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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Princípios de Prevenção de lesões em Desporto


Apesar da expressão comum em desporto de que “a lesão faz parte do jogo” (Chalmers, 2002) ela é, um problema complexo de origem multifactorial resultante de interacções várias entre factores de origens diversas de que são exemplo factores fisiológicos, psicológicos, ambientais e do próprio acaso (Gleim e McHugh, 1997). Por essa razão, a lesão desportiva exige uma abordagem multidisciplinar no sentido de encontrar e implementar soluções efectivas para a redução da sua ocorrência (Whiting e Zernicke, 1998).
Aliás parece ser essa atitude que se tem desenvolvido nos últimos anos, avaliando pelo crescente aumento do número de estudos que nesta área se têm vindo a realizar. De acordo com o modelo desenvolvido para o desporto por Van Mechelen (1992a) os programas de prevenção compreendem quatro fases distintas mas fortemente interligadas, que devem permitir a identificação e descrição da extensão das lesões desportivas e das suas consequências bem como dos mecanismos de lesão, para que seja possível introduzir medidas que possam reduzir de forma eficaz o risco futuro ou a severidade das lesões desportivas. A última etapa corresponde necessariamente à imprescindível reavaliação de todo o processo no sentido de verificar a eficácia das medidas introduzidas. Estas medidas deverão ter por base o trabalho previamente realizado de identificação de mecanismos e etiologias das lesões, pois só dessa forma serão fundamentadas e poderão conduzir a resultados positivos na prevenção das lesões.
De forma genérica a prevenção e as medidas preventivas que podem ser tomadas a
propósito das lesões desportivas dividem-se em dois níveis: aquelas que procuram evitar a ocorrência da lesão (prevenção primária), e as que depois da lesão ter ocorrido, procuram minimizar as suas consequências contribuindo para a rápida recuperação do indivíduo lesionado e evitar a sua recorrência (prevenção secundária) (Weaver e col., 2002). As estratégias preventivas do primeiro nível são definidas depois de terem sido identificados factores de risco relativos à actividade desportiva, às capacidades morfo-funcionais do atleta e/ou ao modo como este realiza a actividade. A identificação dos factores de risco é feita através da análise cinesiológica da actividade desportiva (componentes anatómicas e mecânicas implicadas), através da avaliação funcional do atleta (análise morfo-funcional do atleta em função do seu estado de desenvolvimento biológico e das necessidades requeridas pela actividade desportiva) e ainda pela análise epidemiológica que procura conhecer como e porque acontecem as lesões. Para Chalmers (Chalmers, 2002) o verdadeiro desafio consiste neste nível de prevenção, ou seja evitar a primeira ocorrência de lesão. Powell e Barber–Foss (2000b) defendem ainda que para implementar melhores programas de prevenção devem ser usados os resultados de investigações que combinem as variações anatomo-fisiológicas entre os dois sexos e integrem essa informação com outros riscos internos, dos praticantes e externos, do desporto específico.
Embora não seja possível evitar totalmente a ocorrência de lesões em desporto, têm sido utilizadas várias estratégias no sentido de as reduzir e atenuar igualmente a sua gravidade e as consequências nefastas para os atletas e para o seu envolvimento desportivo e social. A avaliação dos resultados obtidos por via dessas estratégias preventivas está no entanto, ainda numa fase inicial, o que aliás é ilustrado pelo facto de apenas no ano de 2005 decorrer o primeiro congresso mundial sobre prevenção de lesões desportivas.
Segundo Brukner (1993) algumas das medidas que podem contribuir para a prevenção de lesões são o aquecimento prévio à actividade desportiva, o desenvolvimento de flexibilidade, a utilização de material de protecção adequado onde se incluem as ortóteses e ligaduras funcionais e, a análise e aplicação dos princípios biomecânicos ao treino, o treino adequado, a inexistência prévia de lesões e todo o envolvimento psicológico e nutricional dos atletas. Outros autores referem ainda como aspectos fundamentais na prevenção de lesões desportivas o treino de força (Petersen e Holmich, 2005; Holm e col., 2004) e o treino proprioceptivo (Dante e Valmor, 2005; Cerulli e col., 2001; Soderman e col., 2000).
O aquecimento prepara o corpo para o exercício aumentando a saída energética e a temperatura corporal. A sua estrutura dependerá do tipo de actividade a realizar. Para Kannus e Natri (1997) o aquecimento tem duas funções essenciais: prevenir lesões e melhorar a performance. A flexibilidade parece fazer diminuir a incidência de lesões músculo-tendinosas para além de permitir que o movimento decorra em toda a amplitude disponível nas articulações de uma forma harmoniosa (Welch e col., 1995). Por outro lado, a utilização de ligaduras funcionais e ortóteses com o objectivo de restringir ou modificar movimentos que possam ser causadores de lesões tem-se tornado uma forma muito comum de prevenção (Davis, 2004; Parkkari e col., 2001). O mesmo acontece com a utilização de equipamento de protecção de que são exemplo as caneleiras e protecções dentárias (Rampton e col., 1997). A utilização de equipamento adequado, de que é exemplo o calçado desportivo, poderá significar a diferença na ocorrência de lesões (Stacoff, 2000; Barrett e Bilisko, 1995; Barrett e col., 1993). De igual modo, a superfície de prática desportiva deverá ser adequada à modalidade em causa e ao tipo de esforço requerido (Stacoff, 2000; Barrett e Bilisko, 1995; Barrett e col., 1993).
A análise biomecânica contribui para a execução harmoniosa do movimento, permitindo que o movimento executado pelo atleta possa ser corrigido e optimizado. Dessa forma, é possivel obter a máxima eficácia do movimento e assim, fazer diminuir o risco de ocorrência de lesão (Subotnick, 1985). O treino apropriado tendo em conta a resistência máxima das várias estruturas envolvidas na actividade permite o equilíbrio entre quantidade e qualidade de performance de forma a maximizá-la e, pressupõe a periodização, especificidade, sobrecarga e individualidade, aspectos que deverão estar presentes na planificação do treino efectuada pelo treinador (Ekstrand, 1982). A pré existência de lesão é um dos factores mais frequentemente apontados como causador de lesão em desporto (Walther e col., 2005). Por essa razão, a recuperação adequada das lesões é considerada de fulcral importância, assim como o controlo do retorno à prática desportiva (Bahr e Krosshaug, 2005). A tensão emocional que envolve o fenómeno desportivo contribui para ocorrência de lesões pelo desequilíbrio que provoca ao nível da tensão muscular, do mesmo modo que na diminuição da concentração. Neste sentido o trabalho psicológico dos atletas surge também como uma forma de prevenir a ocorrência das lesões. Um outro aspecto a ter em conta quando se pretendem prevenir lesões em desporto é a nutrição (Armsey e Hosey, 2004), tanto pela sua relação directa com as cargas a que o atleta é submetido como, especialmente em desportos em que se classifica o atleta com base no peso, pela forma como a nutrição é abordada.
Uma estratégia de prevenção que tem sido desenvolvida nos últimos anos é o arrefecimento pós esforço que permite um retorno gradual a um nível de metabolismo próximo do normal, facilitando desse modo a mais rápida recuperação (Coulon e col., 2001).
A diminuição progressiva do exercício parece favorecer a remoção dos produtos resultantes da contracção muscular (Wigernaes e col., 2001), nomeadamente o ácido láctico,diminuindo a rigidez muscular pós exercício e favorecendo assim a recuperação física do atleta (Brukner e Khan, 1993). Para além disso, quando o exercício termina de forma abrupta, as alterações na pré-carga a que o sistema cardiovascular se sujeita podem trazer complicações já que uma parte significativa de sangue se mantém nos membros inferiores podendo fazer reduzir o aporte sanguíneo a órgãos vitais.
Permanece alguma controvérsia relativamente ao efeito da flexibilidade na prevençãode lesões desportivas mas alguns autores (Witvrouw e col., 2004; Watson, 2001), encontraram uma associação significativa de risco de lesão em indivíduos com menos flexibilidade. Já a diminuição da amplitude disponível na articulação parece influenciar a maior ocorrência de lesão (Willems e col., 2005a) o que poderá estar relacionado com a flexibilidade na medida em que, uma menor flexibilidade implica uma menor amplitude articular.
A ocorrência de lesões durante a prática desportiva é uma realidade. Embora o desporto apresente uma perspectiva teórico–filosófica cujos princípios visam, um desenvolvimento harmonioso, global e salutar do atleta, a realidade mostra-nos como esses princípios são ultrapassados, atingindo-se por vezes, principalmente ao nível da alta competição, limites perigosos para a saúde do praticante devendo por isso, ser dada maior ênfase à prevenção.


