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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O QUE SÃO AS DOENÇAS NEUROMUSCULARES?

Fonte: www.apn.pt

O termo “Doenças Neuromusculares” aplica-se a um universo muito alargado de diferentes patologias, já identificadas, e engloba as doenças dos músculos (Miopatias), doenças dos nervos (Neuropatias) doenças dos cornos anteriores da medula (Atrofia Espinais) e as perturbações da junção neuromuscular (Miastenias), entre outras.
São doenças genéticas, hereditárias e progressivas e todas têm em comum a falta de força muscular, necessitando os doentes, a quem foram diagnosticadas, de apoios e/ou ajudas técnicas – cadeiras de rodas eléctricas ou andarilhos para a sua locomoção, computadores para a escrita, apoios de cabeça, ajudas várias para a manipulação, veículos de transporte adaptados, etc.
Os músculos pulmonares e o coração são frequentemente afectados, provocando dificuldades respiratórias e cardíacas. A fraqueza muscular atinge também os músculos da coluna vertebral, dando origem a inevitáveis escolioses que vão agravar, ainda mais, as dificuldades respiratórias. Nestes casos, é necessária uma intervenção cirúrgica de correcção, que melhora substancialmente a qualidade de vida dos doentes. Ao nível das extremidades, surgem deformações e retracções tendinosas que aumentam as dificuldades nos movimentos. Apesar de toda a fraqueza muscular e deformações articulares, os doentes neuromusculares mantêm, na sua grande maioria, um nível intelectual normal.
Estas doenças não têm, por enquanto, cura. No entanto, os diversos problemas que afectam os doentes podem ser minorados com o apoio das equipas multidisciplinares que incluam neuropediatras, neurologistas, fisiatras, ortopedistas, psicólogos, cardiologistas e especialistas das funções respiratórias que, vão sendo constituídas nos vários centros hospitalares e trabalhando em comum.

QUANTAS PESSOAS ESTÃO AFECTADAS POR UMA DOENÇA NEUROMUSCULAR?

Estima-se que em Portugal, país com cerca de 10 milhões de habitantes, e de acordo com dados estatísticos internacionais, existam mais de 5000 doentes afectados, encontrando-se distribuídos por diferentes patologias.
Um inquérito realizado em 11 das 13 Consultas de Neuropediatria existentes no País, revelou a existência, nos últimos 10 anos, de 659 doentes com doenças neuromusculares em idade pediátrica. Em 599 destes doentes foi identificada uma doença genética. Na maioria destas crianças o apoio precoce a estas situações, por parte dos pais e técnicos de saúde, nomeadamente no respeitante ao diagnóstico e terapêutica, faz-nos prever que atingiram, ou irão atingir, a idade adulta com situações relativamente controladas e que irão depender de cuidados de saúde continuados e acessíveis, para manterem a sua integração na sociedade, a qualidade de vida e o tempo de sobrevida para os quais este apoio precoce os preparou.
Também os restantes doentes adultos, alguns com diagnóstico mais tardio ou falta de apoio, apresentam hoje agravados e progressivos problemas médicos e sociais o que torna imperioso o seu apoio adequado através de cuidados médicos continuados.

NECESSIDADES BÁSICAS ESSENCIAIS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA:

• Criar condições para que todas as limitações inerentes à doença sejam supridas.
• Acompanhamento médico especializado em consultas multidisciplinares.
• Atribuição de ajudas técnicas adaptadas e em tempo útil face à progressão da doença.
• Em alguns casos, felizmente, raros, o uso de suplementos alimentares como substituto da alimentação normal por incapacidade de mastigação e dificuldade de deglutição.
• Necessidade de uma terceira pessoa para as actividades da vida diária.
• Apoio acrescido às famílias (psicológico, económico e outros), tentando compensar os elevados custos (materiais e emocionais) inerentes ao acompanhamento de alguns destes doentes.
• Implementação e fiscalização efectiva das normas de acessibilidades.
• Criação de um centro de referência e qualidade para os doentes neuromusculares.
• Criação de unidades especializadas de internamento médio/prolongado, de apoios continuados e domiciliares.

