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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

AFECÇÕES RESPIRATÓRIAS DO RN AO ADOLESCENTE





Prova Didática
Prof. Dr. Durval Damiani
 

Afecções Respiratórias


  • Distúrbios Respiratórios do Recém-Nascido
  • Infecções do Trato Respiratório
  • Distúrbios Não Infecciosos (Refluxo Gastro Esofágico, Atelectasias, Inalantes Tóxicos, Afogamentos)
  • Asma
  • Fibrose Cística
  • Outros (Hipertensão Pulmonar Primária, Apnéia do Sono, Discinesia Ciliar)

Infecções Respiratórias Agudas
Trato respiratório


SUPERIORINFERIOR
• Resfriado comum
• Gripe
• Faringite
• Otite média
• Sinusite
• Traqueobronquite
• Laringite
• Bronquiolite
• Pneumonia


Importância Epidemiológica

Infecções Respiratórias


• As doenças respiratórias agudas e particularmente as infecções respiratórias agudas, são uma das causas mais comuns de morbimortalidade na infância

• A mortalidade por infecções respiratórias na infância é cerca de 4 a 5 milhões de crianças (1/3 da mortalidade infantil mundial).
Infecções Agudas das Vias Aéreas Inferiores - Epidemiologia


• 20 a 35% das admissões hospitalares
• 20% dos óbitos em crianças menores de 5 anos
OMS, 2007

Países em Desenvolvimento

» 500 a 900 milhões de episódios/ano Sikolia DN, 2002
» 90% dos óbitos por doença respiratória Sikolia DN, 2002
» Principal causa de mortalidade Kabra SK, 2000
Impacto das Infecções Respiratórias das Vias Aéreas Inferiores


Impacto agudo:
» Tosse, crises de sibilância, pneumonias, insuficiência respiratória aguda
   Perda de uma noite de sono » internação » óbito

Impacto tardio:
» Chiado recorrente, asma, bronquiolite obliterante
» DPOC?
Doenças Agudas das Vias Aéreas Inferiores


Brasil
  • Causas de Óbito
    • 1ª Afecções Neonatais
    • 2ª Doenças Infecciosas e Parasitárias
    • 3ª Doenças do Aparelho Respiratório
    • 11% dos óbitos: < 1 ano
    • 13% dos óbitos: 1 a - 4 anos
  • Doenças Agudas das Vias Aéreas Inferiores
    • Principal causa de hospitalização
    • Principal responsável pelos óbitos de causa respiratória
  • Estado e Município de São Paulo
    • Doenças do Aparelho Respiratório: 2ª causa
  • Capital de São Paulo
    • 1ª causa de óbito entre crianças de 1 a 4 anos

Vulnerabilidade do Paciente Pediátrico





MECANISMOS DE DEFESA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

Defesa Pulmonar
Mecanismos Envolvidos


Anatômicos e mecânicos

Imunológicos
- Imunidade natural ou inata
- Imunidade adaptativa ou adquirida
Defesa Pulmonar
Mecanismos Anatômicos / Mecânicos


• Fatores aerodinâmicos
• Impactação / filtração
• Espirros / reflexo da tosse
• Barreira epitelial / muco
• Transporte mucociliar

• Fatores aerodinâmicos
   - Estrutura túbulo - alveolar bifurcada
   - Adultos = 500 m2 e 7000 / ar / dia
   - Crianças < Vias aéreas > Resistência > Acúmulo de muco > Oclusão

   - Tamanho das partículas:
      • > 5 - 10 micra - impactação no nariz
      • 2 – 5 micra - penetração variável
      • < 2 micra - atingem os ácinos
  • MUCO: Composição
    • Água - 95%
    • Glicoproteínas - 4% produzidas pelas cél goblet, mucosas, serosas e cél Claras
    • Proteínas e Lípides - 1% produzidos localmente ou transudato fluidos teciduais:
      • lisozima, lactoferrina, IgG, IgM, IgE, IgA, IgA secretora, Hist, LCT, Citocinas, Complemento, Surfactante, Albumina, alfa1 antitripsina, Peroxidase
    • Produção diária = 0,5 ml / Kg

Defesa Pulmonar
Funções do Muco


• Lubrificação
• Umidificação
• Isolamento
• “Armadilha” para partículas e microorganismos
• Superfície de ação dos cílios e moléculas de defesa
Defesa Pulmonar
Controle da produção de muco


• Produzidas pelas glândulas submucosas cél. Goblet, cél claras e transudato
   » Controle da produção por agentes farmacológicos endógenos e exógenos:
      - Simpaticomiméticos, histamina, der. Aarac. Leucotrienos e neuropeptídeos
   » Mudanças na composição -> espessamento -> alt. Clearance -> obstrução
Defesa Pulmonar
Mecanismos Anatômicos / Mecânicos


• Cílios
   » o epitélio das Vias aéreas varia de colunar pseudo-estratificado ciliado até os bronquíolos e depois epitélio cubóide       - Batimento rítmico que transporta o muco e as partículas nele aderidas em direção à faringe
“Clearance” Mucociliar

Atividade ciliar
Muco

 

Atividade Ciliar



• nariz, traquéia, brônquios principais: 13-27 Hz
• pequenos brônquios, bronquíolos e ouvido médio: 7-12 Hz
/\ temperatura/\ freqüência
\/ umidade relativa do ar\/ freqüência

Defesa Pulmonar
Mecanismos Anatômicos / Mecânicos


• Tosse - componente fisiológico importante da defesa pulmonar e um indicador de doença
• Funções principais:
   » Defesa contra aspirações
   » Clearance de partículas ou gases capazes de induzir reflexo da tosse

Maior participação tosse e clearance muco entre laringe e 16ª geração brônquios
Fisiologia da Tosse


Defesa Pulmonar
Reflexo da Tosse


• Iniciado por estímulos vagais, trigeminais, glossofaríngeo ou receptores do nn. frênico

• Receptores da tosse:
concentrados nas áreas de impactação como laringe, carina, bifurcação de grandes brônquios.
Defesa Pulmonar
Mecanismos Imunológicos


• Imunidade Inata
   » lisozima - lactoferrina
   » colectinas
   » b – defensinas
   » proteínas secretoras das cél. Clara
   » macrófagos, neutrófilos, células APC
   » Complemento
   » Família das Catelicidinas (LL-37)

• Imunidade Adquirida
   » Imunidade Humoral – Igs
   » Imunidade Celular –Linfócitos
Defesa Pulmonar
Imunidade Inata


• Colectinas:
   » Conglutinina
   » Lectina ligadora de Manose
   » Proteína do surfactante A e D (SP-A, SP-D)

• ß– defensinas – sintetizadas cél epiteliais das Vias aéreas
   » Atividade contra Gram + e Gram - , C albicans, A fumigatus
   » Ação quimiotática para linf. T e Cél dendrítica
   » Fibrose cística - < ação pelo aumento sais

• Proteínas secretora de cél Claras (CCSP)
   » importante para vírus (adenovírus)
   » Modulam resposta inflamatória pulmonar
Defesa Pulmonar
Funções Imunomoduladoras do Surfactante


Surfactante = Lipoproteínas

• Proteínas A e D (SP- A e SP-D) - COLECTINAS
   » Participam da imunidade inata e “ in vitro” estimulam a fagocitose, quimiotaxia, produção radicais O2, regulam a liberação de citocinas e estimulam a proliferação de linfócitos (SP-A)

• Lípides do surfactante - Suprimem a proliferação de Linfócitos - Imunossupressores
Mecanismos de Defesa Pulmonar
Mediadores Solúveis do Bal
• LISOZIMA - síntese pelos MO alv. e cél. epiteliais
   » ação bactericida direta ou + IgA e Compl.

