important respects. Stress management programs, relaxation therapy, psychosocial counselling groups and spouse groups can also facilitate psychosocial recovery. Evidence from well designed studies to support the value of such interventions is generally lacking, although a few recent studies have shown favourable effects from stress management and relaxation therapy. Individual counselling of patients and spouses has also been shown to be effective.

Recommendations

Psychosocial rehabilitation should offer:

• brief screening to detect patients and spouses requiring special assistance

• individual counselling by a social worker, psychologist, or other trained counsellor, if required

• participation in a group to provide social support

• additional modules, such as stress management or relaxation therapy, if required

Vocational Rehabilitation

There is limited evidence demonstrating that cardiac rehabilitation, as currently practised, has a favourable impact upon occupational outcomes. One possible explanation for this lack may be that resumption of work appears to have been set aside or forgotten as a major aim of cardiac rehabilitation in recent years. Further studies are required to test strategies to increase rates of return to work and to promote better occupational adjustment among those who successfully resume work.

Recommendations

Vocational rehabilitation should include:

• supervision by the occupational therapist

• discussion at entry assessment of employment plans and development of appropriate vocational goals

• identification of any physical and psychological barriers to resumption of work

• modules offering tailored vocational programs, including work hardening and simulated work testing

• adequate liaison between patient, doctor and employer

Organisational Issues

There is considerable evidence to support the need for improved referral procedures, discharge planning and liaison between health care providers so that greater participation in cardiac rehabilitation programs can be achieved. Attention to such process issues has been inadequate in the past and now requires a greater focus.
Assistance with transport and the provision of more locally based programs are also recommended.
The practice of automatic referral to programs is strongly recommended. If medical contraindications exist in individual cases, the doctor should indicate in the patient’s hospital record that the patient should not be referred to a program.



The delivery of a structured cardiac rehabilitation program involves the need for multiple skills. Such expertise is usually beyond the capacity of one or few health professionals and in several areas, specific training is required. Thus, a multidisciplinary team is recommended. A designated co-ordinator is essential. Any team member with adequate organisational and interpersonal skills and sufficient time may fulfil this role. An important function of the program co-ordinator is to ensure adequate communication between different team members, and especially with general practitioners. One health professional may suffice for small programs in poorly resourced rural or local communities, provided there is adequate back-up support.
A key principle of contemporary cardiac rehabilitation programs is flexibility. Thus, while nearly all patients should be encouraged to attend exercise and education groups, the duration of their attendance and the nature and amount of rehabilitation required will vary considerably, according to individual need.

Some patients will require slow progress and support through a gradual program of increasing activity, while others with little impairment of cardiac function or fitness may progress rapidly. Psychological and social support may also vary markedly in degree. While some patients may have a good understanding of their illness or procedure and have clearly defined goals for achievement in a cardiac rehabilitation program, others may have little idea of the nature of their condition or of what may be achieved or desirable from such a program. It is therefore essential that the individual needs of each patient are understood and discussed between the patient and program staff. Patients should be able to see that their particular needs are being addressed at all times in the program.

A rehabilitation plan devised to suit the individual patient needs to be agreed upon at the entry assessment. Specific individual behavioural goals should also be decided so that progress can be monitored. For best practice, a variety of program components or modules should be available to patients. It is now apparent that certain patient groups, such as those who have undergone coronary angioplasty, require different kinds of programs. Some patient groups, such as those of aboriginal background, have rarely attended cardiac rehabilitation programs. Moreover, very little research has been conducted to identify their specific needs. Tailored programs for different patient populations need to be devised and evaluated.
The need for flexibility in the provision and delivery of services also arises from recommendations that programs should be offered to a broad range of patients, including those with considerable physical and functional limitations. It is further advocated that family members should also attend cardiac rehabilitation programs which can offer them an opportunity for primary prevention of cardiovascular disease.

