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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Lesões caraterísticas do basquetebol

O basquetebol é, como se disse, uma das modalidades desportivas que mais contribui para a ocorrência de um grande número de lesões desportivas (Kelm e col., 2004; Cohen e Metzl, 2000; Taylor e Attia, 2000; Siewers, 1998). O jogo de basquetebol envolve não só a aplicação de diferentes tipos de força, mas também um elevado contacto físico em todos os níveis de jogo. Embora as regras restrinjam o contacto físico, as colisões com as paredes e o soalho, com os suportes das tabelas e com companheiros e adversários são, por vezes, inevitáveis. Cada colisão destas representa uma oportunidade para a ocorrência de uma lesão. De facto, os diferentes tipos de forças aplicadas no jogo e as colisões decorrentes dos seus constrangimentos não se podem anular por completo (Janeira, 1998).
Nos Estados Unidos da América, onde o basquetebol é a segunda modalidade mais popular a questão das lesões tem sido bastante abordada. Apesar da forma de jogar apresentar algumas diferenças em relação ao basquetebol europeu, é possível estabelecer comparações na medida em que existem gestos desportivos semelhantes. A “National Collegiate Athletic Association” (NCAA) elabora anualmente um relatório das lesões ocorridas nesta modalidade, respectivas características e diferenças entre géneros. No último relatório (NCAA, 2004a; NCAA, 2004b) é evidente a predominância da ocorrência de lesões no membro inferior especialmente no tornozelo, contribuindo para a maior frequência de lesão nos dois sexos e especialmente na fase inicial da época desportiva. Neste estudo que reflecte 16 anos de análise das lesões do basquetebol nos vários níveis competitivos, o tornozelo é sempre a região anatómica que mais frequentemente sofre lesão seguida do joelho. A terceira zona mais acometida por lesões tem variado ao longo dos anos, mas no último triénio, a região lombar, o pé e o membro superior representam as terceiras localizações de lesão mais frequentes para os atletas do sexo masculino e a cabeça e pé para os atletas do sexo feminino. Em ambos os sexos o tipo de lesão com maior ocorrência, tanto em jogos como em treinos, é a entorse. Já o segundo e terceiro tipos de lesão variam entre a rotura e as contusões consoante se reportam a treinos ou a jogos, respectivamente.
No estudo efectuado por Powell e Barber-Foss, (1999) em duas épocas desportivas no desporto escolar, foram encontradas taxas de lesão de 3,4 por 1000 exposições de atletas em rapazes e 3,2 nas raparigas, durante os treinos e de 7,1 e 7,9 respectivamente durante os jogos. Estas lesões correspondiam maioritariamente a entorses do tornozelo, seguidas de outras lesões no membro inferior e no joelho. Cerca de 75% das lesões encontradas foram consideradas de gravidade ligeira. Já Sallis e col. (2001) encontraram resultados idênticos embora o joelho apareça como a segunda zona mais lesionada a seguir ao tornozelo, também em ambos os sexos.
Diversos autores (Damore e col., 2003; Baumhauer e col., 1995a; Zelisko e col., 1982) referem igualmente, que as lesões músculo-esqueléticas mais frequentes em basquetebolistas são as que afectam as extremidades dos membros inferiores e incluem contusões, roturas ligamentares e musculares, inflamações músculo-tendinosas, fracturas e luxações. As justificações deste tipo de ocorrências têm a ver com as particularidades específicas do jogo de basquetebol, ou seja com os locais onde o jogo decorre, com os materiais com que se lida e com as próprias imposições do jogo. O basquetebol é um jogo que privilegia a força explosiva, praticado num espaço físico muito reduzido e desenvolvendo-se em movimentos que requerem bruscas mudanças de velocidade e de direcção, rotações súbitas e inúmeros saltos, o que, necessariamente, implica variadíssimas situações de contacto físico não sancionadas pelas regras.
As características atrás mencionadas estarão provavelmente na origem do facto do basquetebol ser uma das modalidades onde ocorrem tipos de lesões tão específicas como as anteriormente referidas. Entre os anos de 1990 e 1993, (Ellison, 1995) estudou 125690 desportistas de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os cinco e os dezanove anos, os quais recorreram aos serviços de urgências de diversos hospitais canadianos. As conclusões do estudo apontavam para (i) o enorme contributo das lesões desportivas para a totalidade das lesões ocorridas nas mais diversas situações, ultrapassando claramente o número de lesões devidas a acidentes de viação (referências a partir dos estudos de (Davies, 1981) efectuados na Grã-Bretanha); (ii) a importância do valor absoluto de indivíduos lesionados na sequência da prática do basquetebol (5028), sobretudo do sexo masculino (67%), números estes que representam 4% da totalidade dos indivíduos avaliados, lesionados no decorrer da prática de outras modalidades. O basquetebol é frequentemente apontado como a modalidade que depois do futebol americano, mais contribui para a ocorrência de lesões (Damore e col., 2003; Powell e Barber-Foss, 2000b). Destas, a entorse do tornozelo é, sem dúvida, a mais frequente no basquetebol de competição (McHugh e col., 2005; Junge e col., 2005; Hosea e col., 2000a; Yde e Nielsen, 1990) com expressões que variam entre os 38% (Powell e Barber-Foss, 1999; Pienkowski e col., 1995) e os 45% (Locke e col., 1997; Liu e Jason, 1994) da totalidade das lesões ocorridas no basquetebol. Smith e Reischl (1986) num estudo que envolveu 84 basquetebolistas do sexo masculino pertencentes a cinco liceus dos EUA, constataram que 59 dos indivíduos avaliados sofreram entorse do tornozelodurante a época desportiva, valor este, que representa 70% da amostra em estudo. Também Martin e col. (1987) numa análise epidemiológica nos Jogos Olímpicos para atletas juniores verificaram que dos 347 participantes do sexo masculino do torneio de basquetebol, 77 sofreram uma qualquer lesão. Destes, 32% sofreram entorses. De igual modo, Gomez e col. (1996) identificaram a entorse do tornozelo como a lesão mais frequente no basquetebol, a partir da avaliação realizada em atletas do sexo feminino (n=890; idade=[14-18]anos) nos EUA. De facto, das 430 lesões participadas, 56% referiam-se a entorses do tornozelo. Neste mesmo domínio, a entorse do tornozelo corresponde a 21,7% de todas as lesões avaliadas em basquetebolistas canadianos do sexo masculino (n=5028; idade=[5-19] anos) estudados por Ellison (1995) durante 3 anos consecutivos (1990/93).
Mesmo no basquetebol de recreação, as entorses representam o tipo de lesão mais frequente (Chan e col., 1984) ou então o segundo tipo de lesão mais frequente, apenas antecedidos pelas contusões (Gutgesell, 1991). Todavia, a unanimidade acerca destes valores não é total. É de notar ainda que as entorses do tornozelo representam mais de 3/4 de todas as lesões do tornozelo ocorridas no basquetebol - 85% segundo Garrick e col. (1997) e 91,2% segundo Ellison (1995)1.
Outro aspecto que importa analisar refere-se ao tempo a que lesão obriga o atleta a estar ausente do treino ou competição (tempo de paragem). Em todas as modalidades desportivas, este traumatismo representa entre 10% a 20% do tempo de paragem dos atletas por efeito de lesões (Shapiro e col., 1994a). Valores ligeiramente superiores (20% - 25%) são referidos por Robbins e Waked (1994) para atletas de modalidades cuja prática desportiva recorra de forma sistemática, à corrida e aos saltos. Também no basquetebol a entorse do tornozelo é aquela que provoca mais tempo de paragem ao basquetebolista lesionado. De facto, alguns estudos neste domínio evidenciam valores de tempos de paragem após entorse do tornozelo que variam entre 16,6% (Sheth e col., 1997b) e 25% (Ottaviani e col., 1995) da totalidade do tempo de paragem por efeito de qualquer tipo de lesão.
Os aspectos anteriormente evidenciados reflectem bem a importância das lesões no quadro dos cuidados da preparação desportiva em basquetebol, no qual a entorse do tornozelo assume uma preponderância assinalável. Reforçando esta ideia, Thonnard (1996) é peremptório ao afirmar que os atletas que tenham feito uma entorse do tornozelo têm o dobro das probabilidades de voltar a lesionar o mesmo tornozelo e Sheth e colaboradores (1997b) apontam a ocorrência desta lesão como factor predisponente para uma recidiva.