• LACTOFERRINA - síntese cél. epiteliais e Neutr.
   » quela Fe - inibe cresc. Bacteriano – liga-se ao LPS

• FIBRONECTINA - síntese MO alv e outras células
   » opsonização e fator quimiotático e de replicação de Fibroblastos (Yamauchi - J Clin Invest 80:1720, 1987)

• ALFA-1 ANTITRIPSINA - 0,7% prot. BAL
   » inibe atividade proteolítica de bacterias e paciente
Defesa Pulmonar
Funções dos MØ Alveolares


• CÉLULA APC - ingestão, degradação e apresentação de Ag aos Linf. T
• CÉLULA EFETORA - fagociitose e morte intracelular após ativação pelo gama-INF
• CÉLULA REGULADORA - secreção de mediadores inflamatórios, sendo alguns supressores (pex. PG suprimem Linfócitos)


Defesa Pulmonar
Imunidade humoral


IgA no Trato Respiratório

   » Produzida localmente plasmócitos submucosa
   » Presente no BAL > concentrações que Igs
      [IgAsecr.] 3 - 6x > [IgG] nas VAS
   » 50% da IgA da submucosa é do tipo IgA2 que é resistente à ação proteases bacterianas
   » IgA dimérica - componente secretor - 95%

FUNÇÕES: anti-adesão, neutralização, aglutinação para vírus e bactérias= ação antisséptica e anti-inflamatória
Mecanismos de Defesa Específicos
IgA secretora


• Previne aderência e absorção antígeno
• Neutraliza patógenos extracelulares
• Diminui acesso de IC circulação sistêmica

Dímero de IgA + Cadeia J + CS

CS - Glicoproteína Epitelial Transmembrana protege IgA de enzimas
Mecanismos de Defesa Específicos


• IgA SECRETORA
   » SUBCLASSES: 1 e 2
   » PROTEASES ANTI- IgA 1
      - Haemophilus influenzae
      - Streptococcus pneumoniae
      - Neisseria meningitidis

Novos vírus respiratórios: século 21


• Novos coronavírus (SARS)
• Influenza aviária
• Metapneumovírus humano
• Bocavírus humano
• Novos Poliomavírus (KI e WU)
A descoberta do Bocavírus e novos poliomavírus


“Shotgun sequencing”

• Pool de amostras ou amostra única
  1. Extração de RNA/DNA
  2. Síntese de cDNA
  3. Amplificação aleatória (primers randômicos)
  4. Seleção de fragmentos (600 a 1500bp)
  5. Clonagem
  6. Filtragem
  7. Seqüenciamento bidirecional de 384 clones
  8. Programas de edição das seqüências

Etiologia de infecções respiratórias agudas adquiridas na comunidade em crianças

Faixa etáriaAGENTES
0- 3 semEstreptococo grupo B
Enterobactérias
Citomegalovírus
Listeria monocytogenes (raro)
3 sem - 3 mesesVRS, parainfluenza
Chlamydia trachomatis
Streptococcus pneumoniae
Staphylococcus aureus
Bordetella pertussis
4 meses – 4 anosVRS,parainfluenza, influenza, adenovirus, rinovirus
Streptococcus pneumoniae
Moraxella Catarrhalis
Haemophilus influenzae
Mycoplasma pneumoniae
Mycobacterium tuberculosis
5 anos –15 anosStreptococcus pneumoniae
Mycoplasma pneumoniae
Chlamydophila pneumoniae
Mycobacterium tuberculosis

Infecções virais de vias aéreas
Incidência


• Cerca de 30% dos episódios de doença respiratória aguda são causados por vírus respiratórios
• Ordem de freqüência
   » Vírus respiratório sincicial (RSV) (> 35%)
   » Rinovírus (18-25%)
   » Parainfluenza (10-30%)
   » Influenza (10-20%)
   » Adenovírus, Coronavírus (5%)
   » Metapneumovírus humano (hMPV) (~2% ?)

Infecções virais de vias aéreas inferiores
Síndromes clínicas


• Laringotraqueobronquites
• Bronquiolites
• Pneumonias virais
Bronquiolite viral aguda
Conceito


• Bronquiolite aguda é uma infecção viral que acomete o trato respiratório inferior.
• Há necrose e descamação epitelial, além da secreção de muco, que levam à obstrução de pequenas vias aéreas.
• Hiperinsuflação pulmonar, atelectasia e sibilância
Bronquiolite viral aguda
Importância Epidemiológica


• > 125.000 hospitalizações/ano em < 1 ano de idade (EUA)
• Afeta 11-12% das crianças < 1 ano de idade
• Representa 1-2% de todas hospitalizações em < 1 ano
• Mortalidade = 0,5-1% das crianças hospitalizadas

Shay DK et al. JAMA 1999;282:1440-46
Barcy TL et al. J Family Pract 1997;45(6):473-81


• Gasto anual EUA: 340 milhões de dólares/ano
• Gasto anual Canadá: 18 milhões de dólares/ano
• Custo médio por internação no Canadá :3026 dólares
• Risco de morte em países da América Latina: 30 vezes maior

(Organización Panamericana de la Salud, 1995)

Langley JM et al. PICNIC study. J Pediatr 1997;131:113-7
Barcy TL et al. J Family Pract 1997;45(6):473-81

Efeitos da infecção viral nas vias aéreas


Bronquiolite viral aguda


Bronquíolo normal


Bronquiolite viral aguda

Bronquiolite viral aguda
Patogenia


• Replicação em epitélio respiratório
• Progressão para trato respiratório inferior
   » aspiração de secreções
   » de célula a célula
• Necrose e proliferação epitélio bronquiolar

• Destruição células epiteliais ciliadas
• Infiltrado linfocitário e macrófagos
• Edema
• Produção excessiva de muco
• Migração células inflamatórias
Obstrução de bronquíolos e alvéolos

Bronquiolite viral aguda
Aspectos funcionais



Bronquiolite viral aguda


Bronquiolite Viral Aguda
Quadro Clínico


n-=49 crianças com hMPV no trato respiratório inferior

Achados

Sintomas%Sinais%
Tosse90Rinite77
Coriza88Sibilância52
Febre52Mb timpânica anl51
Irritabilidade43Faringite39
Anorexia33Roncos20
Sibilância22“Rales”8
Diarréia17
Vômitos10

Bronquiolite Viral Aguda
Vírus respiratório sincicial

• Família Paramyxoviridae
• Vírus RNA, envelopado
• 2 grupos antigênicos:
   » A e B
• Genoma linear que codifica pelo menos 10 proteínas específicas
   » 3 glicoproteínas de membrana: F, G e SH


• Causa bronquiolite - 20-30% dos casos
• Pico de hospitalizações aos 2 m de idade
• Hospitalizações nos EUA – 80.000/ano