Recommendations

Cardiac rehabilitation and secondary prevention programs should:

• develop efficient referral procedures

• develop effective strategies to maximise program attendance and completion

• offer programs which are accessible

• provide flexible, multifactorial programs consisting of several modules

• offer programs which suit a broad range of patient groups as well as family members

• be delivered by a multidisciplinary team with a designated co-ordinator

• ensure adequate communication between hospital staff, program staff and general practitioners

Evaluation

Evaluation is becoming an increasingly important aspect of cardiac rehabilitation and secondary prevention programs. There are some suitable measures available to assess functional, quality of life and behavioural outcomes. However, there is a definite need for further research to test the applicability of some generic tools to cardiac rehabilitation and to devise more sensitive measures. Outcome indicators have been included in the Best Practice Guidelines because it is difficult to monitor a number of outcomes which require longterm follow-up. Further testing of the recommended process and outcome indicators is required to identify suitable benchmarks. More detailed costings of best practice model programs are also required. Qualitative research is required to obtain a better understanding of patient attitudes and responses in areas which are less well understood.

It should be emphasised that multifactorial, comprehensive cardiac rehabilitation programs combining exercise training with education, counselling and behavioural interventions produce significantly greater benefits to patients than programs providing either exercise or education alone. Many of the studies reviewed contain education, counselling or behavioural interventions as well as exercise training and demonstrated favourable outcomes. However, it is difficult to determine which ingredients of multifactorial programs produce these benefits.

Recommendations

All programs should:

• undergo outcome evaluation to determine their effectiveness upon patient outcomes

• undergo process evaluation to identify inadequacies, to assure program quality and to improve program delivery

• be evaluated following professional advice regarding appropriate evaluation methods

Cost, Cost Saving and Cost Effectiveness

There is marked variation in the cost of programs throughout the world. Costs depend largely on the program duration, frequency of attendance and the intensity of rehabilitation exercise. Low cost programs are feasible provided that high intensity exercise is avoided, thereby obviating the need for technology in risk stratification and monitoring. The major cost is then related to the salaries of program staff. With a well attended program, approaching optimal size for exercise and education groups and for both group and individual counselling and support, it appears that the aims of the program may be generally achieved with twice weekly (possibly once weekly) sessions of group work lasting two hours per session over a period of six weeks. This type of twice weekly program can be reasonably conducted at a mean cost of approximately $40 per session per patient and a total cost of $480 per patient completing the program. The cost of a once weekly program would probably approach $300 per patient.

There is now evidence that significant cost saving may be achieved through cardiac rehabilitation and secondary prevention programs. These savings are largely from reduced subsequent hospital admissions and reduced costs of medical care. There are additional savings that arise through pension, retirement and sickness benefits, provided that work resumption and remaining in work is achieved. These cost savings may be very large in an ageing population prone to development of preventable heart failure.
While cost benefit and effectiveness studies are so far not widely reported, it is apparent that cardiac rehabilitation programs have benefits and effectiveness similar to other successful interventions in the treatment of cardiac and vascular disease.

Recommendations

Cardiac rehabilitation and secondary prevention programs should:

• Avoid high intensity exercise to assure low cost

• Assure educational and behavioural contents are sufficient for secondary prevention, thereby reducing future medical and hospital costs

• Encourage continuation in gainful employment, thereby reducing pension, retirement and social security costs

• Be directed to assure the above and, further, to improve other patient outcomes, including longer life expectancy and improved quality of life such that the gains are apparent relative to the cost.

Although the primary focus of these Best Practice Guidelines has been upon producing recommendations for outpatient programs conducted during convalescence, much of the literature cited in support of recommendations was based upon longterm maintenance programs. It should be emphasised that behaviour change is a process which requires considerable time. Thus, participation in ongoing community based programs is recommended to encourage maintenance of behaviour change and modification of risk factors.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Programa de Exercícios para o futebol Prevenção de Lesões do Ligamento cruzado anterior LCA

1- The bench


Head, shoulders, back and hips in a straight line, parallel to the ground. Elbows directly under the shoulders. Lift one leg a few centimetres off the ground and hold this position for 15 seconds.










2-Sideways bench

Upper shoulder, hip and upper leg in a straight line parallel to the ground. Elbow directly under the shoulders. From above, shoulders, elbow, hips and both knees are in a straight line.

Hold this position for 15 seconds and don´t drop the hips.