Autora: Maria Antonio Castro.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Influência de implementos para o tornozelo nas respostas biomecânicas do salto e aterrissagem no basquete


Autores: Isabel de C.N. Sacco1, Henrique Yuji Takahasi1, Ângela Agostini Vasconcellos1, Eneida Yuri Suda1, Tatiana de Almeida Bacarin1, Carla Sonsino Pereira1, Linamara Rizzo Battistella2, Cristianne Kavamoto2, José Augusto Fernandes Lopes2 e Jeane Cintra Peixoto de Vasconcelos2


Palavras-chave: Força reação do solo. Bandagem. Aircast. Tênis. Salto vertical.
Palabras-clave: Fuerza de reacción del suelo. Vendaje. Aircast. Calzado deportivo. Salto vertical.

RESUMO
Fundamentos e objetivo: O segmento mais frequentemente lesado no basquetebol é o tornozelo, sendo a entorse por inversão a lesão mais comum. Para evitá-la, é comum o uso de implementos.
O objetivo deste estudo foi avaliar a força reação do solo (FRS) em jogadores de basquete durante execução do salto em três situações: uso de tênis, bandagem e tênis, e tênis e órtese tipo Aircast. Métodos: Oito atletas foram analisados durante o salto, através de uma plataforma de força, nas três situações citadas, para análise das componentes vertical e horizontal médio-lateral da FRS. Resultados e conclusão: Não houve diferença estatística significativa entre as três situações na componente vertical da FRS durante o salto, embora o uso de bandagem tenda a apresentar, na impulsão, maiores valores do pico de força vertical (3,10 ± 0,46PC;3,01 ± 0,39PC; 3,03 ± 0,41PC) e do gradiente de crescimento (GC) (12,33 ± 12,21PC; 8,16 ± 3,89PC; 8,46 ± 3,85PC), e durante a aterrissagem, menores valores de pico de força vertical (5,18 ±1,35PC; 5,56 ± 1,31PC; 5,49 ± 1,44PC) e do GC (88,83 ± 33,85PC; 95,63 ± 42,64PC; 94,53 ± 31,69PC). Durante a impulsão, a força medial do salto com Aircast foi significativamente menor que com tênis (p = 0,0249) e apresentou valor semelhante ao do uso da bandagem, enquanto a força lateral foi significativamente maiorcom a bandagem do que com tênis (p = 0,0485) e tendeu a ser maior do que o Aircast. Na aterrissagem o componente médiolateral da FRS ficou inalterado nas três situações. Concluiu-se que a bandagem potencializou a força direcionada ao salto vertical durante a impulsão, porém não estabilizou tanto quanto o Aircast os movimentos de inversão e eversão do pé. Durante a aterrissagem, os implementos não foram efetivos para reduzir a força médio lateral, mas com a bandagem, houve um tempo maior para absorção do impacto.