Bronquiolite Viral Aguda
Metapneumovírus Humano


• Identificado em 2001 por Van den Hoogen et al.
• Família Paramyxoviridae
• Crescimento lento e pouco efeito citopático
• Estudos em amostras estocadas:
   » Vírus circulando há pelo menos 50 anos
   » Aos 5 anos de idade, população já entrou em contato com o hMPV
• Quadro clínico similar ao VRS

Idade média no início e diagnósticos clínicos de infecções do trato respiratório inferior, causados por metapneumovírus humano, comparados a outros vírus respiratórios

VírusNIdade
Média (m)
pDiagnósticoP
BonquioliteCrupePneumoniaExarceb.
da Asma
Meta- pneumovirus4911,6-5918814-
Virus Respiratório Sincicial10313,00,2465112130,009
Parainfluenza5815,10,008286472<0 td="">
Influenza3220,00,0052241280<0 td="">
Adenovirus2810,90,1361211440,48

Bronquiolite Viral Aguda
Fatores que influenciam a gravidade

• História de atopia ou asma na família
• Baixo peso ao nascer
• Prematuridade
• Baixas condições socioeconômicas
• Pais tabagistas
• Doenças pulmonares crônicas
• Doenças neurológicas adquiridas ou congênitas
• Cardiopatias congênitas com hipertensão pulmonar
• Imunodeficiências adquiridas ou congênitas

Bronquiolite Viral Aguda
Grupos de alto risco

Prematurosrisco 10x > que cça de termo 25-30% dos pctes internados por VRS
Displasia
broncopulmonar
59% são infectados anualmente 60% destes são internados
Cardiopatias
congênitas
31% são infectados anualmente 54% destes são internados
Mortalidade 1-3%

Qual a seqüela tardia mais grave das infecções respiratórias virais?
Bronquiolite obliterante

Infecção respiratória viral
• estímulo para lesão / remodelamento das vias aéreas » redução da função pulmonar » Bronquiolite obliterante
Bronquiolite obliterante pós-infecciosa

• Sibilância, tosse, taquipnéia, dispnéia, estertores persistentes, contínuos, por mais de 6 semanas após infecção respiratória viral ou por Mycoplasma pneumoniae
• Obstrução progressiva ao fluxo aéreo pouco responsiva a broncodilatadores
• Dependência de O2 persistente
• Internações freqüentes por crises de sibilância, pneumonias ou atelectasias

Padrão extremo de remodelamento das vias aéreas

Bronquiolite obliterante pós-infecciosa
Etiologia

• Adenovírus (3, 7, 21)
• Mycoplasma pneumoniae, Bordetella pertussis e vírus do sarampo.
• Síndrome aspirativa recorrente
• Transplante de medula óssea
• Colagenoses
• Inalação de substância tóxicas

Infecção grave por adenovírus aos 18 meses: seqüela tardia


Cintilografia de perfusão com 99m-Tc
Lesão vascular 2ária: déficit perfusional




Associação: Vírus e asma


Bronquiolite viral aguda pelo VRS desencadeia asma ou simplesmente identifica os bebês com maior risco para sibilância subseqüente?

• Maior parte das informações vêm dos estudos de coorte
• Grande importância atribuída ao VSR
• Dúvidas quanto à aplicabilidade das informações de estudos internacionais à nossa realidade
• Implementação de novas técnicas de diagnóstico viral e descoberta de novos agentes virais: novas perspectivas
Infecções Virais de Vias Aéreas e Asma


Estudos iniciais caso-controle:
Efeitos na idade escolar de infecções precoces por VSR (com internação)Aumento significativo no risco de chiado; risco de asma após 5 anos de idade (?)

Sims et al, Br Med J 1978; 1(6104): 11–14.
Mok J & Simpson H, Br Med J 1982; 285: 333–337.
Pullan C & Hey E, Br Med J 1982; 284: 1165–1169.
Murray M et al, Arch Dis Child 1992; 67: 482–487.

Streptococcus pneumoniae



• Uma das principais causas de doença e morte em crianças, pessoas com doenças subjacentes e idosos.
• Causa mais comum de pneumonia bacteriana adquirida na comunidade
• 25-30% das pneumonias da comunidade que requerem hospitalização


Criança com quadro febril agudo, tosse e taquipnéia.

Resistência à Penicilina
Período: 1993 – 2004



Pneumonias atípicas


• Pneumonite afebril do lactente
• Pneumonias por
   » Mycoplasma pneumoniae
   » Chlamydia pneumoniae
   » Legionella pneumophila


Mycoplasma
pneumoniae


Chlamydia
pneumoniae

Mycoplasma pneumoniae




• Organismo pleomórfico, sem parede celular
• Formato alongado, core na extremidade (adesão)
• Produção de toxinas: ciliostase, lise celular
Mycoplasma pneumoniae
Epidemiologia

• Ocorrência universal
• Infecção endêmica + epidemias a cada 4 a 7 anos
• Surtos em escolas, quartéis, instituições
• Transmissão por gotículas (via respiratória)
• Contatos íntimos: taxa infecção ~ 90%
• período de incubação: 10 a 14 dias

• Faixa etária + acometida: 5 a 14 anos (?)
   » Japão: pico incidência 3 a 4 anos
(Nagayama et al, 1988)

   » EUA: 14% das pneumonias 3 a 6 anos
(Hammerschlag et al, 1993)
Mycoplasma pneumoniae
Quadro clínico

• Espectro variável (leve » grave)
• curso gradual, insidioso
• sintomas gerais:
   » cefaléia, mal estar, faringite, febre moderada
• tosse seca / paroxística » tosse produtiva com secreção mucóide

• Ausculta pulmonar alterada: roncos, estertores, sibilos
• Derrame pleural: até 20% dos casos (pequeno, unilat)
• Otalgia (miringite bolhosa)
• Rash cutâneo: eritema multiforme (10 a 25%)
• Desencadeamento de crise asmática
• Anemia falciforme: síndrome torácica aguda
• Artrite, miosite, miocardite, encefalite, neuropatia, etc
Mycoplasma pneumoniae


Chlamydia pneumoniae


Chlamydia pneumoniae
Epidemiologia


• Prevalência (estudos soro-epidemiológicos):
   » distribuição universal
   » sorologias positivas:
      - 10 a 60% da popul. de acordo com região
      - em média ~ 50% da popul. adulta (sugere re-infecções)
   » 10 a 25% > no sexo masculino
   » alta prevalência de Acs com a idade
   » casos descritos como psitacose » C. pneumoniae
Chlamydia pneumoniae
Quadro Clínico


• espectro variável e ainda pouco conhecido
• em geral quadros leves
• pneumonia em ~ 10% infectados
• sintomas gerais:

   » cefaléia, mal estar, faringite, febre moderada
   » tosse seca + rouquidão
Conclusões


• Organismos “atípicos” são causas comuns de pneumonias adquiridas na comunidade em crianças.
• O isolamento destes patógenos é difícil.
• Pneumonias atípicas podem ser graves (hospitalização, UTI).
• Macrolídeos representam a principal opção terapêutica para pneumonias atípicas em crianças.
As afecções respiratórias e, especialmente, os quadros infecciosos constituem-se em entidades muito freqüentes e envolvem todos os profissionais que lidam com a criança, num período que vai desde o RN até o adolescente.

Não há especialidade médica imune ao conhecimento de tal afecção...
As afecções respiratórias e, especialmente, os quadros infecciosos constituem-se em entidades muito freqüentes e envolvem todos os profissionais que lidam com a criança desde o RN até o adolescente.

