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domingo, 5 de outubro de 2014

Análise da concordância entre instrumentos de avaliação do equilíbrio corporal em idosos

Autores: Aline H. KarukaI,II; José A. M. G. SilvaIII; Marcelo T. NavegaI,II,III
ILaboratório de Avaliação Musculoesquelética, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Marília, SP, Brasil
IIFaculdade de Filosofia e Ciências, UNESP, Marília, SP, Brasil
IIIInstituto de Biociências, UNESP, Rio Claro, SP, Brasil


RESUMO
CONTEXTUALIZAÇÃO: Diagnosticar os parâmetros clínicos associados com as quedas em idosos tornou-se um grande desafio para a comunidade científica. Apesar da existência de diversos instrumentos direcionados à avaliação do equilíbrio corporal em idosos, ainda é escasso o número de trabalhos que investigaram e discutiram a concordância entre os diversos métodos.
OBJETIVO: Analisar a correlação entre alguns testes usados para avaliar o equilíbrio corporal no idoso.
MÉTODOS: Tratou-se de um estudo transversal, observacional, realizado com 30 voluntárias idosas comunitárias, hígidas, com diferentes níveis de condicionamento físico. Foram utilizados o Teste de Alcance Funcional Anterior (TAF), a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), o teste Timed Up and Go (TUG) e o Teste de Equilíbrio de Tinetti (Performance Oriented Mobility Assessment - POMA). A correlação dos dados foi realizada por meio da aplicação do Coeficiente de Correlação de Spearman, com nível de significância de 5% (p<0,05).
RESULTADOS: Observou-se correlação positiva e moderada entre o TAF e a EEB (r=0,4845; p=0,0067), entre o TAF e a POMA (r=0,4136; p= 0,0231), entre a EEB e a POMA (r=0,6088; p=0,0004).
CONCLUSÃO: Os testes são complementares, dado que se mostraram com particularidades e limitações distintas. Torna-se razoável, portanto, a aplicação conjunta desses instrumentos para melhor avaliar o equilíbrio de idosas.

Palavras-chave: avaliação geriátrica; fisioterapia; equilíbrio corporal.



Introdução
O processo de envelhecimento da população é um fenômeno mundial1,2. Nos países desenvolvidos, em especial os europeus, a população de idosos tem crescido paulatinamente. Em números absolutos, a população total era, em 1980, de 121,3 milhões, sendo a população de mais de 65 anos de 4,9 milhões e, com 80 anos ou mais, 0,6 milhão. A expectativa para 2020 é de que a população total seja de 233,8 milhões: 18,9 milhões acima de 65 anos e 3,1 milhões acima de 80 anos. O Brasil apresenta um dos mais agudos processos de envelhecimento populacional entre os países mais populosos2; será a sexta população mais idosa do mundo no ano de 2025, em contrapartida ao 16º lugar que o país ocupava em 19603, fator esse que aumenta a preocupação da comunidade científica em realizar estudos que contemplem a abordagem em indivíduos idosos.
Um importante aspecto a ser estudado nos idosos são as quedas. Elas são tratadas como fator de grande relevância epidemiológica, social e econômica em todo o mundo, pois é o tipo mais comum de acidente entre idosos4. Sofrer uma queda caracteriza-se como um sério risco, pois potencialmente pode gerar complicações, como hipoatividade, isolamento social, depressão, institucionalização, redução da qualidade de vida5-7 perda de confiança, dependência nas atividades básicas funcionais e até mesmo óbito8. Vale ressaltar que tanto a incidência quanto a gravidade de quedas aumenta consideravelmente após a sexta década de vida, triplicando os índices de internação de idosos após os 65 anos3.
Estima-se que a queda seja a causa de cerca de 90% das fraturas de quadril em indivíduos idosos, acometimento que apresenta alta morbidade e mortalidade. Fraturas decorrentes de quedas são responsáveis por aproximadamente 70% das mortes acidentais em pessoas acima de 70 anos9. Além das sérias consequências para a saúde e independência desses pacientes, as quedas resultam em ampliação da admissão em serviços de saúde, chegando a 20.000 internações por ano em alguns países. Esse aumento no uso de serviços provoca um proporcional acréscimo nos custos em saúde para o país. Os custos pós-queda são superiores a US$ 4.500,00 por ano para cada paciente3.
O equilíbrio corporal sofre declínios decorrentes do processo de envelhecimento10, sendo uma das funções mais afetadas nesse processo. Calcula-se que a prevalência de queixas de equilíbrio na população idosa acima de 65 anos chegue a 85%11. Processo complexo, o equilíbrio envolve a recepção e a integração de estímulos sensoriais, o planejamento e a execução de movimentos para controlar o centro de gravidade sobre a base de suporte, sendo realizado pelo sistema de controle postural, que integra informações do sistema vestibular, dos receptores visuais e do sistema somatossensorial12.
Com o envelhecimento, esse sistema fica deficitário, podendo eliminar diversas etapas do controle postural, diminuindo a capacidade compensatória do sistema, levando a um aumento da instabilidade13. Como o equilíbrio depende de inputs sensoriais múltiplos, qualquer falha em um dos sistemas envolvidos pode causar desequilíbrio postural e, consequentemente, quedas12. Dadas as considerações, fica clara a importância da avaliação do equilíbrio corporal em idosos, pois uma vez identificado o déficit, medidas preventivas poderão ser tomadas o mais precocemente possível, evitando assim o risco de quedas nessa população.
Na busca por diagnosticar os parâmetros clínicos preditores do risco de quedas em idosos, foram desenvolvidos diversos instrumentos para avaliação do controle postural. Dentre os testes clínicos para avaliação do equilíbrio, os mais comumente utilizados e encontrados na literatura são o Teste de Alcance Funcional (TAF) (Functional Reach Test - FRT), a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), o teste "Timed Up and Go" (TUG), e o Teste de Equilíbrio de Tinetti (Performance Oriented Mobility Assessment - POMA)11,14, os quais são validados no idioma original e possuem boa confiabilidade11. Devido à existência de diversos instrumentos direcionados a predizer o risco de quedas em idosos, o presente estudo teve por objetivos investigar e discutir a correlação entre os instrumentos assim como discutir os prós e os contras de cada método de avaliação.

