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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Duvidas sobre o Dengue



Fonte:
Ministério da Saúde
CIVES: Centro de Informação dos viajantes – UFRJ
Manual OPAS 1978 – Informe Oficial

Leia mais: http://www.combateadengue.com.br/perguntas-frequentes/#ixzz28H0yu7mQ

1. A picada do mosquito é a única forma de transmissão da dengue?
Sim, a dengue não é transmitida por pessoas, objectos ou outros animais.

2. Qual é o principal mosquito transmissor da dengue?
É o mosquito Aedes aegypti.

3. É verdade que somente a fêmea do mosquito pica as pessoas?Sim, pois é a fêmea que necessita do sangue em seu organismo para amadurecer seus ovos e assim dar sequência no seu ciclo de vida.

4. Como a pessoa reconhece o mosquito Aedes aegypti?
O Aedes é parecido com o pernilongo comum, e pode ser identificado por algumas características que o diferencia como: corpo escuro e rajado de branco e possui hábito de picar durante o dia.

5. De onde veio o mosquito Aedes aegypti?É originário da África Tropical característico de países com clima tropical e húmido, introduzido nas Américas durante a colonização. Atualmente encontra-se amplamente disseminado nas Américas, Austrália, Ásia e África.

6. Qualquer inseticida mata o mosquito da Dengue?
Sim, porém a aplicação dos inseticidas atua somente sobre a forma adulta do mosquito, surtindo efeito momentâneo com poder residual de pouca duração.

7. Uma pessoa infectada pode passar a doença para outra?
Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções para pessoas sadias. A pessoa também não se contamina por meio de fontes de água, alimento, ou uso de objetos pessoais do doente de dengue.

8. É possível distinguir a picada do Aedes aegypti com a de um mosquito comum?
Não. A sensação de eventual coceira ou incomodo é semelhante à picada de qualquer outro mosquito.

9. Algum outro mosquito é capaz de transmitir a doença?
Sim, o mosquito Aedes albopictus, que também pode ser encontrado em áreas urbanas, também pode transmitir a dengue.

10. Todo Aedes transmite a dengue?
Não, apenas os infectados. O mosquito só transmite a doença se tiver contraído o vírus.

11. Todo mundo que é picado pelo mosquito Aedes aegypti fica doente?
É preciso que o mosquito esteja infectado com o vírus de Dengue. Além disso, muitas pessoas picadas pelo mosquito Aedes aegypti infectado não apresentam sintomas. Outras apresentam sintomas brandos que podem passar despercebidos ou confundidos com gripe, existindo ainda, aquelas que são acometidas de forma acentuada, com sintomatologia exacerbada.

12. Por que foi possível fazer uma vacina para febre amarela e não está sendo possível fazer uma vacina contra dengue?
No caso da Febre Amarela só existe um tipo de vírus. Na dengue, são conhecidos quatro variedades de vírus – chamados den1, den2, den3, e den4. Os quatro tipos já foram registrados no Brasil (sendo que o tipo 4 só na Amazônia). A rigor, uma vacina para um tipo não dará imunização para outro.

Sintomas


1. Quais são os principais sintomas da dengue?
Febre alta, dor de cabeça, principalmente na região ocular, dores nas articulações, músculos e muito cansaço. Também é comum náuseas, falta de apetite, dor abdominal, podendo até ocorrer diarréia e vermelhidão na pele.

2. Em quanto tempo os sintomas aparecem?De três a quinze dias após a picada do mosquito infectado.

3. A pessoa pode estar com a doença e apresentar apenas alguns dos sintomas? Não ter febre, por exemplo?
Sim. A intensidade dos sintomas varia muito de pessoa para pessoa.

4. A pessoa pode confundir a dengue com uma gripe forte? Como saber a diferença?
Sim. A melhor forma de se ter certeza é procurando um médico e eventualmente realizando exames.

5. Quem teve Dengue fica com alguma complicação?
Não. A recuperação costuma ser total. É comum que ocorra durante alguns dias uma sensação de cansaço, que desaparece completamente com o tempo.

Tratamento


1. A partir de que momento deve-se procurar um médico?
A partir dos primeiros sintomas.

2. Qual é o tratamento para a doença?
A pessoa doente deve repousar e ingerir bastante líquido (água, sucos naturais ou chá), evitando qualquer tipo de refrigerante ou sumo artificial. Antitérmicos e analgésicos que contém em sua fórmula, ácido acetilsalicílico, como a aspirina, devem ser evitados.

3. Por que não se deve tomar medicamentos a base de ácido acetilsalicílico como “Aspirina, Melhoral, AAS ?
Porque estes medicamentos tem efeitos anticoagulantes e podem causar sangramentos.

4. Qual é o tempo de cura para dengue?A febre costuma durar de três a oito dias e pode causar pequenas bolhas vermelhas em algumas regiões do corpo, como pés, pernas e axilas. Na maioria das vezes, o doente demora uma semana para ficar bom. Porém, o cansaço e a falta de apetite podem demorar até quinze dias para sumir. A recuperação costuma ser total.

5. Há cuidados especiais com bebês e crianças pequenas?
Nas crianças pequenas a doença assemelha-se mais a uma infecção viral inespecífica, sendo que os sintomas mais frequentes são: febre, vômito e nas que já falam, a dor abdominal. A prostração é menos intensa. Deve-se procurar um médico logo que aparecerem os primeiros sintomas.

6. Quem já teve dengue uma vez pode ser contaminado novamente ou fica imune?Estudos indicam que uma pessoa doente de dengue fica imune para sempre, com relação ao sorotipo que determinou a infecção, além do que, por um período de alguns meses, ela fica protegida para qualquer dos sorotipos de dengue. Passado este tempo, se ela se contaminar por outro tipo de vírus diferente daquele que se contaminou antes poderá ter comprometimento do quadro clínico e desencadear a dengue hemorrágica.

Dengue Hemorrágica


1. Qual é a diferença entre a dengue clássica e a hemorrágica?A clássica é mais branda do que a hemorrágica, que pode até causar a morte do doente.

2. As pessoas que já tiveram dengue uma vez podem desenvolver o tipo hemorrágico?
Sim. Qualquer um dos 4 sorotipos da dengue pode causar dengue hemorrágica. A probabilidade de manifestações hemorrágicas é menor em pessoas infectada pela primeira vez, portanto pessoas que contraem dengue mais de uma vez apresentam maior chance de complicações do quadro clínico, incluindo manifestações hemorrágicas.