Factores de risco de lesão no Basquetebol

Especificamente ao nível do basquetebol, a literatura internacional refere alguns factores que se relacionam ou contribuem para a variação na incidência das lesões, como sejam o sexo, a idade, as características antropométricas, a posição ocupada no jogo, o equipamento usado, as condições de treino, a flexibilidade, a força, a potência e a resistência, o equilíbrio, a coordenação, a estabilidade e a propriocepção, a fadiga, o nível competitivo e a preexistência de doença ou de lesão (Murphy e col., 2003; Richards DW e col., 2000).
Para vários autores (Tucker, 1997; Ellison, 1995; Stone e Steingard, 1993) a frequência de lesões no basquetebol, a exemplo do que acontece noutras modalidades desportivas, aumenta proporcionalmente com o aumento da idade dos atletas. Ao nível da competição profissional, a ocorrência de lesões é mais elevada durante a competição que durante o treino (NCCA, 1993; Backx e col., 1991a; Henry e col., 1982) o que leva a crer que a maior intensidade do jogo, conduz a um maior risco de lesão (Zvijac e Thompson, 1996) ou pelo menos a padrões de lesão diferentes.
Como já foi anteriormente referido para a generalidade das modalidades desportivas, também no basquetebol existe alguma controvérsia sobre o facto do género dos atletas contribuir para uma maior ocorrência de lesões (Dane e col., 2004; Kelm e col., 2004; McKay e col., 2001c; Stevenson e col., 2000; Messina e col., 1999). Todavia, nesta modalidade, a frequência de lesões no joelho é elevada atendendo às muitas solicitações em torção. Este é o mecanismo de lesão mais frequente desta região anatómica, e a lesão do joelho foi em vários estudos mais significativa em atletas de sexo feminino (Hickey e col., 1997b; Gomez e col., 1996b).
O tipo de superfície em que o basquetebol é jogado condiciona o tipo de lesão ocorrida. A maior ocorrência de queimaduras por fricção deve-se a superfícies mais ásperas enquanto que uma maior ocorrência de lesões de repetição, de que são exemplo as inflamações de músculos e tendões se verifica em terrenos duros. Os campos sintéticos são normalmente responsáveis por lesões de desaceleração atendendo ao elevado atrito que produzem. Neste aspecto é de evidenciar o facto de os atletas estarem ou não habituados a usar o campo (Meeuwisse e col., 2003) já que as condições do campo afectam mais os atletas visitantes. Do mesmo modo parece consensual, o maior risco de lesão durante o jogo que durante os treinos.
A posição ocupada pelo atleta no campo representa diferentes exposições ao risco. As particularidades do jogo de basquetebol exigem dos atletas uma especialização apurada em diversos domínios que se constitui como um conjunto de atributos únicos da forma de jogar dos bases, dos extremos e dos postes (Janeira, 1994a). Esta diversidade de funções e, obviamente, de tarefas que os atletas são obrigados a realizar implicam modos de actuação também diversificados, com recurso a diferentes solicitações motoras.

Autora : Maria António Castro

Ataxia de Friedreich

A Ataxia de Friedreich (AF) é uma doença neurodegenerativa autossômica recessiva caracterizada por sintomas cardíacos, musculares e metabólicos, causados pela degeneração de estruturas no cerebelo e da medula espinal.

Diagnóstico clínico da Ataxia de Friedreich
A testagem genética é capaz de identificar a AF. Porém, por motivos financeiros óbvios, não se realiza o exame genético em todos os pacientes.
O início dos sintomas geralmente começa entre as idades de 5 e 15, mas são geralmente referido pela primeira vez na adolescência. A maioria dos pacientes torna-se dependente de cadeira de rodas pela segunda ou terceira década de vida. Além dos sinais típicos de lesões cerebelares (marcha atáxica, déficit de equilíbrio, dismetria, disartria, disfagia e nistagmo), as manifestações clínicas incluem também a diminuição da sensação de toque leve, da propriocepção e da sensação vibratória, fraqueza progressiva dos braços e pernas, pés cavos, cifoescoliose, além de atrofia óptica (25% dos casos), perda de audição (cerca de 10% dos doentes), diabetes em 10% dos indivíduos afetados) e cardiomiopatia (dois terços dos doentes).
A cardiomiopatia e a diabetes são, geralmente, as causas de morte, mas também uma pneumonia provocada pela disfagia, pode encurtar o tempo de vida destes pacientes [1]

TRATAMENTO
Não há cura para a AF. Os sintomas e as complicações que acompanham podem ser tratados para ajudar o paciente a manter a qualidade de vida tanto quanto possível. Como em tantas outras doenças, o tratamento adequado deve envolver uma equipe multidisciplinar composta por Médicos, Terapeutas Ocupacionais, Terapeutas da fala, Psicólogos e Fisioterapeutas.

TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO:

OBJETIVOS
As metas gerais da fisioterapia são potencializar ao máximo a função e minimizar a incapacidade, deformidades e dor. Outro objetivo primário nestes pacientes é prolongar as habilidades de locomoção (aqui incluem-se tanto a marcha quanto a capacidade de “tocar” a cadeira de rodas). As principais responsabilidades do fisioterapeuta são ensinar ao paciente um programa de exercícios domiciliares abrangentes para complementar a fisioterapia ambulatorial.

AVALIAÇÃO
O paciente com AF vai precisar de uma avaliação completa e minuciosa por parte do fisioterapeuta. A avaliação deve incluir a avaliação da marcha, força, flexibilidade, amplitude de movimento, equilíbrio, coordenação, alinhamento da coluna, postura, estado funcional, resistência a fadiga, e necessidade de dispositivos auxiliares da marcha. Testes clínicos de avaliação da marcha e do equilíbrio podem ser úteis nas fases iniciais, quando o paciente ainda é capaz de realizar as trocas posturais e deambular de forma independente.

O TREINO DE MARCHA
O treino de marcha é um componente chave do plano de tratamento. O padrão de marcha na AF é caracterizado por uma marcha insegura, com passos desordenados, base de sustentação aumentada (pernas afastadas), balançando em exagero os braços e pernas, elevação demasiada das pernas e batida brusca do calcanhar contra o solo (marcha tabética, também chamada marcha calcaneante ou talonante). A batida dos pés contra o solo é proposital. O paciente causa este impacto como forma de gerar algum input proprioceptivo, e assim saber se o pé já encontrou o solo. E justamente por esta falta de input proprioceptivo, o paciente também costuma caminhar olhando para o solo, de forma a regularizar os movimentos incoordenados dos membros inferiores através do controle visual.
A denominação científica, e clinicamente mais adequada, para este padrão de marcha é “marcha atáxica da síndrome radiculocordonal posterior” (ataxia sensitiva).
Neste ponto é fundamental ter em mente que devido a perda da propriocepção, é necessário instruir o paciente a prestar atenção a seus pés enquanto caminha para melhorar a aterrisagem do pé ao final da fase de balanço.

Pacientes com AF perdem a capacidade de deambulação dentro de oito a 10 anos do início dos sintomas [2] Mesmo quando o paciente precisar de cadeira de rodas para a locomoção, a importância da marcha em casa e do ortostatismo para a descarga de peso sobre os membros inferiores devem ser enfatizadas pelos fisioterapeutas.

Exercícios de fortalecimento
Nos exercícios de fortalecimento, o paciente não deve ser levado a exaustão. Deve ser dada preferência a exercícios com poucas repetições, carga baixa e períodos de descanso entre as séries. O fortalecimento dos músculos das cinturas pélvica e escapular é importante para manter a postura e o uso funcional dos membros. Exercícios de fortalecimento do tronco podem ser úteis para minimizar a escoliose. Exercícios de PNF são recomendados para pacientes atáxicos. Neste caso, a estabilização rítmica pode ser utilizada para promover a estabilização do tronco com o paciente em prono sobre os cotovelos, na posição quadrúpede, ou de pé [3].