Materiais e métodos
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) envolvendo seres humanos da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Marília, SP, Brasil (Processo 1355/2010). Os procedimentos foram iniciados após a assinatura, pelas voluntárias, do termo de consentimento livre e esclarecido, de acordo com a resolução 196/96 e suas complementares do Conselho Nacional de Saúde.
Tratou-se de um estudo transversal e observacional de amostragem selecionada por conveniência. A amostra constituiu-se de 30 voluntárias idosas comunitárias, hígidas, com diferentes níveis de condicionamento físico, com idades entre 61 e 74 anos, residentes da cidade de Marília, SP, Brasil. Foram excluídas as voluntárias que apresentavam doenças neurológicas, como Acidente Vascular Encefálico, Doença de Parkinson; comprometimento vestibular; deficiência visual não corrigida; paralisias de qualquer etiologia; alterações ortopédicas, como amputações, fraturas, histórico de entorse de tornozelo nos últimos seis meses, incapacidade de se manter em ortostatismo sem o uso de dispositivo de auxílio à marcha, dor à abdução e/ou flexão dos ombros, abdução dos ombros menor que 90º ou redução da amplitude de movimento dos cotovelos e escore inferior a 18 pontos no Miniexame do Estado Mental (MEEM)15. Os testes foram realizados em locais com boa luminosidade, solo plano e regular e de acordo com a conveniência individual para cada voluntária.
Inicialmente, realizou-se anamnese, em que eram fornecidos os dados pessoais e realizado um breve exame físico com dados antropométricos (massa corporal, estatura, índice de massa corporal (IMC), comprimento do braço e do pé direito) que poderiam ser usados para normalização dos dados, quando necessário. Após a anamnese, aplicou-se o teste de avaliação cognitiva MEEM. Os testes para mensuração do equilíbrio corporal foram realizados por um único avaliador e aplicados de maneira aleatória por meio de um sorteio simples para cada voluntária. Para cada teste, foram dadas as instruções e demonstradas as tarefas, sem que se fizesse necessário um treinamento prévio da voluntária.
Miniexame do Estado Mental (MEEM)
Para avaliar as funções cognitivas, aplicou-se o MEEM16. Esse instrumento compõe-se de sete categorias, cada uma delas planejada com o objetivo de avaliar funções cognitivas específicas. São elas: orientação para tempo, orientação para local, registro de três palavras, atenção e cálculo, recordação das três palavras, linguagem e praxia visuo-construtiva. O escore do MEEM varia de zero a 30 pontos, sendo que valores mais baixos apontam para possível déficit cognitivo. Valores MEEM<18 10="" a="" com="" de="" dem="" e="" grave="" gravidade="" indicam="" leve="" meem="" moderada="" ncia="" presen="" sup="">16
.
Escala de Equilíbrio Berg (EEB)
Traduzida por Miyamoto et al.17, é muito utilizada principalmente para determinar os fatores de risco para perda da independência e para quedas em idosos. A escala avalia o equilíbrio em 14 itens comuns à vida diária. Cada item possui uma escala ordinal de cinco alternativas que variam de 0 a 4 pontos, sendo a pontuação máxima, portanto, 56. Os pontos são baseados no tempo em que uma posição pode ser mantida, na distância que o membro superior é capaz de alcançar à frente do corpo e no tempo para completar a tarefa18.
Quanto menor a pontuação atingida pelo indivíduo, maior será o seu risco de queda. Porém, a pontuação com o resultado não constituem uma relação linear, pois uma pequena variação nos pontos pode indicar uma grande diferença no risco de quedas19.
Diferentes notas de corte são descritas na literatura para discriminar idosos caidores de não-caidores: Berg et al.20 propõem 45 pontos; Chiu, Au-Yeung e Lo21, 47 e Shumway-Cook et al.22, 49. Segundo esses autores, pontuações superiores indicam normalidade do equilíbrio, e pontuações iguais ou inferiores a essas notas apontam para o risco de quedas. Shumway-Cook e Woolacott19 propõem que, entre 53-46 pontos, existe de baixo a moderado risco para quedas, e que pontuações abaixo de 46 pontos indicam alto risco para quedas.
Teste de Alcance Funcional Anterior (TAF)
Determina o quanto o idoso é capaz de se deslocar dentro do limite de estabilidade anterior. É bastante utilizado para identificar o risco de queda.
A fita métrica é presa à parede, paralela ao chão, e posicionada na altura do acrômio do voluntário. O indivíduo, descalço, é posicionado com os pés confortáveis e paralelos entre si, perpendicularmente em relação à parede e próximo ao início da fita métrica. Com punhos em posição neutra, cotovelos estendidos e ombro com flexão de 90º, o voluntário é instruído a realizar a inclinação para frente sem tocar na fita e, em seguida, deve-se verificar o deslocamento sobre ela.
O resultado do teste é representado pela média, após três tentativas, da diferença entre a medida na posição inicial e a final registrada na régua. Deslocamentos menores que 15 cm indicam fragilidade do paciente e risco de quedas20,23,24. Gai et al.25, no entanto, relatam que idosos com alcance funcional menor ou igual a 17 cm apresentam 13 vezes maiores chances de cair.
Timed Up and Go (TUG)
Tem como objetivo avaliar a mobilidade e o equilíbrio funcional. O teste quantifica em segundos a mobilidade funcional por meio do tempo que o indivíduo realiza a tarefa de levantar de uma cadeira (apoio de aproximadamente 46 cm de altura e braços de 65 cm de altura), caminhar 3 metros, virar, voltar rumo à cadeira e sentar novamente26.
No TUG, o idoso parte da posição inicial com as costas apoiadas na cadeira. A cronometragem é iniciada após o sinal de partida e parada somente quando o idoso se colocar novamente na posição inicial, sentado com as costas apoiadas na cadeira.
Bischoff et al.27 consideram que a realização do teste em até 10 segundos é o tempo considerado normal para adultos saudáveis, independentes e sem risco de quedas; valores entre 11-20 segundos é o esperado para idosos com deficiência ou frágeis, com independência parcial e com baixo risco de quedas; acima de 20 segundos sugere que o idoso apresenta déficit importante da mobilidade física e risco de quedas. Os mesmos autores determinam um desempenho de até 12 segundos como tempo normal de realização do teste para idosos comunitários.
Escala de Tinetti (Performance Oriented Mobility Assessment-POMA)
Foi traduzida para o português e validada no Brasil por Gomes24. Esse teste é dividido em duas partes, uma avalia o equilíbrio, e a outra, a marcha. A Escala de Tinetti consiste em uma escala de 22 tarefas, sendo que 13 delas fazem parte da escala de equilíbrio, e as outras nove, da parte de avaliação da marcha. Semelhantemente ao teste de Equilíbrio de Berg Balance, a Escala de Equilíbrio de Tinetti consiste em diversas tarefas representativas das atividades de vida diária, as quais são avaliadas por meio da observação do examinador. A Avaliação do Equilíbrio Orientada pelo Desempenho pode ser classificada em três categorias: normal, adaptativa e anormal, sendo as pontuações correspondentes a 3, 2 e 1, respectivamente. A Avaliação da Marcha Orientada pelo Desempenho pode ser classificada em duas categorias: normal e anormal, correspondendo a pontuações 2 e 1, respectivamente. As Avaliações do Equilíbrio e da Marcha Orientada totalizam, portanto, no máximo 39 e 18 pontos, respectivamente (máximo de 57 pontos na soma das escalas). Ainda não foram descritas, na literatura, as pontuações de corte que representam riscos de queda para a POMA-Brasil. Os escores atualmente relatados correspondem à Escala de Tinetti, que originalmente possui 14 tarefas (oito na escala de equilíbrio e seis para avaliação da marcha), e cuja pontuação varia de 0 a 28 pontos no máximo. Escores abaixo de 19 pontos e entre 19 e 24 pontos representam, respectivamente, um alto e moderado risco de quedas28.
Análise estatística
Para a análise estatística, utilizou-se o programa GraghPad Prism 5. Para verificação da distribuição dos dados, utilizou-se o Teste de Shapiro-Wilk. O Teste de Correlação de Spearman foi usado para avaliar as correlações entre os testes de equilíbrio. Para interpretação dos dados, adotou-se o nível de significância de 5% (p<0,05).