3. Por que ela é mais perigosa?
Porque, como o próprio nome diz, causa hemorragia e pode levar à morte.

4. Que tipo de exame identifica a dengue hemorrágica?
Há três exames que podem ser utilizados: a prova do laço, a contagem das plaquetas e a contagem dos glóbulos vermelhos. A prova do laço é um exame de consultório, com uma borrachinha o médico prende a circulação do braço e vê se há pontos vermelhos sob a pele, que indicariam a doença. Os outros testes são feitos por meio de uma amostra de sangue em laboratório.

5. Quais são os sintomas da versão hemorrágica?
A dengue hemorrágica se manifesta de três a cinco dias depois da clássica. A febre reaparece após ter cessado, causando suor, deixando a pele esbranquiçada e as extremidades frias. É comum dor de garganta, queda de pressão, dores no estômago e abaixo das costelas. As hemorragias ocorrem em pequena quantidade. Quando a doença fica ainda mais grave o fígado fica mole e doloroso. As cólicas abdominais e a hemorragia aumentam, atingindo o tubo digestivo e os pulmões.

6. Qual é o tratamento?
Neste caso, a recomendação é aplicação de soro e plasma. Em certos casos há a necessidade de transfusão de sangue.

7. O mesmo mosquito que transmite dengue clássica pode transmitir a hemorrágica?
Sim.

8. Qual a taxa de mortos entre os contaminados?De acordo com as estatísticas a chance de morte no caso da primeira manifestação da dengue clássica é zero. Na dengue hemorrágica a taxa é de aproximadamente 3%.

Precauções com o mosquito


1. O mosquito infectado pode picar e mesmo assim não transmitir a doença?
Sim, de 20% a 50% das pessoas não desenvolvem a doença.

2. Por que algumas pessoas são picadas, mas não ficam doentes?
Por características do sistema imunológico de cada um.

3. É verdade que o mosquito não pica à noite?
A fêmea do Aedes tem hábitos diurnos, não costuma picar à noite.

4. Que outros hábitos o Aedes tem?O mosquito fica onde o homem estiver, e prefere picá-lo a qualquer outra espécie e também gosta de água acumulada para colocar seus ovos.

5. É verdade que o mosquito se reproduz mais rápido no calor? Por quê?
Sim. No calor, o período reprodutivo do mosquito fica mais curto e ele se reproduz com maior velocidade. Isto explica o aumento de casos de dengue no verão.

6. Por que só a fêmea do Aedes aegypti pica?As fêmeas picam depois do acasalamento porque necessitam do sangue que contem proteínas necessárias para que os ovos se desenvolvam.

7. Quanto tempo vive o Aedes?
A fêmea do Aedes vive cerca de 30 a 45 dias e, nesse período, pode contaminar até 300 pessoas.

8. Quantos ovos um mosquito coloca durante sua vida?
Até 450. Descobriu-se que existe a transmissão transovariana, ou seja, que a fêmea, se estiver contaminada, inocula o vírus nos ovos e os mosquitos já nascem com ele. Isso multiplica as chances de propagação.

9. Por que a água acumulada é tão perigosa?
Porque a fêmea deposita seus ovos em locais com água acumulada.

10. Água de piscinas é uma ameaça?
Não se estiver recebendo o tratamento adequado com aplicação de cloro em quantidade correta. Caso contrário será um criadouro de mosquitos.

11. Adianta só tirar a água dos pratinhos que ficam sob os vasos?
Não. Os ovos ficam aderidos às laterais internas dos pratos ou ainda nas laterais externas dos vasos. O ideal é optar por pratos que fiquem bem justos ao vaso e lavá-los com água e sabão, utilizando uma bucha para retirada de possíveis ovos.

12. Ovos ressecados do Aedes também são perigosos?
Sim. Mesmo ressecados, os ovos são perigosos. Eles sobrevivem até 1 (um) ano sem água e, se neste período entrar em contato com água, o ciclo evolutivo recomeça.

12. O repelente funciona? Quantas vezes deve ser aplicado por dia?
Os repelentes possuem ação limitada e não eliminam o mosquito, apenas o mantém distante.

13. O uso de inseticida contra o Aedes pode torná-lo imune ao produto químico utilizado?
Sim, pode.

14. Velas e incensos ajudam a espantar o Aedes?
Velas de citronela ou andiroba têm efeito paliativo. Isto porque o raio de alcance e a duração são restritos.

15. A solução de água sanitária com água limpa nas plantas é eficiente?Não, é necessário substituir bromélias e outras plantas que acumulem água por aquelas que não acumulem água em suas folhas.

16. Aplicar borra de café na água das plantas e sobre a terra ajuda a combater o Aedes?
A eficácia da borra de café na dosagem de duas colheres de sopa para meio copo de água não foi comprovada e a sua utilização não simplifica os cuidados atualmente recomendados que são: a eliminação dos pratos ou a utilização de pratos justos aos vasos, a colocação de areia até as bordas dos pratos ou eliminar a água e lavar os pratos com bucha e sabão semanalmente.

17. Mosquitos podem ser transportados em carros, aviões ou navios?
Sim, desde que haja condições adequadas no meio de transporte.

18. Quanto tempo eles sobreviveriam numa viagem dessas?
Cerca de 10 ou 12 horas nas condições ideais.

19. Qual é a autonomia de vôo do mosquito?O Aedes costuma circular num raio de 50 a 100 metros de distância do local de nascimento.

20. A borrifação de inseticidas mata os ovos ou apenas os mosquitos adultos?
Apenas os mosquitos adultos. Por isso, a borrifação de inseticidas só é eficaz no caso de surtos ou epidemias. Para matar os mosquitos é preciso acabar com os ovos. Caso contrário, outros mosquitos nascerão.

21. Quais são as condições ideais para o mosquito procriar e agir?
A temperatura que o mosquito gosta é de 26 a 28 graus. Qualquer temperatura inferior a 18 graus o torna inoperante. Com 42 graus, ele morre.

22. Como a pessoa infectada transmite o vírus para o mosquito?Durante seis dias ela pode transmitir o vírus para o mosquito. Um dia antes de começar a sentir os sintomas e nos cinco primeiros dias de sintoma. Depois disso, não infecta mais o mosquito.