INTRODUÇÃO

O basquetebol é considerado uma modalidade esportiva composta de uma sucessão de esforços intensos e breves, realizados em ritmos diferentes. É um jogo que exige grande coordenação motora e movimentos de grande intensidade, que permite o desenvolvimento de muitas capacidades físicas que a vida moderna exige de cada indivíduo(1). As habilidades envolvidas no basquetebol são arremessos, passes, saltos, corridas, dribles, rebotes e a execução sólida de jogadas ofensivas e defensivas(2).
O basquetebol é praticado por milhões de atletas no mundo todo e vem-se tornando uma modalidade cada vez mais popular no Brasil, provavelmente devido ao bom desempenho das seleções brasileiras em competições internacionais. No entanto, esse esporte é o campeão em lesões esportivas nos Estados Unidos(3). Essas lesões fazem com que os jogadores fiquem de dias a meses afastados dos treinos e competições, prejudicando o desempenho do time e acarretando custos maiores para o clube. Pode-se afirmar que os membros inferiores recebem a maior sobrecarga, devido aos constantes deslocamentos e saltos.
O segmento mais freqüentemente lesado nos jogadores de basquetebol é o tornozelo, sendo a entorse por inversão a lesão de maior incidência. Essa condição varia desde uma distensão simples, até ruptura dos ligamentos com ou sem avulsão dos ossos nos quais se fixam(4).
A palavra “entorse” (latim: exprimere – “pressionar para fora”) é literalmente definida como uma lesão articular na qual algumas fibras do ligamento de sustentação são rotas, mas a continuidade do ligamento permanece intacta sem deslocamento ou fratura(5).
A entorse mais comum dá-se por um esforço de inversão, quando o tornozelo está em extensão leve e resulta em distensão dos ligamentos colaterais laterais. O ligamento talofibular anterior é o mais freqüentemente afetado. Se a tensão de inversão se dá com o tornozelo em ângulo reto, o ligamento calcaneo fibular sofre impacto de distensão.
Mckay et al.(4) observaram 10.393 participações de jogadores de basquetebol em competições na Austrália. Encontraram taxa de 3,85 lesões em tornozelo em 1.000 participações, com aproximadamente metade (45,9%) dos atletas afastados por uma semana ou mais da competição.
É comum observar o uso de medidas profiláticas pelos atletas, como tornozeleiras, enfaixamentos e órteses, na tentativa de evitar lesões de tornozelo. Essas medidas podem ser usadas em qualquer estágio da reabilitação e também na prevenção de entorses em atletas saudáveis.
Um grande número de estudos(6-9) investigou o uso de bandagens e órteses como medida profilática, em geral com resultados defendendo o uso destes implementos na redução de lesões.
Segundo Hopper et al.(6), a incidência de lesões de tornozelo é de 30,4/1.000 jogos em jogadores de basquete que não utilizavam a bandagem e de 6,5/1.000 em jogadores que a utilizavam. Ainda segundo esses autores, a freqüência de lesões em jogadores de basquete que utilizavam uma órtese com preenchimento de ar era de 1,6/1.000 jogos em comparação com 5,2/1.000 jogos naqueles que não a utilizavam. As órteses reduziram a freqüência de reincidência de uma lesão e sua gravidade, mas não foram efetivas na redução da incidência e gravidade das lesões em indivíduos sem história de lesão.
Um dos fatores pelos quais as lesões podem ser reduzidas por um suporte externo é o aumento da estabilidade mecânica. A análise biomecânica indica que as bandagens e órteses podem limitar a amplitude do movimento, especialmente de inversão e eversão do pé, podendo, no entanto, aumentar as solicitações mecânicas longitudinais. Mas há de considerar que a estabilidade mecânica diminui consideravelmente após pouco tempo de exercício, principalmente em relação à bandagem.
Hopper et al.(6) relatam em seu estudo que, em relação aos músculos fibular longo e gastrocnêmio, houve significante diminuição de sua atividade eletromiográfica na condição do uso de órtese de tornozelo na aterrissagem, o que poderia refletir menor necessidade de esses músculos promoverem uma estabilização mecânica dessa articulação com o uso da órtese. Esses autores também relataram não haver nenhuma diferença significante nas forças de reação do solo e na posição do pé quando os indivíduos realizaram a aterrissagem com e sem o uso de implementos.
Cordova et al.(10) investigaram os efeitos de dois tipos de órteses: Aircast Sport-Stirrup e Active Ankle na força de reação do solo e na atividade eletromiográfica de músculos do tornozelo durante a corrida em deslocamento lateral. Os sujeitos realizaram deslocamentos laterais à taxa de 80-90% de suas velocidades máximas sob três condições (controle, Aircast Sport-Stirrup e Active Ankle).
Eles verificaram que o uso das órteses não alterou o pico de força médio-lateral no momento do impacto, nem o pico de força de propulsão em relação à condição controle. As órteses reduziram a atividade EMG do músculo fibular longo apenas durante o pico de força de impacto.
Destaca-se que a atividade muscular e a mobilidade dos membros inferiores podem influenciar a magnitude das forças de impacto e força resultante nas articulações. Ressalta-se a importância dos músculos flexores plantares para reduzir as forças de reação do solo associadas à aterrissagem, o que estaria minimizado com o uso de órteses.
Apesar de alguns estudos constatarem que o uso de implementos reduz a taxa de lesões(6-9), Surve et al.(11) verificaram que o uso de órteses não reduziu a incidência e gravidade de lesões em jogadores sadios. As órteses só foram efetivas na redução da taxa de lesões em atletas com história prévia de entorses.
Em seu estudo, Mckean et al.(12) verificaram que a performance em alguns movimentos do basquetebol fica prejudicada ao utilizar suportes externos para tornozelo, quando comparada com a performance sem uso de equipamento. Foram analisados quatro tipos: bandagem, Swede-O-Universal, Active Ankle e Aircast. O salto vertical é menor com a bandagem, enquanto a precisão dos arremessos é maior com bandagem do que com o Swede-O-Universal.
O consumo de oxigênio e o gasto de energia são maiores com o Aircast quando comparados com a bandagem. A performance total foi menos prejudicada com o Active Ankle em relação aos demais suportes testados. Segundo Canavan(9), o uso de bandagem e órteses em atletas saudáveis não é justificado. Entretanto, suporte externo é recomendado para atletas de nível competitivo com história de lesões em tornozelo. Ele provê conforto e auxilia no controle do edema durante a fase aguda da entorse.
Outros estudos mostram que esses implementos diminuem a taxa de lesão(7,8). Isso pode ser decorrente da diminuição do tempo de reação muscular do fibular curto de tornozelos instáveis(13) e também da estimulação de mecanorreceptores do tornozelo(14). O papel proprioceptivo das bandagens e órteses parece ser maior do que sua limitação na amplitude de movimento total do tornozelo. Callaghan(15) realizou uma revisão de literatura sobre os efeitos dos vários suportes de tornozelo sobre o edema, estabilidade, amplitude de movimento, propriocepção, função muscular, marcha e testes de performance. Verificou que ainda existem contradições a respeito dos efeitos de bandagens e dos estabilizadores nas entorses ligamentares crônica e aguda de tornozelo. Verificou ainda que o uso de órteses rígidas e não-rígidas em atletas não lesados reduz significativamente movimentos no tornozelo, especialmente a inversão. As órteses restringem menos os movimentos no tornozelo do que as bandagens, porém, seu efeito é mais duradouro após o exercício.
Pienkowski et al.(16) estudou três tipos de estabilizadores de tornozelo em jogadores de basquetebol sem história de lesões ou cirurgias no tornozelo ou pé nos últimos seis meses. Seus dados mostraram que esses estabilizadores não afetaram a performance de forma significativa nos saltos, corrida ou agilidade.
Verbugge(17) realizou testes de agilidade, tiros de 40 jardas e salto vertical com atletas do sexo masculino, de idade entre 18 e 28 anos, de várias modalidades, comparando o efeito do uso de um estabilizador de tornozelo do tipo Aircast semi-rígido e bandagem na performance atlética. Os atletas relataram maior conforto ao usar o estabilizador semi-rígido. Os resultados sugerem também que ambos os implementos não interferiram na performance.
Por outro lado, Burks et al.(18) verificaram um decréscimo na performance de atletas utilizando bandagem e dois estabilizadores (Swede-O e Kalassy). Trinta voluntários realizaram quatro tarefas selecionadas: salto em distância a partir da posição estática, salto vertical, corrida em ziguezague de 10 jardas e corrida de 40 jardas.
Apenas 22 sujeitos responderam corretamente a um questionário sobre como se sentiram em relação às órteses e à bandagem.
Desses, 17 atletas escolheram a órtese Kalassy como sendo a mais confortável; esta afetou menos a performance e mostrou decréscimo estatisticamente significativo apenas no salto vertical (3,4%).
Já órtese Swede-O prejudicou a performance do salto vertical (4,6%), do salto em distância (3,6%) e do tempo da corrida de 40 jardas (3,2%). A bandagem apresentou decréscimo significativo no salto vertical (4%), na corrida de 40 jardas (3,5%) e na corrida em ziguezague (1,6%).
Riemann et al.(19) investigaram os efeitos da estabilização profilática do tornozelo nas forças de reação do solo, antes e depois de 20 minutos de corrida em esteira. Quatorze sujeitos realizaram aterrissagens rígidas (com o mínimo de flexão de joelho) e amortecidas (com o máximo de flexão de joelho e mantendo contato do calcanhar com a plataforma de força), antes e depois da corrida na esteira, sob três condições diferentes (com bandagem, com Aircast e sem estabilizador). Os autores verificaram que o tempo para atingir os picos de força foi significativamente menor com a utilização da órtese e da bandagem em relação à condição controle. Entretanto, não houve diferenças significativas na magnitude dos picos de força vertical entre as três condições e o exercício também não causou efeito nas variáveis.
Diante do contexto, o objetivo deste estudo é avaliar as respostas dinâmicas de força reação do solo em atletas de basquetebol durante a execução do salto e aterrissagem, com e sem implementos de tornozelo, freqüentemente utilizados pelos jogadores, sendo analisadas três condições: bandagem, órtese tipo Aircast e tênis usado na prática do basquete.

