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domingo, 5 de outubro de 2014

Adaptação transcultural e avaliação das propriedades psicométricas da Falls Efficacy Scale - International em idosos Brasileiros (FES-I-BRASIL)

Autores: Flávia F. O. Camargos; Rosângela C. Dias; João M. D. Dias; Maria T. F. Freire
Departamento de Fisioterapia, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte (MG), Brasil

RESUMO
OBJETIVOS: Adaptar culturalmente a Falls Efficacy Scale-International (FES-I) e avaliar suas propriedades psicométricas em uma amostra de idosos brasileiros da comunidade. 
MÉTODOS: Conforme recomendações da Rede Europeia de prevenção às quedas, o instrumento foi traduzido para o português do Brasil e adaptado culturalmente para a população brasileira (FES-I-Brasil). A FES-I-Brasil foi aplicada em 163 idosos (73,44±5,51 anos), e foram coletados dados demográficos e relacionados à história de quedas. Dentre esses idosos, 58 foram distribuídos aleatoriamente para avaliação da confiabilidade. A confiabilidade foi analisada pelo Índice de Correlação Intraclasse (ICC) e a consistência interna pelo α de Cronbach. A estrutura interna da FES-I-Brasil foi avaliada pela análise fatorial exploratória. O modelo de regressão logística foi utilizado para identificar quais tarefas da escala eram mais relevantes para discriminar quedas. Para análise de sensibilidade e especificidade da FES-I-Brasil, empregou-se a curva Receiving Operator Characteristic(ROC). 
RESULTADOS: A consistência interna da FES-I-Brasil foi α=0,93, e a confiabilidade foi ICC=0,84 e 0,91 (intra e interexaminadores, respectivamente). A análise fatorial sugeriu dois fatores que verificavam preocupação em cair durante atividades de socialização e de vida diária (básicas e instrumentais) e tarefas relacionadas ao controle postural. Uma pontuação >23 pontos na FES-I-Brasil sugeriu associação com histórico de queda esporádica, ao passo que uma pontuação >31 pontos ensejou uma associação com queda recorrente. 
CONCLUSÕES: A FES-I-Brasil apresentou-se semântica, linguística e psicometricamente adequada para avaliar o medo de cair na população de idosos brasileiros da comunidade.

Palavras-chave: FES-I-Brasil; autoeficácia; quedas; medo; idosos; psicometria.



Introdução

As quedas representam um dos principais problemas da população idosa, pois cerca de 30% das pessoas com 65 anos ou mais caem a cada ano e, frequentemente, sofrem sérias complicações1. O medo de cair é uma das consequências comuns das quedas1,2, mas também pode ser causa delas2-4. A prevalência do medo relacionado às quedas é alta entre os idosos da comunidade e varia de 41 a 61% entre os estudos analisados2-10. O medo ou preocupação com uma possível queda é um fator que está associado à saúde dos idosos, como redução da mobilidade, perda da confiança no equilíbrio, restrição de atividades, dentre outros3,6,7,10,11. A avaliação do medo de cair é complexa e envolve influências físicas, comportamentais e funcionais. Portanto, torna-se difícil desenvolver um instrumento que reflita por completo o medo de cair12.
O medo de quedas tem sido avaliado como um estado dicotômico (ter medo ou não ter)3,6,13-15 por meio de questão com graduação do nível de medo11 ou de escalas baseadas no conceito de autoeficácia ou perda na confiança do equilíbrio2,8,16-18. Tais escalas são baseadas na teoria cognitiva social descrita por Bandura19,20 e avaliam a autoeficácia relacionada às quedas, que representa o grau de confiança que a pessoa tem em realizar atividades do dia a dia sem cair2.
Tinetti, Richman e Powell2 desenvolveram a primeira escala para avaliação da auto eficácia relacionada às quedas denominada Falls Efficacy Scale (FES). A Rede Européia de prevenção às quedas (PRoFaNE - Prevention of Falls Network Europe)21 desenvolveu uma versão modificada da FES, que foi denominada Falls Efficacy Scale - International (FES-I)18. A FES-I engloba seis itens a mais que a da FES original para avaliar as atividades externas e a participação social, as quais são descritas na literatura como a principal causa de preocupação entre os idosos8,17.
Diversos estudos têm demonstrado a relevância clínica do medo de cair devido à associação com desfechos adversos na saúde dos idosos2,5-7,9,17,22-24. A autoeficácia é um conceito útil para entender os motivos pelos quais os idosos desenvolvem medo de cair. Além disso, pode ajudar a guiar estratégias de prevenção e tratamento2. Na prática clínica voltada para a realidade brasileira, não é comum avaliar o medo de cair nos idosos por meio de questionários estruturados. Isso talvez se deva à inexistência de instrumentos adaptados culturalmente para a população brasileira.
A utilização de um instrumento já existente adaptado e validado culturalmente é o mais recomendado devido à operacionalização desse processo25,26. A escolha da FES-I como instrumento para medir o medo de cair em idosos brasileiros da comunidade fundamentou-se em suas excelentes propriedades de medida, como consistência interna (α-Cronbach=0,96) e confiabilidade teste-reteste (ICC=0,96). Além disso, a FES-I supre a falha da FES na avaliação de idosos da comunidade18. Por fim, é uma escala que vem sendo adaptada culturalmente em diferentes países e que possibilitará a comparação de estudos em nível internacional18,27.
Os objetivos deste estudo foram adaptar culturalmente e avaliar as propriedades psicométricas da FES-I para a população idosa brasileira de vida na comunidade.