Leia mais: http://www.combateadengue.com.br/perguntas-frequentes/#ixzz28H0UFrsP



terça-feira, 25 de setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Solução de problemas como cultura



A filosofia lean procura continuamente estabelecer padrões, expor problemas e resolve-los rapidamente. Dessa forma, garantir sua estabilidade dos processos e trabalhar para que obstáculos sejam eliminados em direção a estados futuros continuamente melhores sob a óptica dos clientes.
Um dos elementos fundamentais, portanto, é a capacidade e o conhecimento necessários para resolver problemas, os quais se tornam itens centrais na competitividade da empresa.
Para isso, precisam ser criados mecanismos que permitam que os problemas sejam visíveis e que todos na empresa estejam engajados em sua resolução. Além disso, é necessário transformar a visão de que problemas são ruins para um entendimento de que eles são tesouros e oportunidades de desenvolvimento e aprendizado.
Aqui, estamos tratando tanto de problemas sistêmicos relacionados às necessidades e aos objetivos do negócio como a formulação e o desdobramento da estratégia, passando por problemas nos processos - quer sejam os primários de agregação de valor quer sejam os de suporte, como, por exemplo, o processo de desenvolvimento de produtos ou a logística interna - até chegarmos à cada atividade ou etapa individual, como reparos em uma máquina ou redução de defeitos.
De modo geral, há poucos problemas bem amplos, há alguns problemas de tamanho médio e muitos problemas de pequena amplitude. Problemas complexos podem eventualmente requerer mais tempo e análise, e podem ser alocados para especialistas.
Há duas dimensões relativas à solução de problemas: uma de natureza técnica e outra de natureza cultural. Embora os métodos de análise e solução de problemas sejam conhecidos há décadas, e muitas empresas despenderam consideráveis somas de recursos para treinar boa parte de seu pessoal, notamos que ainda há muito a amadurecer, no sentido de introjetar esse método no dia-a-dia das empresas e torná-lo parte da cultura da empresa.
Mas como evoluem o pensamento, a atitude e as práticas de solução de problemas nas empresas? Há uma maneira lean de resolver problemas, distinta do que existe nas empresas tradicionais?
Baseado em nossa experiência ao lidar com isso em uma variedade de contextos, sectores, tipos e tamanhos de empresas, identificamos uma evolução frequentemente encontrada no aprendizado e no pensamento das empresas com relação à solução de problemas.

Fase de inconsciência. Tipicamente presente em empresas, onde não há conhecimento e utilização das práticas e ferramentas lean, nem mesmo das básicas, ferramentas da qualidade, quando há uma generalizada indiferença ou inconsciência sobre os problemas. Não se sabe de sua existência e, em momentos em que essa consciência existente, não se faz nada a não ser apagar incêndios precipitadamente quando há alguma ameaça séria à operação.

Fase de conscientização. Os esforços iniciais de padronização combinados a uma maior visualização trazem maior consciência da existência de problemas. Mas ainda pode não haver senso de urgência; a capacitação e a qualificação das pessoas podem não estar adequadas; assim como a atitude de esconder problemas pode continuar a prevalecer, ao se julgar que problemas são ruins e, quando estes surgem, ao buscar os culpados, em vez de buscar suas causas raízes. E alguns gestores podem até ficar irados com a existência de problemas, que parece incomodar e gerar comportamentos negativos como raiva e desolação.

Fase inicial de utilização do método científico. Nesta etapa, as primeiras experiências, mesmo usando o A3 e o método científico, ainda são superficiais. Do ponto de vista técnico, não há entendimento claro do problema, não há uma busca sistemática pela causa raiz, pula-se rapidamente para as soluções a partir de idéias simplistas e, muitas vezes, pré-concebidas.
E do ponto de vista da cultura, expor problemas ainda não é natural, o que faz com que eles acumulem e apareçam tarde demais, quando já se avolumaram.
Às vezes, existem grupos de melhoria usando formalmente os passos do método de solução de problemas, mas de forma burocrática, e atacando problemas recorrentes, pois os esforços de padronização e estabilização não chegam até os detalhes de como as pessoas realizam o trabalho e como os processos se integram sistemicamente.
Relatórios A3, se utilizados, são superficiais, mesmo porque os líderes que deveriam ser os mentores pouco conhecem e não sabem usar o método adequadamente. Em alguns casos, a solução de problemas continua sendo delegada a especialistas.
As pessoas se sentem frustradas, pois apesar dos esforços, os problemas continuam não sendo resolvidos adequadamente.

Fase de maturidade. Nesta etapa, tende a haver um reconhecimento de que o problema é não ter problema. Quando isso acontece, a visão dos problemas e da sua solução passa a ser um elemento da cultura. Sistemas revistos possibilitam fluxos estabilizados. O trabalho padronizado especifica claramente cada atividade, seu ritmo, e como identificar variações. Sistemas de gestão visual possibilitam a identificação imediata de variações do realizado x objetivos, seja no nível de uma célula de produção, seja no nível estratégico. A cada problema detectado, uma cadeia de ajuda é acionada e inicia-se a solução de problemas com o método científico.
Antes de pular para a solução, em quaisquer circunstâncias, há um esforço para entender a situação atual claramente, identificando a lacuna entre o desempenho atual e o desejado, com base em itens mensuráveis e observáveis de dados e fatos, indo ao gemba, identificando diretamente no local onde as coisas acontecem e dialogando com as pessoas envolvidas diretamente.
A definição de metas, a busca pela causa raiz, a criação de múltiplas alternativas (discutindo-as e comparando-as), a definição da melhor alternativa (considerada uma hipótese de solução), o planejamento das ações, a implementação, a verificação dos resultados e, finalmente, a padronização (em caso de sucesso) ou o retorno (em caso de fracasso) - revisando o entendimento da situação, as metas, a análise das causas raízes, os planos - passam a fazer parte do modelo mental das empresas, para temas simples e complexos.
A fase de inconsciência, em geral, ocorre em empresas com problemas básicos de gerência e organização, refletidos normalmente em baixo desempenho de entrega, custos etc. A fase de conscientização possibilita o início de mudança, mas se não evoluir rapidamente regride para a fase de inconsciência. A fase inicial de uso do método científico tem como armadilha perdurar por muitos anos, estagnada, e muitas empresas com sofisticados processos corporativos de melhoria contínua ou com transformações lean iniciais ainda encontram dificuldades para evoluir além desta fase. A fase de maturidade só é conseguida quando a transformação lean passa a ser estratégica e liderada pela alta direção.
Maneira lean de solução de problemas
Idéias
Assim, todos são envolvidos na solução de problemas, com ou sem o uso do processo formal de elaboração do A3, e a exposição e resolução de problemas de forma científica torna-se parte da cultura. Mas se a liderança, a partir da direção, não estiver engajada como aqueles que ensinam aos colaboradores os métodos científicos, estes terão pouca sustentação.
Por isso que Jim Womack, em um dos capítulos de seu novo livro, "Caminhadas pelo Gemba - Gemba Walks", diz que a gestão lean contrasta com a gestão tradicional por sugerir: "vá devagar para ir rápido". O método científico pode levar a decisões tomadas com mais tempo, mas, ao mesmo tempo, a sua eficácia será muito maior, evitando retrabalhos e retrabalhos, que se tornarão, em última instância, a decisão mais lenta ("vá rápido para ir devagar"). A liderança, então, passa a preferir profundidade e rigor ao invés de simplesmente demandar rapidez.
Assim, qual é o trabalho dos gerentes? Uma de suas tarefas principais é a de criar as condições para que a cultura da solução científica de problemas seja disseminada amplamente na empresa, sendo ele próprio o mentor de seus colaboradores diretos, os quais,por sua vez, farão o mesmo com os seus colaboradores.
Gerentes lean não delegam a solução de problemas. Envolvem-se diretamente, mas não para dar a resposta, e sim para garantir que as pessoas sigam esse método mental. E como decorrência, desenvolver a capacidade e a iniciativa das pessoas.
Quando a exposição e a solução de problemas estiverem inseridas em seu DNA, poderemos dizer que a empresa está bem avançada em sua transformação lean.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Localização da cicatriz Ligamentoplastia LCA