3-Hamstrings

Ankles pinned firmly to the ground by a partner. Slowly lean forward keeping upper body and hips straight. Keep thighs, hips and upper body in a straight line.

Try to hold this straight body alignment, using the hamstrings, for as long as possible, then control your fall. Repeat 5 times.
4-Cross-country skiing

Flex and extend the knee of the supporting leg and swing the arms in opposite directions in the same rhythm. On extension, never lock the knee, and don’t let it buckle inwards. Keep pelvis and upper body stable and facing forwards. Keep pelvis horizontal and don’t let it tilt to the side.
Flex and extend each leg 15 times.
















5-Chest-passing in single-leg stance

Keep knees and hips slightly bent. Keep weight only on the ball of the foot, or lift heel from the ground. From the front, hip, knee and foot of the supporting leg should be in a straight line.
Throw a ball back and forth with a partner. 10 times on each leg.

6- Forward bend in single-leg stance

As for Exercise 5, but before throwing it back, touch the ball to the ground without putting weight on it. Always keep knee slightly bent and don’t let it buckle inwards. 10 throws on each leg.



7-Figures-of-eight in single-leg stance

As for Exercise 5 but before throwing it back, swing the ball in a figure-of-eight through and around both legs: first around the supporting leg with the upper body leaning forward, and then around the other leg standing as upright as possible.
Always keep knee slightly bent and don’t let it buckle inwards. 10 throws on each leg.


8- Jumps over a line

Jump with both feet, sideways over a line and back, as quickly as possible. Land softly on the balls of both feet with slightly bent knees. Don’t let knees buckle inwards. Repeat side-side 10 times and then forwards-backwards 10 times


9- Zigzag shuffle

Bend knees and hips so upper body leans substantially forward. One shoulder should always point in the direction of movement. Shuffle sideways through the Zigzag course as fast as possible. Always take off and land on the balls of the feet. Don’t let knees buckle inwards. Complete course twice.



10- Bounding

Bring the knee of the trailing leg up as high as possible and bend the opposite arm in front of the body when bounding. Land softly on the ball of the foot with a slightly bent knee. Don’t let knee buckle inwards during take-off or landing. Cover 30 metres twice.


11- Fair Play

A substantial amount of football injuries are caused by foul play, so the observance of the Laws of the Game and especially Fair Play are essential for the prevention of football injuries.

Play fair!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Medicina Hiperbárica

Origens da Medicina Hiperbárica

A origem da medicina hiperbárica relaciona-se com a exploração do ambiente subaquático.
Historicamente, ocorreram progressivas tentativas de superar as limitações do meio aquático, com o uso de equipamentos que permitissem aumentar o tempo de imersão ou profundidade atingida.
Devido a patologias relacionadas com ambiente subaquático ou pressurizado, tornou-se necessária a intervenção de médicos e pesquisadores. É marco histórico, o trabalho do fisiologista francês Paul Bert, que em 1876 publicou a obra "A Pressão Barométrica", origem da fisiologia hiperbárica e base da medicina hiperbárica moderna.
O trabalho de Paul Bert criou a área médica dedicada ao estudo das alterações fisiológicas e metabólicas do organismo exposto a pressões superiores à pressão atmosférica e sistematizou a oxigenoterapia hiperbárica, utilizando a inalação de oxigênio puro em ambiente pressurizado.
O Professor Álvaro Ozório de Almeida (1882-1952), brasileiro, é considerado pioneiro mundial do uso da hiperóxia hiperbárica, tendo realizado na década de 1930 trabalhos clínicos e experimentais, sobre a aplicação da oxigenoterapia hiperbárica na gangrena gasosa e lepra lepromatosa .
A medicina hiperbárica está subdividida em duas áreas:
Uma delas é dedicada à atividade profissional e saúde ocupacional de mergulhadores (mergulho de saturação), aeronautas e trabalhadores sob ar-comprimido, portanto ligada à medicina do trabalho.
A outra área da medicina hiperbárica está voltada à aplicação clínica da oxigenoterapia hiperbárica em ambiente hospitalar.