Exercícios de alongamento
Alongamento do tríceps sural e do arco do pé são importantes para pacientes com AF, devido a presença do pé cavo [3], o alongamento da musculatura de tronco é benéfico para o encurtamento muscular associado a escoliose. Em pacientes em cadeira de rodas, os tendões flexores do quadril e joelho não podem ser esquecidos.

Exercícios de Coordenação
Ao instruir o paciente em exercícios de coordenação, é importante instruí-los a "observar" o movimento durante a realização do exercício. Às vezes, um espelho pode ser útil durante a execução destes exercícios. Os exercícios de coordenação não precisam se limitar aos exercícios de Frenkel, e podem (e devem) incluir atividades do dia a dia do paciente tais como cozinhar, fazer artesanato, escrever ou mesmo dançar, com instruções para que o paciente permaneça observando as atividades.

Exercícios de Equilíbrio
Devido a ataxia, os pacientes podem relatar quedas frequentes. Os exercícios de equilíbrio podem ajudar com a melhoria ou manutenção do equilíbrio de pé, durante a marcha e ao se movimentar. Instrua o paciente a fazer esses exercícios na frente de um espelho ou manter os olhos sobre um objeto parado (referencial) durante as atividades terapêuticas.

Condicionamento
Condicionamento cardiovascular deve ser enfatizado para o paciente com AF. Exercícios moderados geralmente não são contra-indicados desde que não haja disfunção cardíaca. [3] Exercícios em uma bicicleta estacionária podem ser realizados desde que o paciente consiga se manter estável durante o exercício. A Natação ou exercícios aquáticos também são benéficos.

Necessidades de equipamentos
Dispositivos auxiliares da marcha são úteis para compensar a perda de coordenação e força. No caso, as órteses, aparelhos de apoio e cadeiras de rodas podem ser recomendados para auxiliar com a deambulação e mobilidade.

CONCLUSÃO
Antes de estabelecer o plano de tratamento para um paciente com Ataxia de Friedreich, o fisioterapeuta deve fazer seu trabalho de casa, e de posse das principais dificuldades enfrentadas por estes pacientes realizar uma avaliação minuciosa incluindo queixas subjetivas, capacidade funcional, postura, força muscular, amplitude de movimento, flexibilidade muscular, coordenação, mobilidade, marcha, resistência e resposta cardiovascular à atividade.

Estabelecer um programa de exercícios é de extrema importância para esta população de pacientes. Um programa de exercícios para ser realizado em casa contribui para a sensação de bem-estar do paciente. Não se esqueça de realizar reavaliações periódicas para a modificação e atualização do programa de exercícios domiciliares. Devido à natureza progressiva da doença, os ganhos de força ou de coordenação não são esperados, mas como já dito anteriormente, o objetivo maior de nossa intervenção é prolongar a função e assim garantir uma maior qualidade de vida [3]

REFERÊNCIAS
[1] (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/bookshelf/br.fcgi?book=gene&part=friedreich)
[2] Muscular Dystrophy Association. (2006). Friedreich's Ataxia Fact Sheet. Retrieved from the World Wide Web: www.mda.org.au/specific/mdafa.html
[3]Blattner, K. (1988). Friedreich's Ataxia: A suggested physical therapy regimen. Clinical Management, 8(4), 14-15, 30.

Os Exercícios de Frenkel para ataxia, aqui apresentados em tradução livre, consistem de uma série de exercícios projetados para ajudar a compensar a inabilidade de saber, sem olhar, onde estão os braços e as pernas no espaço. Estes exercícios foram compilados pela NAF - National Ataxia Foundation (Fundação Nacional de Ataxia dos EUA) e seu texto original pode ser encontrado em Frenkel´s Exercises for Ataxic Conditions.
                                                                              

Recomendações
·                     Os exercícios são projetados principalmente para coordenação e não para fortalecimento muscular.
·                     Os exercícios devem ser comandados e contados em tom de voz constante e lenta.
·                     É importante que o local seja bem iluminado e que você esteja posicionado de forma a poder enxergar os movimentos de suas pernas.
·                     Evite cansar-se. Cada exercício não deve ser executado mais do que quatro vezes. Descanse entre cada exercício. O exercício todo deve durar aproximadamente 1/2 hora e deve ser feito 2 vezes por dia.
·                     Os exercícios devem ser feitos dentro do alcance normal dos movimentos, evitando-se forçar demasiadamente os músculos.
·                     Os exercícios mais simples devem ser executados adequadamente antes de se prosseguir para os mais difíceis.

Exercícios deitado

Posição inicial: deite de costas na cama ou em uma superfície plana, ao longo da qual os pés possam ser movidos facilmente. Sua cabeça deve estar apoiada em um travesseiro, de forma que você possa observar todos os movimentos.
·                     Movimente uma perna dobrando o joelho e deslizando o calcanhar em direção ao quadril. Volte à posição inicial e repita com a outra perna.
·                     Movimente uma perna como no exercício anterior. Então dobre a perna lateralmente sem deslocar o pé. Retorne a perna para o centro. Volte à posição inicial e repita com a outra perna.
·                     Movimente uma perna dobrando o joelho e erguendo o calcanhar. Volte à posição inicial e repita com a outra perna.
·                     Movimente uma perna dobrando o joelho e deslizando o calcanhar em direção ao quadril, como no primeiro exercício, mas interrompendo o movimento em qualquer ponto sob comando. Volte à posição inicial e repita com a outra perna.
·                     Movimente uma perna dobrando o joelho e colocando o calcanhar sobre o joelho da outra perna. Então deslize o calcanhar do joelho até o tornozelo e de volta para o joelho. Volte à posição inicial e repita com a outra perna.
·                     Movimente ambas as pernas dobrando os joelhos e deslizando os calcanhares em direção ao quadril mantendo os tornozelos unidos. Volte à posição inicial.
·                     Movimente alternadamente as pernas, dobrando os joelhos e retornando à posição inicial, como se estivesse pedalando.

Exercícios sentado

Posição inicial: sente-se em uma cadeira, com os pés no chão.
·                     Levante o calcanhar mantendo a ponta do pé no chão. Em seguida levante o outro pé inteiro e recoloque-o no chão sobre o mesmo local. Alterne os movimentos.
·                     Faça duas marcas de cruz no chão com giz. Alternando as pernas plane o pé em cima do sinal marcado: para frente, para trás, para a esquerda e para a direita.
·                     Aprenda a levantar-se e sentar-se com um certo ritmo. Primeiro, dobre os joelhos e puxe os pés para baixo da cadeira; segundo, dobre o tronco adiante; terceiro, levante-se endireitando os quadris e joelhos e então o tronco. Inverta o processo para sentar-se.

Exercícios em pé

Posição inicial: mantenha-se ereto com os pés separados de 10 a 15 cm.
·                     Deslocar-se lateralmente para a direita com meio passos. Execute o exercício de forma cadenciada: primeiro, transfira seu peso para o pé esquerdo; segundo, desloque o pé direito 30 cm para a direita; terceiro, transfira seu peso para o pé direito; quarto, desloque o pé esquerdo 30 cm para a direita. Repetir o exercício para a esquerda. O tamanho do passo para a direita ou para a esquerda pode ser variado.
·                     Caminhe para frente entre duas linhas paralelas distantes 35 cm, colocando o pé direito sobre a linha direita e o pé esquerdo sobre a linha esquerda, enfatizando a correta colocação dos pés. Descanse depois de 10 passos.
·                     Caminhe para frente, enquanto coloca cada pé adiante em pegadas previamente localizadas no chão. As pegadas devem ser paralelas e distanciadas em aproximadamente 10 cm. Pratique com um quarto de passo, meio passo, três quartos de passo e passo inteiro.
·                     Virando para a direita. Primeiro, eleve a ponta do pé direito girando-o sobre o calcanhar para o lado direito; segundo, eleve o calcanhar do pé esquerdo girando-o sobre a ponta do pé para o lado direito; terceiro, reposicione-se e complete a volta inteira. Repita para o lado esquerdo.
·                     Suba e desça uma escada degrau por degrau, colocando o pé direito em um degrau e depois o esquerdo no mesmo degrau. Depois pratique colocando um pé em cada degrau. No princípio utilize o corrimão; com a melhora de equilíbrio, dispense o corrimão.