Resultados
A amostra, composta por 30 mulheres idosas, com idade de 67,93±3,90 anos (máx.: 74 anos e mín.: 61 anos), apresentou IMC de 29,16±4,53 kg/m² (máx.: 41,03 kg/m² e mín.: 20,73 kg/m²)e pontuação de 27,27±2,32 (máx.: 30 pontos e mín.: 19 pontos) no MEEM.
Os resultados dos desempenhos dos TAF, EEB, POMA, e TUG são apresentados na Tabela 1.


Tabela 2 apresenta a classificação em relação ao risco de quedas e/ou mobilidade/independência funcional das participantes de acordo com notas de corte dos EEB, TUG e TAF propostas por diferentes autores.
Tabela 3 representa as correlações entre os testes TUG, POMA, EBB e TAF.


Discussão
Vários testes têm sido desenvolvidos com o objetivo de avaliar funcionalmente o equilíbrio e estabelecer parâmetros para identificação de idosos com maior suscetibilidade de cair14. Figueiredo, Lima e Guerra11identificaram quais os instrumentos mais utilizados para análise do equilíbrio funcional no âmbito internacional e nacional. Com base nesse estudo, foram selecionados quatro testes: TAF, TUG, EEB e POMA. Tais testes foram selecionados devido a sua ampla aplicabilidade no contexto científico-clínico por possuírem características psicométricas de fácil manuseio, como baixo custo, validade no idioma original, boa confiabilidade, compreensão facilitada, tempo de execução reduzido e serem de domínio público.
O grupo de idosas avaliadas apresentou uma correlação positiva e moderada entre as pontuações da EEB e da POMA (r=0,60; p<0 a="" al.="" ambas="" ao="" apoio="" as="" avaliadas="" berg="" brio="" caracter="" correla="" corroborando="" da="" de="" decl="" deve-se="" diretamente="" do="" duas="" durante="" e="" em="" entre="" equil="" escala="" escalas="" estudo="" et="" execu="" fato="" funcional.="" indica="" levantar="" m="" muitas="" na="" nio="" o="" p="" poma="" positiva="" possuem="" preditoras="" presente="" proporcionais="" propostas="" que="" quedas="" risco="" s="" sentado="" sentar="" silva="" sticas="" sup="" tamb="" tarefas="" unipodal="">29
, ao avaliar equilíbrio, coordenação e agilidade de 61 idosos, com idades entre 60 e 75 anos, distribuídos em dois grupos (exercício físico resistido e grupo controle), encontraram correlação significativa positiva entre a EEB e a POMA para o grupo experimental (r=0,57; p<0 controle="" e="" font="" grupo="" o="" p="" para="" r="0,82;">
Houve correlação significativa moderada entre os instrumentos TAF e EEB (r=0,48; p<0 15="" acima="" alcance="" algumas="" anterior="" as="" atingido="" caidores="" cm="" corte="" das="" de="" descritas="" desse="" discriminar="" eeb.="" escores="" estudo="" funcional="" idosas="" idosos="" indicando="" literatura="" maior="" n="" na="" nesse="" notas="" o-caidores="" o="" os="" para="" participantes="" por="" quanto="" que="" representados="" resultados="" sup="" tiveram="" todas="">23
 e 17 cm25 e pontuações superiores a 4520, 4721 e 49 pontos22 na EEB. Pode-se dizer, portanto, que os resultados das duas escalas se equivalem no que diz respeito à mensuração do risco de quedas, ambas indicaram normalidade do equilíbrio para população avaliada. Cabe ressaltar, no entanto, que, apesar da relação de equivalência mencionada, a realização de um teste não substitui o outro. O TAF é um instrumento de avaliação que identifica as alterações dinâmicas do controle postural e só avalia o movimento em uma única direção (deslocamento anterior do tronco). A EEB é uma avaliação funcional do desempenho do equilíbrio, baseada em atividades representativas do dia a dia, que avaliam o controle postural estável e antecipatório mediante a interação de diferentes vetores de força30.
A correlação moderada encontrada entre TAF e POMA (r=0,41; p=0,02) indica uma tendência de que, quanto maior for o alcance funcional atingido, maior será a pontuação na POMA. A falta de descrição na literatura para escores indicativos de queda para a POMA-Brasil, no entanto, restringe a comparação entre os indicativos do risco de quedas entre o TAF e a POMA. Gai et al.25 realizaram um estudo descritivo com 83 mulheres idosas, o qual objetivava verificar os fatores associados à presença de queda em um grupo de mulheres idosas independentes e autônomas. As participantes selecionadas foram submetidas ao TAF e à POMA. Os resultados mostraram que a condição de equilíbrio corporal apresentada pelas idosas, avaliadas pela POMA e pelo TAF, obtiveram associação com a ocorrência de quedas, o que indica que esses dois testes configuraram-se como instrumentos eficientes na predição do risco de cair.