Câmara Hiperbárica  
Não se caracteriza como oxigenoterapia hiperbárica (OHB) a inalação de oxigênio a 100% na respiração espontânea ou por meio de respiradores mecânicos na pressão ambiente. Da mesma forma, o tratamento utilizando bolsas ou tendas, ainda que pressurizadas, não pode ser considerado terapia hiperbárica, estando o assistido em pressão ambiente.
No procedimento da OHB o cliente deve estar no interior da câmara hiperbárica pressurizada.
As câmaras de OHB podem ser monocliente ou multiclientes.
A câmara multicliente comporta, de forma simultânea, várias pessoas, inclusive o médico e/ou enfermeiro especializado.
O mecanismo de pressurização e despressurização é realizado com ar comprimido e o oxigênio a 100% é inspirado por meio de máscara ou capuz especial.
As câmaras monoclientes permitem a acomodação de apenas um cliente, é pressurizada pelo oxigênio puro, não havendo necessidade de dispositivos especiais para a inspiração do O2.
Há limites pré-estabelecidos de exposição à OHB, referentes ao nível de pressão e período de permanência no interior da câmara, pois poderão ocorrer efeitos colaterais indesejáveis, envolvendo determinadas regiões e órgãos do corpo.
Antes de iniciar a oxigenoterapia hiperbárica, o cliente deverá ser submetido à anamnese e exame clínico completo, com particular atenção aos pulmões e membrana timpânica.
O paciente deverá ser informado sobre todas as medidas de segurança, tais como: utilização de vestimenta adequada (antifogo) e espoliar-se de qualquer objeto de uso pessoal que possa originar fagulha elétrica, pois o oxigênio é altamente inflamável.           

Princípios Físicos
A atmosfera consiste em uma mistura gasosa, contendo em volume 20,94% de oxigênio, 78,08% de nitrogênio, cerca de 0,04% de dióxido de carbono e traços de gases, como argônio, hélio e criptônio.
O ar que respiramos, portanto, em termos práticos, é composto por 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio.

Conceitos sobre o uso de Oxigênio Hiperbárico
O tratamento da OHB tem por fator primordial o aumento da tensão de oxigênio nos líquidos corporais.
A OHB provoca aumento de substrato livre disponível, ou seja, aumento da produção de radicais ativados. Vários tecidos são mais suscetíveis a lesões oxidativas, podendo provocar disfunções evidentes indesejadas. Além da ação tóxica pulmonar do O2, cujos efeitos crônicos ou subagudos são bem conhecidos, o sistema nervoso central pode apresentar alterações importantes e agudas.
Paul Bert, em 1878, descreveu a ação neurotóxica aguda do O2, que apresenta as fases prodrômica e convulsiva. Na primeira fase (prodrômica) o assistido manifesta desconforto e sintomas neuropsicomotores, já, na fase convulsiva surgem contrações tônico-clônicas e perda de consciência, assemelhando-se à crise epilética clássica.
A OHB pode provocar alteração pulmonar, em razão das altas tensões de oxigênio as quais o pulmão é submetido, pois quanto maior a pressão deste gás no pulmão, maior quantidade de O2 será absorvida pelo sangue e dissolvida nos líquidos corpóreos.
Diante desses efeitos secundários da oxigenoterapia hiperbárica, há limites pré-estabelecidos de exposição a essa terapia, referentes ao nível de pressão e período de permanência no interior da câmara.