Exercícios de braços e mãos

No caso dos braços estarem afetados, utilize um quadro-negro e giz. Desenhe diagramas simples (linhas retas, círculos, linhas em zig-zag, etc.); mude um sinal de menos para um sinal de mais; Várias tábuas de coordenação podem ser utilizadas para melhorar a coordenação dos olhos e das mãos.


Princípios de Prevenção de lesões em Desporto


Apesar da expressão comum em desporto de que “a lesão faz parte do jogo” (Chalmers, 2002) ela é, um problema complexo de origem multifactorial resultante de interacções várias entre factores de origens diversas de que são exemplo factores fisiológicos, psicológicos, ambientais e do próprio acaso (Gleim e McHugh, 1997). Por essa razão, a lesão desportiva exige uma abordagem multidisciplinar no sentido de encontrar e implementar soluções efectivas para a redução da sua ocorrência (Whiting e Zernicke, 1998).
Aliás parece ser essa atitude que se tem desenvolvido nos últimos anos, avaliando pelo crescente aumento do número de estudos que nesta área se têm vindo a realizar. De acordo com o modelo desenvolvido para o desporto por Van Mechelen (1992a) os programas de prevenção compreendem quatro fases distintas mas fortemente interligadas, que devem permitir a identificação e descrição da extensão das lesões desportivas e das suas consequências bem como dos mecanismos de lesão, para que seja possível introduzir medidas que possam reduzir de forma eficaz o risco futuro ou a severidade das lesões desportivas. A última etapa corresponde necessariamente à imprescindível reavaliação de todo o processo no sentido de verificar a eficácia das medidas introduzidas. Estas medidas deverão ter por base o trabalho previamente realizado de identificação de mecanismos e etiologias das lesões, pois só dessa forma serão fundamentadas e poderão conduzir a resultados positivos na prevenção das lesões.
De forma genérica a prevenção e as medidas preventivas que podem ser tomadas a
propósito das lesões desportivas dividem-se em dois níveis: aquelas que procuram evitar a ocorrência da lesão (prevenção primária), e as que depois da lesão ter ocorrido, procuram minimizar as suas consequências contribuindo para a rápida recuperação do indivíduo lesionado e evitar a sua recorrência (prevenção secundária) (Weaver e col., 2002). As estratégias preventivas do primeiro nível são definidas depois de terem sido identificados factores de risco relativos à actividade desportiva, às capacidades morfo-funcionais do atleta e/ou ao modo como este realiza a actividade. A identificação dos factores de risco é feita através da análise cinesiológica da actividade desportiva (componentes anatómicas e mecânicas implicadas), através da avaliação funcional do atleta (análise morfo-funcional do atleta em função do seu estado de desenvolvimento biológico e das necessidades requeridas pela actividade desportiva) e ainda pela análise epidemiológica que procura conhecer como e porque acontecem as lesões. Para Chalmers (Chalmers, 2002) o verdadeiro desafio consiste neste nível de prevenção, ou seja evitar a primeira ocorrência de lesão. Powell e Barber–Foss (2000b) defendem ainda que para implementar melhores programas de prevenção devem ser usados os resultados de investigações que combinem as variações anatomo-fisiológicas entre os dois sexos e integrem essa informação com outros riscos internos, dos praticantes e externos, do desporto específico.
Embora não seja possível evitar totalmente a ocorrência de lesões em desporto, têm sido utilizadas várias estratégias no sentido de as reduzir e atenuar igualmente a sua gravidade e as consequências nefastas para os atletas e para o seu envolvimento desportivo e social. A avaliação dos resultados obtidos por via dessas estratégias preventivas está no entanto, ainda numa fase inicial, o que aliás é ilustrado pelo facto de apenas no ano de 2005 decorrer o primeiro congresso mundial sobre prevenção de lesões desportivas.
Segundo Brukner (1993) algumas das medidas que podem contribuir para a prevenção de lesões são o aquecimento prévio à actividade desportiva, o desenvolvimento de flexibilidade, a utilização de material de protecção adequado onde se incluem as ortóteses e ligaduras funcionais e, a análise e aplicação dos princípios biomecânicos ao treino, o treino adequado, a inexistência prévia de lesões e todo o envolvimento psicológico e nutricional dos atletas. Outros autores referem ainda como aspectos fundamentais na prevenção de lesões desportivas o treino de força (Petersen e Holmich, 2005; Holm e col., 2004) e o treino proprioceptivo (Dante e Valmor, 2005; Cerulli e col., 2001; Soderman e col., 2000).
O aquecimento prepara o corpo para o exercício aumentando a saída energética e a temperatura corporal. A sua estrutura dependerá do tipo de actividade a realizar. Para Kannus e Natri (1997) o aquecimento tem duas funções essenciais: prevenir lesões e melhorar a performance. A flexibilidade parece fazer diminuir a incidência de lesões músculo-tendinosas para além de permitir que o movimento decorra em toda a amplitude disponível nas articulações de uma forma harmoniosa (Welch e col., 1995). Por outro lado, a utilização de ligaduras funcionais e ortóteses com o objectivo de restringir ou modificar movimentos que possam ser causadores de lesões tem-se tornado uma forma muito comum de prevenção (Davis, 2004; Parkkari e col., 2001). O mesmo acontece com a utilização de equipamento de protecção de que são exemplo as caneleiras e protecções dentárias (Rampton e col., 1997). A utilização de equipamento adequado, de que é exemplo o calçado desportivo, poderá significar a diferença na ocorrência de lesões (Stacoff, 2000; Barrett e Bilisko, 1995; Barrett e col., 1993). De igual modo, a superfície de prática desportiva deverá ser adequada à modalidade em causa e ao tipo de esforço requerido (Stacoff, 2000; Barrett e Bilisko, 1995; Barrett e col., 1993).
A análise biomecânica contribui para a execução harmoniosa do movimento, permitindo que o movimento executado pelo atleta possa ser corrigido e optimizado. Dessa forma, é possivel obter a máxima eficácia do movimento e assim, fazer diminuir o risco de ocorrência de lesão (Subotnick, 1985). O treino apropriado tendo em conta a resistência máxima das várias estruturas envolvidas na actividade permite o equilíbrio entre quantidade e qualidade de performance de forma a maximizá-la e, pressupõe a periodização, especificidade, sobrecarga e individualidade, aspectos que deverão estar presentes na planificação do treino efectuada pelo treinador (Ekstrand, 1982). A pré existência de lesão é um dos factores mais frequentemente apontados como causador de lesão em desporto (Walther e col., 2005). Por essa razão, a recuperação adequada das lesões é considerada de fulcral importância, assim como o controlo do retorno à prática desportiva (Bahr e Krosshaug, 2005). A tensão emocional que envolve o fenómeno desportivo contribui para ocorrência de lesões pelo desequilíbrio que provoca ao nível da tensão muscular, do mesmo modo que na diminuição da concentração. Neste sentido o trabalho psicológico dos atletas surge também como uma forma de prevenir a ocorrência das lesões. Um outro aspecto a ter em conta quando se pretendem prevenir lesões em desporto é a nutrição (Armsey e Hosey, 2004), tanto pela sua relação directa com as cargas a que o atleta é submetido como, especialmente em desportos em que se classifica o atleta com base no peso, pela forma como a nutrição é abordada.
Uma estratégia de prevenção que tem sido desenvolvida nos últimos anos é o arrefecimento pós esforço que permite um retorno gradual a um nível de metabolismo próximo do normal, facilitando desse modo a mais rápida recuperação (Coulon e col., 2001).
A diminuição progressiva do exercício parece favorecer a remoção dos produtos resultantes da contracção muscular (Wigernaes e col., 2001), nomeadamente o ácido láctico,diminuindo a rigidez muscular pós exercício e favorecendo assim a recuperação física do atleta (Brukner e Khan, 1993). Para além disso, quando o exercício termina de forma abrupta, as alterações na pré-carga a que o sistema cardiovascular se sujeita podem trazer complicações já que uma parte significativa de sangue se mantém nos membros inferiores podendo fazer reduzir o aporte sanguíneo a órgãos vitais.
Permanece alguma controvérsia relativamente ao efeito da flexibilidade na prevençãode lesões desportivas mas alguns autores (Witvrouw e col., 2004; Watson, 2001), encontraram uma associação significativa de risco de lesão em indivíduos com menos flexibilidade. Já a diminuição da amplitude disponível na articulação parece influenciar a maior ocorrência de lesão (Willems e col., 2005a) o que poderá estar relacionado com a flexibilidade na medida em que, uma menor flexibilidade implica uma menor amplitude articular.
A ocorrência de lesões durante a prática desportiva é uma realidade. Embora o desporto apresente uma perspectiva teórico–filosófica cujos princípios visam, um desenvolvimento harmonioso, global e salutar do atleta, a realidade mostra-nos como esses princípios são ultrapassados, atingindo-se por vezes, principalmente ao nível da alta competição, limites perigosos para a saúde do praticante devendo por isso, ser dada maior ênfase à prevenção.