Materiais e métodos

Desenho do estudo
Trata-se de um estudo metodológico de corte transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte (MG), Brasil, número ETIC 442/05.

Fase 1 - Adaptação cultural do instrumento FES-I
A FES-I apresenta questões sobre a preocupação com a possibilidade de cair ao realizar 16 atividades, com respectivos escores de um a quatro. O escore total pode variar de 16 (ausência de preocupação) a 64 (preocupação extrema).
O desenvolvimento da versão brasileira da FES-I foi autorizado aos autores deste estudo após contato prévio com a Rede Européia de prevenção às quedas. No processo de adaptação cultural da FES-I, foram seguidas as 10 etapas de um protocolo padronizado21 definido por esse grupo para proceder à tradução, retrotradução, estudo piloto e consenso semântico e linguístico para gerar a versão em português do Brasil.

Fase 2 - Avaliação das propriedades psicométricas da FES-I-Brasil
De acordo com cálculo amostral28, participaram deste estudo 163 idosos que viviam na comunidade de Belo Horizonte (MG), Brasil. Os voluntários foram recrutados em centros de saúde, clínicas, projetos de pesquisa, extensão e atividade física para a terceira idade. Eles atenderam aos seguintes critérios de inclusão: ter idade igual ou superior a 65 anos; viver independentemente na comunidade e deambular na posição ortostática utilizando ou não dispositivos de auxílio à marcha. Foram critérios para exclusão: déficits de mobilidade e/ou vestibulares que impedissem o idoso de se locomover na posição ortostática, como uso de cadeira de rodas; condições de saúde instáveis ou graves, como sequelas de acidente vascular encefálico, doença de Parkinson, doença de Alzheimer e outras alterações neurológicas, e déficits cognitivos.
Para verificar se os idosos apresentavam déficit cognitivo, foi aplicado o Miniexame do Estado Mental e utilizado os pontos de corte recomendados por Bertolucci et al.29. Os idosos selecionados receberam informações sobre a natureza e os objetivos da pesquisa e, estando de acordo, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
Após a inclusão no estudo, os idosos foram submetidos individualmente a uma entrevista realizada pela primeira examinadora. Todos os dados foram obtidos a partir do autorrelato dos idosos. Primeiro, a FES-I adaptada foi aplicada por meio de entrevista. Em seguida, foram coletados dados demográficos e a história de quedas. Os dados demográficos incluíram idade, sexo, estado civil e nível de escolaridade. A frequência de quedas no ano anterior a partir da data da entrevista foi questionada, e os idosos deveriam relatar se eles haviam caído uma vez, duas ou mais vezes ou se não haviam caído nesse período.
Foi realizada uma segunda entrevista na qual somente a escala FES-I adaptada foi aplicada a 58 idosos com intervalo de, aproximadamente, sete dias a partir da entrevista inicial para verificar a confiabilidade da escala. A ocorrência do evento queda nesse período foi critério de exclusão para esses idosos. Tal entrevista foi distribuída aleatoriamente entre a primeira e a segunda examinadoras para verificar a confiabilidade intra e interexaminadores, respectivamente. As examinadoras eram fisioterapeutas previamente treinadas e seguiram as instruções conforme versão original21.
As entrevistas foram realizadas na residência dos idosos ou nos locais de recrutamento deles, com data e horários marcados. O local pré-estabelecido foi o mesmo durante a realização da segunda entrevista.