Efeitos Mecânicos da OHB no organismo
Os efeitos mecânicos do aumento da pressão atmosférica absoluta durante o procedimento da OHB podem corresponder a barotraumas das cavidades preenchidas por ar, tais como pulmão, ouvido médio e seios da face.
1. Barotrauma do ouvido médio:
O ouvido médio está sujeito às variações de pressão barométrica do ambiente, podendo provocar inclusive a ruptura da membrana timpânica.
Para evitar esse problema, o paciente a ser submetido ao tratamento de oxigenoterapia hiperbárica é orientado a realizar a "manobra de Valsalva", que promove equalização da diferença de pressão entre o meio externo (câmara hiperbárica) e o ouvido interno.
A manobra, descrita pelo fisiologista italiano Valsalva, consiste no ato do paciente provocar o mecanismo de expiração, mantendo a boca fechada e nariz tapado como os dedos, assim, o ar, que deveria ser expirado, passa através da trompa de Eustáquio para o ouvido interno.
2. Barotrauma Sinusal:
Os seios da face comunicam-se por meio de canais membranosos com a nasofaringe.
Quando os canais membranosos estão obstruídos por secreção, a equalização fisiológica entre as pressões interna e externa poderá ser dificultada, podendo causar dor local e hemorragia.
3. Barotrauma Pulmonar:
Alguns desses tecidos são sensíveis à variação de pressão atmosférica durante o procedimento de OHB, podendo ocorrer sangramento e enfisema durante a exposição hiperbárica excessiva.
4. Embolia Traumática Causada pelo Ar:
Durante as sessões de OHB, o paciente dentro da câmara hiperbárica deve inspirar o ar na mesma pressão do ambiente, permitindo a expansão da cavidade torácica e pulmões durante o ato respiratório.
Caso o assistido inspire o oxigênio hiperbárico e retenha a respiração em apnéia e, acidentalmente, ocorra rápida despressurização da câmara hiperbárica, o pulmão, pela diminuição da pressão externa, ficará submetido à expansão súbita, que provoca aumento de sua pressão interna pulmonar e ruptura alveolar (barotrauma pulmonar).
Nessa hipótese, a ruptura dos alvéolos pulmonares pode provocar:
a) pneumotórax: entrada de ar no espaço pleural;
b) pneumomediastino: entrada de ar no mediastino, membrana que reveste o coração;
c) enfisema subcutâneo: presença de ar no subcutâneo do tórax ou pescoço.
Esse acidente é denominado embolia traumática provocada pelo ar (ETA).

Efeitos fisiológicos e metabólicos
1 - Alterações Hemodinâmicas
A hiperóxia hiperbárica tem efeito vasoconstritor peculiar na maioria dos tecidos.
Ocorre vasoconstrição generalizada, sendo exceção a circulação pulmonar, uma vez que a hiperóxia hiperbárica provoca vasodilatação pulmonar.
A vasoconstrição prevalece em maior ou menor grau conforme o tipo de tecido, provocando aumento da resistência vascular periférica e deslocando a volemia sangüínea para os vasos de capacitância, diminuindo, assim, o retorno venoso.
A hiperóxia induz à diminuição da freqüência cardíaca.
A combinação desses efeitos reduz o débito cardíaco, em aproximadamente 20 a 30%.
Embora a resistência vascular periférica aumente com o procedimento da oxigenoterapia hiperbárica, a pressão arterial é mantida, devido à diminuição proporcional do débito cardíaco.

2 - Alterações Neuro-Endócrinas
A hiperóxia hiperbárica ativa a formação reticular do SNC, com manifestações ascendente e descendente.
A manifestação descendente se relaciona a maior excitabilidade medular, provocando aumento do tônus muscular.
A ativação ascendente da formação reticular provoca alterações endócrinas, através do eixo hipotálamo-hipófisário, com liberação de hormônio adeno-córtico-trófico (ACTH), levando ao aumento de corticóides adrenais e, por meio da estimulação direta do córtex adrenal, também da epinefrina.
Normalmente, a aplicação da OHB, com rigor terapêutico, exige atenção clínica sobre essas alterações  apenas em pacientes suscetíveis.

3 - Alterações Metabólicas
A maior concentração de oxigênio, proporcionada pela hiperóxia hiperbárica, aumenta a formação de radicais ativados de O2, estimulando as reações oxidativas e sistemas antioxidantes.

Efeito microbicida e microbiostático
Condições patológicas diversas podem diminuir a tensão de oxigênio no local afetado.
O desenvolvimento bacteriano é favorecido pela hipóxia ou anaerobiose.
A hiperóxia hiperbárica favorece a ação bacteriostática, alterando, por exemplo, a biossíntese de aminoácidos, difusão da membrana e síntese e degradação de DNA das bactérias.
A sensibilidade bacteriana em relação à tensão de oxigênio é variável, sendo mais evidente nas bactérias anaeróbicas.