ALGUMAS DIFICULDADES MAIS LIMITATIVAS:

Incapacidade das famílias para, com os míseros apoios existentes, darem o acompanhamento necessário para que haja uma eficiente integração na escola e no trabalho.
Falta de vontade política dos responsáveis para ajudar a resolver os problemas:
• Continuam a ser construídos edifícios absolutamente inacessíveis a estes doentes;
• Continuam-se a construir ou a renovar passeios, mantendo barreiras intransponíveis para a circulação destas pessoas.

Nos, infelizmente ainda raros, casos de doentes neuromusculares com maior dependência inseridos no mundo do trabalho, queremos acreditar que a falta de conhecimento do carácter progressivo destas doenças, poderá exigir a reforma antecipada sem a perda de direitos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

7 Tips For Scar Management

Autor: 

Source: http://www.michaelcurtispt.com/scar-management/

For some, a scar might be a symbol of pride – a battle wound, so to speak. For others, though, scars don’t rank high on their favorite physical features list. Most of us want to minimize the appearance of scars and the physical consequences that can accompany them – itching, stiffness, tenderness, and pain1,2.
Although scars can occur from wounds and burns, for our purposes here, let’s focus on how best to manage post-surgical scars.

What To Expect With a Post-Surgical Scar

Some surgeries are arthroscopic, leaving behind minimal scarring. Other procedures, such as a total knee replacement, or even a C-section, leave behind a larger, more obvious scar that may take some time to fully heal.
Yes, scars can take months, even years, to fully mature. If healing goes as it should, the scar should be linear and flush with skin, improving in appearance and pliability over time3.
An abnormal scar, however, might be raised and/or widespread. There are 2 types of abnormal scars to watch out for:
  • Hypertrophic Scars: linear hypertrophic scars are raised but tend to stay within the confines of the initial incision4. They contain mostly well-organized Type III collagen5.
The good news is that it is possible for hypertrophic scars to spontaneously improve over time6,7.
  • Keloid Scars: these are excessive scars that grow beyond the confines of the initial incision8. They contain disorganized Type I and II collagen bundles9.
Keloid scars don’t improve on their own and, even after being treated surgically, can recur10,11.
Although they can present differently, most current management strategies for both hypertrophic and keloid scars are similar.

Tips for Scar Management

Your first priority for scar management following surgery should be to prevent abnormal scar formation.
There are treatments that have proven to be effective for scar management such as laser therapy, corticosteroid injections, and even surgery, but these treatments must be performed by professionals and are invasive.
For effective scar management techniques you can perform on your own, here are 7 tips:
  1. Silicone Scar Gel: Silicone Gel or sheeting is universally considered to be the gold standardand first line of defense and treatment for hypertrophic and keloid scars12. There are silicone gel products widely available over-the-counter.
These gels can help with itching as well as reduce the size of scars through occlusion and hydration. I would recommend using a gel as soon as the suture is healed13.
Silicone therapy should be continue for as long as necessary – if there continues to be an increase in scar size14.
2. Onion Extract-Based Gel (Mederma): Quercetin is found in onion extract – a main ingredient in the popular scar treatment Mederma – and has anti-inflammatory and anti-proliferative effects15.
Although Mederma is widely used for scar management, it is important to note that, based on two prominent studies I looked at, the only improvement noted with Mederma use was better collagen organization (a microscopic improvement). There wasn’t any significant benefit in scar appearance or symptoms when compared with no treatment or standard petrolatum ointments16,17.
3. Vitamin E: Vitamin E is believed to reduce the amount of reactive oxygen available during the inflammatory stage of healing.
There have been many case reports18 reporting better scar appearance when vitamin E is used during the healing process. Some studies, however, have found vitamin E to be of no benefit19,20
4. Limit Scar Stretching During Healing: keloid and hypertrophic scars usually occur in areas of the body frequently stretched during natural daily movements21.
To prevent abnormal scar formation, it would be ideal to avoid putting tension on the healing scar to allow it to heal normally.
Yes, this is easier said than done.
However, some methods that might help reduce skin tension and, therefore, promote healing, are tape22, bandages, garments, or silicone gel sheets (see above).
5. Compression: If you experience more widespread hypertrophic or keloid scarring, pressure garments can be worn.
Compression can decrease the production of collagen, decrease swelling, improve itchiness and pain23.
Make sure that the compression garment applies at least 15mm Hg, which is the minimum amount of pressure proven to promote scar maturation24.
Compression can be continued as long as there is abnormal thickening of the scar25.
6. Massage: massage therapy can disrupt fibrotic tissue and increase the pliability of the scar26,27. It can also improve swelling, thickening, and hardening of the scar tissue28.
Generally, it’s safe to start massage therapy 10 to 14 days after primary closure of the incision (talk to your surgeon to be sure). Make sure you don’t start massaging before this because it can actually have the opposite effect we want – there is evidence that mechanical pressure during early phases of wound healing can promote hypertrophic scar formation29.
Before you start to massage the scar, make sure you have clean hands and there’s no bleeding present.
Also, make sure you apply enough pressure to blanch the scar (make it white with pressure). But don’t apply too much pressure to damage the skin – use good judgment.
Use deep friction massage for 10 minutes twice per day, for up to 6 months. Friction massage is performed with the tip of your thumb or fingers in a transverse motion over the scar (like you’re strumming a guitar string).
Make sure to stop massage treatment if there is a break in the skin, excessive discomfort, or an infection.
7. Sunscreen: Be sure to keep your scar out of sunlight as much as possible until the scar has matured.
UV radiation has been shown to increase scar pigmentation, making its appearance worse30,31.
If you’re going to be out in the sun, use maximal sun protection >50 SPF32.
Rather than waiting until a scar becomes either hypertrophic or keloid, early treatment aimed at prevention is key.