Ligamentoplastia do LCA

O objectivo da reconstrução intra-articular é substituir o LCA lesado por outra estrutura que possua características biomecânicas semelhantes ou superiores às do ligamento original, tentando imitar a sua posição original. Os enxertos biológicos disponíveis podem ser de dois tipos: autólogos e homólogos.

Enxertos Autólogos

Os enxertos autólogos mais utilizados na actualidade são: o terço médio do tendão rotuliano, os tendões dos músculos isquiotibiais (tendões flexores: semitendinoso e grácil) e o tendão do quadricípete.

§  Tendão Rotuliano

A grande maioria dos ortopedistas envolvidos com a cirurgia do joelho dá preferência à utilização do enxerto retirado do terço central do tendão rotuliano (do mesmo joelho a ser operado) com 8 a 11 mm de largura, junto com um fragmento ósseo de 20 a 25 mm de comprimento, da rótula e da tuberosidade anterior da tíbia.




 Figura 1:  Técnica de enxerto utilizando o tendão rotuliano.

A cirurgia consiste na utilização de um fio guia que passa através da cortical medial do terço superior da tíbia, em direcção ao ponto isométrico da inserção do ligamento cruzado anterior. Quando o guia está correctamente direccionado, é feita a perfuração com uma broca formando um túnel tibial (este mesmo processo realiza-se na perfuração no fémur). Nos fragmentos ósseos são colocadas amarras de aço que servirão como sistema de fixação do enxerto através dos túneis perfurados. Após a colocação do enxerto na posição correcta é realizada a fixação ao fémur e à tíbia com as amarras de aço e os parafusos. Dando a eles, o máximo de tensão possível, com o joelho a 30 graus de flexão e a perna em rotação lateral .


Figura 2: Reconstrução do LCA, onde se vê a perfuração entre a tíbia e o fémur, para colocação do enxerto.


A sua vantagem é possibilitar uma fixação mais rígida, através de parafusos de interferência, onde a incorporação se dá através da consolidação dos fragmentos ósseos do enxerto com o tecido ósseo dos túneis femural e tibial. Além disso proporciona um menor tempo para a recuperação e o retorno às actividades físicas mais rapidamente. As suas desvantagens referem-se principalmente à morbilidade da área doadora e enfraquecimento, pelo menos temporário, do tendão rotuliano. Está indicado para adultos jovens, principalmente do sexo masculino, com participação em desportos que solicitem grande exigência física. A recuperação depende também de um acompanhamento fisioterapêutico, logo após a cirurgia, para que não se tenha nenhuma sequela.



§  Tendões Flexores

Os tendões dos músculos semitendinoso e grácil (gracilis) têm vindo a ser utilizados com maior frequência que no passado, por apresentar uma morbilidade menor em relação à área doadora e um resultado estético melhor. A sua resistência é semelhante ou superior à do tendão rotuliano e os resultados obtidos com os dois enxertos são muito parecidos. Podemos empregar apenas o tendão do semitendinoso dobrado em três (triplo semitendinoso) ou os dois tendões dobrados em dois (enxerto quadruplo). As extremidades distal e proximal dos tendões são suturadas com fios inabsorvíveis resistentes imitando a costura de uma bola de baseball e esses fios servem como guias para o enxerto e podem ser utilizados para fixá-lo ao osso.


Figura 3:   Enxertos dos tendões flexores para reconstrução do LCA.




Figura 4: Localização da cicatriz

A sua incorporação ocorre de maneira mais lenta e diferente da do tendão rotuliano. A cicatrização ocorre entre tecido mole e tecido ósseo do túnel, inicia-se em 6 semanas e após 30 a 52 semanas apresenta estrutura histológica semelhante à da inserção original do LCA. Existem inúmeros métodos de fixação desses enxertos aos túneis ósseos, como fios inabsorvíveis amarrados em parafusos e arruelas, parafusos de interferência de partes moles, pequenas placas (EndobuttonTM), parafusos transósseos, etc. Cada método apresenta suas vantagens e desvantagens e geralmente tem um custo elevado. Está indicado para adolescentes com a placa de crescimento aberta, mulheres, adultos mais idosos e pacientes envolvidos em actividades desportivas de baixa exigência física.

§  Tendão do Quadricípete

O enxerto retirado do tendão quadricipital é uma boa alternativa para as cirurgias de reconstrução de múltiplos ligamentos e nas cirurgias de revisão. Ele é retirado do tendão do recto anterior e vasto intermédio, juntamente com um fragmento ósseo de 20 a 25 mm da rótula. Cuidado especial deve ser tomado na sua extracção para não se abrir a bolsa suprapatelar, que se ocorrer pode permitir extravasamento do líquido de infusão da artroscopia, dificultando sua realização. A fixação da extremidade óssea é semelhante à empregada para fixação do tendão rotuliano, e a extremidade tendinosa deve ser suturada como no caso dos tendões flexores e os fios amarrados em parafuso cortical com arruela, ou fixada com parafuso de interferência de partes moles ou absorvível. Os defensores da sua utilização rotineira afirmam que sua inserção na rótula é mais resistente que a do tendão rotuliano, por se fazer em toda espessura do bloco ósseo e não apenas na superfície anterior da rótula.