Não há especialidade imune ao conhecimento de tal afecção...

DHEG – Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia



 Autores: Charlene Guedes, Daniel Damiani, Paloma Beatriz Ratto

http://www.sistemanervoso.com










Definições

  • DHEG é caracterizada pelo aparecimento , em
    grávida normotensa, após a 20ª semana de
    gestação, da tríade sintomática: hipertensão, edema e proteinúria.
  • DHEG é incurável, apenas pela interrupção da gestação.
  • Evoluções possíveis: eclâmpsia, HELLP e CIVD.
  • Hipertensão gestacional: apenas ao quadro
    hipertensivo, sem edema e proteinúria.
    • 1/3 evolui para DHEG – Pré-Eclâmpsia.


Introdução

  • DHEG acomete cerca de 5% das gestações (EUA).
  • PA na gestação de no mínimo 140x90mmHg
    ou incremento de 30mmHg (PAS) e 15mmHg (PAD).
  • Elevada morbi-mortalidade.
    • Feto: restrição do crecimento IU; prematuridade e óbito.
    • Mãe: convulsões, insuficiência renal, edema pulmonar, AVE, óbito.


      Classificação
      • DHEG:
        • Pré-Eclâmpsia Leve.
        • Pré-Eclâmpsia Moderada.
        • Eclâmpsia.
      • Hipertensão Crônica de qualquer etiologia.
      • Hipertensão Crônica + Pré-Eclâmpsia sobreposta: piora > 20ª sem.
      • Hipertensão Transitória: final da gestação.




      Fisiopatologia

      A. decídua normal.


      B. Anormalidade vascular: trombose, necrose, aterose.

      • Aumento dos fatores antiangiogênicos placentários/ séricos: tirosino-quinase 1 fms-like (sFlt-1).
      • sFlt-1 evita a adesão placentária ao endotélio: PIGF-VEGF = disfunção endotelial.
      • sFlt-1 exógeno = proteinúria, HAS e endoteliose.




      Fatores de Risco
      • 10% das primeiras gestações.
      • 20-25% das mulheres possuem HAS crônica.
      • Negras.
      • Extremos de idade: adolescentes (<18 e=""> 35a.
      • Doenças de base: DM, Nefropatias, história de
        HAS ou pré-eclâmpsia, obesidade, hipo/hipercortisolismo, LES, enxaqueca,
        uso de ISRS e trombofilias.
      • Gestações com período de tempo < 2 anos ou > 10 anos.


      Aspectos Clínicos
      • Pré-Eclâmpsia:
        • > 20 semanas de gestação.
        • Rara no primeiro trimestre de gestação.
        • Distúrbios visuais, escotomas e fosfemas.
        • Cefaléia tipo enxaquecosa.
        • Desconforto epigástrico (congestão hepática).
        • Edema das extremidades.
        • Rápido ganho de peso (>1Kg/sem): reflexo do edema e nefropatia.
        • Oligúria.
        • Sinais de ICC.
      • PAD 90-99mmHg = Pré-Eclâmpsia leve.
      • PAD 100-109mmHg = Pré-Eclâmpsia moderada.
      • PAD > 110mmHg = Pré-Eclâmpsia grave.
      • Papiledema.
      • Dor e distensão da cápsula de Glisson.
      • Hiper-reflexia.
      • Clônus.
      • Piora súbita / aparecimento do edema em MMIIs.
      • Sinais sugestivos de outras causas de HAS:
        • Obesidade centrípeta: hipercortisolismo.
        • Pulsação epigástrica: estenose A. renal.
        • Sinais de hiper/hipotireoidismo e acromegalia.
      • Eclâmpsia:
        • Crise convulsiva, em geral tônico-clônica generalizada, sem lesão neurológica prévia.
        • Pródromo:
          • Rebaixamento do GCS.
          • Cefaléia.
          • Epigastralgia.
          • Proteinúria: > 3g/dia.
          • Oligúria.




      Laboratório
      • Urina 24h: proteinúria (1+ ou mais) ou
        300mg/dia, microalbuminúria, hematúria.
      • Sódio, Potássio, Cálcio, Fosfato.
      • Hemograma + Plaquetas
      • Coagulograma: TP, TTPa, INR.
      • D-dímero.
      • Glicemia.
      • Uréia + Creatinina (+ clearance).
      • TSH.
      • Hb glicosilada.
      • AST e ALT.
      • Ácido úrico > 5mg/dL (disfunção tubular??)
      • DHEG ativa o sistema de coagulação aumentando a formação de D-Dímeros.




      • Imagens
        • USG abdome.
        • TC crânio.
        • RX Tórax.
        • RM: T2 hiperintenso (edema, infarto, hemorragia).
        • ECG / Ecocardiograma: cardiopatia hipertrófica (HAS crônica).
        • EEG.
        • Monitoramento fetal.


        Edema Pulmonar – Pré-Eclâmpsia


        Eclâmpsia – T2


        Síndrome HELLP
        • H - Hemolytic anemia (esquizócitos);
        • EL - Elevated Liver enzymes;
        • LP - Low Platelet count.
        • 0,5-1% das gestações.
        • 10-20% dos casos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia.
        • 27-37ª semana de gestação (70%).
        • Sintomas:
          • Cefaléia.
          • Náuseas, vômitos.
          • Dor abdominal (hipocôndrio D).
          • Alteração visual.



        • Condutas:
          • 34sem = PARTO IMEDIATO!
          • 27-34sem = Estabilização + Betametasona: Parto em 48h!
          • < 27sem = Conservadora (> 48-72h): nunca em CIVD!!!
          • Corticóide: maturação pulmonar fetal, menor complicação
            neurológica fetal; diminuição do edema materno, trombose e disfunção endotelial.
        • Administração Materna Pós-Parto:
          • Altas doses de dexametasona 10mg 12/12h.
          • Redução da mortalidade materna.
          • Aumento mais rápido do número de plaquetas.
          • Corticóide deverá ser iniciado para partos que
            acontecerão em 48h... Aguardar mais tempo = maior mortalidade materno-fetal.


        Tratamento – Síndrome HELLP
        • Exame clínico – monitorização materno-fetal.
        • Hemograma, plaquetas.
        • Coagulograma.
        • AST, DHL, Urina 1.
        • PA.
        • USG Cardiotoco / Doppler.
        • Fluidoterapia IV.
        • Antihipertensivos.
        • Sulfato de Magnésio profilático.
        • Parto normal ou cesárea em 24-48h.


        Tratamento da DHEG

        PAS > 160mmHg e ou
        PAD > 110mmHg
        • Antihipertensivos:
          • Metildopa (Aldomet®) 250mg (máx. 3g/dia).
          • Pindolol (Visken®) 10-30mg/dia.
          • Hidralazina (Apresolina®) 10-20mg/dose/4-6h.
          • Nifedipina (Adalat®) 10-30mg.
          • Nitroprussiato de Sódio (Nipride®) 0,3mcg/Kg/min.
        • Anticonvulsivantes Profiláticos:
          • Sulfato de Magnésio 4-6g IV bolus + 2-3g/h mantendo 4-8mg/dL.
          • Fenitoína (Hidantal®) 1000mg IV/1h + 500mg em 10h (máx. 1500mg/24h).