  1. Van Loey NE, Bremer M, Faber AW, Middelkoop E, Nieuwenhuis MK. Itching following burns: epidemiology and predictors. Br J Dermatol 2008;158:95e100. ↩︎
  2. Bell L, McAdams T, Morgan R, et al. Pruritus in burns: a descriptive study. J Burn Care Rehabil 1988;9:305e8. ↩︎
  3. Son D, Harijan A. Overview of Surgical Scar Prevention and Management. J Korean Med Sci 2014;29(6):751-757. ↩︎
  4. Monstrey S, et al. Updated Scar Management Practical Guidelines: Non-Invasive and Invasive measures. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2014;67(8):1017-1025 ↩︎
  5. Gauglitz GG, Korting HC, Pavicic T, Ruzicka T, Jeschke MG. Hypertrophic scarring and keloids: pathomechanisms and current and emerging treatment strategies. Mol Med 2011;17: 113e25. ↩︎
  6. Juckett G, Hartman-Adams H. Management of keloids and hypertrophic scars. Am Fam Physician 2009;80:253e60. ↩︎
  7. Alster TS, Tanzi EL. Hypertrophic scars and keloids: etiology and management. Am J Clin Dermatol 2003;4:235e43. ↩︎
  8. Monstrey S, et al. Updated Scar Management Practical Guidelines: Non-Invasive and Invasive measures. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2014;67(8):1017-1025 ↩︎
  9. Gauglitz GG, Korting HC, Pavicic T, Ruzicka T, Jeschke MG. Hypertrophic scarring and keloids: pathomechanisms and current and emerging treatment strategies. Mol Med 2011;17: 113e25. ↩︎
  10. Juckett G, Hartman-Adams H. Management of keloids and hypertrophic scars. Am Fam Physician 2009;80:253e60. ↩︎
  11. Alster TS, Tanzi EL. Hypertrophic scars and keloids: etiology and management. Am J Clin Dermatol 2003;4:235e43. ↩︎
  12. Monstrey S, et al. Updated Scar Management Practical Guidelines: Non-Invasive and Invasive measures. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2014;67(8):1017-1025. ↩︎
  13. Mustoe TA. Evolution of silicone therapy and mechanism of action in scar management. Aesthetic Plast Surg 2008;32: 82e92. ↩︎
  14. Monstrey S, et al. Updated Scar Management Practical Guidelines: Non-Invasive and Invasive measures. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2014;67(8):1017-1025 ↩︎
  15. Liu A, et al. Current Methods Employed in the Prevention and Minimization of Surgical Scars. Dermatologic Surgery. 2011;37(12):1740-1746. ↩︎
  16. Saulis AS, Mogford JH, Mustoe TA. Effect of Mederma on hypertrophic scarring in the rabbit ear model. Plast Reconstr Surg 2002;110:177-83; discussion 184-6. ↩︎
  17. Chung VQ, et al. Onion extract gel versus petrolatum emollient on new surgical scars: prospective double-blinded study. Dermatol Surg 2006;32:193-7. ↩︎