Análise estatística
Foram feitas estatísticas descritivas de todas as variáveis do estudo. A confiabilidade intraexaminadores e interexaminadores foi determinada pelo coeficiente de correlação intraclasse (ICC) tipo II, que foi calculado para cada item da escala e seu escore total. A consistência interna do instrumento foi avaliada para todos os itens por meio do coeficiente α de Cronbach (Statistical Package for the Social Sciences 13.0). Para avaliar a validade de construto, seus 16 itens foram submetidos à análise fatorial exploratória a fim de conhecer o padrão de variação conjunta dos itens e a variância explicada por cada fator (Factor 5.0). Observou-se que os dados não seguiam uma distribuição normal por meio do teste Kolmogorov-Smirnov de normalidade (p<0 ao="" coeficiente="" correla="" curtose="" de="" do="" e="" es="" i="" mardia="" multivariada="" p="" polichoricas="" procedeu-se="" uso="">Software PRELIS
 2.3). Para implementar a análise fatorial, empregou-se a extração por componentes principais com rotação ortogonal (Varimax). Para definir o número de fatores, empregou-se o método de análise paralela do scree plot. O modelo de regressão logística foi aplicado para identificar quais variáveis da FES-I apresentavam maior associação com histórico de quedas dos idosos que participaram do estudo. Para tanto, aplicou-se o modelo logístico para dois desfechos distintos: 1) distinguir os idosos que caíram daqueles que não caíram no último ano; 2) distinguir os idosos que caíram duas ou mais vezes (recorrentes) daqueles que não caíram ou que caíram somente uma vez no último ano. A análise de sensibilidade e especificidade foi usada para verificar se a FES-I adaptada por meio de seu escore total, seria capaz de discriminar corretamente os idosos caidores (independentemente do número de quedas) ou os caidores recorrentes. Para identificar esse critério ideal e a efetividade geral do sistema de classificação, empregou-se a curva ROC.

Resultados

Fase 1 - Adaptação transcultural do instrumento FES-I
No processo de adaptação cultural da FES-I, três itens sofreram ajustes devido às diferenças culturais para que fosse alcançada equivalência com a versão original. O item 4 foi ajustado para "tomando banho" sem discriminar se era de chuveiro ou de banheira. No item 11, o chão molhado caracterizou a superfície escorregadia. Para descrever solo irregular no item 14, foi selecionado chão com pedras e piso mal conservado e traduzido como superfície esburacada.
Nos outros itens, não foram realizadas maiores alterações além da tradução, já que havia aplicabilidade similar na cultura brasileira.
Após essas alterações, foi obtida a versão adaptada da FES-I para o português do Brasil (FES-I-Brasil)17 (Anexo 1).
Fase 2 - Avaliação das propriedades psicométricas da FES-I-Brasil
A média de idade dos idosos foi 73,44±5,51 anos, 127 (77,91%) eram mulheres, 73 eram casados (44,79%), e a maioria (54,60%) possuía nível de escolaridade maior ou igual a oito anos. Cento e oito (66,26%) idosos não haviam sofrido quedas no último ano, enquanto 33 (20,24%) eram caidores e 22 (13,50%), caidores recorrentes. A média do escore da FES-I-Brasil foi 23,55±7,60 e a mediana 21,00, com primeiro quartil (Q1) igual a 19,00 e o terceiro (Q3), 25,00.
A consistência interna apresentada pela FES-I-Brasil foi adequada (α de Cronbach=0,93). A análise de confiabilidade intraexaminador do escore total foi ICC=0,84, e a média dos itens foi ICC=0,57 (0,34-0,80). Já a confiabilidade interexaminadores do escore total foi ICC=0,91, e a média dos itens foi ICC=0,70 (0,39-0,90).
A análise fatorial gerou uma estrutura com dois fatores que verificavam preocupação em cair durante a realização das atividades da FES-I (Tabela 1). No segundo fator, prevaleceram tarefas relacionadas ao controle postural as quais exigiam maior grau de dificuldade, ao passo que o primeiro fator remeteu a atividades de vida diária (básicas e instrumentais) e de socialização. A qualidade da análise fatorial mostrou índices aceitáveis em termos de variância explicada (70,2%), alfa de Cronbach (fator 1=0,95 e fator 2=0,89) e medida Kaiser-Meyer-Olkin (KMO=0,86). Após a aplicação da solução oblíqua, os resultados mostraram uma correlação moderada (r=0,39) entre os fatores. Além disto, o procedimento de análise fatorial de segunda ordem identificou que um único fator latente de segunda ordem (preocupação com quedas) foi capaz de explicar 59% da variação dos fatores de primeira ordem (tarefas de controle postural, de vida diária e socialização). Desse modo, é possível dizer com relativa confiança que os dois fatores representaram dimensões distintas do construto estudado.
O modelo de regressão logística identificou o escore total da FES-I como a variável mais relevante para discriminar quedas. O ponto de corte para diferenciar idosos caidores dos não caidores foi 23 pontos no escore total da FES-I, com 47% de sensibilidade (capacidade de fornecer um indicador positivo de quedas entre os considerados caidores) e 66% de especificidade (capacidade de discriminar os não caidores entre os assim considerados). Na diferenciação dos idosos caidores recorrentes dos demais, os casos extremos afetaram de sobremaneira os resultados. Excluindo-se os casos extremos (n=4), o ponto de corte foi 31 pontos na FES-I e obteve-se 100% de sensibilidade e 87% de especificidade. A escolaridade e notas elevadas para o item 10 da escala FES-I foram identificadas como preditoras da classificação em casos extremos. A partir dos resultados do modelo logístico, idosos analfabetos e que atribuem notas maiores que dois ao item 10 e idosos com escolaridade entre 1 e 8 anos incompletos e que deem nota três ou quatro para o item 10 são possíveis outliers (probabilidade maior que 90%).