MÉTODOS

A amostra constitui-se de um grupo de oito jogadores de basquete com prática de no mínimo cinco anos, com idade entre 17 e 25 anos, saudáveis, sem lesão osteomioarticular no momento da avaliação e sem instabilidades funcionais ou mecânicas de tornozelo.
Esses sujeitos tomaram conhecimento das etapas do protocolo experimental através de um termo de consentimento informado e, concordando com a descrição, participaram da pesquisa.
O protocolo experimental constituiu-se de duas etapas: 1) entrevista com o atleta através de um questionário adaptado de Baptista et al.(20) e Ribeiro(21), e avaliação clínica e funcional do tornozelo; 2) avaliação biomecânica do salto vertical através de plataforma de força.
Na primeira etapa, o questionário em que se baseou a entrevista incluiu questões sobre dados antropométricos de cada atleta, posição em que joga, tempo de prática, tempo de treinamento, lesões prévias e seqüelas persistentes; esses dados foram utilizados para caracterizar os atletas. Os testes clínicos utilizados foram: teste de gaveta anterior do tornozelo(22-25) e teste de inclinação talar(23,24). Os resultados sempre foram comparados com o lado contralateral. O teste funcional consistiu em descer uma escada com 44 degraus, com aproximadamente 18cm de comprimento e 22cm de profundidade cada degrau. O tempo gasto para descer a escada foi registrado e os resultados, segundo Kaikkonen et al.(26), são: menos de 18 segundos para os melhores resultados, de 18 a 20 segundos para o grupo médio e mais de 20 segundos para o grupo com os piores resultados.
Foram considerados com instabilidade funcional ou mecânica os atletas com queixas bem caracterizadas pela entrevista e pelo teste funcional ou com resultado positivo nos testes de gaveta anterior e de inclinação talar. Os atletas que apresentaram instabilidade mecânica ou funcional foram eliminados do estudo.
Para a segunda etapa do protocolo experimental, foi avaliado o movimento de salto e aterrissagem por ser o mecanismo mais comum de entorse de tornozelo(4). Esse movimento foi realizado pelos atletas com e sem o uso de três implementos no tornozelo: tornozeleira tipo Air-Stirrup (Aircast Inc), bandagem e tênis habitualmente utilizados pelos atletas na prática do basquete. Tais implementos foram selecionados por ser mais freqüentemente utilizados pelos atletas do basquete(12). A técnica de bandagem consiste na aplicação de esparadrapo não elástico sobre a pele do indivíduo.
Essa técnica tem sido considerada a mais eficiente na estabilização articular(27) e consiste primeiramente no uso de duas tiras de esparadrapo ao redor do tornozelo cerca de 5 e 10cm, respectivamente, acima dos maléolos lateral e medial, sendo utilizadas como bases de sustentação. Posteriormente, outra tira de esparadrapo é colocada passando pelo maléolo medial, retropé e maléolo lateral, mantendo o tornozelo em dorsiflexão e eversão, sendo fixada em suas extremidades nas bases de sustentação. Outras duas tiras são fixadas no dorso do pé, passando em diagonal ao redor do mediopé, também mantendo o tornozelo em dorsiflexão e eversão.
Outra tira é colocada também no dorso do pé, passando ao redor do mediopé e pelo maléolo lateral, sendo fixada nas bases de sustentação. Por fim, outras duas tiras de esparadrapo são fixadas por cima das duas bases de sustentação.
Uma plataforma de força AMTI foi utilizada neste estudo para a aquisição e análise das componentes vertical, horizontal ânteroposterior e horizontal médio-lateral da força reação do solo. Essa plataforma estava localizada no nível do solo em um ambiente com aproximadamente 20 metros lineares para os movimentos de locomoção.
Os sujeitos foram avaliados realizando o salto com os dois membros sobre a plataforma de força, cinco vezes com duração de seis segundos com cada implemento avaliado, das quais se extraiu a média de cada condição. A freqüência de amostragem foi de 500Hz, compatível com esse tipo de movimento(28). A tabela 1 e as figuras 1 e 2 descrevem as variáveis verticais e médio-laterais analisadas da força reação do solo durante o movimento analisado.



As variáveis da força reação do solo componente vertical e médio-lateral para cada movimento e condição foram normalizadas pelo peso corporal de cada sujeito e posteriormente filtradas com filtro passa baixa butherworth com freqüência de corte de 200Hz, conforme sugerem Roesler et al.(28).
As variáveis biomecânicas estudadas foram inicialmente analisadas para verificação da distribuição estatística dos dados através do teste W de Shapiro Wilks, constatando a não normalidade dos dados e, portanto, foram comparadas entre as três condições experimentais através do teste inferencial não paramétrico de Kruskal-Wallis, utilizando como teste de post hoc, o teste de Mann- Whitney, sendo este robusto o suficiente para provar diferenças individuais. Foram consideradas significativas as diferenças com nível de significância (p) inferior a 0,05.