Autora: Maria Antonio Castro.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Influência de implementos para o tornozelo nas respostas biomecânicas do salto e aterrissagem no basquete


Autores: Isabel de C.N. Sacco1, Henrique Yuji Takahasi1, Ângela Agostini Vasconcellos1, Eneida Yuri Suda1, Tatiana de Almeida Bacarin1, Carla Sonsino Pereira1, Linamara Rizzo Battistella2, Cristianne Kavamoto2, José Augusto Fernandes Lopes2 e Jeane Cintra Peixoto de Vasconcelos2


Palavras-chave: Força reação do solo. Bandagem. Aircast. Tênis. Salto vertical.
Palabras-clave: Fuerza de reacción del suelo. Vendaje. Aircast. Calzado deportivo. Salto vertical.

RESUMO
Fundamentos e objetivo: O segmento mais frequentemente lesado no basquetebol é o tornozelo, sendo a entorse por inversão a lesão mais comum. Para evitá-la, é comum o uso de implementos.
O objetivo deste estudo foi avaliar a força reação do solo (FRS) em jogadores de basquete durante execução do salto em três situações: uso de tênis, bandagem e tênis, e tênis e órtese tipo Aircast. Métodos: Oito atletas foram analisados durante o salto, através de uma plataforma de força, nas três situações citadas, para análise das componentes vertical e horizontal médio-lateral da FRS. Resultados e conclusão: Não houve diferença estatística significativa entre as três situações na componente vertical da FRS durante o salto, embora o uso de bandagem tenda a apresentar, na impulsão, maiores valores do pico de força vertical (3,10 ± 0,46PC;3,01 ± 0,39PC; 3,03 ± 0,41PC) e do gradiente de crescimento (GC) (12,33 ± 12,21PC; 8,16 ± 3,89PC; 8,46 ± 3,85PC), e durante a aterrissagem, menores valores de pico de força vertical (5,18 ±1,35PC; 5,56 ± 1,31PC; 5,49 ± 1,44PC) e do GC (88,83 ± 33,85PC; 95,63 ± 42,64PC; 94,53 ± 31,69PC). Durante a impulsão, a força medial do salto com Aircast foi significativamente menor que com tênis (p = 0,0249) e apresentou valor semelhante ao do uso da bandagem, enquanto a força lateral foi significativamente maiorcom a bandagem do que com tênis (p = 0,0485) e tendeu a ser maior do que o Aircast. Na aterrissagem o componente médiolateral da FRS ficou inalterado nas três situações. Concluiu-se que a bandagem potencializou a força direcionada ao salto vertical durante a impulsão, porém não estabilizou tanto quanto o Aircast os movimentos de inversão e eversão do pé. Durante a aterrissagem, os implementos não foram efetivos para reduzir a força médio lateral, mas com a bandagem, houve um tempo maior para absorção do impacto.