  18. Liu A, et al. Current Methods Employed in the Prevention and Minimization of Surgical Scars. Dermatologic Surgery. 2011;37(12):1740-1746. ↩︎
  19. Baumann LS, Spencer J. The effects of topical vitamin E on the cosmetic appearance of scars. Dermatol Surg 1999;25:311-5. ↩︎
  20. Van der Veer WM, et al. Topical calcipotriol for preventive treatment of hypertrophic scars; a randomized, double -blind, placebo controlled trial. Arch Dermatol 2009;145:1269-75. ↩︎
  21. Ogawa R. Keloid and hypertrophic scarring may result from a mechanoreceptor or mechanosensitive nociceptor disorder. Med Hypotheses 2008;71:493–500. ↩︎
  22. Atkinson JA, McKenna KT, Barnett AG, McGrath DJ, Rudd M. A randomized, controlled trial to determine the efficacy of paper tape in preventing hypertrophic scar formation in surgical incisions that traverse Langer’s skin tension lines. Plast Reconstr Surg.2005;116:1648–1656; discussion 1657–1658. ↩︎
  23. Ripper S, Renneberg B, Landmann C, Weigel G, Germann G. Adherence to pressure garment therapy in adult burn patients. Burns 2009;35:657e64. ↩︎
  24. Van den Kerckhove E, Stappaerts K, Fieuws S, et al. The assessment of erythema and thickness on burn related scars during pressure garment therapy as a preventive measure for hypertrophic scarring. Burns 2005;31:696–702. ↩︎
  25. Monstrey S, et al. Updated Scar Management Practical Guidelines: Non-Invasive and Invasive measures. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2014;67(8):1017-1025 ↩︎
  26. Chan MW, et al. Mechanical induction of gene expression in connective tissue cells. Methods Cell Biol 2010;98:178-205. ↩︎
  27. Bhadal N, et al. The effect of mechanical strain on protease production by keratinocytes. Br J Dermatol 2008;158:396-8. ↩︎
  28. Thuzar M, et al. The role of massage in scar management: A literature review. Dermatologic Surgery 2012;38(3):414-423. ↩︎
  29. Aarabi S, et al. Mechanical load initiates hypertrophic scar formation through decreased cellular apoptosis. FASEB J 2007;21:3250-61. ↩︎
  30. Haedersdal M, Bech-Thomsen N, Poulsen T, Wulf HC. Ultraviolet exposure influences laser-induced wounds, scars, and hyperpigmentation: a murine study. Plast Reconstr Surg 1998; 101:1315e22. ↩︎
  31. Due E, Rossen K, Sorensen LT, Kliem A, Karlsmark T, Haedersdal M. Effect of UV irradiation on cutaneous cicatrices: a randomized, controlled trial with clinical, skin reflectance, histological, immunohistochemical and biochemical evaluations. Acta Derm Venereol 2007;87: 27e32. ↩︎
  32. Published by. In: Middelkoop E, Monstrey S, Teot L, Vranckx JJ, editors. Scar Management Practical Guidelines. Maca-Cloetens; 2011. pp. 1e109. ↩︎