        Tratamento da Eclâmpsia
        • Monitorar a paciente + Exames Laboratoriais.
        • Controle Pressórico.
        • Sulfato de Magnésio:
          • Zuspan
            • Ataque: 20mL de MgSO4 a 20% IV em 15 min.
            • Manutenção: SG 5% 1000mL + 4 ampolas MgSO4 a 50% em bomba de infusão a 50mL/h.
          • Pritchard (HCFMUSP)
            • Sem sinais iminentes de eclâmpsia:
              • Ataque: 10mL MgSO4 50% IM em cada nádega.
              • Manutenção: 10mL de MgSO4 50% IM 4/4h em nádegas alternadas.
            • Com sinais iminentes de eclâmpsia:
              • 20mL MgSO4 IV lentamente (3min) + esquema IM.

Interpretação de Electrocardiograma


 O ECG é uma das formas de registro da atividade elétrica cardíaca. Referindo-se ao órgão como um todo, reflete eventos elétricos do conjunto de células que o compõe. No entanto, para sua perfeita compreensão, pode e deve ser relacionado à atividade elétrica de uma única célula miocárdica. A atividade elétrica miocárdica compreende a sucessão cíclica de dois eventos: o potencial de repouso e o potencial de ação.

O potássio esta em maior concentração no meio intracelular do que no intersticial. Por isso, o potássio tende a migrar para o exterior da célula. Já o sódio, o sentido é inverso por sua concentração também inversa (maior no meio intersticial). Os íons potássio saindo da célula cria uma diferença d potencial elétrico entre os dois meios. Surge uma força elétrica tendendo a devolver o potássio para o meio intracelular. Quando a força elétrica (para dentro da célula) e a força difusional (para o exterior da célula) são iguais, em módulo, há equilíbrio dinâmico. A diferença de potencial entre o interior e exterior é igual
a -90mV; este é o chamado potencial de repouso, e a célula esta polarizada. As alterações responsáveis
pelo potencial de ação, são didaticamente divididas em fases: fase 0 – ascensão do potencial de ação,
corresponde à despolarização (o potencial sai de -90mV para +30mV); ocorre um grande aumento da permeabilidade ao sódio. 


Fase 1 – deslocamento da curva em direção à linha de potencial zero; é a repolarização rápida e 
precoce – diminui rapidamente a permeabilidade ao sódio.
Fase 2 – relativa estabilização em torno da linha de potencial zero, é descrita como plateau do potencial de ação. Há diminuição da permeabilidade ao potássio e corrente lenta para o interior de cálcio. 
Fase 3 – deslocamento da curva para a linha de base; corresponde
à repolarização. Há aumento da permeabilidade ao potássio; estes íons saem lentamente da célula.
Fase 4 – trata-se do repouso elétrico, a linha de base permanece estável, em torno de -90mV, até a chegada de um novo estímulo. As bombas de sódio potássio ATPase e os canais de vazamento iônico, mantém esse repouso elétrico miocárdico (figura 1).


Figura 1. Fases do potencial de ação miocárdico.

A partir dessa compreensão fisiológica da célula miocárdica pode-se criar métodos para detecção da atividade elétrica miocárdica.

Para correta interpretação do ECG devemos primeiramente compreender a seqüência de despolarização elétrica do coração e suas resultantes, geradas pela porção de maior quantidade de fibra muscular (ventrículos). A seqüência de figuras abaixo mostra o caminho do potencial de ação partindo do nodo sinusal ou sinoatrial, propagando-se pelos átrios direito e esquerdo seguindo o sentido do nodo atrioventricular, dando origem à onda P do eletrocardiograma.
Após todo o átrio estar despolarizado, o estímulo chega ao nodo atrioventricular, onde há um atraso proposital, para a garantia de toda a despolarização atrial; no ECG encontramos o intervalo PR nesse momento. A partir daí, há a despolarização septal, o potencial percorre o fascículo AV ou feixe de His por seus ramos direito e esquerdo (ântero-superior e póstero-inferior), caminhando pelo septo interventricular. Esta etapa é extremamente importante para contração miocárdica e circunscreve no ECG o complexo QRS. A onda Q, inicialmente, é inscrita com deflexão negativa (em DI e positiva em aVF) já que o vetor inicialmente caminha no sentido da direita e inferior. Nesse momento há despolarização apical ventricular, com o vetor elétrico dirigido para esquerda e para baixo do coração; devido a grande quantidade de fibras miocárdicas no ventrículo esquerdo, este será o eixo cardíaco determinante, isto é, sobre a derivação DII ou 60°. No ECG, este momento é visto como a onda R do complexo QRS. Em seqüência
encontramos o fenômeno da despolarização tardia ventricular, onde aquelas fibras ainda não ativadas pelo potencial de ação, agora se ativarão, ao ECG encontramos a onda S do complexo QRS, com um vetor resultante para esquerda e para cima, inscrevendo uma onda S negativa em aVF e prolongando a onda R em DI, já que não há onda S positiva ao ECG.
Terminada a despolarização ventricular, o miocárdio começa a repolarizar-se: após um curto período de período refratário absoluto, inicia-se a repolarização cardíaca seguindo-se do endocárdio para o pericárdio, criando um vetor elétrico dirigido para baixo e para esquerda, circunscrevendo uma deflexão positiva em DI e aVF; no ECG encontramos a onda T.
O segmento ST é de extrema importância na clínica médica referindo-se à atividade das artérias coronárias (figura 2).




Figura 2. A seqüência de figuras acima descreve onda a onda e as correlaciona com a atividade elétrica cardíaca. A última figura resume todos os vetores elétricos do coração, sendo que suas projeções sobre as diversas derivações inscreverão o ECG, nos dando condições de avaliar a atividade cardíaca como um todo.

As derivações

O eletrocardiógrafo nada mais é do que um galvanômetro que mede pequenas correntes elétricas a partir de dois eletrodos dispostos em determinados pontos do corpo humano. As diferenças de potenciais são medidas decorrentes da atividade cardíaca.

Normalmente, os eletrodos são dispostos em dois pontos da superfície do corpo,mas existem situações em que se usam eletrodos intra-esofágicos ou até introduzidos nas cavidades cardíacas.

Chama-se derivação à linha que une esses eletrodos. Ela é dita bipolar quando os dois eletrodos registram potenciais da mesma ordem de grandeza, ou seja, quando ambos se encontram à mesma distância – do ponto de vista elétrico do coração.

São exemplos de derivações elétricas bipolares: DI, onde um eletrodo esta no braço direito e outro no esquerdo; os braços funcionam como simples extensões elétricas.

Derivações unipolares é aquela em que o traçado obtido se deve praticamente às variações de potencial elétrico recolhidas por um dos eletrodos ditos “eletrodo explorador”. O outro fica muito mais distante do coração. São exemplos desse tipo de derivação as unipolares torácicas superficiais e as unipolares dos membros; as derivações precordiais: V1, V2, V3, V3R, V4, V4R, V5, V6, V7 e V8.

Na prática clínica dispomos os eletrodos da forma como a figura 3 demonstra, seguindo as cores das presilhas presentes na ponta dos eletrodos.