INTRODUÇÃO

O basquetebol é considerado uma modalidade esportiva composta de uma sucessão de esforços intensos e breves, realizados em ritmos diferentes. É um jogo que exige grande coordenação motora e movimentos de grande intensidade, que permite o desenvolvimento de muitas capacidades físicas que a vida moderna exige de cada indivíduo(1). As habilidades envolvidas no basquetebol são arremessos, passes, saltos, corridas, dribles, rebotes e a execução sólida de jogadas ofensivas e defensivas(2).
O basquetebol é praticado por milhões de atletas no mundo todo e vem-se tornando uma modalidade cada vez mais popular no Brasil, provavelmente devido ao bom desempenho das seleções brasileiras em competições internacionais. No entanto, esse esporte é o campeão em lesões esportivas nos Estados Unidos(3). Essas lesões fazem com que os jogadores fiquem de dias a meses afastados dos treinos e competições, prejudicando o desempenho do time e acarretando custos maiores para o clube. Pode-se afirmar que os membros inferiores recebem a maior sobrecarga, devido aos constantes deslocamentos e saltos.
O segmento mais freqüentemente lesado nos jogadores de basquetebol é o tornozelo, sendo a entorse por inversão a lesão de maior incidência. Essa condição varia desde uma distensão simples, até ruptura dos ligamentos com ou sem avulsão dos ossos nos quais se fixam(4).
A palavra “entorse” (latim: exprimere – “pressionar para fora”) é literalmente definida como uma lesão articular na qual algumas fibras do ligamento de sustentação são rotas, mas a continuidade do ligamento permanece intacta sem deslocamento ou fratura(5).
A entorse mais comum dá-se por um esforço de inversão, quando o tornozelo está em extensão leve e resulta em distensão dos ligamentos colaterais laterais. O ligamento talofibular anterior é o mais freqüentemente afetado. Se a tensão de inversão se dá com o tornozelo em ângulo reto, o ligamento calcaneo fibular sofre impacto de distensão.
Mckay et al.(4) observaram 10.393 participações de jogadores de basquetebol em competições na Austrália. Encontraram taxa de 3,85 lesões em tornozelo em 1.000 participações, com aproximadamente metade (45,9%) dos atletas afastados por uma semana ou mais da competição.
É comum observar o uso de medidas profiláticas pelos atletas, como tornozeleiras, enfaixamentos e órteses, na tentativa de evitar lesões de tornozelo. Essas medidas podem ser usadas em qualquer estágio da reabilitação e também na prevenção de entorses em atletas saudáveis.
Um grande número de estudos(6-9) investigou o uso de bandagens e órteses como medida profilática, em geral com resultados defendendo o uso destes implementos na redução de lesões.
Segundo Hopper et al.(6), a incidência de lesões de tornozelo é de 30,4/1.000 jogos em jogadores de basquete que não utilizavam a bandagem e de 6,5/1.000 em jogadores que a utilizavam. Ainda segundo esses autores, a freqüência de lesões em jogadores de basquete que utilizavam uma órtese com preenchimento de ar era de 1,6/1.000 jogos em comparação com 5,2/1.000 jogos naqueles que não a utilizavam. As órteses reduziram a freqüência de reincidência de uma lesão e sua gravidade, mas não foram efetivas na redução da incidência e gravidade das lesões em indivíduos sem história de lesão.
Um dos fatores pelos quais as lesões podem ser reduzidas por um suporte externo é o aumento da estabilidade mecânica. A análise biomecânica indica que as bandagens e órteses podem limitar a amplitude do movimento, especialmente de inversão e eversão do pé, podendo, no entanto, aumentar as solicitações mecânicas longitudinais. Mas há de considerar que a estabilidade mecânica diminui consideravelmente após pouco tempo de exercício, principalmente em relação à bandagem.
Hopper et al.(6) relatam em seu estudo que, em relação aos músculos fibular longo e gastrocnêmio, houve significante diminuição de sua atividade eletromiográfica na condição do uso de órtese de tornozelo na aterrissagem, o que poderia refletir menor necessidade de esses músculos promoverem uma estabilização mecânica dessa articulação com o uso da órtese. Esses autores também relataram não haver nenhuma diferença significante nas forças de reação do solo e na posição do pé quando os indivíduos realizaram a aterrissagem com e sem o uso de implementos.
Cordova et al.(10) investigaram os efeitos de dois tipos de órteses: Aircast Sport-Stirrup e Active Ankle na força de reação do solo e na atividade eletromiográfica de músculos do tornozelo durante a corrida em deslocamento lateral. Os sujeitos realizaram deslocamentos laterais à taxa de 80-90% de suas velocidades máximas sob três condições (controle, Aircast Sport-Stirrup e Active Ankle).
Eles verificaram que o uso das órteses não alterou o pico de força médio-lateral no momento do impacto, nem o pico de força de propulsão em relação à condição controle. As órteses reduziram a atividade EMG do músculo fibular longo apenas durante o pico de força de impacto.
Destaca-se que a atividade muscular e a mobilidade dos membros inferiores podem influenciar a magnitude das forças de impacto e força resultante nas articulações. Ressalta-se a importância dos músculos flexores plantares para reduzir as forças de reação do solo associadas à aterrissagem, o que estaria minimizado com o uso de órteses.
Apesar de alguns estudos constatarem que o uso de implementos reduz a taxa de lesões(6-9), Surve et al.(11) verificaram que o uso de órteses não reduziu a incidência e gravidade de lesões em jogadores sadios. As órteses só foram efetivas na redução da taxa de lesões em atletas com história prévia de entorses.
Em seu estudo, Mckean et al.(12) verificaram que a performance em alguns movimentos do basquetebol fica prejudicada ao utilizar suportes externos para tornozelo, quando comparada com a performance sem uso de equipamento. Foram analisados quatro tipos: bandagem, Swede-O-Universal, Active Ankle e Aircast. O salto vertical é menor com a bandagem, enquanto a precisão dos arremessos é maior com bandagem do que com o Swede-O-Universal.
O consumo de oxigênio e o gasto de energia são maiores com o Aircast quando comparados com a bandagem. A performance total foi menos prejudicada com o Active Ankle em relação aos demais suportes testados. Segundo Canavan(9), o uso de bandagem e órteses em atletas saudáveis não é justificado. Entretanto, suporte externo é recomendado para atletas de nível competitivo com história de lesões em tornozelo. Ele provê conforto e auxilia no controle do edema durante a fase aguda da entorse.
Outros estudos mostram que esses implementos diminuem a taxa de lesão(7,8). Isso pode ser decorrente da diminuição do tempo de reação muscular do fibular curto de tornozelos instáveis(13) e também da estimulação de mecanorreceptores do tornozelo(14). O papel proprioceptivo das bandagens e órteses parece ser maior do que sua limitação na amplitude de movimento total do tornozelo. Callaghan(15) realizou uma revisão de literatura sobre os efeitos dos vários suportes de tornozelo sobre o edema, estabilidade, amplitude de movimento, propriocepção, função muscular, marcha e testes de performance. Verificou que ainda existem contradições a respeito dos efeitos de bandagens e dos estabilizadores nas entorses ligamentares crônica e aguda de tornozelo. Verificou ainda que o uso de órteses rígidas e não-rígidas em atletas não lesados reduz significativamente movimentos no tornozelo, especialmente a inversão. As órteses restringem menos os movimentos no tornozelo do que as bandagens, porém, seu efeito é mais duradouro após o exercício.
Pienkowski et al.(16) estudou três tipos de estabilizadores de tornozelo em jogadores de basquetebol sem história de lesões ou cirurgias no tornozelo ou pé nos últimos seis meses. Seus dados mostraram que esses estabilizadores não afetaram a performance de forma significativa nos saltos, corrida ou agilidade.
Verbugge(17) realizou testes de agilidade, tiros de 40 jardas e salto vertical com atletas do sexo masculino, de idade entre 18 e 28 anos, de várias modalidades, comparando o efeito do uso de um estabilizador de tornozelo do tipo Aircast semi-rígido e bandagem na performance atlética. Os atletas relataram maior conforto ao usar o estabilizador semi-rígido. Os resultados sugerem também que ambos os implementos não interferiram na performance.
Por outro lado, Burks et al.(18) verificaram um decréscimo na performance de atletas utilizando bandagem e dois estabilizadores (Swede-O e Kalassy). Trinta voluntários realizaram quatro tarefas selecionadas: salto em distância a partir da posição estática, salto vertical, corrida em ziguezague de 10 jardas e corrida de 40 jardas.
Apenas 22 sujeitos responderam corretamente a um questionário sobre como se sentiram em relação às órteses e à bandagem.
Desses, 17 atletas escolheram a órtese Kalassy como sendo a mais confortável; esta afetou menos a performance e mostrou decréscimo estatisticamente significativo apenas no salto vertical (3,4%).
Já órtese Swede-O prejudicou a performance do salto vertical (4,6%), do salto em distância (3,6%) e do tempo da corrida de 40 jardas (3,2%). A bandagem apresentou decréscimo significativo no salto vertical (4%), na corrida de 40 jardas (3,5%) e na corrida em ziguezague (1,6%).
Riemann et al.(19) investigaram os efeitos da estabilização profilática do tornozelo nas forças de reação do solo, antes e depois de 20 minutos de corrida em esteira. Quatorze sujeitos realizaram aterrissagens rígidas (com o mínimo de flexão de joelho) e amortecidas (com o máximo de flexão de joelho e mantendo contato do calcanhar com a plataforma de força), antes e depois da corrida na esteira, sob três condições diferentes (com bandagem, com Aircast e sem estabilizador). Os autores verificaram que o tempo para atingir os picos de força foi significativamente menor com a utilização da órtese e da bandagem em relação à condição controle. Entretanto, não houve diferenças significativas na magnitude dos picos de força vertical entre as três condições e o exercício também não causou efeito nas variáveis.
Diante do contexto, o objetivo deste estudo é avaliar as respostas dinâmicas de força reação do solo em atletas de basquetebol durante a execução do salto e aterrissagem, com e sem implementos de tornozelo, freqüentemente utilizados pelos jogadores, sendo analisadas três condições: bandagem, órtese tipo Aircast e tênis usado na prática do basquete.

MÉTODOS

A amostra constitui-se de um grupo de oito jogadores de basquete com prática de no mínimo cinco anos, com idade entre 17 e 25 anos, saudáveis, sem lesão osteomioarticular no momento da avaliação e sem instabilidades funcionais ou mecânicas de tornozelo.
Esses sujeitos tomaram conhecimento das etapas do protocolo experimental através de um termo de consentimento informado e, concordando com a descrição, participaram da pesquisa.
O protocolo experimental constituiu-se de duas etapas: 1) entrevista com o atleta através de um questionário adaptado de Baptista et al.(20) e Ribeiro(21), e avaliação clínica e funcional do tornozelo; 2) avaliação biomecânica do salto vertical através de plataforma de força.
Na primeira etapa, o questionário em que se baseou a entrevista incluiu questões sobre dados antropométricos de cada atleta, posição em que joga, tempo de prática, tempo de treinamento, lesões prévias e seqüelas persistentes; esses dados foram utilizados para caracterizar os atletas. Os testes clínicos utilizados foram: teste de gaveta anterior do tornozelo(22-25) e teste de inclinação talar(23,24). Os resultados sempre foram comparados com o lado contralateral. O teste funcional consistiu em descer uma escada com 44 degraus, com aproximadamente 18cm de comprimento e 22cm de profundidade cada degrau. O tempo gasto para descer a escada foi registrado e os resultados, segundo Kaikkonen et al.(26), são: menos de 18 segundos para os melhores resultados, de 18 a 20 segundos para o grupo médio e mais de 20 segundos para o grupo com os piores resultados.
Foram considerados com instabilidade funcional ou mecânica os atletas com queixas bem caracterizadas pela entrevista e pelo teste funcional ou com resultado positivo nos testes de gaveta anterior e de inclinação talar. Os atletas que apresentaram instabilidade mecânica ou funcional foram eliminados do estudo.
Para a segunda etapa do protocolo experimental, foi avaliado o movimento de salto e aterrissagem por ser o mecanismo mais comum de entorse de tornozelo(4). Esse movimento foi realizado pelos atletas com e sem o uso de três implementos no tornozelo: tornozeleira tipo Air-Stirrup (Aircast Inc), bandagem e tênis habitualmente utilizados pelos atletas na prática do basquete. Tais implementos foram selecionados por ser mais freqüentemente utilizados pelos atletas do basquete(12). A técnica de bandagem consiste na aplicação de esparadrapo não elástico sobre a pele do indivíduo.
Essa técnica tem sido considerada a mais eficiente na estabilização articular(27) e consiste primeiramente no uso de duas tiras de esparadrapo ao redor do tornozelo cerca de 5 e 10cm, respectivamente, acima dos maléolos lateral e medial, sendo utilizadas como bases de sustentação. Posteriormente, outra tira de esparadrapo é colocada passando pelo maléolo medial, retropé e maléolo lateral, mantendo o tornozelo em dorsiflexão e eversão, sendo fixada em suas extremidades nas bases de sustentação. Outras duas tiras são fixadas no dorso do pé, passando em diagonal ao redor do mediopé, também mantendo o tornozelo em dorsiflexão e eversão.
Outra tira é colocada também no dorso do pé, passando ao redor do mediopé e pelo maléolo lateral, sendo fixada nas bases de sustentação. Por fim, outras duas tiras de esparadrapo são fixadas por cima das duas bases de sustentação.
Uma plataforma de força AMTI foi utilizada neste estudo para a aquisição e análise das componentes vertical, horizontal ânteroposterior e horizontal médio-lateral da força reação do solo. Essa plataforma estava localizada no nível do solo em um ambiente com aproximadamente 20 metros lineares para os movimentos de locomoção.
Os sujeitos foram avaliados realizando o salto com os dois membros sobre a plataforma de força, cinco vezes com duração de seis segundos com cada implemento avaliado, das quais se extraiu a média de cada condição. A freqüência de amostragem foi de 500Hz, compatível com esse tipo de movimento(28). A tabela 1 e as figuras 1 e 2 descrevem as variáveis verticais e médio-laterais analisadas da força reação do solo durante o movimento analisado.