RESULTADOS

Todos os atletas do estudo eram do sexo masculino, com média de idade de 22,4 ± 1,7 ano, massa de 78,8 ± 9,1kg e estatura de 1,9 ± 0,1m. O tempo de prática médio do basquetebol foi de 10,8 ± 2,8 anos. A freqüência média dos treinos foi de 3 ± 1x por semana e com duração de duas horas em média. Vinte e cinco por cento dos atletas jogavam em nível profissional e 75%, em nível universitário.
Observou-se que 50% dos atletas relataram fazer uso de algum tipo de implemento para jogar e/ou treinar. Desses, 50% fazem uso da bandagem, 25%, de tornozeleira, e outros 25%, de joelheira.
Seis atletas referiram já ter sofrido alguma entorse de tornozelo. A média de entorses sofridas por esses sujeitos foi de 7,0 ± 6,9 entorses. O tempo médio de afastamento da prática da modalidade devido a essas entorses foi de 3 ± 1,4 meses. Outras lesões de membros inferiores foram relatadas pelos sujeitos: 50% relataram já ter sofrido tendinite; 12,5%, fratura; e 12,5%, luxação. É importante ressaltar que alguns sujeitos sofreram mais de um tipo de lesão de membros inferiores. Em relação aos que sofreram algum tipo de lesão em membros inferiores, 66% relacionaram-na à prática do basquete.
Não houve diferença estatística significativa entre as três situações na componente vertical da força reação do solo durante o salto vertical (p > 0,05) (tabela 2). De forma representativa, a figura 3 representa as curvas médias e desvios padrões da força reação do solo componente vertical durante o salto com tênis, com bandagem e com Aircast de um dos sujeitos.



A força máxima medial foi significativamente maior na situação com tênis do que com Aircast (p = 0,0249) e a força máxima lateral na situação com tênis foi estatisticamente maior do que com a bandagem (p =0,0485) (tabela 3).






DISCUSSÃO

A maioria dos atletas estudados (75%) já havia sofrido entorses no tornozelo e, destes, 66% sofreram essas lesões em ambos os tornozelos. Isso demonstra que esse é um tipo de lesão muito comum na prática do basquete, sendo necessário maior esclarecimento sobre sua prevenção e à relação dessa lesão com os tipos de movimentos executados pelos atletas. A forma de aterrissagem durante um salto no basquetebol, seja pisando sobre o pé de outro jogador ou por um desequilíbrio qualquer, constitui a principal causa de entorses na modalidade(4). Está comprovado que o uso de implementos para o tornozelo reduz a taxa de lesões principalmente em indivíduos com história prévia, além de serem úteis na prevenção e controle dos sinais inflamatórios na fase aguda das entorses. Isso se aplica aos jogadores de basquete, considerando essa alta incidência de lesões ligadas à prática(6-9,11).
Mckay et al.(4) em seu estudo não encontraram nenhuma relação entre sexo, idade, massa, estatura e freqüência de treinamento com a incidência de lesões em tornozelo, porém, é importante notar a sobrecarga de treinamento típica do basquete e, em especial, dos atletas avaliados, o que aumentaria a sobrecarga músculo- esquelética e, conseqüentemente, o seu desgaste, favorecendo a incidência de lesões.
Vinte e cinco por cento dos sujeitos utilizavam a bandagem durante os jogos e treinos como forma de prevenir entorses de tornozelo.
Porém, o presente estudo pôde demonstrar através de avaliação biomecânica que essa forma de prevenção não é tão eficaz como se acreditava ser. Mais estudos utilizando técnicas de eletromiografia, por exemplo, são necessários para comprovar sua ação na prevenção desse tipo de lesão.
Alguns autores demonstram que a eficácia da bandagem decai rapidamente com o exercício (12% a 50% de sua eficácia na estabilização de tornozelo são perdidos após 10 minutos de exercício), sendo necessária sua remoção e reposição para recuperá-la(29). Por esse motivo, muitos treinadores têm preferido utilizar as órteses em vez da bandagem, pois esta pode ser reajustada rapidamente, sem a necessidade de ser trocada, muito embora a bandagem ainda seja um método menos oneroso em termos financeiros. Além disso, as órteses causam menos irritação cutânea e podem ser aplicadas e reaplicadas pelos próprios atletas(30).
Alguns estudos analisaram a força reação do solo no momento da aterrissagem e verificaram que não houve diferenças entre a situação controle e as situações com o uso de órteses e bandagens( 6,19). No presente estudo, muito embora não fossem encontradas diferenças estatisticamente significativas quanto à componente vertical da força reação do solo, para as componentes médio-laterais, diferenças significativas foram observadas em relação aos implementos estudados.
Apesar de não observadas diferenças estatisticamente significativas, destacamos tendências na componente vertical, tais como, durante o movimento de salto, a situação com bandagem tende a apresentar maior valor tanto do pico de força vertical no momento da impulsão (Fymax1) quanto de seu gradiente de crescimento (GC Fymax1) em relação às duas outras condições. Isso quer dizer que o uso da bandagem resulta em maior força vertical na impulsão em menor intervalo de tempo. Poder-se-ia interpretar isso como se essa força de reação resultante de uma força de impulsão otimizasse o salto vertical, uma vez que o indivíduo consegue atingir maior força de impulsão no salto de maneira mais rápida, melhorando sua performance.
Já durante a aterrissagem, a condição com bandagem tende a apresentar menor valor de pico de força vertical (Fymax2) e de seu gradiente de crescimento (GC Fymax2) em relação à situação com tênis e Aircast. Nesse caso, a bandagem estaria tendo um papel mais efetivo de amortecer o impacto, pois a força de reação do solo aumenta de modo mais lento durante a chegada ao solo. Dessa forma, a sobrecarga é distribuída mais uniformemente entre os segmentos do membro inferior; o sistema músculo-esquelético consegue adaptar-se e responder melhor às sobrecargas.
Riemann et al.(19) também não encontraram diferenças na força vertical entre as situações com bandagem, Aircast e controle durante aterrissagens, mas, assim como no presente estudo, observaram diminuição no tempo em que são atingidos os picos da força vertical com o uso dos implementos.
O mecanismo pelo qual a bandagem reduz a Fymax1 e o seu GC permanece incerto, já que ambos os implementos não restringem a flexo-extensão de tornozelo, movimentos estes fundamentais para essa redução ou aumento das forças verticais. Talvez a bandagem seja mais eficaz no aumento das aferências proprioceptivas do que a órtese, permitindo melhor resposta muscular ao aumento de sobrecarga típico da aterrissagem, levando a diminuição da mesma(13-15).
Considerando a análise da componente médio-lateral da força reação do solo, a força medial no momento da impulsão do salto (Fzmed1) na situação Aircast foi significativamente menor que na situação tênis (p = 0,0249) e apresentou valor semelhante ao da situação bandagem. Já a força lateral na impulsão (Fzlat1) foi significativamente maior na situação com bandagem do que na situação com tênis (p = 0,0485) e tendeu a ser maior do que na situação Aircast. Ao contrário da componente vertical, em que um valor alto do primeiro pico de força (impulsão) com o uso da bandagem teve um efeito benéfico na performance do atleta, um alto valor obtido da força médio lateral com o mesmo implemento também na impulsão pode ser prejudicial, pois significa maior mobilidade em inversão e eversão do pé e menos energia direcionada para a flexo-extensão do tornozelo. Portanto, além de prejudicar a performance, a bandagem estaria restringindo menos os movimentos de inversão e eversão em relação ao Aircast, resultando em maior instabilidade mecânica e maior risco de entorses durante a impulsão.
A componente da força reação do solo médio-lateral na aterrissagem durante o salto permaneceu inalterada nas três situações.
Os implementos não desempenharam seu papel efetivamente, ou seja, não diminuíram a força médio-lateral no contato com o solo como se esperava, quando comparamos com a situação controle com tênis. A força médio-lateral na aterrissagem é o principal indicador dos movimentos de inversão e eversão responsáveis pela entorse. Se os implementos não estão fazendo nenhuma diferença na força reação do solo no movimento em que a maioria das lesões ocorre, os seus efeitos de prevenção e performance são questionáveis.
Na literatura encontram-se trabalhos que descrevem a melhora da performance com o uso dos implementos do tornozelo(14), a piora na performance(12,18) e performance inalterada(16,17). Talvez, com a reprodução de um movimento mais fiel ao que acontece em um jogo, encontrem-se diferenças significativas na componente médio- lateral da força reação do solo entre as situações com implementos e controle.
Esses resultados descritos anteriormente, se analisados em conjunto, mostram que a bandagem gera maior força reação do solo vertical e médio-lateral no momento da impulsão do salto, isto é, a bandagem potencializou a força direcionada ao salto vertical, mesmo tendo aumentado a sobrecarga no sistema músculo-esquelético. Porém, a bandagem não estabilizou tanto quanto o Aircast os movimentos de inversão e eversão do pé, resultando em maior instabilidade da articulação subtalar e maior perda de energia destinada ao salto; isso sugere que a bandagem pode não estar restringindo como se esperava esses movimentos do pé. Entretanto, na aterrissagem, a situação se inverte. Menor força reação do solo vertical com o uso da bandagem é distribuída em maior intervalo de tempo do que nas outras duas situações. Isso indica que a curva de crescimento da força vertical da bandagem é menos inclinada, ou seja, o sistema músculo-esquelético dispõe de maior tempo para absorver o impacto e responder às forças externas. Sumarizando, no salto vertical, a bandagem produziu maior força vertical e médio-lateral na impulsão e menor força vertical na aterrissagem.