Figura 3. Note as cores presentes nas presilhas: vermelho no braço direito, preto na perna direita; amarelo no braço esquerdo e verde na perna esquerda. A figura também mostra as derivações precordiais fixas em seus pontos de referência sobre todo o precórdio (V1-V6, tradicionalmente).

O Triângulo de Einthoven

Em 1913, Einthoven imaginou que todos os dipolos desenvolvidos pela atividade elétrica cardíaca poderiam ser representados, em cada instante por um só dipolo equivalente. O vetor representativo desse dipolo poderia ser projetado em um plano frontal, em 3 derivações que passassem a construir um triângulo.

Os três eletrodos seriam colocados entre o ombro esquerdo e direito além da perna esquerda, funcionando apenas como extensão. Os três pontos formariam um triângulo eqüilátero, as derivações clássicas D1, D2 e D3. Em qualquer instante, todos os dipolos elétricos podem ser representados por um único dipolo equivalente, cuja origem esta no centro do triângulo.

Mais tarde, Goldberger, a partir de críticas e discussões sobre as teorias de Einthoven, modificou o sistema de derivações unipolares,
retirando os resistores de 5000ohms do circuito e desligando o membro explorado do terminal (o terminal ficou ligado a apenas dois membros).
As novas derivações obtidas foram chamadas de derivações unipolares aumentadas e designadas como aVR, aVL e aVF. Cada derivação de Goldberger amplifica a derivação correspondente numa proporção de 3/2 ou seja, um aumento de 50% na amplitude de cada deflexão registrada; falamos hoje
então do círculo de Einthoven (figura 4).



Figura 4. A figura acima mostra o circulo de Einthoven, apresentando suas derivações: D1, D2, D3, aVR, aVF e aVL. Note que na figura os símbolos dos “olhos” mostram exatamente o que vemos ao ECG, quando mudamos a derivação, enxergamos os vetores elétricos cardíacos, apresentados
na figura 2, de formas diferentes, por isso dos traçados serem diferentes nas derivações. Cada onda elétrica vista no ECG é essencialmente, sua projeção sobre a derivação que estamos trabalhando.

Vale ainda destacar que quando utilizamos as precordiais, enxergamos outras porções anatômicas com maior precisão: por exemplo, V1 e V2 nos revelam alterações do septo; V3 e V4 alterações da parede anterior; V5 e V6 paredes laterais; V7 e V8 paredes posteriores e ainda, quando realizamos V3R e V4R, enxergamos o ventrículo direito (figura 5).


Figura 5. Derivações precordiais. Não colocamos as derivações V7, V8, V3R e V4R. Posicionamento dos eletrodos: V1 – colocado no 4º espaço intercostal à direita, justaesternal; V2 – colocado no 4º espaço intercostal à esquerda justaesternal; V3 – ponto médio entre V1 e V4; V4 – colocado na linha hemiclavicular à esquerda (5º EICE); V5 – intersecção 5º EICE e linha axilar anterior; V6 – intersecção 5º EIC E com a linha axilar média.

Interpretações do ECG normal

Ao observarmos um ECG notamos inicialmente a identificação do paciente, sua idade, a data da realização do exame bem como o horário.
Prosseguimos a interpretação com a avaliação do ritmo cardíaco: trata-se de um ritmo regular ou irregular; sinusal (isto é, possui onda P ou não; sempre com a mesma morfologia e seguida pelo complexo QRS e com intervalo PR constante), juncional (quando a onda P não é desencadeada pelo nodo sinusal mas pelo nodo AV) ou ventricular. No ritmo juncional a freqüência cardíaca é mais baixa comparada
ao ritmo desencadeado pelo nodo sinusal, sendo que dependendo do local onde o nodo AV desencadear o estímulo, veremos uma onda P negativa em D1, D2, D3 e aVF! Quando o ritmo for sinusal veremos uma onda P positivas nas derivações mencionadas acima e negativa em aVR. A onda P pode não ser visível no ritmo juncional caso o estímulo caia sobre o complexo QRS, ou ainda, a onda P poderá ser vista após o
complexo QRS, formando PT. Já no ritmo ventricular, o ritmo cardíaco é bem mais baixo, isto é, as fibras de Purkinje que estão disparando seus potenciais de ação – “ritmo de escape ventricular” – QRS é bem alargado.

Após identificarmos o ritmo cardíaco, sua origem: sinusal, juncional ou ventricular, partimos para identificar a freqüência cardíaca.
Podemos utilizar várias formas para isso: usamos a fórmula 1500/RR ou mesmo a regra dos 300: onde consideramos um complexo que caia sobre uma linha grossa do papel milimetrado e, a partir desta, contamos as demais linhas grossas como 300, 150, 100, 75, 60 e 50bpm, avaliada
preferencialmente sobre um D2 longo... trata-se de uma forma aproximada para o cálculo (figura 6).


Figura 6. Regra dos 300 exemplificada acima, avaliada preferencialmente num D2 longo. A figura à direita mostra uma bradicardia sinusal.

Seguiremos a interpretação do ECG para a determinação do eixo cardíaco através da avaliação do complexo QRS. Quando se diz que o complexo QRS é positivo em qualquer derivação, queremos dizer que o complexo domina uma área positiva naquela derivação, maior que seu componente negativo. O mesmo se aplica para o conceito do QRS negativo. Quando um complexo QRS apresenta-se com componentes iguais tanto para o lado negativo quanto para o positivo, dizemos ser isoelétrico ou isodifásico, em geral, o eixo cardíaco neste caso o eixo cardíaco esta sobre a derivação perpendicular à derivação onde encontramos o isodifásico. O eixo cardíaco normal esta sobre D2 ou seja, a 60°. Nas hipertrofias ventriculares, hemibloqueios, bloqueios de ramo, entre outras doenças, encontramos desvios nesse eixo cardíaco. Novamente, a análise do eixo leva em consideração a projeção dos vetores sobre as derivações.

Finalmente, após avaliação do eixo elétrico cardíaco, partimos para a análise das ondas e dos seus segmento:

Onda P: avaliamos sua polaridade (positiva ou negativa); sua amplitude (uma onda P normal deve respeitar as dimensões de 2x2 pequenos
quadradinhos, o que corresponde a 0,04-0,08s de duração); avaliamos sua morfologia. A onda P corresponde a atividade atrial e dois componentes
a compõe: átrio direito (em sua primeira porção) e o átrio esquerdo (em sua segunda porção) – figura 7.


Figura 7. Porções que compõe a onda P.Nas sobrecargas atriais direita, encontramos um aumento na amplitude da onda P (forma ponti-aguda), com o eixo de P, desviado entre 60-90°. Algumas vezes a presença de onda Q em V1 é uma forma indireta de detecção da sobrecarga de átrio direito. Na
sobrecarga de átrio esquerdo, vemos um alargamento de P (0,12s) com um entalhe bem demarcado em P com eixo de P desviado para 30-0°. Vemos também o índice de Morris – predomínio da fase negativa de P em V1. Nas sobrecargas biatriais podemos identificar uma mistura dos achados acima.

Intervalo PR: trata-se do período onde a despolarização sinusal atingiu o nodo AV e ocorre um retardo proposital para que todo o átrio consiga despolarizar. Seu intervalo dura em média 0,12-0,20s. Em condições normais o nivelamento do PR deverá ser o mesmo do segmento ST. Um infra-desnivel de
PR pode indicar uma pericardite aguda.