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Using Xbox kinect motion capture technology to improve clinical rehabilitation outcomes for balance and cardiovascular health in an individual with chronic traumatic brain injury

Font: https://archivesphysiotherapy.biomedcentral.com/articles/10.1186/s40945-017-0033-9

  • Shane ChanpimolEmail authorView ORCID ID profile,
  • Bryant Seamon,
  • Haniel Hernandez,
  • Michael Harris-Love and
  • Marc R. Blackman

  • Abstract

    Background

    Motion capture virtual reality-based rehabilitation has become more common. However, therapists face challenges to the implementation of virtual reality (VR) in clinical settings. Use of motion capture technology such as the Xbox Kinect may provide a useful rehabilitation tool for the treatment of postural instability and cardiovascular deconditioning in individuals with chronic severe traumatic brain injury (TBI). The primary purpose of this study was to evaluate the effects of a Kinect-based VR intervention using commercially available motion capture games on balance outcomes for an individual with chronic TBI. The secondary purpose was to assess the feasibility of this intervention for eliciting cardiovascular adaptations.

    Methods

    A single system experimental design (n = 1) was utilized, which included baseline, intervention, and retention phases. Repeated measures were used to evaluate the effects of an 8-week supervised exercise intervention using two Xbox One Kinect games. Balance was characterized using the dynamic gait index (DGI), functional reach test (FRT), and Limits of Stability (LOS) test on the NeuroCom Balance Master. The LOS assesses end-point excursion (EPE), maximal excursion (MXE), and directional control (DCL) during weight-shifting tasks. Cardiovascular and activity measures were characterized by heart rate at the end of exercise (HRe), total gameplay time (TAT), and time spent in a therapeutic heart rate (TTR) during the Kinect intervention. Chi-square and ANOVA testing were used to analyze the data.

    Results

    Dynamic balance, characterized by the DGI, increased during the intervention phase χ 2 (1, N = 12) = 12, p = .001. Static balance, characterized by the FRT showed no significant changes. The EPE increased during the intervention phase in the backward direction χ 2 (1, N = 12) = 5.6, p = .02, and notable improvements of DCL were demonstrated in all directions. HRe (F (2,174) = 29.65, p = < .001) and time in a TTR (F (2, 12) = 4.19, p = .04) decreased over the course of the intervention phase.

    Conclusions

    Use of a supervised Kinect-based program that incorporated commercial games improved dynamic balance for an individual post severe TBI. Additionally, moderate cardiovascular activity was achieved through motion capture gaming. Further studies appear warranted to determine the potential therapeutic utility of commercial VR games in this patient population.


  • segunda-feira, 29 de maio de 2017

    Dores de Crescimento

    Fonte:Nascer e crescer revista de pediatria do centro hospitalar do porto ano 2012, vol XXI, n.º 4

    Autores:Sara Freitas Oliveira1 , Joana Rodrigues1 , Lúcia Rodrigues1 , Mafalda Santos3

    RESUMO

     Introdução: As dores de crescimento são uma entidade comum na prática pediátrica. Objectivos: O presente trabalho tem como objectivo fazer uma revisão bibliográfi ca actual sobre a etiologia, apresentação clínica, diagnóstico, diagnóstico diferencial e tratamento das dores de crescimento. Desenvolvimento: Apesar das dores de crescimento terem sido descritas pela primeira vez na literatura médica há 188 anos, até ao momento ainda não é conhecida a sua causa, mas parece que não existe relação entre esta condição e o crescimento. Apresentam -se, geralmente, em crianças entre os três e os 12 anos de idade. Caracterizam -se por dor nos membros inferiores, de tipo simétrico, predomínio nocturno e de curta duração. O seu diagnóstico é clínico e devem excluir -se outras patologias, como por exemplo, tumores ou infecções. Os exames laboratoriais assim como os de imagiologia, quando solicitados, são sempre normais, pelo que qualquer alteração encontrada em algum deles deve fazer pensar noutra patologia. Uma vez estabelecido o diagnóstico, o tratamento deve orientar -se por medidas conservadoras, tais como, massagens, aplicação de calor nas zonas dolorosas ou analgésicos. 
    Conclusões: O conhecimento das características desta entidade assume importância em Pediatria para que sejam evitados erros de diagnóstico. 

    Palavras -chave: Criança, dores de crescimento, dor nos membros inferiores. Nascer e Crescer 2012; 21(4): 230-233

     INTRODUÇÃO

    As dores de crescimento são a causa mais comum de dor musculoesquelética na infância e um motivo frequente de consulta em idade pediátrica(1 -7). Foram mencionadas pela primeira vez na literatura médica em 1823, pelo médico francês Marcel Duchamp. Ele foi o primeiro a notar que um grande número de crianças apresentavam um aumento da frequência de dores musculoesqueléticas e aplicou o termo “dores de crescimento” para as descrever, acreditando que elas eram causadas pelo rápido crescimento esquelético(3,8). Desde então, vários autores investigaram esta condição, contudo a natureza exacta e a etiologia permanecem desconhecidas(2 -5). Alguns autores consideram que a denominação “dores de crescimento” é errada, pois é consensual que o processo de crescimento deve ser indolor, senão todas as crianças deveriam sentir dor. Têm assim surgido na literatura médica denominações alternativas, como “dores nocturnas benignas da infância”(9) ou “dores recorrentes dos membros inferiores”(8). Contudo, a designação “dores de crescimento” é universalmente aceite pois deixa implícito o seu carácter benigno e transitório. O presente trabalho tem como objectivo fazer uma revisão bibliográfi ca actual sobre a etiologia, apresentação clínica, diagnóstico, diagnóstico diferencial e tratamento das dores de crescimento. EPIDEMIOLOGIA As dores de crescimento ocorrem em crianças entre os três e os 12 anos de idade(1,6), com uma frequência ligeiramente superior no sexo feminino segundo algumas séries(10,11). A sua prevalência varia entre 2,6 -49,4% consoante a população estudada, a idade das crianças e a defi nição clínica utilizada(7).