Nesse estudo, não houve correlação significativa entre os testes TUG e EEB. No entanto, segundo as pontuações de corte de Podsiadlo e Richardson26 para o TUG, e de Shumway-Cook eWolacott19 para a EEB, constatou-se 67% de equivalência do risco de queda entre as duas escalas: 40% das participantes realizaram o TUG em tempo igual ou menor a 10 segundos e obtiveram pontuação entre 54 e 56 na EEB, tendo como indicativo normalidade do equilíbrio e baixo risco de quedas; 27% das voluntárias realizaram o TUG entre 11 e 20 segundos e obtiveram escore entre 53 e 46 na EEB, resultados que apontam para risco de quedas de baixo a moderado. Se consideradas as notas de corte propostas por Berg et al.20, Chiu, Au-Yeung e Lo21 e Shumway-Cook et al.22para a EEB, 45, 47 e 49 pontos, respectivamente, e o tempo de 12 segundos no TUG para considerar o idoso com desempenho dentro do tempo esperado27, pode-se dizer que há concordância de 90% entre os dois testes para o indicativo de quedas: todas as idosas obtiveram escore acima de 49 pontos na EEB, e 27 realizaram o TUG em tempo igual ou inferior a 12 segundos, resultados que indicam ausência do risco de quedas.
Assim como entre a EEB e o TUG, não se encontrou correlação entre a POMA e o TUG. Uma importante questão a ser levantada é que a escala POMA é indicada para população com maior comprometimento motor, que apresenta maior risco de queda31. Um estudo que avalie idosos hígidos ou com uma idade mais baixa que apresentem um quadro motor muito íntegro por meio da escala POMA pode resultar em alto índice de efeito teto. No presente estudo, a idade média das participantes foi de 67,93±3,90 anos, 63% da amostra constituiu-se de idosas entre 60 e 69 anos e 37% de idosas entre 70 e 79 anos. O efeito teto na escala de POMA para essa população ocorreu em 12 voluntárias (40%). Nas escalas EEB e TAF, também se observou desempenho máximo em algumas voluntárias.
Dentre os instrumentos de avaliação do equilíbrio utilizados, ressalta-se a vantagem da EEB e da POMA em relação às demais, visto que elas avaliam muitos aspectos diferentes do equilíbrio e necessitam de poucos equipamentos para serem administradas. No entanto, o tempo necessário para administrar esses testes são mais longos em comparação ao TUG e ao TAF. Referentemente às características psicométricas das escalas, cabe ressaltar que tanto a EEB quanto a POMA avaliam o equilíbrio do indivíduo em situações representativas de atividades do dia a dia, tais como ficar de pé, levantar-se, inclinar-se à frente, virar-se, dentre outras. No entanto, a EEB apresenta melhor detalhamento para descrever e classificar o desempenho em cada tarefa proposta, pois cada atividade pode ser pontuada em cinco níveis qualitativos, já a POMA permite pontuação em três subníveis para cada tarefa. Uma desvantagem apresentada por ambas as escalas é a baixa especificidade no que se refere aos idosos com melhor capacidade funcional, há limitações na pontuação quanto a mudanças de equilíbrio mais sutis, o que leva ao efeito teto de pontuação. A partir deste estudo, pode-se dizer que a POMA é ainda mais suscetível a esse efeito do que a EEB, pois apresentou efeito teto em 40% das participantes; na EEB, em contrapartida, 17% da amostra apresentou a pontuação máxima.
As vantagens do TAF são refletidas na rapidez e na praticidade para ser administrado, ele é sensível a mudanças como resultado do treino do equilíbrio, todavia só avalia o movimento em uma única direção - para frente. O TUG, diferentemente dos demais testes, tem a característica de avaliar o equilíbrio e a mobilidade funcional por meio de uma atividade dinâmica. Possui a vantagem de poder ser administrado de forma rápida, com equipamento mínimo.
O presente estudo apresenta limitações relacionadas à homogeneidade da população estudada, que contribuiu para que houvesse pouca variabilidade entre os escores obtidos durante a execução das escalas funcionais propostas, fato que pode ter contribuído para que os valores de correlação entre os testes fossem de moderados a fracos.