A Medicina Hiperbárica é o ramo da medicina responsável pelo estudo e implementação das normas técnicas e de segurança em ambientes pressurizados, aplicados para o tratamento das patologias causadas pelas variações de pressão sobre o organismo humano. É também responsável pelo estudo e estabelecimento de protocolos de tratamento para todas aquelas patologias para as quais o oxigênio sob pressão tem a função de potente ferramenta auxiliar de tratamento.

Para tanto, utilizamos as chamadas câmaras hiperbáricas.

Câmara Hiperbárica:
São equipamentos de paredes sólidas, com janelas que permitem a visualização do que está acontecendo dentro e fora do equipamento, no qual o paciente entra para se tratar respirando oxigênio puro (a 100%), sob uma pressão correspondente a aproximadamente 10 a 20 metros de profundidade no mar. Dentro desse equipamento o paciente está em constante contato com a equipem médica, podendo assistir televisão e se movimentar dentro dos limites físicos do mesmo.


Normas de Segurança:

Há diversas normas de segurança que devem ser respeitadas. Dentre elas, uma das principais é não levar objeto algum para dentro da câmara. Todas essas normas são oportuna e detalhadamente explicadas para os pacientes e seus acompanhantes antes da primeira sessão.

Oxigenioterapia:
O oxigênio, quando administrado sob pressão, funciona como um medicamento. A elevada pressão desse gás no ar, quando ingerido, corresponde a um grande aumento da fração de oxigênio dissolvido no plasma. Esse aumento faz com que o gás se difunda a uma distância até quatro vezes maior, atingindo pontos que se encontram pouco oxigenados. Uma vez melhor oxigenadas, as células chamadas fibroblastos voltam a ter a sua função normalizada, com conseqüente estímulo na formação de novos capilares sanguíneos, aumento da ação bactericida e bacteriostática dos antibióticos, e formação de células responsáveis pela estrutura da pele.
Inúmeros trabalhos publicados em todo o mundo nos últimos 40 anos comprovam a eficácia da Oxigenioterapia Hiperbárica como excepcional ferramenta do tratamento médico, promovendo, entre outros efeitos, o retorno dos fibroblastos a suas funções normais. Isso culmina com a aceleração de cicatrizações, melhora a qualidade da osteogênese e dos tecidos de granulação e um combate mais eficaz de infecções. Atua também de maneira sinérgica com determinados antibióticos, ou seja, aumenta a eficácia dos mesmos. Desta forma, pode auxiliar a reduzir ou até mesmo evitar procedimentos cirúrgicos mutilantes e excessivos, proporcionando uma recuperação mais rápida e com melhores resultados clínicos.


Propicia também um efeito mecânico de compressão de todas as bolhas gasosas (cuja maior utilidade é tratar patologias relacionadas ao mergulho), e uma ação sobre a formação de radicais livres (com função nos casos de lesões por isquemia-reperfusão). Todos os mecanismos anteriormente descritos estão envolvidos quando da utilização dessa modalidade terapêutica para queimaduras.

Utilidades:
Resumidamente, há indicação de se utilizar a oxigenioterapia hiperbárica para tratar de doenças descompressivas (relacionadas ao mergulho); embolia arterial gasosa (por mergulho, iatrogênica ou idiopática); deiscências e complicações de cirurgias, pancreatites e isquemias pós-transplantes; traumas com lesões por isquemia-reperfusão, com infecção secundária ou com abrasões; infecções de partes moles, como erisipelas, celulites e fasciites necrosantes, feridas refratárias (de difícil cicatrização); enxertos ou retalhos comprometidos; doenças arteriais obstrutivas e vasculites, doenças venosas e linfáticas, osteomielites e infecções em próteses, necrose asséptica de fêmur; queimaduras; lesões actínicas (originadas pela exposição à radiação ionizantes); e infecções odontológicas.

De acordo com as conclusões da 7ª conferência europeia de consensus em medicina hiperbárica, realizada em Lille, em 2004, as recomendações actuais, para a oxigenoterapia hiperbárica, estão estratificadas em três tipos e em três níveis de evidência, a saber75:




Tipo 1 – Fortemente recomendada, na medida em que contribui para a alteração positiva do prognóstico vital do enfermo, ou da evolução da afecção de que é portador.