Figura 5 Localização da cicatriz tendão quadricipital(OTO).

Enxertos Homólogos:

Os enxertos biológicos homólogos, obtidos de cadáveres humanos, ainda são pouco utilizados hoje em dia, devido à baixa disponibilidade e ao custo elevado do seu processamento. É mais utilizado nos EUA, principalmente nas cirurgias para lesões ligamentares múltiplas ou nas cirurgias de revisão. Não necessita de incisões para obtenção do enxerto, evitando desta forma a morbilidade da área doadora, encurtando o tempo cirúrgico e diminuindo a dor pós-operatória, mas apresentam um potencial de resposta imunogénica e de transmissão de doenças, embora baixo. Os enxertos homólogos mais utilizados são o tendão rotuliano, o tendão de Aquiles, os tendões flexores (semitendinoso e grácil) e os tendões tibial anterior e posterior. Os métodos de esterilização e preservação empregados no seu processamento podem alterar as suas propriedades estruturais e biomecânicas. Alguns estudos mostram que a sua incorporação e remodelação são mais lentas que as do enxerto autólogo, mas acaba por revascularizar, tornando-se viável. Estudos clínicos com seguimento de 3 a 5 anos revelaram diferenças mínimas entre o enxerto homólogo e o autólogo.

sábado, 7 de julho de 2012

Estudo prospectivo e comparativo entre o tratamento conservador e o cirúrgico (reparo do ligamento femoropatelar medial) nas luxações agudas de patela





Gilberto Luis CamanhoI; Alexandre de Christo ViegasII; Alexandre Carneiro BitarIII; Marco Kawamura DemangeIII; Arnaldo José HernandezIV
IProfessor Livre-Docente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 
IIMestre em Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 
IIIPós-graduando do Departamento de Ortopedia e Traumatologia -FMUSP 
IVProfessor Livre-Docente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo





RESUMO
Foram avaliados dois grupos de pacientes com o primeiro episódio de luxação aguda femoropatelar traumática e acompanhados prospectivamente em relação às recidivas e aos fatores predisponentes à luxação. No Grupo I, 17 pacientes com média de idade de 24,6 anos, sendo 11 do sexo feminino, foram submetidos ao reparo do ligamento femoropatelar medial com menos de um mês de trauma. O tempo médio de seguimento foi de 40,4 meses e o mínimo de 18 meses. Como resultados, não houve nenhuma recidiva da luxação,houve dois episódios de subluxação . Nove pacientes apresentavam fatores predisponentes à luxação. No Grupo II, 15 pacientes com média de idade de 26,8 anos, sendo oito do sexo feminino, foram submetidos ao tratamento conservador com média de 18,5 dias de imobilização. O tempo de seguimento médio foi de 35,7 meses e o mínimo de 11 meses. Oito joelhos tiveram recidiva da luxação, apenas dois joelhos foram considerados estáveis . Neste grupo, 14 pacientes apresentavam fatores predisponentes. 
Concluímos que o tratamento cirúrgico das luxações agudas femoropatelares traumáticas apresenta resultados superiores quanto à recidiva em relação ao tratamento conservador no período estudado. A presença de fatores predisponentes em nossa série de pacientes não influenciou as recidivas das luxações femoropatelares.

Descritores: Joelho; Luxação Patela; Aguda



INTRODUÇÃO
A patologia femoropatelar está entre as mais comuns na prática do ortopedista geral e do especialista em joelho, acometendo principalmente adolescentes e adultos jovens(1) . Didaticamente dividimos as afecções femoropatelares em dois grandes grupos: a Síndrome dolorosa clínica e as Instabilidades patelares .O enfoque de nosso estudo foram as luxações agudas traumáticas da patela , evento pouco freqüente, porém muitas vezes subdiagnosticado, que ocorre em conseqüência de traumas resultantes de uma associação de movimentos rotacionais com graus variáveis de flexão do joelho.
A história clínica com o relato do trauma, o falseio com dor e a hemartrose é comum à maioria das lesões agudas de joelho, nas quais o exame clínico é difícil pela presença de dor e do espasmo da musculatura, que impedem uma adequada movimentação da articulação que possibilitaria um diagnóstico clínico preciso.
Hughston e Walsh(2) relatam que a luxação femoropatelar aguda é a causa mais freqüente de erro no diagnóstico da avaliação do joelho agudo. Os autores citam a alta freqüência de luxações agudas da patela que não são diagnosticadas em pacientes atletas jovens do sexo masculino.
O tratamento é ainda controverso na literatura; reconstrução, reparo imediato e tratamento conservador são condutas discutidas.
Warren e Marshall(3) descreveram o ligamento femoropatelar medial (LFPM). O conhecimento anatômico e a compreensão da importância biomecânica deste ligamento a partir de estudos da década de 90(4,5,6,7) levaram autores a propor sua reparação e/ou reconstrução, obtendo resultados melhores e mais uniformes com o tratamento cirúrgico da luxação aguda da patela. No entanto, nota-se a escassez de estudos controlados e comparativos.
O objetivo deste trabalho é estudar os resultados, quanto ao controle da recidiva das luxações, do reparo imediato do ligamento femoropatelar medial como procedimento isolado nas luxações femoropatelares agudas, comparando-os com os do tratamento conservador.