Conclusão
Os dados do presente estudo permitem concluir que os testes de avaliação de equilíbrio de idosos EEB, TUG, POMA e TAF são complementares, tendo em vista que não se correlacionaram fortemente e mostraram-se com particularidades e limitações distintas. Torna-se razoável, portanto, a aplicação conjunta desses instrumentos para melhor avaliar o equilíbrio das idosas.

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 Correspondência para:
Marcelo T. Navega
Faculdade de Filosofia e Ciências - Departamento de Educação Especial
Avenida Hygino Muzzi Filho, 737
CEP 17525-900, Marília, SP, Brasil
e-mail: navegamt@marilia.unesp.br

Adaptação transcultural e avaliação das propriedades psicométricas da Falls Efficacy Scale - International em idosos Brasileiros (FES-I-BRASIL)

Autores: Flávia F. O. Camargos; Rosângela C. Dias; João M. D. Dias; Maria T. F. Freire
Departamento de Fisioterapia, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte (MG), Brasil

RESUMO
OBJETIVOS: Adaptar culturalmente a Falls Efficacy Scale-International (FES-I) e avaliar suas propriedades psicométricas em uma amostra de idosos brasileiros da comunidade. 
MÉTODOS: Conforme recomendações da Rede Europeia de prevenção às quedas, o instrumento foi traduzido para o português do Brasil e adaptado culturalmente para a população brasileira (FES-I-Brasil). A FES-I-Brasil foi aplicada em 163 idosos (73,44±5,51 anos), e foram coletados dados demográficos e relacionados à história de quedas. Dentre esses idosos, 58 foram distribuídos aleatoriamente para avaliação da confiabilidade. A confiabilidade foi analisada pelo Índice de Correlação Intraclasse (ICC) e a consistência interna pelo α de Cronbach. A estrutura interna da FES-I-Brasil foi avaliada pela análise fatorial exploratória. O modelo de regressão logística foi utilizado para identificar quais tarefas da escala eram mais relevantes para discriminar quedas. Para análise de sensibilidade e especificidade da FES-I-Brasil, empregou-se a curva Receiving Operator Characteristic(ROC). 
RESULTADOS: A consistência interna da FES-I-Brasil foi α=0,93, e a confiabilidade foi ICC=0,84 e 0,91 (intra e interexaminadores, respectivamente). A análise fatorial sugeriu dois fatores que verificavam preocupação em cair durante atividades de socialização e de vida diária (básicas e instrumentais) e tarefas relacionadas ao controle postural. Uma pontuação >23 pontos na FES-I-Brasil sugeriu associação com histórico de queda esporádica, ao passo que uma pontuação >31 pontos ensejou uma associação com queda recorrente. 
CONCLUSÕES: A FES-I-Brasil apresentou-se semântica, linguística e psicometricamente adequada para avaliar o medo de cair na população de idosos brasileiros da comunidade.

Palavras-chave: FES-I-Brasil; autoeficácia; quedas; medo; idosos; psicometria.