As variáveis da força reação do solo componente vertical e médio-lateral para cada movimento e condição foram normalizadas pelo peso corporal de cada sujeito e posteriormente filtradas com filtro passa baixa butherworth com freqüência de corte de 200Hz, conforme sugerem Roesler et al.(28).
As variáveis biomecânicas estudadas foram inicialmente analisadas para verificação da distribuição estatística dos dados através do teste W de Shapiro Wilks, constatando a não normalidade dos dados e, portanto, foram comparadas entre as três condições experimentais através do teste inferencial não paramétrico de Kruskal-Wallis, utilizando como teste de post hoc, o teste de Mann- Whitney, sendo este robusto o suficiente para provar diferenças individuais. Foram consideradas significativas as diferenças com nível de significância (p) inferior a 0,05.

RESULTADOS

Todos os atletas do estudo eram do sexo masculino, com média de idade de 22,4 ± 1,7 ano, massa de 78,8 ± 9,1kg e estatura de 1,9 ± 0,1m. O tempo de prática médio do basquetebol foi de 10,8 ± 2,8 anos. A freqüência média dos treinos foi de 3 ± 1x por semana e com duração de duas horas em média. Vinte e cinco por cento dos atletas jogavam em nível profissional e 75%, em nível universitário.
Observou-se que 50% dos atletas relataram fazer uso de algum tipo de implemento para jogar e/ou treinar. Desses, 50% fazem uso da bandagem, 25%, de tornozeleira, e outros 25%, de joelheira.
Seis atletas referiram já ter sofrido alguma entorse de tornozelo. A média de entorses sofridas por esses sujeitos foi de 7,0 ± 6,9 entorses. O tempo médio de afastamento da prática da modalidade devido a essas entorses foi de 3 ± 1,4 meses. Outras lesões de membros inferiores foram relatadas pelos sujeitos: 50% relataram já ter sofrido tendinite; 12,5%, fratura; e 12,5%, luxação. É importante ressaltar que alguns sujeitos sofreram mais de um tipo de lesão de membros inferiores. Em relação aos que sofreram algum tipo de lesão em membros inferiores, 66% relacionaram-na à prática do basquete.
Não houve diferença estatística significativa entre as três situações na componente vertical da força reação do solo durante o salto vertical (p > 0,05) (tabela 2). De forma representativa, a figura 3 representa as curvas médias e desvios padrões da força reação do solo componente vertical durante o salto com tênis, com bandagem e com Aircast de um dos sujeitos.



A força máxima medial foi significativamente maior na situação com tênis do que com Aircast (p = 0,0249) e a força máxima lateral na situação com tênis foi estatisticamente maior do que com a bandagem (p =0,0485) (tabela 3).






DISCUSSÃO

A maioria dos atletas estudados (75%) já havia sofrido entorses no tornozelo e, destes, 66% sofreram essas lesões em ambos os tornozelos. Isso demonstra que esse é um tipo de lesão muito comum na prática do basquete, sendo necessário maior esclarecimento sobre sua prevenção e à relação dessa lesão com os tipos de movimentos executados pelos atletas. A forma de aterrissagem durante um salto no basquetebol, seja pisando sobre o pé de outro jogador ou por um desequilíbrio qualquer, constitui a principal causa de entorses na modalidade(4). Está comprovado que o uso de implementos para o tornozelo reduz a taxa de lesões principalmente em indivíduos com história prévia, além de serem úteis na prevenção e controle dos sinais inflamatórios na fase aguda das entorses. Isso se aplica aos jogadores de basquete, considerando essa alta incidência de lesões ligadas à prática(6-9,11).
Mckay et al.(4) em seu estudo não encontraram nenhuma relação entre sexo, idade, massa, estatura e freqüência de treinamento com a incidência de lesões em tornozelo, porém, é importante notar a sobrecarga de treinamento típica do basquete e, em especial, dos atletas avaliados, o que aumentaria a sobrecarga músculo- esquelética e, conseqüentemente, o seu desgaste, favorecendo a incidência de lesões.
Vinte e cinco por cento dos sujeitos utilizavam a bandagem durante os jogos e treinos como forma de prevenir entorses de tornozelo.
Porém, o presente estudo pôde demonstrar através de avaliação biomecânica que essa forma de prevenção não é tão eficaz como se acreditava ser. Mais estudos utilizando técnicas de eletromiografia, por exemplo, são necessários para comprovar sua ação na prevenção desse tipo de lesão.
Alguns autores demonstram que a eficácia da bandagem decai rapidamente com o exercício (12% a 50% de sua eficácia na estabilização de tornozelo são perdidos após 10 minutos de exercício), sendo necessária sua remoção e reposição para recuperá-la(29). Por esse motivo, muitos treinadores têm preferido utilizar as órteses em vez da bandagem, pois esta pode ser reajustada rapidamente, sem a necessidade de ser trocada, muito embora a bandagem ainda seja um método menos oneroso em termos financeiros. Além disso, as órteses causam menos irritação cutânea e podem ser aplicadas e reaplicadas pelos próprios atletas(30).
Alguns estudos analisaram a força reação do solo no momento da aterrissagem e verificaram que não houve diferenças entre a situação controle e as situações com o uso de órteses e bandagens( 6,19). No presente estudo, muito embora não fossem encontradas diferenças estatisticamente significativas quanto à componente vertical da força reação do solo, para as componentes médio-laterais, diferenças significativas foram observadas em relação aos implementos estudados.
Apesar de não observadas diferenças estatisticamente significativas, destacamos tendências na componente vertical, tais como, durante o movimento de salto, a situação com bandagem tende a apresentar maior valor tanto do pico de força vertical no momento da impulsão (Fymax1) quanto de seu gradiente de crescimento (GC Fymax1) em relação às duas outras condições. Isso quer dizer que o uso da bandagem resulta em maior força vertical na impulsão em menor intervalo de tempo. Poder-se-ia interpretar isso como se essa força de reação resultante de uma força de impulsão otimizasse o salto vertical, uma vez que o indivíduo consegue atingir maior força de impulsão no salto de maneira mais rápida, melhorando sua performance.
Já durante a aterrissagem, a condição com bandagem tende a apresentar menor valor de pico de força vertical (Fymax2) e de seu gradiente de crescimento (GC Fymax2) em relação à situação com tênis e Aircast. Nesse caso, a bandagem estaria tendo um papel mais efetivo de amortecer o impacto, pois a força de reação do solo aumenta de modo mais lento durante a chegada ao solo. Dessa forma, a sobrecarga é distribuída mais uniformemente entre os segmentos do membro inferior; o sistema músculo-esquelético consegue adaptar-se e responder melhor às sobrecargas.
Riemann et al.(19) também não encontraram diferenças na força vertical entre as situações com bandagem, Aircast e controle durante aterrissagens, mas, assim como no presente estudo, observaram diminuição no tempo em que são atingidos os picos da força vertical com o uso dos implementos.
O mecanismo pelo qual a bandagem reduz a Fymax1 e o seu GC permanece incerto, já que ambos os implementos não restringem a flexo-extensão de tornozelo, movimentos estes fundamentais para essa redução ou aumento das forças verticais. Talvez a bandagem seja mais eficaz no aumento das aferências proprioceptivas do que a órtese, permitindo melhor resposta muscular ao aumento de sobrecarga típico da aterrissagem, levando a diminuição da mesma(13-15).
Considerando a análise da componente médio-lateral da força reação do solo, a força medial no momento da impulsão do salto (Fzmed1) na situação Aircast foi significativamente menor que na situação tênis (p = 0,0249) e apresentou valor semelhante ao da situação bandagem. Já a força lateral na impulsão (Fzlat1) foi significativamente maior na situação com bandagem do que na situação com tênis (p = 0,0485) e tendeu a ser maior do que na situação Aircast. Ao contrário da componente vertical, em que um valor alto do primeiro pico de força (impulsão) com o uso da bandagem teve um efeito benéfico na performance do atleta, um alto valor obtido da força médio lateral com o mesmo implemento também na impulsão pode ser prejudicial, pois significa maior mobilidade em inversão e eversão do pé e menos energia direcionada para a flexo-extensão do tornozelo. Portanto, além de prejudicar a performance, a bandagem estaria restringindo menos os movimentos de inversão e eversão em relação ao Aircast, resultando em maior instabilidade mecânica e maior risco de entorses durante a impulsão.
A componente da força reação do solo médio-lateral na aterrissagem durante o salto permaneceu inalterada nas três situações.
Os implementos não desempenharam seu papel efetivamente, ou seja, não diminuíram a força médio-lateral no contato com o solo como se esperava, quando comparamos com a situação controle com tênis. A força médio-lateral na aterrissagem é o principal indicador dos movimentos de inversão e eversão responsáveis pela entorse. Se os implementos não estão fazendo nenhuma diferença na força reação do solo no movimento em que a maioria das lesões ocorre, os seus efeitos de prevenção e performance são questionáveis.
Na literatura encontram-se trabalhos que descrevem a melhora da performance com o uso dos implementos do tornozelo(14), a piora na performance(12,18) e performance inalterada(16,17). Talvez, com a reprodução de um movimento mais fiel ao que acontece em um jogo, encontrem-se diferenças significativas na componente médio- lateral da força reação do solo entre as situações com implementos e controle.
Esses resultados descritos anteriormente, se analisados em conjunto, mostram que a bandagem gera maior força reação do solo vertical e médio-lateral no momento da impulsão do salto, isto é, a bandagem potencializou a força direcionada ao salto vertical, mesmo tendo aumentado a sobrecarga no sistema músculo-esquelético. Porém, a bandagem não estabilizou tanto quanto o Aircast os movimentos de inversão e eversão do pé, resultando em maior instabilidade da articulação subtalar e maior perda de energia destinada ao salto; isso sugere que a bandagem pode não estar restringindo como se esperava esses movimentos do pé. Entretanto, na aterrissagem, a situação se inverte. Menor força reação do solo vertical com o uso da bandagem é distribuída em maior intervalo de tempo do que nas outras duas situações. Isso indica que a curva de crescimento da força vertical da bandagem é menos inclinada, ou seja, o sistema músculo-esquelético dispõe de maior tempo para absorver o impacto e responder às forças externas. Sumarizando, no salto vertical, a bandagem produziu maior força vertical e médio-lateral na impulsão e menor força vertical na aterrissagem.