MATERIAL E MÉTODOS
Foram estudados, prospectivamente, dois grupos de pacientes. Os critérios de inclusão foram: a) primeiro episódio de luxação femoropatelar; b) história considerada traumática; c) necessidade de manobra de redução ; d) tempo de seguimento mínimo de 18 meses da primeira luxação ou episódio de recidiva durante o acompanhamento; e) ausência de fratura às radiografias de frente e perfil do joelho e axial da patela; f) ausência de lesão ligamentar do joelho ; g) alguma cirurgia prévia nesse joelho.
Foram acompanhados dois grupos distintos a partir de 2000 até maio de 2005. O Grupo I , de tratamento cirúrgico e o Grupo II, no qual foi instituído o tratamento conservador.
Para analisarmos a ocorrência ou não de fatores predisponentes utilizamos dois critérios:
1-critério clínico- questionamos os pacientes sobre a ocorrência de sintomas que sugerissem instabilidade femoropatelar, como falseio e queixas à desaceleração, previamente ao episódio de luxação.
2-critério radiográfico- analisamos os critérios radiográficos descritos no clássico estudo de Dejour et al.(8) através das radiografias de perfil e axial da patela, ambas a 30 graus de flexão do joelho : a displasia troclear (cross sign –"sinal do cruzamento" , profundidade da tróclea femoral , e "throclea bump" (bico da tróclea) e a patela alta, segundo o método de Caton e Deschamps.
Consideramos com fatores predisponentes os pacientes que apresentassem ou o critério clínico ou qualquer um dos critérios radiográficos presentes.
O Grupo I apresentava 17 pacientes, sendo 11 do sexo feminino, que sofreram o primeiro episódio de luxação femoropatelar aguda e foram tratados com o reparo imediato do ligamento femoropatelar medial. Todos esses pacientes fizeram ressonância nuclear magnética (RNM) para diagnóstico da extensão das lesões provocadas pela luxação e estudo das condições predisponentes à luxação. Uma vez confirmado o diagnóstico e constatada a extensão da lesão pela RNM, os pacientes foram encaminhados para reparo do ligamento femoropatelar medial (LFPM). Todos os pacientes foram operados pelo mesmo cirurgião (1º. autor) antes que completassem um mês do trauma que determinou a luxação. (Tabela 1)


A média das idades dos pacientes do Grupo I foi de 24,6 anos, sendo que a faixa etária mais acometida foi a entre 10 e 20 anos com nove pacientes.
O lado esquerdo foi o acometido em nove pacientes.
Tivemos nove pacientes que foram considerados com fatores predisponentes.
A RNM permitiu o diagnóstico da lesão e das alterações estruturais da patela e dos côndilos femorais (Figura 1). Em cinco casos havia fratura por arrancamento da margem medial da patela e em nove , lesão condral do côndilo femoral lateral.


Nove pacientes apresentaram lesão do LFPM próxima à patela, dos quais em três a lesão tinha caráter difuso; oito pacientes tiveram lesão na inserção femoral do LFPM, sendo que em três a lesão tinha caráter difuso. Desta maneira seis pacientes tinham lesão difusa do LFPM ,embora claramente localizada preferencialmente próxima a patela ou próxima ao fêmur .
Após o reparo do ligamento os pacientes foram mantidos em imobilizadores removíveis por três semanas. Foram avaliados duas vezes por semana , e na ocasião da avaliação, movimentos de flexo-extensão passiva eram realizados repetidas vezes pelo ortopedista.O programa de reabilitação iniciou-se na quarta semana e concluiu-se quando os pacientes estavam reabilitados para a atividade que antecedeu à luxação femoropatelar.O tempo médio de reabilitação foi de 104 dias.
Tivemos uma média de 40,4 meses de tempo de seguimento no material estudado. Neste período os pacientes foram examinados pelo menos uma vez a cada seis meses ,ocasião na qual avaliávamos o estado de seus joelhos e questionávamos sobre a ocorrência de recidivas das luxações .
O grupo II apresentava 15 pacientes tratados conservadoramente. A partir de 2000, foram atendidos 23 pacientes com diagnóstico de luxação aguda da patela na unidade de urgência deste Instituto. Desses, oito não foram localizados e/ou se perderam durante o acompanhamento. Os 15 pacientes restantes, após avaliação radiográfica de seus fatores predisponentes, foram acompanhados e submetidos a pelo menos duas semanas de imobilização inguinomaleolar ( talas ) com média de 18,5 dias (nove por 21 dias, quatro com 14 dias , um com 30 e um com 35 dias) . Também foram submetidos a acompanhamento fisioterápico posteriormente. (Tabela 2)


A média das idades dos pacientes foi de 26,8 anos (12 a 74), sendo que a faixa etária mais acometida foi a entre 10 e 20 anos ( 10 pacientes).
O lado esquerdo foi o mais acometido, em 11 pacientes (01 bilateral). Oito eram do sexo feminino.
Quatorze joelhos de 13 pacientes apresentavam fatores predisponentes nesse grupo.
Quanto à avaliação dos resultados, dividimos os joelhos em relação à instabilidade femoropatelar em três tipos de situações distintas:
1-Recidiva das luxações femoropatelares (perda total da congruência entre a patela e a tróclea);
2-Instável, quando o paciente apresentava Teste da Apreensão + ( 9 ) ou referia subluxação sem, no entanto, apresentar recidivas.
3-Estáveis: os joelhos dos pacientes que não apresentavam Teste de apreensão positivo e nem tampouco referiam episódios de subluxação.
Os grupos foram considerados paramétricos em relação à idade e semelhantes em relação ao sexo, lado, idade da 1ª luxação . Utilizamos o teste estatístico de Qui-quadrado, sendo considerado estatisticamente significante se p < 0,05.
O estudo foi aprovado pela Comissão Científica do IOT e de Ética e HC-FMUSP.

RESULTADOS
GRUPO I
Todos os pacientes submeteram-se à artroscopia do joelho o que permitiu constatarmos em seis casos fratura osteocondral da patela que comprometia o osso subcondral, não visualizada claramente pela RNM .
As lesões próximas à patela foram suturadas por via artroscópica (Figura 2) e as lesões no fêmur foram reinseridas com âncoras fixadas no epicôndilo femoral. (Figura 3).




Os pacientes foram avaliados por um período médio de 40,4 meses, sendo 18 meses o menor tempo de avaliação em dois casos e 60 meses o maior .
Avaliamos para o presente trabalho apenas a ocorrência de recidivas.
Nenhum paciente apresentou recidiva de luxação femoropatelar no período avaliado; porém, dois (11,75%) pacientes relataram episódios de subluxação, sendo considerados instáveis.
No tempo médio de 104 dias, os pacientes retornaram às suas atividades habituais. Não ocorreram complicações na presente série.
GRUPO II
Os pacientes submetidos a tratamento conservador foram acompanhados cliicamente e avaliados quanto a sintomas que demonstrassem instabilidade da articulação femoropatelar. Oito joelhos apresentaram recidiva da luxação femoropatelar, dos sete restantes, apenas dois encontravam-se estáveis, já que cinco apresentavam Teste da Apreensão positivo e/ou queixas claras de subluxações .
Em 14 joelhos foi identificado pelo menos um fator predisponente. Desses, sete apresentaram recidivas de luxação (50%); porém, dos 07 restantes em que não se evidenciaram recidivas, apenas um foi considerado estável, já que cinco apresentavam apreensão + e subluxações e um apenas apreensão + , sem no entanto, relatarem subluxações.
Dentre os dois joelhos que não apresentavam fatores predisponentes, um paciente (um joelho) relatou vários episódios de recidiva (50%).
Em relação ao lado contra-lateral, dez pacientes apresentavam joelhos contralaterais assintomáticos, dois com instabilidade atraumática, dois traumática (01 porém com menos de 18 meses de seguimento e sem novas luxações, apesar de subluxações) e apenas um com sintomas dolorosos. (Tabela 3).