Introdução

As quedas representam um dos principais problemas da população idosa, pois cerca de 30% das pessoas com 65 anos ou mais caem a cada ano e, frequentemente, sofrem sérias complicações1. O medo de cair é uma das consequências comuns das quedas1,2, mas também pode ser causa delas2-4. A prevalência do medo relacionado às quedas é alta entre os idosos da comunidade e varia de 41 a 61% entre os estudos analisados2-10. O medo ou preocupação com uma possível queda é um fator que está associado à saúde dos idosos, como redução da mobilidade, perda da confiança no equilíbrio, restrição de atividades, dentre outros3,6,7,10,11. A avaliação do medo de cair é complexa e envolve influências físicas, comportamentais e funcionais. Portanto, torna-se difícil desenvolver um instrumento que reflita por completo o medo de cair12.
O medo de quedas tem sido avaliado como um estado dicotômico (ter medo ou não ter)3,6,13-15 por meio de questão com graduação do nível de medo11 ou de escalas baseadas no conceito de autoeficácia ou perda na confiança do equilíbrio2,8,16-18. Tais escalas são baseadas na teoria cognitiva social descrita por Bandura19,20 e avaliam a autoeficácia relacionada às quedas, que representa o grau de confiança que a pessoa tem em realizar atividades do dia a dia sem cair2.
Tinetti, Richman e Powell2 desenvolveram a primeira escala para avaliação da auto eficácia relacionada às quedas denominada Falls Efficacy Scale (FES). A Rede Européia de prevenção às quedas (PRoFaNE - Prevention of Falls Network Europe)21 desenvolveu uma versão modificada da FES, que foi denominada Falls Efficacy Scale - International (FES-I)18. A FES-I engloba seis itens a mais que a da FES original para avaliar as atividades externas e a participação social, as quais são descritas na literatura como a principal causa de preocupação entre os idosos8,17.
Diversos estudos têm demonstrado a relevância clínica do medo de cair devido à associação com desfechos adversos na saúde dos idosos2,5-7,9,17,22-24. A autoeficácia é um conceito útil para entender os motivos pelos quais os idosos desenvolvem medo de cair. Além disso, pode ajudar a guiar estratégias de prevenção e tratamento2. Na prática clínica voltada para a realidade brasileira, não é comum avaliar o medo de cair nos idosos por meio de questionários estruturados. Isso talvez se deva à inexistência de instrumentos adaptados culturalmente para a população brasileira.
A utilização de um instrumento já existente adaptado e validado culturalmente é o mais recomendado devido à operacionalização desse processo25,26. A escolha da FES-I como instrumento para medir o medo de cair em idosos brasileiros da comunidade fundamentou-se em suas excelentes propriedades de medida, como consistência interna (α-Cronbach=0,96) e confiabilidade teste-reteste (ICC=0,96). Além disso, a FES-I supre a falha da FES na avaliação de idosos da comunidade18. Por fim, é uma escala que vem sendo adaptada culturalmente em diferentes países e que possibilitará a comparação de estudos em nível internacional18,27.
Os objetivos deste estudo foram adaptar culturalmente e avaliar as propriedades psicométricas da FES-I para a população idosa brasileira de vida na comunidade.

Materiais e métodos

Desenho do estudo
Trata-se de um estudo metodológico de corte transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte (MG), Brasil, número ETIC 442/05.

Fase 1 - Adaptação cultural do instrumento FES-I
A FES-I apresenta questões sobre a preocupação com a possibilidade de cair ao realizar 16 atividades, com respectivos escores de um a quatro. O escore total pode variar de 16 (ausência de preocupação) a 64 (preocupação extrema).
O desenvolvimento da versão brasileira da FES-I foi autorizado aos autores deste estudo após contato prévio com a Rede Européia de prevenção às quedas. No processo de adaptação cultural da FES-I, foram seguidas as 10 etapas de um protocolo padronizado21 definido por esse grupo para proceder à tradução, retrotradução, estudo piloto e consenso semântico e linguístico para gerar a versão em português do Brasil.

Fase 2 - Avaliação das propriedades psicométricas da FES-I-Brasil
De acordo com cálculo amostral28, participaram deste estudo 163 idosos que viviam na comunidade de Belo Horizonte (MG), Brasil. Os voluntários foram recrutados em centros de saúde, clínicas, projetos de pesquisa, extensão e atividade física para a terceira idade. Eles atenderam aos seguintes critérios de inclusão: ter idade igual ou superior a 65 anos; viver independentemente na comunidade e deambular na posição ortostática utilizando ou não dispositivos de auxílio à marcha. Foram critérios para exclusão: déficits de mobilidade e/ou vestibulares que impedissem o idoso de se locomover na posição ortostática, como uso de cadeira de rodas; condições de saúde instáveis ou graves, como sequelas de acidente vascular encefálico, doença de Parkinson, doença de Alzheimer e outras alterações neurológicas, e déficits cognitivos.
Para verificar se os idosos apresentavam déficit cognitivo, foi aplicado o Miniexame do Estado Mental e utilizado os pontos de corte recomendados por Bertolucci et al.29. Os idosos selecionados receberam informações sobre a natureza e os objetivos da pesquisa e, estando de acordo, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
Após a inclusão no estudo, os idosos foram submetidos individualmente a uma entrevista realizada pela primeira examinadora. Todos os dados foram obtidos a partir do autorrelato dos idosos. Primeiro, a FES-I adaptada foi aplicada por meio de entrevista. Em seguida, foram coletados dados demográficos e a história de quedas. Os dados demográficos incluíram idade, sexo, estado civil e nível de escolaridade. A frequência de quedas no ano anterior a partir da data da entrevista foi questionada, e os idosos deveriam relatar se eles haviam caído uma vez, duas ou mais vezes ou se não haviam caído nesse período.
Foi realizada uma segunda entrevista na qual somente a escala FES-I adaptada foi aplicada a 58 idosos com intervalo de, aproximadamente, sete dias a partir da entrevista inicial para verificar a confiabilidade da escala. A ocorrência do evento queda nesse período foi critério de exclusão para esses idosos. Tal entrevista foi distribuída aleatoriamente entre a primeira e a segunda examinadoras para verificar a confiabilidade intra e interexaminadores, respectivamente. As examinadoras eram fisioterapeutas previamente treinadas e seguiram as instruções conforme versão original21.
As entrevistas foram realizadas na residência dos idosos ou nos locais de recrutamento deles, com data e horários marcados. O local pré-estabelecido foi o mesmo durante a realização da segunda entrevista.