CONCLUSÃO

Apesar de nenhum dos atletas estudados ter apresentado instabilidade funcional ou mecânica em tornozelo, a metade dos sujeitos utilizava algum tipo de implemento com o intuito de estabilizar essa articulação. Razoável percentagem desses sujeitos referiu utilizar a bandagem como um desses implementos, mesmo sem comprovação de sua eficácia com relação à prevenção de lesões e estabilização articular. Portanto, é preciso maior número de estudos sobre a real efetividade desses implementos, que podem estar sendo utilizados sem que seus possíveis efeitos estejam totalmente esclarecidos.
A busca de diminuição das forças médio-laterais levaria a aumento nas outras componentes da força reação do solo, ou seja, um aumento, por exemplo, na componente vertical dessa força.
Esse fato acarretaria um aumento das forças compressivas no sistema esquelético(10) e, a médio e longo prazo, lesões no aparelho locomotor. Mas o que foi observado foram aspectos um pouco diversos dos hipotetizados.
Os efeitos profiláticos na prevenção de entorses e o uso no seu tratamento já foram intensamente descritos na literatura. São poucos os estudos que analisaram a força de reação do solo durante atividades dinâmicas com implementos de tornozelo, sendo que a maioria deles não encontrou diferenças entre as situações estudadas e controle. Pôde-se observar no presente estudo que os implementos geraram alterações nas forças de reação do solo vertical e médio-lateral entre as situações com bandagem, Aircast e controle. Como esperado, os implementos atenuaram as componentes vertical ou médio-lateral da força reação do solo em alguns momentos, mas, em compensação, aumentaram em outros, o que levaria ao aumento das forças compressivas e de inversão e eversão no sistema esquelético pela restrição da mobilidade articular.
Portanto, apesar do uso freqüente desse tipo de equipamento pelos atletas, a sua indicação deve ser criteriosa em vista dos riscos de possíveis complicações a médio e longo prazo.
A literatura descreve diversos estudos com evidências ambíguas quanto ao efeito dos implementos na força reação do solo, na performance, no equilíbrio e na atividade muscular(30). O mecanismo pelo qual os suportes externos de tornozelo agem ainda é desconhecido e mais estudos são necessários para esclarecer seus efeitos nas atividades esportivas.

REFERÊNCIAS

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2. Scott JW. The basketball book. New York: Ally & Bacon, 2001.
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domingo, 29 de setembro de 2013

Stroke Prevention: Choices You Can Make to Help Prevent a Stroke

A stroke is a “brain attack” where the oxygenated blood cannot reach your brain cells and they begin to die. Stroke has become a leading cause of death and permanent disability in America -- almost 750,000 people have strokes each year.
The good news is that 80 percent of strokes can be prevented.
There are a lot of choices and lifestyle changes you can do to help prevent a stroke. I've highlighted some of the most important below.

Have regular physicals to check your health

If you check your health regularly, you can more quickly recognize and treat a risk factor for stroke.
For instance, if you have high blood pressure, you should monitor your blood pressure regularly to make sure the values are staying in a normal range. If it is not within norms, you should seek your doctor’s advice immediately.

Keep a healthy weight and know your body mass index (BMI) and your waist circumference

Being overweight or obese can significantly raise your risk factor for not only stroke but many coinciding health problems.
Keeping a healthy weight includes making healthy food choices and getting regular exercise. Always check with your doctor before initiating an exercise plan.

Quit smoking

Smoking is one of the leading causes of stroke. It can raise blood pressure, cause blood vessel changes such as narrowing, and increase your risk for forming blood clots.
Your doctor can assist you in finding programs to quit smoking and discuss smoking cessation medications available to you.

Limit your alcohol intake

Drinking too much can raise your blood pressure and add unnecessary calories to your diet. It is best to limit your alcohol to two drinks daily for men and one drink daily for women.

Stroke Warning Signs

Just following these few healthy choices and lifestyle changes could make a big difference in your life for a better health. Should you choose to not make or are unable to make necessary changes for your health, you can be at risk for a stroke.
Everyone should know what the signs and symptoms of a stroke are so that you can be prepared to get medical attention quickly. The faster medical treatment for stroke is given, the better the outcome for most individuals.
If you notice the following signs and symptoms, call 911 immediately: weakness, numbness, tingling, or loss of feeling on one side of your body, trouble seeing from one or both eyes, slurred speech, trouble talking, or problems with thinking, sudden severe headache, dizziness or feelings of spinning, loss of balance or falling easily, and blackouts.
With stroke, prevention is the best medicine and treatment.