    ETIOLOGIA 

    A etiologia das dores de crescimento é desconhecida. Contudo, parece que nada têm a ver com o crescimento pois: não coincidem com os períodos de maior crescimento (primeiros dois anos de vida e puberdade); raramente afectam os membros superiores e outras zonas do corpo, que também crescem; e não afectam o crescimento das crianças que as têm(11). Foram propostas várias teorias para tentar explicar as dores de crescimento. A primeira delas, a teoria da fadiga, foi proposta em 1894, por Bennie, sugerindo que a dor ocorreria devido ao uso excessivo das pernas(8). E é um facto que os pais muitas vezes associam os episódios de dor com períodos de maior actividade física da criança(2). Em 1938, surgiu a teoria anatómica, descrita por Hawksley, com base na constatação de que muitos casos de dores de crescimento estavam associados a um defeito postural ou ortopédico (ex. escoliose, lordose, joelho valgo, pé plano)(8). Uma terceira teoria, introduzida em 1951, por Naish e Apley(11), a teoria psicológica ou emocional, propunha que alguns factores psicossociais poderiam mediar esta situação (por ex. famílias disfuncionais, tipo de personalidade depressiva ou ansiosa e stress). Até ao momento, não há estudos que comprovem nenhuma destas teorias.

    Na última década, têm sido feitos alguns estudos para tentar determinar a causa das dores de crescimento. O Quadro I apresenta resumidamente três estudos recentes que propõem novas teorias quanto à etiologia das dores de crescimento, tal como se descreve no texto que se segue: Baixo limiar para a dor: O limiar para a dor em crianças com dores de crescimento encontra -se signifi cativamente reduzido em comparação com o grupo controlo. Os autores sugerem que isto poderá indicar que as dores de crescimento são um síndrome doloroso não -infl amatório generalizado que ocorre na infância(12). Diminuição da resistência óssea: A velocidade de transmissão ultrassónica através do osso foi medida usando um ecógrafo e verifi cou -se que a resistência óssea da tíbia em crianças com dores de crescimento era signifi cativamente menor que no grupo controlo. Os autores colocaram como hipótese que a fadiga óssea com a actividade poderia originar as dores nos membros inferiores(13). Perfusão vascular alterada: Para alguns especialistas as dores de crescimento poderiam estar relacionadas com altera- ções da perfusão vascular. No entanto, as cintigrafi as ósseas realizadas não demonstraram diferenças signifi cativas entre as crianças com e sem dores de crescimento(14). Hipermobilidade articular: Há a impressão clínica de que as crianças com dores de crescimento têm hiperlaxidez articular. Contudo, como não há uma ferramenta universalmente válida para avaliar a hipermobilidade nas crianças, esta hipótese ainda não foi testada(9). 

    CLÍNICA

     As dores de crescimento ocorrem em crianças em idade pré -escolar e escolar(15). Localizam -se em ambos os membros inferiores (nas coxas, nas pernas e na fossa poplítea). A dor pode também ocorrer nos membros superiores, mas apenas em conjugação com dor nos membros inferiores. Em geral, não envolve as articulações. As crianças quase nunca referem um ponto doloroso concreto com o dedo, mas sim deslizam a palma da mão sobre as zonas dolorosas. Surge ao fi m do dia ou à noite e pode acordar a criança, mas na manhã seguinte, quando ela se levanta, não apresenta qualquer dor e é capaz de realizar as suas actividades normais. Geralmente dura menos de 30 minutos e tem uma intensidade variável, desde muito ligeira a muito intensa. A dor é caracteristicamente intermitente, alternando a sua presença com intervalos sem dor que podem ser de dias a meses, apesar de em algumas ocasiões poderem apresentar -se diariamente(4,6,10,11).

    A literatura médica refere que, durante e após os episódios de dor, não são evidentes alterações musculoesqueléticas nem articulares no exame objectivo(6). Aproximadamente um terço dos casos estão associados a dor abdominal recorrente e/ou cefaleias. É comum haver história familiar de dores de crescimento ou de queixas reumáticas(4,10,11). 