Análise estatística
Foram feitas estatísticas descritivas de todas as variáveis do estudo. A confiabilidade intraexaminadores e interexaminadores foi determinada pelo coeficiente de correlação intraclasse (ICC) tipo II, que foi calculado para cada item da escala e seu escore total. A consistência interna do instrumento foi avaliada para todos os itens por meio do coeficiente α de Cronbach (Statistical Package for the Social Sciences 13.0). Para avaliar a validade de construto, seus 16 itens foram submetidos à análise fatorial exploratória a fim de conhecer o padrão de variação conjunta dos itens e a variância explicada por cada fator (Factor 5.0). Observou-se que os dados não seguiam uma distribuição normal por meio do teste Kolmogorov-Smirnov de normalidade (p<0 ao="" coeficiente="" correla="" curtose="" de="" do="" e="" es="" i="" mardia="" multivariada="" p="" polichoricas="" procedeu-se="" uso="">Software PRELIS
 2.3). Para implementar a análise fatorial, empregou-se a extração por componentes principais com rotação ortogonal (Varimax). Para definir o número de fatores, empregou-se o método de análise paralela do scree plot. O modelo de regressão logística foi aplicado para identificar quais variáveis da FES-I apresentavam maior associação com histórico de quedas dos idosos que participaram do estudo. Para tanto, aplicou-se o modelo logístico para dois desfechos distintos: 1) distinguir os idosos que caíram daqueles que não caíram no último ano; 2) distinguir os idosos que caíram duas ou mais vezes (recorrentes) daqueles que não caíram ou que caíram somente uma vez no último ano. A análise de sensibilidade e especificidade foi usada para verificar se a FES-I adaptada por meio de seu escore total, seria capaz de discriminar corretamente os idosos caidores (independentemente do número de quedas) ou os caidores recorrentes. Para identificar esse critério ideal e a efetividade geral do sistema de classificação, empregou-se a curva ROC.

Resultados

Fase 1 - Adaptação transcultural do instrumento FES-I
No processo de adaptação cultural da FES-I, três itens sofreram ajustes devido às diferenças culturais para que fosse alcançada equivalência com a versão original. O item 4 foi ajustado para "tomando banho" sem discriminar se era de chuveiro ou de banheira. No item 11, o chão molhado caracterizou a superfície escorregadia. Para descrever solo irregular no item 14, foi selecionado chão com pedras e piso mal conservado e traduzido como superfície esburacada.
Nos outros itens, não foram realizadas maiores alterações além da tradução, já que havia aplicabilidade similar na cultura brasileira.
Após essas alterações, foi obtida a versão adaptada da FES-I para o português do Brasil (FES-I-Brasil)17 (Anexo 1).
Fase 2 - Avaliação das propriedades psicométricas da FES-I-Brasil
A média de idade dos idosos foi 73,44±5,51 anos, 127 (77,91%) eram mulheres, 73 eram casados (44,79%), e a maioria (54,60%) possuía nível de escolaridade maior ou igual a oito anos. Cento e oito (66,26%) idosos não haviam sofrido quedas no último ano, enquanto 33 (20,24%) eram caidores e 22 (13,50%), caidores recorrentes. A média do escore da FES-I-Brasil foi 23,55±7,60 e a mediana 21,00, com primeiro quartil (Q1) igual a 19,00 e o terceiro (Q3), 25,00.
A consistência interna apresentada pela FES-I-Brasil foi adequada (α de Cronbach=0,93). A análise de confiabilidade intraexaminador do escore total foi ICC=0,84, e a média dos itens foi ICC=0,57 (0,34-0,80). Já a confiabilidade interexaminadores do escore total foi ICC=0,91, e a média dos itens foi ICC=0,70 (0,39-0,90).
A análise fatorial gerou uma estrutura com dois fatores que verificavam preocupação em cair durante a realização das atividades da FES-I (Tabela 1). No segundo fator, prevaleceram tarefas relacionadas ao controle postural as quais exigiam maior grau de dificuldade, ao passo que o primeiro fator remeteu a atividades de vida diária (básicas e instrumentais) e de socialização. A qualidade da análise fatorial mostrou índices aceitáveis em termos de variância explicada (70,2%), alfa de Cronbach (fator 1=0,95 e fator 2=0,89) e medida Kaiser-Meyer-Olkin (KMO=0,86). Após a aplicação da solução oblíqua, os resultados mostraram uma correlação moderada (r=0,39) entre os fatores. Além disto, o procedimento de análise fatorial de segunda ordem identificou que um único fator latente de segunda ordem (preocupação com quedas) foi capaz de explicar 59% da variação dos fatores de primeira ordem (tarefas de controle postural, de vida diária e socialização). Desse modo, é possível dizer com relativa confiança que os dois fatores representaram dimensões distintas do construto estudado.
O modelo de regressão logística identificou o escore total da FES-I como a variável mais relevante para discriminar quedas. O ponto de corte para diferenciar idosos caidores dos não caidores foi 23 pontos no escore total da FES-I, com 47% de sensibilidade (capacidade de fornecer um indicador positivo de quedas entre os considerados caidores) e 66% de especificidade (capacidade de discriminar os não caidores entre os assim considerados). Na diferenciação dos idosos caidores recorrentes dos demais, os casos extremos afetaram de sobremaneira os resultados. Excluindo-se os casos extremos (n=4), o ponto de corte foi 31 pontos na FES-I e obteve-se 100% de sensibilidade e 87% de especificidade. A escolaridade e notas elevadas para o item 10 da escala FES-I foram identificadas como preditoras da classificação em casos extremos. A partir dos resultados do modelo logístico, idosos analfabetos e que atribuem notas maiores que dois ao item 10 e idosos com escolaridade entre 1 e 8 anos incompletos e que deem nota três ou quatro para o item 10 são possíveis outliers (probabilidade maior que 90%).