DISCUSSÃO
Em relação à nossa casuística consideramos 32 pacientes um número suficiente para comparar com os resultados da literatura, já que se trata de patologia rara com poucos relatos de incidência, sendo muitas vezes as luxações de patela subdiagnosticadas. À exceção de casuísticas maiores como os estudos de Mäenpää e Lehto(10) e Cash e Hughston(11), ambos com 100 pacientes, e o estudo de Garth et al.(12 )com 58 pacientes, a maioria dos trabalhos de luxação aguda de patela apresentam casuística inferior a 30 pacientes.
A média de idade de nossa casuística ( 24,6 para o Grupo I e 26,86 anos para o Grupo II) foi um pouco superior às médias encontradas na literatura, como nos mostram os estudos de Cash e Hughston(11) em 1996 , Garth et al.(12) e Atkin et al.(13), ambos em 2000, com médias de idade de 21,7, 15,8 e 19,9 anos, respectivamente. Atribuímos a isso o fato de apresentarmos em nossa casuística três pacientes com idade acima de 60 anos no grupo I e dois pacientes no Grupo II. A análise específica destes pacientes demonstrou que os cinco luxaram suas rótulas em episódios claramente traumáticos durante a prática esportiva ou em acidentes automobilísticos.
A leve predominância do sexo feminino em nossa série contrasta com alguns estudos como o de Cash e Hughston(11), Garth et al.(12) e Atkin et al.(13) que descrevem uma incidência maior do evento em homens, devido maior exposição ao trauma. Contudo vai de encontro a outros como o de Hughston(1), Cofield e Bryan (14) Ellera Gomes(15) em que os autores relatam uma maior incidência dessas lesões em mulheres.
Quando analisamos os fatores predisponentes e de risco de recidiva às luxações , segundo Garth et al.(12) as mulheres apresentam maior incidência de bilateralidade e hipermobilidade patelar; porém, o sexo não teve influência em seus resultados.
Analisando nosso material, verificamos que a recidiva ocorreu em aproximadamente metade das vezes nas mulheres (04/08) e metade nos homens (04/07) no Grupo II; porém, quando analisamos os pacientes sem recidiva, mas com instabilidade femoropatelar, a maioria era do sexo feminino (04 mulheres e 01 homem) e dos dois joelhos considerados estáveis ambos eram em pacientes do sexo masculino.
Em relação aos fatores predisponentes, autores acreditam que existam alterações anatômicas que estão relacionadas com recidivas após a luxação aguda da patela. Essas alterações podem ser clínicas, como sugerem a maioria dos autores, como Hughston(1) e Basset(16) ou radiológicas, como sugerem alguns estudos da escola francesa. Hughston inclusive considera que não há luxação se não houver fator predisponente. Dejour et al.(8) relatam que fatores predisponentes como o joelho valgo, as displasias da tróclea femoral, os desequilíbrios do aparelho extensor de diversas etiologias favorecem a ocorrência da luxação femoropatelar aguda. Os autores também determinam como fatores predisponentes radiológicos e radiográficos: medidas da TA-GT (Tuberosidade Anterior da Tíbia à "garganta" da tróclea) acima de 20mm; a Displasia Troclear, com parâmetros qualitativos ("cross sign") e quantitativos (Troclea "bump" com mais de 3mm e profundidade da tróclea de 4 mm ou menos) ; Displasia do Quadríceps com Tilt patelar em extensão maior que 20 graus à Tomografia (TC) e por fim, patela alta pelo índice de Caton e Deschamps maior que 1,2.
Outros como Cofield e Bryan(14) valorizam a presença de fraturas osteocondrais patelares ou femorais se as mesmas não tiverem sido tratadas cirurgicamente.
Ellera Gomes(15 ), por sua vez, ressalta a importância do fator traumático como causa principal de luxação aguda da patela, referindo que, em média, apenas 10% dos pacientes com luxação recidivante da patela citados na literatura foram operados bilateralmente e vários destes fatores predisponentes estão presentes em um único paciente. Em nossa série apenas um paciente possuía os dois joelhos com luxação aguda traumática e com tempo de seguimento mínimo de 18 meses; porém, outros dois pacientes apresentavam joelho contralateral com histórias de luxações atraumáticas e um paciente com luxação traumática com tempo de seguimento insuficiente.
Por fim , Larsen e Lauridsen(17) não encontraram fatores displásicos responsáveis por recidivas em luxações agudas da patela e concluíram que tais fatores não podem ser usados para prever o desenvolvimento dos sintomas de instabilidade. No entanto, sugerem que a idade menor que 20 anos está relacionada com a maior tendência a recidivas. Ahmad et al.(18) também corroboram que os fatores predisponentes à luxação não são importantes.
Mais de 50% dos 17 pacientes do grupo I e 87,5% (14 dos 16 joelhos) apresentavam pelo menos um fator predisponente à luxação. Acreditamos que a presença de valgismo, das displasias trocleares descritas por Dejour et al.(8) e a patela alta têm grande influência na ocorrência da luxação aguda da patela; porém, oito dos nossos pacientes do grupo I e apenas dois pacientes do Grupo II não tinham nenhum sinal clínico ou radiográfico que pudesse ser considerado como fator predisponente .
A correção simultânea dos fatores predisponentes associada à reconstrução do LFPM não foi feita em nenhum caso, como sugere Arendt et al.(19).
O tratamento conservador da luxação femoropatelar aguda da patela leva a alta percentagem de recidiva. Cofield e Bryan(14) já em 1977 relatam que 50% dos pacientes tiveram recidivas da luxação com o tratamento conservador.
Cash e Hughston(11) opõem-se à literatura indicando cirurgias apenas nos casos de anormalidades congênitas, já que o índice de recidiva com o tratamento conservador foi de 43% com apenas 52% de resultados bons ou excelentes, enquanto o grupo sem alterações contra-laterais apresenta recidiva de 20 % ao tratamento conservador com 75% de resultados excelentes ou bons. Relatam que nos casos em que a cápsula medial foi reparada, não apresentaram nenhuma recidiva.