    DIAGNÓSTICO 

    Não existe nenhum exame complementar que permita fazer o diagnóstico de dores de crescimento. Assim, perante uma criança saudável com uma apresentação típica, que permanece sem dor durante o dia, o diagnóstico pode geralmente ser feito com base em critérios de inclusão e de exclusão (Quadro II) (2, 10). Um estudo caso -controlo recente, concluiu que as dores de crescimento permanecem um diagnóstico clínico e que se forem considerados critérios de inclusão e de exclusão precisos, não há necessidade de exames laboratoriais para estabelecer o diagnóstico(16). Perante quadros clínicos com características atípicas ou na presença de critérios de exclusão, será prudente solicitar exames complementares, como por exemplo, hemograma completo, velocidade de sedimentação ou proteína C reactiva e/ou radiografi as. Se for detectada alguma alteração nos resultados destes exames, exclui -se o diagnóstico de dores de crescimento. 

    DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 

    O diagnóstico diferencial de dor intermitente nos membros inferiores é extenso. No entanto, de seguida é feita uma breve referência às principais patologias a ter em conta, a maioria das quais pode ser excluída com base na história clínica e no exame físico(4). O traumatismo é uma causa comum de dor nos membros. Poderá haver história de traumatismo e podem ser visíveis equimoses ao exame objectivo. Geralmente não causa dor crónica e intermitente, típica das dores de crescimento. As infecções, como por exemplo a artrite séptica e a osteomielite aguda, estão habitualmente associadas a doença febril e difi cilmente se confundem com dores de crescimento. Contudo, a apresentação clínica clássica pode estar ausente se a infecção estiver a ser parcialmente tratada com antibióticos. Os tumores ósseos são muitas vezes esquecidos. No  caso de tumores malignos, como o osteossarcoma ou o sarcoma de Ewing, a dor é persistente e de severidade crescente. O osteoma osteóide é um tumor benigno, caracterizado por dor intermitente, unilateral, que geralmente piora à noite e pode interromper o sono. A criança com leucemia ocasionalmente apresenta dor óssea vaga, mas poderá também ter outros sinais/sintomas como por exemplo, febre recorrente, palidez e petéquias. No caso das osteonecroses, de que é exemplo a Doença de Legg -Calvé -Perthes, a criança apresenta diminuição da mobilidade da anca. A anemia de células falciformes e a hemofi lia são outros dois diagnósticos diferenciais a considerar. O primeiro deverá ser pensado em crianças de raça negra com dor nos membros e anemia. As hemartroses são comuns em casos moderados a severos de hemofi lia. As doenças reumáticas, particularmente as espondilartropatias como a artrite psoriática e a artrite reactiva, podem causar dor nocturna. Finalmente, casos subtis de raquitismo podem ser confundidos com dores de crescimento. TRATAMENTO Em muitos casos bastará o esclarecimento da família acerca da natureza benigna destes episódios, evitanto deste modo preocupações e medos desnecessários. Muitas crianças obtêm alívio da dor com a massagem das zonas dolorosas ou através da aplicação de calor local. Na maioria dos casos não está indicada a administração de qualquer medicamento pois as dores são de curta duração. Nos casos mais aparatosos poderá estar indicado o tratamento sintomático com analgésicos (por ex. paracetamol ou ibuprofeno). Em crianças com episódios muito frequentes, pode ser útil a administração de analgésicos preventivos à tarde (por ex. naproxeno). Exercícios de estiramento muscular podem aliviar as crianças com sintomas crónicos. Em 1988, Baxter e Dulberg, fi zeram um estudo com 36 crianças com dores de crescimento, e verifi - caram que as crianças tratadas com um regime de exercícios de estiramento muscular obtinham resolução mais rápida dos seus sintomas que as crianças do grupo controlo(4). Contudo, não está claro até que ponto a melhoria ocorreu devido ao exercício ou devido ao aumento da atenção por parte dos pais que era requerida duas vezes por dia. 

    PROGNÓSTICO 

    O prognóstico das dores de crescimento é muito bom. Não estão associadas a nenhuma patologia orgânica séria e em 100% dos casos as dores desaparecem com a idade(6). Na maioria dos casos, ocorre resolução até 24 meses após o início. 