Discussão

É de grande importância o estabelecimento das propriedades psicométricas de um instrumento após a adaptação transcultural25,26. Os achados deste estudo confirmam que a FES-I foi adequadamente adaptada para a população de idosos brasileiros da comunidade. Na aferição da validade interna da FES-I-Brasil, observou-se que os itens da escala apresentaram adequada consistência interna (α=0,93). Esse resultado indica que a escala apresentou comportamento unidimensional em uma amostra de idosos e é comparável a resultados de outros estudos que já utilizaram a FES-I como a FES-I original (α=0,96)18, FES-I abreviada (α=0,92)16 e a FES-I adaptada para Holanda (α=0,96) e Alemanha (α=0,90)27. A escala FES-I-Brasil apresentou adequadas propriedades psicométricas como confiabilidade intra e interexaminadores. Tais achados foram similares aos de escalas que avaliaram autoeficácia relacionada às quedas, tais como a FES-I original (ICC=0,96)18, FES-I abreviada (ICC=0,83)16, FES-I adaptada para Holanda (ICC=0,82) e Alemanha (ICC=0,79)27, ABC (r=0,92)8 e FES (r=0,71)2.
A análise da estrutura fatorial da escala FES-I-Brasil possibilitou avaliar a estrutura interna da escala para confirmar se a preocupação com as quedas era avaliada por tarefas com diferentes graus de dificuldade de realização. Houve algumas diferenças entre os resultados da análise fatorial no artigo original da escala18 e o atual, que podem ser explicadas pela variação entre as culturas. As diferenças no estudo original da escala foram: o item 7 foi incluído no primeiro fator e os itens 8 e 9, no segundo18. No presente estudo, os itens 4 e 8 não puderam ser incluídos nem no primeiro nem no segundo fator, pois apresentaram carga fatorial similar para os dois fatores. Na FES-I original18, o item 4 também demonstrou-se dessa maneira. Entretanto, os itens 4 e 8 não puderam ser excluídos, já que a comunalidade (quantidade com que os dois fatores explicam o item) deles é superior a 0,40, o que é considerado aceitável. Entretanto, esta análise mostrou resultados compatíveis aos obtidos pelos autores da escala original, que sugerem um fator unitário (preocupação com quedas) com duas dimensões distintas: tarefas mais básicas e mais complexas tanto no domínio físico quanto no social18. Isso aponta uma relativa homogeneidade da escala nas duas culturas estudadas e significa que resultados obtidos na população brasileira podem ser comparados aos da população britânica.
Em relação à estrutura de classificação de risco da escala FES-I-Brasil, concluiu-se que o escore total é o melhor elemento de associação com o desfecho "queda no último ano". Desse modo, uma pontuação maior ou igual a 23 pontos ensejaria uma associação com queda esporádica, ao passo que uma classificação superior a 31 pontos ensejaria uma associação com queda recorrente. É importante lembrar que o resultado obtido para a associação com queda recorrente parte da premissa da ausência de casos extremos e, portanto, deve atentar-se para a regra usual para a qual tal esquema de classificação não seria válido.
A FES-I-Brasil não constitui um instrumento preditivo para quedas no sentido estrito, mas funciona como um indicador da possível ocorrência do evento queda. A FES-I-Brasil deve fazer parte de uma avaliação geriátrica ampla que englobe fatores biopsicossociais para que seja possível estabelecer os riscos de queda para cada idoso dentro de seu contexto de vida.
Estudos futuros devem ser realizados no intuito de estabelecer dados normativos do medo de cair por meio da FES-I-Brasil e avaliar a sensibilidade desta escala após intervenções. Assim como, serão necessários estudos longitudinais para estabelecer variáveis preditoras da redução da autoeficácia e do medo de quedas.
Uma limitação deste estudo foi a utilização de uma amostra de conveniência e, possivelmente, os indivíduos com mais medo de cair são menos suscetíveis a participar de estudos com amostras de voluntários. Outro aspecto a ser considerado é que, pelo fato de os desfechos de interesse terem sido coletados pelo autorrelato dos participantes, pode ter havido algum viés de memória influenciando os dados30. Para evitar a superestimação das variáveis por parte dos idosos no intuito de agradar o examinador e para minimizar a possibilidade do viés de recordação, os entrevistadores utilizaram uma série de procedimentos padronizados21.
O comportamento humano é complexo e a autoeficácia pode predizê-lo e está associada a ele19,20. Devido à forte influência da crença de autoeficácia em adotar e manter comportamentos de saúde adaptativos, o sucesso das estratégias de prevenção de quedas e da manutenção da independência nos idosos pode estar intrinsecamente relacionado não apenas à melhora da função física, mas também da efetividade em focar o medo de cair. Portanto, programas de intervenção devem possuir estratégias específicas para alteração do comportamento com o objetivo de melhorar a autoeficácia e reduzir o medo de cair e, em contrapartida, melhorar os desfechos de saúde31. Justifica-se, então, a necessidade da avaliação do medo de cair por meio da autoeficácia relacionada às quedas.
O presente estudo cumpriu com os objetivos propostos de adaptação transcultural e avaliação das propriedades psicométricas da FES-I em uma população de idosos brasileiros da comunidade (FES-I-Brasil). Os resultados deste estudo demonstraram que a FES-I-Brasil apresentou-se adequada do ponto de vista semântico e linguístico e foi aplicável à população de idosos da comunidade. Além disso, é o primeiro instrumento adaptado para a população brasileira no que diz respeito à avaliação do medo de cair em idosos.
A FES-I-Brasil é um instrumento promissor no que diz respeito à avaliação do medo de cair tanto na pesquisa quanto na prática clínica. A utilização de um instrumento padronizado facilitará a reprodutibilidade dos resultados, guiará o planejamento e a efetividade das intervenções e possibilitará a comparação de resultados entre diferentes populações.

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 Correspondência para: Flávia Fernandes Oliveira Camargos
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