CONCLUSÃO

Apesar de nenhum dos atletas estudados ter apresentado instabilidade funcional ou mecânica em tornozelo, a metade dos sujeitos utilizava algum tipo de implemento com o intuito de estabilizar essa articulação. Razoável percentagem desses sujeitos referiu utilizar a bandagem como um desses implementos, mesmo sem comprovação de sua eficácia com relação à prevenção de lesões e estabilização articular. Portanto, é preciso maior número de estudos sobre a real efetividade desses implementos, que podem estar sendo utilizados sem que seus possíveis efeitos estejam totalmente esclarecidos.
A busca de diminuição das forças médio-laterais levaria a aumento nas outras componentes da força reação do solo, ou seja, um aumento, por exemplo, na componente vertical dessa força.
Esse fato acarretaria um aumento das forças compressivas no sistema esquelético(10) e, a médio e longo prazo, lesões no aparelho locomotor. Mas o que foi observado foram aspectos um pouco diversos dos hipotetizados.
Os efeitos profiláticos na prevenção de entorses e o uso no seu tratamento já foram intensamente descritos na literatura. São poucos os estudos que analisaram a força de reação do solo durante atividades dinâmicas com implementos de tornozelo, sendo que a maioria deles não encontrou diferenças entre as situações estudadas e controle. Pôde-se observar no presente estudo que os implementos geraram alterações nas forças de reação do solo vertical e médio-lateral entre as situações com bandagem, Aircast e controle. Como esperado, os implementos atenuaram as componentes vertical ou médio-lateral da força reação do solo em alguns momentos, mas, em compensação, aumentaram em outros, o que levaria ao aumento das forças compressivas e de inversão e eversão no sistema esquelético pela restrição da mobilidade articular.
Portanto, apesar do uso freqüente desse tipo de equipamento pelos atletas, a sua indicação deve ser criteriosa em vista dos riscos de possíveis complicações a médio e longo prazo.
A literatura descreve diversos estudos com evidências ambíguas quanto ao efeito dos implementos na força reação do solo, na performance, no equilíbrio e na atividade muscular(30). O mecanismo pelo qual os suportes externos de tornozelo agem ainda é desconhecido e mais estudos são necessários para esclarecer seus efeitos nas atividades esportivas.