Mäenpää e Lehto(10) em estudo com 100 pacientes analisaram o tratamento conservador das luxações agudas com três técnicas distintas de tratamento não-cirúrgico com aproximadamente 40 % de recorrência e 60 % de resultados insatisfatórios .
Por fim, Atkin et al.(13) após tratamento conservador padronizado, apresentam como resultados que 58% dos pacientes, em seis meses de trauma, apresentaram limitações a esportes pesados.
Embora o assunto ainda seja polêmico, há trabalhos clássicos na literatura evidenciando que o tratamento cirúrgico leva a resultados melhores em relação à recidiva.
Os primeiros a descrever sua série de casos foram Boring e O'Donoghue(20) que relatando sua experiência com tratamento cirúrgico da luxação femoropatelar aguda em 17 pacientes. Em nove pacientes associaram ao reparo da cápsula medial a medialização do tendão patelar ,e nos restantes fizeram apenas o reparo da cápsula medial. Em todos os 17 casos não houve recidiva da luxação.
Com os estudos anatômicos e biomecânicos do LFPM houve uma clara tendência dos autores a tratar a luxação femoropatelar aguda pela reparação do LFPM.
Kaplan(21) foi quem primeiro descreveu o ligamento femoropatelar medial, embora não o tenha denominado assim. A partir do estudo pioneiro de Warren e Marshall(3) que descreveram a anatomia capsuloligamentar medial do joelho, dividindo-a em três camadas, uma maior ênfase tem sido atribuída ao ligamento femoropatelar medial; porém, os estudos de tal ligamento ganharam impulso nas décadas de 90.
Feller et al.(4) e Boden et al.(5) referem a importância do LFPM na propriocepção da musculatura ao seu redor. Através de estudos biomecânicos, Conlan et al.(6), Desio et al.(7), Tuxoe et al.(22), Sandmeier et al.(23) e Amis et al.(24) concluem que o LFPM responde por aproximadamente 50 a 70 % do total da restrição lateral, sendo, portanto, o estabilizador medial primário da patela.
Yamamoto(25) descreveu a reparação artroscópica da cápsula e do retináculo medial do joelho, associada à liberação do retináculo lateral em 30 casos de luxação aguda da patela; relatou ter obtido resultados satisfatórios em todos os casos, exceto em um, no qual houve luxação traumática, e enfatizou a segurança do método e o benefício causado pela restauração anatômica dos defeitos provocados pela luxação da patela.
Em relação aos resultados do tratamento cirúrgico, encontramos escassos trabalhos controlados na literatura . O único trabalho prospectivo e randomizado é o de Nikku et al.(26) que relatam que o tratamento cirúrgico não é melhor que o conservador.
Sallay et al.(27), por sua vez, apresentam também taxa de 58% de bons e excelentes resultados segundo score (pontuação) de Lysholm e retorno às atividades esportivas prévias .
Ahmad et al.(18) realizaram liberação do retináculo lateral do joelho através de artroscopia, seguida de reparo do ligamento femoropatelar medial e do avanço do músculo vasto medial oblíquo para a região do tendão do m. adutor magno, não relatando nenhum caso de recidiva. Utilizam Score de Kujala e apresentam índices de satisfação e retorno ao esporte do paciente de 96 e 86% , respectivamente.
Em nosso meio, Ellera-Gomes et al.(15) publicam em 1992 a técnica para reforço desse ligamento através da utilização de ligamento artificial associada à técnica artroscópica para tratamento de lesões associadas.
Aikanen et al.(28), em 1993, propõem a reconstrução do LFPM com a tenodese dos oito cm distais do tendão do m. adutor magno; já que consideram que a maioria das lesões ocorrem no lado femoral (epicôndilo). Analisam 14 joelhos com 12 resultados bons e dois moderados.
Em 2001 Camanho e Viegas(29) iniciaram linha de pesquisa em que se estudaram , em cadáveres, a anatomia e os aspectos biomecanicos do Ligamento PateloFemoral Medial .
Arendt et al.(19) acreditam que o ligamento se consolida alongado e que o mesmo necessita ser retensionado , à exceção dos casos com lesão multifocal.
Por fim, Ellera-Gomes et al.( 30) concluem em 2004 que a reconstrução do LFPM melhora os mecanismos de instabilidade femoropatelar, previne a insegurança , a deterioração gradual da articulação e a dor durante a luxação em no mínimo cinco anos de seguimento .
A maioria dos autores descrevem a lesão aguda do LFPM no epicôndilo femoral como muito mais freqüente; no nosso material, as lesões ocorreram metade na patela e metade no côndilo femoral .
Acreditamos que a associação da análise da lesão por RNM e por artroscopia em nossos casos permitiu um diagnóstico mais freqüente das lesões próximas à patela.
A ocorrência de lesões ligamentares difusas em 1/3 dos casos, sugeriu que devêssemos reconstruir o LFPM com algum tipo de enxerto, porém nesta série não fizemos nenhuma reconstrução e não tivemos nenhuma recidiva neste grupo de 6 pacientes, apesar de duas subluxações.
Não houve recidiva da luxação em nenhum dos nossos pacientes.O mesmo relato de resultados foi feito pelos autores de trabalhos clássicos, como Cash e Hughston(11) e Boring e O'Donoghue(20) quando se referem aos casos nos quais trataram cirurgicamente a luxação femoro patelar aguda.
Os autores como Ahmad et al.(18) ,Sallay et al.(27) ,Boden et al.(5) que estudaram os resultados do reparo isolado do LFPM no tratamento da luxação femoropatelar aguda também não tiveram casos com recidiva da luxação .
CONCLUSÃO
1-O tratamento cirúrgico das luxações agudas femoropatelares traumáticas apresenta resultados superiores quanto à recidiva em relação ao tratamento conservador no período analisado.
2-A presença de fatores predisponentes não influenciou na recidiva das luxações femoropatelares.

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 Endereço para correspondência 
Rua Ovídio Pires de Campos, 333 
Chefia do Corpo Clínico do IOT – sala A 327

Trabalho recebido em: 08/07/05 aprovado em 27/09/05


Trabalho realizado no Departamento e Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo e no Instituto Ortopédico Camanho