Complexo QRS: trata-se da despolarização ventricular. Seu tempo de despolarização é relativamente curto, em torno de 0,10s, apesar da mais fibras musculares, sua condução é extremamente rápida. Devemos avaliar: duração do vetor médio do QRS (SÂQRS), duração e intervalo do QRS, voltagem ou
amplitude do QRS, morfologia e formas do complexo, localização nas zonas de transição nas derivações precordiais, tempo de ativação ventricular (deflexão intrinsecóide – início da onda Q até o pico de R), análise das ondas do complexo. Todas as alterações que enxergarmos no QRS estamos nos referindo a ventrículo cardíaco. É a partir do QRS que encontramos o eixo cardíaco, como já mencionado. Nas sobrecargas ventriculares o complexo QRS altera sua amplitude (altura) e nos bloqueios há alteração da sua duração (alargamento). Nas sobrecargas de ventrículo esquerdo o eixo cardíaco desloca-se para esquerda com aumento de “onda S” em V1 e “onda R” em V5 e V6, constituindo o índice de Sokolow-Lyon (onde a soma dos “S” em V1 e “R” em V5 ou V6 são maiores que 35). Ainda nestas sobrecargas podemos encontrar um padrão chamado de “strain” onde verificamos um infradesnivel de ST com inversão
de T em V6. Nas hipertrofias ventriculares direita o eixo cardíaco poderá desviar para direita (~120°) com a presença de ondas R amplas em V1 e V2 e ondas S amplas em V5 e V6, um padrão muito atípico! Dizemos haver muitos “Rs e Ss”. Já nos bloqueios de ramo direito haverá aumento da duração do QRS (alargamento); o ventrículo esquerdo despolarizara normalmente, porém, com o retardo da despolarização do ventrículo direito haverá a formação de um RSR´ em V1, mostrando o atraso do VD em relação ao VE. Nos bloqueios de ramo esquerdo encontramos um aumento do QRS > 0,10s, um segmento ST
que se opõe ao QRS (um diagnóstico diferencial dos supra desnível de ST), V1-V4 com “R” bem pequeno ou ausente com QS grande, V5-V6 mostrando dois “Rs”
e com entalhe (“padrão de torre”) e um eixo cardíaco desviado para esquerda: 30° a -30°. Já nos hemibloqueios do ramo esquerdo, quando estivermos diante do hemibloqueio esquerdo antero-superior, encontraremos o eixo cardíaco em -60° a -90° com QRS normal e presença de “S” em V5-V6. Nos hemibloqueios esquerdo póstero-inferiores, geralmente associados a bloqueio do ramo direito, encontramos um eixo desviado a 120° com presença de “S” em D1.


Onda Q: não ultrapassa 0,03s de largura e 4mm de amplitude, exceto em D3. A onda Q pode representar necrose miocárdica, dizemos “Q de necrose”,
após um IAM por exemplo.

Segmento ST: esse segmento representa a diástole ventricular, ou seja, a atividade da artéria coronária. Ele deve ser isoelétrico sempre aos segmentos PR e TP. Os supra-desnivel desse segmento pode fazer diagnóstico diferencial de IAM, pericardite, bloqueio de ramo esquerdo, angina de Prinzmetal, repolarização precoce ou aneurisma ventricular. Já um infra-desnivel de ST pode estar refletindo uma má perfusão do subendocárdio: miocardites agudas, cor pulmonale, hipocalemias, choque, HAS e digitálicos.





Onda T: onda que representa a repolarização ventricular, nunca deverá ser maior que o complexo QRS. Sua característica assimétrica mostra normalidade, quando for simétrica poderá estar sugerindo uma isquemia. Devemos sempre avaliar: eixo da onda T (SÂT), sua voltagem ou amplitude, duração da onda T e seu aspecto.



Assimetria da Onda T:


Intervalo QT: intervalo que representa o início da sístole até a diástole ventricular. Não ultrapassa 0,42s.

Onda U: é a menor deflexão do ECG, refere-se à repolarização dos músculos papilares e cordas tendíneas. A onda U nunca deve se opor à onda T, caso isso ocorra, dizemos onda U patológica e podemos pensar em : hipertrofia ventricular esquerda, bloqueio de ramo esquerdo, alterações metabólicas,
alterações coronárias ou mesmo um período pós-extra sístole.

Em resumo: Leitura do ECG deverá seguir os seguintes passos...

  • 1. Identificação, HD, Data, Horário...
  • 2. Verificar a presença das derivações.
  • 3. Ritmo regular ou irregular.
  • 4. Determinação do ritmo: sinusal, juncional ou ventricular.
  • 5. Freqüência cardíaca.
  • 6. Determinação do eixo (SÂQRS) cardíaco.
  • 7. Medição dos principais intervalos.
  • 8. Análise das ondas.


Exemplo de ECG normal:


ECG Normal – Referências:


Arritmias

  • Mecanismo das arritmias:
    • Substrato arritmogênico: fibrose, isquemia, canalopatias, tecido gorduroso.
    • Deflagração: extra-sístole e alterações da freqüência cardíaca.
    • Modulação: hiper e hipocalemia.


Automatismo Anormal – Bradicardia Sinusal

- FC < 60bpm; Vagotonia e Fisiológico em atletas.


Automatismo Anormal – Taquicardia Sinusal

- FC > 100bpm; prática de exercícios; alterações eletrolíticas; choque; doenças metabólicas.


Extra-Sístoles

- São batimentos anormais que podem apresentar foco supraventricular ou foco ventricular.
- Etiologia: muito diversa; HAS, febre reumática, IAM, miocardiopatia, insuficiência cardíaca, choque, drogas,...
- Quando a extra-sístole for de origem atrial, ou seja, supraventricular, o QRS é normal (< 0,10s) com discretas alterações no formato da onda P.
O intervalo PR torna-se diferente na extra-sístole supraventricular – Figura abaixo.


- Nas extra-sístoles juncionais devemos considerar as explicações sobre o ritmo juncional: dividimos o nodo AV em três porções – superior, média einferior – quando o ritmo nasce na porção superior no nodo AV a onda P é inscrita com deflexão negativa, anterior ao complexo QRS; quando o estímulo
nasce da porção média do nodo AV, a onda P cai sobre o complexo QRS (onda P isodifásica); e, finalmente, quando o estímulo nasce da porção inferior do nodo AV vemos a onda P após o complexo QRS, formando um PT. As extra-sístoles juncionais seguem este mesmo padrão de aparição, com discretas alteraçõesde P e com complexo QRS normal.

- Condutas: tanto as extra-sístoles supraventriculares como as juncionais, apenas observamos o paciente; não necessita de tratamento.

- Pode ser desencadeado por substâncias como café, álcool, chá e tabagismo.

Extra-Sístoles Ventriculares

- São ritmos deflagrados abaixo do nodo AV; o complexo QRS é bizarro, sem formato definido, > 0,1s; geralmente encontramos pausa compensatóriacompleta após a extra-sístole.

- Se a extra-sístole apresentar um mesmo padrão, dizemos que há um único foco ectópico – dizemos padrão monomórfico.


Figura Acima: Taquiventricular tipo monomórfica repetitiva (Gallavardin) com alternância de TV não sustentada e ritmo sinusal.

- Se a extra-sístole apresentar padrões diferentes, dizemos que há múltiplos focos ectópicos – dizemos padrão polimórfico.