REFERÊNCIAS

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basketball: a total profile and comparison by gender and standard of competition. J Sci Med Sports 2001;4:196-211.
5. Cailliet R. Pé e tornozelo. São Paulo: Manole, 1976.
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11. Surve I, Schwellnus MP, Noakes T, Lombard CA. Fivefold reduction in the incidence of recurrent ankle sprains in soccer players using the Sport-Stirrup orthosis. Am J Sports Med 1994;2:601-6.
12. Mckean LC, Bell G, Burnham RS. Prophylactic ankle bracing vs taping effects on functional performance in female basketball players. J Orthop Sports Phys Ther 1995;22:77-81.
13. Karlsson J, Andreasson G. The effect of external ankle support in the chronic lateral joint instability. Am J Sports Med 1992;20:257-61.
14. Hals TMV, Sitler MR, Mattacola CG. Effect of a semi-rigid ankle stabilizer on performance in persons with functional ankle instability. J Orthop Sports Phys Ther 2000;30:552-6.
15. Callaghan MJ. Role of ankle taping and bracing in the athlete. Br J Sports Med 1997;31:102-8.
16. Pienkowski D, Mcmorrow M, Shapiro R, Caborn DNM, Stayton J. The effect of ankle stabilizers on athletic performance. A randomized prospective study. Am J Sports Med 1995;23:757-62.
17. Verbugge JD. The effects of semirigid Air-Stirrup bracing vs. adhesive ankle taping on motor performance. J Orthop Sports Phys Ther 1996;23:320-5.
18. Burks RT, Bean BG, Marcus R, Barker HB. Analysis of athletic performance with prophylactic ankle devices. Am J Sports Med 1991;19:104-6.
19. Riemann BL, Schmitz RJ, Gale M, Mccaw ST. Effect of ankle taping and bracing on vertical ground reaction forces during drop landings before and after treadmill jogging. J Orthop Sports Phys Ther 2002;32:628-35.
20. Baptista CA, Filho JA, Andrade BJ. Exame clínico geral pré-participação. In: Ghorayeb
N, Barros T, editores. O exercício. São Paulo: Atheneu, 1999;260-75.
21. Ribeiro CZP. Relação entre alterações posturais e lesões do aparelho locomotor em atletas de futebol de salão [monografia]. Universidade de São Paulo, 2001.
22. Fu FH, Stone DA. Sports injuries. Mechanisms – prevention – treatment. Baltimore: Williams & Wilkins, 1994.
23. Konradsen L, Olesen S, Hansen HM. Ankle sensorimotor control and eversion strength after acute ankle inversion injuries. Am J Sports Med 1998;26:72-7.
24. Safran MR, Benedetti RS, Bartolozzi III AR, Mandelbaum BR. Lateral ankle sprains: a comprehensive review. Part 1: Etiology, pathoanatomy, histopathogenesis, and diagnosis. Med Sci Sports Exerc 1999; 31(Suppl 7):S429-37.
25. Hockenbury RT, Sammarco GJ. Evaluation and treatment of ankle sprains. Clinical recommendations for a positive outcome. The Physician and Sports Med 2001;29(2).
26. Kaikkonen A, Kannus P, Järvinen MA. Performance test protocol and scoring scale for the evaluation of ankle injuries. Am J Sports Med 1994;22:462-9.
27. Ferreira PH. A eficácia de tornozeleiras e bandagens funcionais no controle do equilíbrio dinâmico. Anais. VII Congresso Brasileiro de Biomecânica; 1997, Mai 23-26, Campinas, Brasil, p. 407-12.
28. Roesler CRM, Iturrioz I, Zaro MA. Identificação do conteúdo de freqüências presente na força de reação do solo medida com plataforma de forças. Revista Brasileira de Biomecânica 2001;3:51-6.
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30. Hume PA, Gerrard DF. Effectiveness of external ankle support: bracing and taping in Rugby Union. Sports Med 1998;25:285-312.

domingo, 29 de setembro de 2013

Stroke Prevention: Choices You Can Make to Help Prevent a Stroke

A stroke is a “brain attack” where the oxygenated blood cannot reach your brain cells and they begin to die. Stroke has become a leading cause of death and permanent disability in America -- almost 750,000 people have strokes each year.
The good news is that 80 percent of strokes can be prevented.
There are a lot of choices and lifestyle changes you can do to help prevent a stroke. I've highlighted some of the most important below.

Have regular physicals to check your health

If you check your health regularly, you can more quickly recognize and treat a risk factor for stroke.
For instance, if you have high blood pressure, you should monitor your blood pressure regularly to make sure the values are staying in a normal range. If it is not within norms, you should seek your doctor’s advice immediately.

Keep a healthy weight and know your body mass index (BMI) and your waist circumference

Being overweight or obese can significantly raise your risk factor for not only stroke but many coinciding health problems.
Keeping a healthy weight includes making healthy food choices and getting regular exercise. Always check with your doctor before initiating an exercise plan.

Quit smoking

Smoking is one of the leading causes of stroke. It can raise blood pressure, cause blood vessel changes such as narrowing, and increase your risk for forming blood clots.
Your doctor can assist you in finding programs to quit smoking and discuss smoking cessation medications available to you.

Limit your alcohol intake

Drinking too much can raise your blood pressure and add unnecessary calories to your diet. It is best to limit your alcohol to two drinks daily for men and one drink daily for women.

Stroke Warning Signs

Just following these few healthy choices and lifestyle changes could make a big difference in your life for a better health. Should you choose to not make or are unable to make necessary changes for your health, you can be at risk for a stroke.
Everyone should know what the signs and symptoms of a stroke are so that you can be prepared to get medical attention quickly. The faster medical treatment for stroke is given, the better the outcome for most individuals.
If you notice the following signs and symptoms, call 911 immediately: weakness, numbness, tingling, or loss of feeling on one side of your body, trouble seeing from one or both eyes, slurred speech, trouble talking, or problems with thinking, sudden severe headache, dizziness or feelings of spinning, loss of balance or falling easily, and blackouts.
With stroke, prevention is the best medicine and treatment.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Rotator Cuff Tear

Alimentos ricos em vitamina D


Autora:  (Nutricionista)

A Vitamina D  favorece a absorção do cálcio, sendo importante também para fortalecer os ossos e os dentes, além de evitar o raquitismo.
Os indivíduos com maior propensão a desenvolver doenças relacionadas à falta de vitamina D no organismo são os bebês prematuros, crianças e os idosos, quando não têm uma boa alimentação e não pegam sol com frequência.
Um adulto saudável precisa consumir, em média, 5 microgramas por dia de Vitamina D e garantir uma exposição à luz solar de 20 minutos por dia, sem o uso de protetor solar.
Alimentos ricos em vitamina D
Alimentos ricos em vitamina DPorção (g)Quantidade de vitamina D (mcg)
Óleo de fígado de bacalhau13,534
Óleo de salmão13,513,6
Ostras cruas100
Peixes1002,2
Leite fortificado2442,45
Ovo cozido500,65
Carnes (frango, peru, porco) e vísceras1000,3
Manteiga130,2
Carne bovina1000,18

Para que serve a vitamina D

A vitamina D serve para aumentar a absorção do cálcio no organismo, diminuindo o risco de doenças, como raquitismo, osteomalácea e osteoporose, por exemplo. Mas, além disso, ela diminui o risco de doenças cardíacas, combate a enxaqueca e a tensão pré-menstrual.
Uma outra função da vitamina D é ajudar no desenvolvimento e na manutenção de dentes fortes e saudáveis.