Discussão

É de grande importância o estabelecimento das propriedades psicométricas de um instrumento após a adaptação transcultural25,26. Os achados deste estudo confirmam que a FES-I foi adequadamente adaptada para a população de idosos brasileiros da comunidade. Na aferição da validade interna da FES-I-Brasil, observou-se que os itens da escala apresentaram adequada consistência interna (α=0,93). Esse resultado indica que a escala apresentou comportamento unidimensional em uma amostra de idosos e é comparável a resultados de outros estudos que já utilizaram a FES-I como a FES-I original (α=0,96)18, FES-I abreviada (α=0,92)16 e a FES-I adaptada para Holanda (α=0,96) e Alemanha (α=0,90)27. A escala FES-I-Brasil apresentou adequadas propriedades psicométricas como confiabilidade intra e interexaminadores. Tais achados foram similares aos de escalas que avaliaram autoeficácia relacionada às quedas, tais como a FES-I original (ICC=0,96)18, FES-I abreviada (ICC=0,83)16, FES-I adaptada para Holanda (ICC=0,82) e Alemanha (ICC=0,79)27, ABC (r=0,92)8 e FES (r=0,71)2.
A análise da estrutura fatorial da escala FES-I-Brasil possibilitou avaliar a estrutura interna da escala para confirmar se a preocupação com as quedas era avaliada por tarefas com diferentes graus de dificuldade de realização. Houve algumas diferenças entre os resultados da análise fatorial no artigo original da escala18 e o atual, que podem ser explicadas pela variação entre as culturas. As diferenças no estudo original da escala foram: o item 7 foi incluído no primeiro fator e os itens 8 e 9, no segundo18. No presente estudo, os itens 4 e 8 não puderam ser incluídos nem no primeiro nem no segundo fator, pois apresentaram carga fatorial similar para os dois fatores. Na FES-I original18, o item 4 também demonstrou-se dessa maneira. Entretanto, os itens 4 e 8 não puderam ser excluídos, já que a comunalidade (quantidade com que os dois fatores explicam o item) deles é superior a 0,40, o que é considerado aceitável. Entretanto, esta análise mostrou resultados compatíveis aos obtidos pelos autores da escala original, que sugerem um fator unitário (preocupação com quedas) com duas dimensões distintas: tarefas mais básicas e mais complexas tanto no domínio físico quanto no social18. Isso aponta uma relativa homogeneidade da escala nas duas culturas estudadas e significa que resultados obtidos na população brasileira podem ser comparados aos da população britânica.
Em relação à estrutura de classificação de risco da escala FES-I-Brasil, concluiu-se que o escore total é o melhor elemento de associação com o desfecho "queda no último ano". Desse modo, uma pontuação maior ou igual a 23 pontos ensejaria uma associação com queda esporádica, ao passo que uma classificação superior a 31 pontos ensejaria uma associação com queda recorrente. É importante lembrar que o resultado obtido para a associação com queda recorrente parte da premissa da ausência de casos extremos e, portanto, deve atentar-se para a regra usual para a qual tal esquema de classificação não seria válido.
A FES-I-Brasil não constitui um instrumento preditivo para quedas no sentido estrito, mas funciona como um indicador da possível ocorrência do evento queda. A FES-I-Brasil deve fazer parte de uma avaliação geriátrica ampla que englobe fatores biopsicossociais para que seja possível estabelecer os riscos de queda para cada idoso dentro de seu contexto de vida.