Figura Acima: Extra-sístole ventricular

- A cada complexo QRS normal há uma extra-sístole = Bigeminismo.


Figura Acima: Bigeminismo

- A cada dois complexos QRS normais há uma extra-sístole = Trigeminismo.
- A cada três complexos QRS normais há uma extra-sístole = Tetrageminismo.
- A cada complexo QRS normal há duas extra-sístoles seguidas = Extra-Sístole Pareada ou Acoplada.
- A presença de três ou mais extra-sístoles seguidas, dizemos TAQUICARDIA VENTRICULAR.


Figura Acima: Taquicardia ventricular.

Quanto mais próxima a extra-sístole cair da onda T, maior será a possibilidade de atingir o período refratário relativo, podendo desorganizar o complexo PQRST, levando a fibrilação ventricular – extra-sístole precoce chamamos de fenômeno R/T. Quanto mais longe a extra-sístole cair da onda T,
dizemos extra-sístole tardia.

Nas taquicardias ventriculares o pulso pode ser fraco ou mesmo ausente. Caso a taquicardia seja > 30seg ou haja sintomatologia, dizemos taquicardia ventricular sustentada; caso a duração seja < 30seg, dizemos taquicardia ventricular não sustentada.

Fibrilação Ventricular

- Não há organização alguma no ECG.
- Trata-se de parada cardíaca, o coração não consegue dar volume de ejeção suficiente para o organismo.
- Em geral, encontramos pausas compensatórias pós-extra sístoles.


Fibrilação Ventricular Grosseira.


Fibrilação Ventricular Fina.

AESP – Atividade Elétrica Sem Pulso

A atividade elétrica sem pulso é caracterizada pela ausência de pulso detectável na presença de algum tipo de atividade elétrica, com exclusão da taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular (trata-se de uma parada cardíaca). Ao monitor aparecem evidências de atividade elétrica organizada, porém o músculo cardíaco está muito fraco ou muito mal perfundido para responder ao estímulo elétrico. O prognóstico dos pacientes com Dissociação eletromecância é reservado, e a causa determinante deve ser verificada e corrigida. Dentre as principais causas destacam-se: Hipoxemia, acidose severa, tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, hipovolemia, vagotomia, embolia pulmonar.

Bloqueios Atrioventriculares – BAV

São caracterizados por alargamentos do segmento PR.

BAV 1º GRAU: há alargamento de PR (> 0,2s); sempre que houver onda P ocorrerá complexo QRS, havendo lentificação mas não o bloqueio propriamente dito. O estímulo passa do nodo sinusal ao nodo AV com lentificação, havendo assim, retardo na condução AV. Em geral são assintomáticos. A etiologia é diversa, podendo ser resultados de manobras vagais, uso de propranolol, vagotonias (atletas), uso de digitálicos ou mesmo cardite reumática.

BAV 2º GRAU: são divididos em 2 categorias – Mobitz I (Wenckebach) e Mobitz II. No BAV 2º grau Mobitz I encontramos o atraso progressivo a maior do complexo QRS após a onda P até que uma onda P não deflagre o complexo QRS. O primeiro estímulo (onda P) desencadeia o complexo QRS após um retardo; o segundo estímulo (onda P) desencadeia o complexo QRS com um atraso maior; até que o terceiro estímulo (onda P) não desencadeia o complexo QRS (bloqueio).
Devemos acompanhar o paciente, podemos estar diante de uma doença em evolução; encontramos também este BAV em atletas bem treinados com vagotonia.



BAV 2º Grau Mobitz I

Já no bloqueio AV de 2º grau Mobitz II há lesão grave no sistema His-Purkinje. Trata-se de doenças graves que evoluem rapidamente para a necessidade de marca-passo. Estes bloqueios estabelecem padrões fixos de bloqueios: 2:1 (2 ondas P para 1 complexo QRS), 3:1 ou 4:1.



BAV 2º Grau Mobitz II

Nos BAV de 3º grau (ou BAVT – bloqueio AV Total), também chamados bloqueio total, há completa dissociação entre as ondas P e os complexos QRS; as ondas P não atingem o nodo AV; a freqüência cardíaca fica em torno de 40bpm (ritmo de escape ventricular). O tratamento nestes casos é a implantação do marca-passo.
A etiologia é bem diversa: doença de Chagas, IAM, miocardites, problemas congênitos.


BAVT – Complexo QRS estreitos e ondas P dissociadas. Ritmo ventricular regular.

Fibrilação Atrial
Trata-se de uma taquiarritmia supraventricular, a mais comum na cardiologia, cujas contrações ocorrem de forma incoordenada, por múltiplos focos ectópicos atriais, que podem atingir uma freqüência de 250-350bpm. A onda P ao ECG é indetectável, dizemos que há onda “F” (com linha de base irregular); os intervalos R-R são irregulares. A etiologia é diversa: valvulopatias, HAS, tireotoxicose, IAM, isquemias,...



Flutter Atrial

Flutter atrial é um tipo de arritmia supraventricular que se origina a partir de um circuito elétrico do tipo macroreentrada, que ocupa grande parte do tecido atrial direito, incluindo o septo, o teto, a região da crista terminallis na parede lateral até o assoalho atrial próximo ao folheto septal da
válvula tricúspide. A frente de onda que circula por este trajeto, pode apresentar rotação horária, ou seja, descendo pelo septo interatrial, assoalho atrial, subindo pela crista terminallis e fechando o circuito no teto do átrio direito, causando assim o surgimento de uma atividade elétrica atrial
contínua no eletrocardiograma, denominada ondas F, com polaridade positiva nas derivações D2, D3 e aVF. Se houver rotação oposta da frente de onda, ou seja, no sentido anti-horário, as ondas F se apresentarão com polaridade negativa nas mesmas derivações. As características das ondas F definem o
flutter atrial do tipo comum, quando as mesmas apresentam polaridade negativa nas derivações eletrocardiográficas D2, D3 e aVF, e do tipo incomum, quando de polaridade oposta. Outra classificação baseia-se na freqüência das ondas F, ou seja, de 240 a 340 batimentos por minuto, é denomindado flutter
atrial do tipo I, e quando acima deste valor (340 a 430 batimentos por minuto), flutter atrial do tipo II. Na clinica, não está ainda estabelecida a importância desta classificação. A resposta ventricular costuma corresponder a metade da freqüência atrial, tipicamente na faixa de 150 batimentos por minuto, em média.

As causas para o flutter atrial incluem cardiopatias adquiridas, como as miocardiopatias dos tipos dilatada, hipertrófica ou isquêmica, valvulopatia
mitral (estenose ou insuficiência), cardiopatias congênitas (comunicação interatrial, anomalia de Ebstein), podendo também ocorrer em indivíduos com coração
normal. O tratamento do Flutter é a cardioversão.



Referências Bibliográficas –
1. Enéas – O Eletrocardiograma 10 anos depois. Livraria editora Enéas ferreira carneiro. 1997.
2. Atlas de Fisiologia Humana de Netter – John T. Hanse e Bruce M. Koeppen. Editora ArtMed, 2003.
3. Liga de Neurocirurgia – Damiani D, et al. Website: www.sistemanervoso.com
4. Atrium – III Curso de Eletrocardiografia Clínica – Prof. Fause Chauchar