Tipo 2 – Recomendada, contribuindo para uma alteração positiva da evolução da patologia em causa.



Tipo 3 – Opcional, podendo revelar‑se útil no tratamento complementar da doença em questão.



Nível A – Recomendação suportada por nível de evidência 1, baseada em, pelo menos, dois estudos concordantes duplamente cegos, com signifi­cativa amostra populacional, estudos controlados e randomizados com poucas ou nenhumas falhas metodológicas.



Nível B – Recomendação suportada por nível de evidência 2, baseado em estudo duplamente cego controlado, estudos randomizados mas com falhas metodológicas, estudos com pequenas amostras populacionais, ou um único ensaio clínico.



Nível C – Recomendação suportada por nível de evidência 3, baseado em opinião consensual de peritos.



De acordo com as recomendações actuais, a OTHB tem aplicabilidade numa ampla constelação de afecções do foro médico‑cirúrgico.



Esta terapêutica é insubstituível nalgumas situações, como nas embolias gasosas vasculares e nos acidentes disbáricos de mergulho embolígenos (certas formas de doença de descompressão e de sindroma de hiper‑pressão intra‑torácica complicado com embolia gasosa arterial).
Noutras, constitui, igualmente, terapêutica de primeira linha, no contexto de uma abordagem terapêutica multidisciplinar, como, por exemplo, em certos casos de intoxicação pelo monóxido de carbono, nas intoxicações cianídricas, nas mionecroses clostridiais, e na cistopatia pós‑rádica hemorrágica, cursando com macro‑hematúria resistente à terapêutica convencional.



Há, também, aquelas patologias em que o oxigénio hiperbárico não é a única forma possível de tratamento nem assume importância vital, mas em que se tem revelado comprovadamente benéfico através de ensaios clínicos controlados.

São exemplos várias situações clínicas da área da infecciologia (infecções graves dos tecidos moles por microorganismos anaeróbios não esporolados, osteomielites crónicas, por exemplo), da cirurgia plástica e reconstrutiva (viabilização de enxertos cutâneos e de retalhos músculo‑cutâneos com vascularização comprometida), as lesões pós‑traumáticas das extremidades com compromisso do seu prognóstico vital e funcional (isquémias pós‑traumáticas agudas, sindromas de esmagamento, sindromas compartimentais, congelamentos), os atrasos de cicatrização de feridas das extremidades (regra geral devidos a insuficiência circulatória), as lesões induzidas ao nível de vários órgãos e tecidos pela exposição prévia a radiações ionizantes (osterradionecrose mandibular, cistite rádica hemorrágica, entero‑colite e proctite pós‑rádica, mielite pós‑rádica, necrose laríngea, etc) e casos clínicos de surdez de instalação súbita, relativamente frequentes numa faixa laboralmente activa e jovem da nossa população.
Noutras afecções, a oxigenoterapia hiperbárica pode revelar‑se benéfica, em complemento da restante terapêutica.
Constituem exemplos afecções oftalmológicas (retinopatia oclusiva aguda), neurológicas (encefalopatias agudas hipóxico‑isquémicas), toxicológicas (intoxicações por tetracloreto de carbono), gastrenterológicas (doenças inflamatórias crónicas intestinais, como por exemplo a doença de Crohn, a pneumatose quística intestinal), e do âmbito da cirurgia plástica e reconstrutiva (grandes queimados, viabilização de segmentos de membros reimplantados cirurgicamente, por exemplo).

Há ainda publicações ocasionais referindo benefícios proporcionados pela oxigenoterapia hiperbárica em muitas outras situações clínicas, como, por exemplo, as retinopatias diabéticas e a retinite pigmentada41.

Em termos gerais, a selecção dos candidatos a esta modalidade terapêutica deve basear‑se em rigorosos critérios de ordem clínica, devendo o médico especializado nesta disciplina abster‑se da tentação de alargar a aplicação destes tratamentos a situações clínicas não contempladas nas listagens elaboradas pelas sociedades científicas internacionais com reconhecida competência neste domínio, como a Undersea and Hyperbaric Medical Society e o European Committee for Hyperbaric Medicine.