Estudos futuros devem ser realizados no intuito de estabelecer dados normativos do medo de cair por meio da FES-I-Brasil e avaliar a sensibilidade desta escala após intervenções. Assim como, serão necessários estudos longitudinais para estabelecer variáveis preditoras da redução da autoeficácia e do medo de quedas.
Uma limitação deste estudo foi a utilização de uma amostra de conveniência e, possivelmente, os indivíduos com mais medo de cair são menos suscetíveis a participar de estudos com amostras de voluntários. Outro aspecto a ser considerado é que, pelo fato de os desfechos de interesse terem sido coletados pelo autorrelato dos participantes, pode ter havido algum viés de memória influenciando os dados30. Para evitar a superestimação das variáveis por parte dos idosos no intuito de agradar o examinador e para minimizar a possibilidade do viés de recordação, os entrevistadores utilizaram uma série de procedimentos padronizados21.
O comportamento humano é complexo e a autoeficácia pode predizê-lo e está associada a ele19,20. Devido à forte influência da crença de autoeficácia em adotar e manter comportamentos de saúde adaptativos, o sucesso das estratégias de prevenção de quedas e da manutenção da independência nos idosos pode estar intrinsecamente relacionado não apenas à melhora da função física, mas também da efetividade em focar o medo de cair. Portanto, programas de intervenção devem possuir estratégias específicas para alteração do comportamento com o objetivo de melhorar a autoeficácia e reduzir o medo de cair e, em contrapartida, melhorar os desfechos de saúde31. Justifica-se, então, a necessidade da avaliação do medo de cair por meio da autoeficácia relacionada às quedas.
O presente estudo cumpriu com os objetivos propostos de adaptação transcultural e avaliação das propriedades psicométricas da FES-I em uma população de idosos brasileiros da comunidade (FES-I-Brasil). Os resultados deste estudo demonstraram que a FES-I-Brasil apresentou-se adequada do ponto de vista semântico e linguístico e foi aplicável à população de idosos da comunidade. Além disso, é o primeiro instrumento adaptado para a população brasileira no que diz respeito à avaliação do medo de cair em idosos.
A FES-I-Brasil é um instrumento promissor no que diz respeito à avaliação do medo de cair tanto na pesquisa quanto na prática clínica. A utilização de um instrumento padronizado facilitará a reprodutibilidade dos resultados, guiará o planejamento e a efetividade das intervenções e possibilitará a comparação de resultados entre diferentes populações.

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 Correspondência para: Flávia Fernandes Oliveira Camargos
Rua São Romão, 542/201, Santo Antônio
CEP 30330-120, Belo Horizonte (MG), Brasil
e-mail: camargosflavia@gmail.com

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Paving Clinical Pathways Using a trusted change management model to establish standardized, evidence-based care across the continuum


Using a trusted change management model to establish standardized, evidence-based care across the continuum


by Leigh A. Resnick, M.H.A., R.R.T.