    CONCLUSÃO

     As dores de crescimento são uma entidade frequente na prática pediátrica. Até à actualidade ainda não é conhecida a sua etiologia. O seu diagnóstico é clínico, com base em critérios de inclusão e de exclusão. É importante conhecermos as suas características de modo a evitarmos duas situações: por um lado atribuir o diagnóstico de “dores de crescimento” a situações claramente orgânicas e que podem ser graves e por outro lado solicitarmos exames complementares a crianças com quadros típicos de dores de crescimento.

    BIBLIOGRAFIA 

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    domingo, 14 de maio de 2017

    Pilates Takes to the Field


    Autor:  Zuzana Machotka

    Source: https://www.premax.co/au/blog-contributor/zuzana-machotka


    By now most people have heard of Pilates. But what is Pilates? Staff at the School of Science and Health, University of Western Sydney reviewed 119 Pilates research papers in order to define Pilates. They defined it as “… a mind-body exercise that requires core stability, strength, and flexibility, and attention to muscle control, posture, and breathing.”(Wells, Kolt et al. 2012) In expert hands, Pilates' allows the difficulty of exercises to be modified and therefore tailored to individuals. Specific goals can be set and individual limitations can be addressed through Pilates exercise. Intensity and complexity can be increased over time as the body and mind adapt to the exercises.

    Elite sporting clubs around the world incorporate Pilates into their athletes’ weekly exercise routines. The rationale for including Pilates within an athlete’s training schedule is usually to prevent injuries, improve performance and complement existing rehabilitation programs (e.g. weight training). For example, players in the English Cricket Team regularly practice Pilates to maintain the power of their bowling action and prevent overuse injuries. Australian aerial skier and winter Olympic gold medallist Lydia Lassila travels around the world with her own Pilates equipment to prevent and rehabilitate low back pain. Kobe Bryant travels with his own Pilates instructor to maintain his agility and flexibility.

    But is Pilates only for the stars? No. Pilates is incredibly popular in the recreational sporting population. In people without back pain or other injuries, Pilates can improve abdominal muscular endurance, dynamic balance, and back muscle flexibility. (Campos, Dias et al. 2016). These improvements may help to prevent future episodes of injury and help people perform better at work or in sport. Interestingly hamstring strains are one the most common musculoskeletal injuries seen in all football codes. Lack of flexibility, specifically short muscle fascicle length, can be a limiting factor for sporting performance and can contribute to muscular injuries.(Timmins, Bourne et al. 2015) In a small study of soccer players, Pilates improved hamstring flexibility.(Chinnavan, Gopaladhas et al. 2015)


    The founder of Pilates, Joseph Pilates, came from a background of boxing, self-defence and wrestling, which at the time were male-dominated sports. Joseph Pilates originally used his method to train German soldiers who were rehabilitating from their injuries. Today, Pilates exercises are often used to treat chronic low back and pelvic girdle pain and are viewed by some as a form of exercise only for women. However, Pilates can lead to greater control of the muscles of the trunk and pelvic floor and thereby improve core stability for both genders. By incorporating breathing techniques and movement control, Pilates can strengthen weak areas and promote a more efficient transfer of energy from the trunk to the arms and legs – a key component of sports performance.

    Image: Pilates Reformer
    As a Sports Physiotherapist and AFL Pilates instructor I have seen the benefits of Pilates in improving movement patterns and performance in footballers. Both professional and recreational athletes can use the principles of Pilates to improve co-ordination, mobility and flexibility all of which are essential for optimum sporting performance. Pilates exercises can target aspects of strength and flexibility that everyday exercises cannot. Pilates can help athletes recover from injuries and help change patterns of movement that can lead to future injuries.
    References

    Campos, R. R., et al. (2016). "Effect of the Pilates method on physical conditioning of healthy subjects: A systematic review and meta-analysis." Journal of Sports Medicine and Physical Fitness 56(7-8): 864-873.

    Chinnavan, E., et al. (2015). "Effectiveness of pilates training in improving hamstring flexibility of football players." Bangladesh Journal of Medical Science 14(3): 265-269.

    Timmins, R. G., et al. (2015). "Short biceps femoris fascicles and eccentric knee flexor weakness increase the risk of hamstring injury in elite football (soccer): a prospective cohort study." British journal of sports medicine: bjsports-2015-095362.

    Wells, C., et al. (2012). "Defining Pilates exercise: A systematic review." Complementary Therapies in Medicine 20(4): 253-262.