Vitamina D 25-hidroxi

O exame de sangue chamado vitamina D 25-hidroxi serve para medir a quantidade de vitamina D presente no organismo, podendo ainda ser chamado de exame de 25-OH vitamina D ou de exame de calcidiol 25- hidroxicolecalciferol.
Antes de realizar esse exame, recomenda-se fazer um jejum de 4 horas. Os seus valores de referência são de 30 a 74 mg/mL.
Embora a deficiência de vitamina D não seja comum, ela é mais facilmente encontrada em bebês de raça negra que são somente amamentados e nos idosos que não expõem-se ao sol com frequência, ou que tenham uma má alimentação.

Vitamina D pura

O uso do suplemento de vitamina D pura é somente indicado para os casos em que o indivíduo não tem uma boa alimentação ou vive em locais muito frios, onde não é possível expor-se ao sol com frequência.
No continente europeu, é comum que os pediatras recomendem 1 gota diária de vitamina D pura para todos os bebês com menos de 1 ano de idade, assim como para os idosos com mais de 70 anos. É uma forma de prevenção de doenças ósseas.

Dosagem da vitamina D

A dose diária recomendada de vitamina D varia de acordo com a idade e com o local onde se vive, por causa da carência ou não de luz solar durante o ano.
Em média, um adulto precisa consumir 5 microgramas por dia e garantir uma exposição solar, sem o uso de protetor solar, de 20 minutos por dia, no mínimo. Os idosos, em geral, devem consumir 10 mcg por dia de vitamina D.
Indivíduos com a pele mais escura tem uma capacidade reduzida de sintetizar a vitamina D e, por isso, devem se expor ao sol com maior frequência ou por um maior período de tempo, para garantir a produção ideal da vitamina.

Sintomas da baixa concentração de vitamina D

Os sintomas da baixa concentração de vitamina D no organismo são:
  • Diminuição do cálcio e do fósforo no sangue;
  • Fraqueza muscular;
  • Tetania;
  • Moleira aberta após o 1º ano do bebê;
  • Irritabilidade, inquietação, anorexia e suor excessivo podem surgir nas crianças;
  • Osteoporose nos idosos;
  • Raquitismo;
  • Osteomalácea;
  • Pernas tortas.

Consequências do excesso de vitamina D

A consequência do excesso de vitamina D no organismo é a elevação dos níveis de cálcio na corrente sanguínea, que pode levar ao desenvolvimento de pedras nos rins e arritmia cardíaca, por exemplo. Porém a única forma de ter níveis tóxicos de vitamina D no sangue é através de tratamentos de suplementação com vitamina D e não com a ingestão de alimentos ricos em vitamina D.

Links úteis:

Duke Medicine Completes Implementation of Electronic Health Records Across All Outpatient Facilities and Duke University Hospital

Implementation at Duke Regional and Duke Raleigh Hospitals Moved up to March 1, 2014, Due to Success of Project To Date

DURHAM, N.C. – Duke University Health System (DUHS) has become the first provider in the greater Triangle to implement the country's leading electronic health record (EHR) system, with 223 outpatient facilities and Duke University Hospital now utilizing this state-of-the-art system.

Based on the success of the rollout of the system to date, the implementation dates for the EHR at Duke Regional Hospital and Duke Raleigh Hospital have been moved up and will take place on March 1, 2014, at which point the EHR will be used at all DUHS points of care and by all Duke providers.

The new EHR will ultimately create a single electronic health record for each patient that contains comprehensive information from each encounter with a physician or provider at any Duke Medicine facility. The seamless, real-time access to a patient's complete medical record will provide valuable information to Duke clinicians and will advance the already high quality of care provided to patients.

The breadth of functionality offered by the new health record system will also revolutionize the way Duke providers exchange information about a patient's care across all care settings – improving quality, safety, speed and efficiency.

Using the Care Everywhere health information exchange, the new EHR also enables Duke Medicine providers to more effectively communicate about shared patients with non-Duke providers throughout the state and country. Duke's EHR allows the confidential and secure sharing of a patient's health information between more than 180 health care institutions that utilize the same health records system. In August 2013 alone, more than 19,000 queries were sent and received between Duke providers and other organizations nationwide using the Care Everywhere tool.

"The EHR technology is a great advance for patients in that it will facilitate a new level of transparency and information sharing among care teams about an individual's care. We expect this will translate to further enhancements in the quality, safety and effectiveness of care delivered," said Jeffrey Ferranti, M.D., chief information officer for Duke Medicine. "It will also give patients complete access to their own health records through an online portal that also allows patients greater ability to proactively engage in their care."

The new online portal, Duke MyChart, allows patients to access test results and other information from the new health records system. Patients also can schedule appointments online, communicate with their physicians electronically, request prescription refills, and more. With the new Duke MyChart iPhone and Android MyChart apps, patients can quickly and easily access and manage their health information.

To date, the implementation of the EHR at Duke has been achieved ahead of schedule and under the projected budget. It is anticipated that the project will be completed ahead of schedule when Duke Regional and Duke Raleigh hospitals are brought online in March 2014.

Duke confirmed with Epic Systems, the company behind the EHR technology, that the implementation represented one of the largest single-day go-live events in the vendor's history. It followed two years of extensive planning and building of the system to Duke's specifications. More than 16,000 Duke faculty and staff were trained prior to implementing the new system.

"It would be impossible to overstate the magnitude of the organizational commitment that made this project possible," said Thomas Owens, M.D., chief medical officer for Duke University Health System. "Thousands of faculty and staff invested countless hours participating in the preparation and implementation of this system on top of all of their many other clinical and administrative duties, and our early data indicate it has been a great success."

Of note, during the implementation of the EHR there were no significant disruptions to patient care or the patient billing process.

The implementation of the EHR began in July 2012 with Duke Primary Care practices and providers, and was subsequently rolled out in waves to outpatient clinics and Duke University Hospital in late 2012 and early 2013.

The numbers associated with the project to date speak to the size and complexity of the project:
  •  223 clinics now live on the system.
  • More than 50 clinical information systems have been eliminated as a result of the vast capabilities of the EHR. By project's end, a total of 130 separate clinical IT systems will be eliminated.
  • 172,937 total hours of training (19.7 years) completed by faculty and staff to date.
  • More than 396,000 patients with an active Duke MyChart account.
  • 44,000 communications sent from patients to Duke providers through Duke MyChart.
"Managing the implementation of this huge project, while maintaining our historic clinical volume and financial performance, is a testament to the high quality and dedication of our faculty and staff," said Victor J. Dzau, M.D., chancellor for health affairs and CEO of Duke University Health System.

"The system is functioning as we designed it and our task now is to complete the rollout of the system at Duke Regional and Duke Raleigh, plus work with faculty and staff for opportunities to optimize the technology and enhance its effectiveness within the unique Duke environment," Ferranti said.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013