Healthcare spending was estimated to top $2.8 trillion in the United States1
in 2013, according to U.S.
News and World Report. Increased spending occurs due to multiple factors, namely variation in care.
Cost drivers include overtreatment (or defensive medicine), advances in technology and individuals 
living longer with chronic diseases. In inpatient settings, care variation leads to adverse health outcomes 
and longer hospital stays.
Creating and implementing clinical pathways is an effective way to curb healthcare spending.
Clinical pathways are structured, multidisciplinary plans of care surrounding an intervention. The 
pathway provides an evidence-based and detailed step-by-step treatment course arranged in an 
algorithm, guideline or protocol, which is accompanied by a timeframe or criteria-based progression.2
The concept of reducing variation through standardization was first demonstrated in the engineering 
field as early as 1950. It was later adopted by healthcare in the 1980s.3
A study of six health organizations in Italy showed pathway use resulted in reduced variation in 
aspects such as length of stay, testing and therapeutic prescriptions.4
This study also found that patients suffering from heart failure showed decreased mortality and reduced outcome variation when treated using pathways. After implementing the care pathway, health outcomes for left ventricular assessment, a clinical core process, increased from 40% of patients receiving the assessment to 100%.5
Total inpatient mortality decreased from more than 17% to less than 5%, with the same effect observed in readmissions rates. Before the use of the pathways, readmissions occurred for about 7% of patients.
Post-intervention, this decreased to less than 3%.
Although pathways are not a new concept, there remains a wide bandwidth of provider 
acceptance. In Liverpool, England, two reports were published focusing on provider perception of 
clinical pathways. These reports focused on the Liverpool Care Pathway (LCP), which were used 
throughout the United Kingdom and developed to enhance end-of-life treatment with the goal of 
allowing patients to die with dignity.6
This care pathway was developed in the 1990s as concerns grew within the U.K. medical community that end-of-life care was fragmented and not provided consistently throughout the nation, resulting in patients who were not being treated according to best hospice practices.7
Patients may have spent their final days suffering from pain, hunger and possibly 
dehydration. The controversy over LCP arose from reports stating patients were placed on the pathway 
without their or their family’s knowledge. The reports also alleged that other patients may have been 
enrolled too soon (imminent death was not near).8
Published studies validated the effectiveness of the LCP as a standard to treat patients. Issues 
regarding the perception of its use remained, however. Relatives and clinicians were unaware their 
family member or patient remained on the pathway for weeks without review or reevaluation of care, 
according to Mark Pickering, M.D.9
The reports implanted fear in the general public about end-of-life care using the LCP. Physicians were less likely to place their patients on the LCP in light of public 
concern.

Cookbook medicine?

Aside from concerns over how patients are treated once a pathway is initiated, some medical providers 
feel that standardization leads to “cookbook” medicine or medical care that is prescriptive and restricts 
creativity, intuition and clinical judgment. Although some physicians feel standardization will stifle 
innovation, the optimal way to treat patients is through standardized care models, according to an
article published in Modern Healthcare.10 Kedar Mate, M.D., vice president of the Institute for 
Healthcare Improvement, stated that standardizing parts, processes and individual roles results in a 
reduction of errors and patient harm.11
Creating pathways involves the collaboration of individuals from diverse backgrounds, such as 
physicians, nurses, case managers, pharmacists and others. The tactical development of pathways must 
be supported through a change management model that ensures successful development, 
implementation and sustainability of pathways. Understanding why transformation efforts fail improves 
the likelihood of developing a successful pathway. John Kotter, professor at the Harvard Business School 
and head of research at Kotter International, identifies eight reasons why transformation efforts fail in 
Table 1.12






This systematic change management approach addresses the common reasons initiatives fail 
and ensures diverse groups can meet goals and deliver high-quality outcomes with limited resistance.
When starting any initiative, there first must be a sense of urgency—a reason that suggests the status 
quo is more dangerous than the unknown. Along with urgency comes a guiding coalition of like-minded 
individuals that can be leveraged to initiate momentum away from the current state. Having a clear and 
communicable vision provides an end point or destination for individuals. During the implementation or 
change journey, several barriers and obstacles may arise. Frustration occurs when these roadblocks are 
not removed. Leadership must be willing and committed to resolve them as they occur. Generating short-term wins injects bursts of energy in teams, rewarding quick turnarounds and small gains amidst a 
larger effort.

Changing the culture

Although short-term wins are important to maintain momentum, it is critical not to declare victory too 
soon. Progress must be celebrated, but teams must focus on the end goal. Lastly, sustainability occurs 
when changes are hardwired into an organization’s culture. The future state resembles the initial vision, 
and individuals incorporate the implemented changes in their daily responsibilities.
Although data supports the use of clinical pathways, medical providers may remain resistant to 
adopt this approach. To position a pathway effort for success, a systematic change management model 
should be applied. As discussed, Kotter’s model provides a framework for shaping, communicating, 
executing and hardwiring change. This model can be adapted for the effective creation and 
implementation of clinical pathways. 

References: 

http://rube.asq.org/health/2014/09/change-management/paving-clinical-pathways.pdf?utm_content=&utm_source=email&utm_medium=email&utm_campaign=editorial_hcu_092514

sábado, 20 de setembro de 2014

PROSTHETIC ARM MOVES AFTER MUSCLE CONTRACTION DETECTED



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DEKA is a robotic, prosthetic arm that will allow amputees to perform complex movements and tasks. It has just received FDA approval.
Electrodes attached to the arm detect muscle contractions close to the prosthesis, and a computer translates them into movement.  Six “grip patterns” allow wearers to drink a cup of water, hold a cordless drill or pick up a credit card or a grape, among other functions.
DARPA‘s Justin Sanchez believes that DEKA “provides almost natural control of upper extremities for people who have required amputations.”  He claims that “this arm system has the same size, weight, shape and grip strength as an adult’s arm would be able to produce.”

http://blog.applysci.com/

LESS INVASIVE ALZHEIMER’S NEUROSTIMULATION

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A less invasive neurostimulation device for Alzheimer’s patients is being reviewed by the FDA.  SONS —  Sphenoid and Olfactory Nerve Stimulation System — is a nose catheter that targets nerve trunks and stimulate brain structures that control memory and cognition.   Requiring an outpatient procedure,  small, adjustable and targeted electrical impulses will be delivered through the nasal cavity to access up to 32 nerve trunks that stimulate the brain.
Deep Brain Stimulation has been commercialized as an effective treatment option for some neurological diseases, especially Parkinson’s.   The implanted devices, however,  require complicated and risky brain surgery. SONS might be an interesting alternative.
http://blog.applysci.com/

VIRTUAL REALITY MOVEMENT TRAINING FOR AMPUTEES

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CAREN, developed at the University of South Florida, helps those with limb loss and prosthetics improve basic function, symmetry and walking efficiency.  It is also a tool for researchers to study ways to improve mobility and balance.
Wearing a safety harness and walking on a  treadmill in the room-sized system, participants of a recent study engaged in audio-visual balance games, explored virtual environments, and used an avatar to simulate activities fro on a surround screen.
CAREN’s interactive games allow for physical rehabilitation, combined with cognitive tasks, such as requiring someone to dig for objects in a virtual world while still walking on a treadmill. Distraction gait training could help  balance, mobility and coordination in PTSD, traumatic brain injury or stroke patients.
Boat driving, walking in a combat environment or mountain hiking  can be simulated. Visual tracking technology allows researchers to evaluate a patient’s gait or performance in real time, and immediately adjust the system to customize the rehab/training process.

THE ASYMMETRY INSIDE YOUR BODY


The outside of your body is symmetrical, but the inside is anything but. Get ready to learn more about symmetry, asymmetry, and why they happen in this It’s Okay to Be Smart video.
We are symmetrical on the outside, as are most animals, and there is an evolutionary reason for this — symmetry seems to be an indicator of good genes; thus, it influences mate selection. But symmetry is only skin deep. The heart, stomach, and spleen are on the left side of the body, while the liver is on the right. Even organs that may seem symmetrical, aren’t. For example, the left lung has only two lobes, but the right has three lobes. The brain is also not entirely symmetrical: the left and right lobes have some different functions.
Not everyone is asymmetrical in the same way. About 1 in every 20,000 people has a genetic condition known as situs inversus, which means that the organs are on the opposite side of the body than what is normal. In general, this condition is not associated with any negative effects.
Why are our insides asymmetrical? Researchers have discovered that which side is left and which side is right is determined as early as the embryonic stage, when cilia in certain cells start to move in unison, pointing toward what will become the organism’s left side.
Watch the video to learn more about how our internal asymmetry develops and what it means for us.


Alzheimer: vídeo de 1 minuto mostra como são os sintomas

Uma associação que cuida e presta informações a pacientes com Alzheimer na Holanda, a “Alzheimer Nederland” produziu uma campanha publicitária de 1 minuto em que mostra a rotina de uma senhora que apresenta, gradativamente, sintomas demenciais.
O objetivo da campanha é a prevenção e a identificação dos sintomas em fases iniciais da doença.
Confiram.


http://www.contioutra.com/