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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Síndrome de Guillain-Barré


Autores: Pedro Schestatsky, Vitor Félix Torres, Leila Beltrami Moreira, Bárbara Corrêa Krug e
Karine Medeiros Amaral

Para a análise de eficácia dos tratamentos específicos para síndrome de Guillain-Barré atualmente
registados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e, portanto, disponíveis para utilização e
comercialização no Brasil, foram realizadas as buscas nas bases descritas abaixo. Foram avaliados todos os
estudos disponíveis e selecionados metanálises e ensaios clínicos randomizados, controlados e duplo-cegos,
publicados até 01/10/2009.

Na base Medline/Pubmed: “Intravenous Immunoglobulins”[Substance Name] AND “Guillain Barre
Syndrome” [Mesh]; “Intravenous Immune Globulin”[Substance Name] AND “Guillain Barre Syndrome” [Mesh]; “Immunoglobulins, IV”[Substance Name] AND “Guillain Barre Syndrome”[Mesh]; “Plasmapheresis”[Substance Name] AND “Guillain Barre Syndrome”[Mesh]; “Plasmapheresis”[Substance Name] AND “Guillain Barre Syndrome”[Mesh]; “Plasmapheresis”[Substance Name] AND “Guillain Barre Syndrome”[Mesh]. Limitadas a: “Humans, Meta-Analysis, Randomized Controlled Trial”
Na base Ovid: Intravenous Immunoglobulins AND Guillain Barre Syndrome AND Clinical Trial
[Publication Type]; Plasmapheresis AND Guillain Barre Syndrome AND Clinical Trial [Publication Type].
Na base Cochrane: “Intravenous Immunoglobulins”; “Plasmapheresis”; “Guillain Barre Syndrome”.

INTRODUÇÃO

 O Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é a maior causa de paralisia flácida generalizada no mundo1,2,
com incidência anual de 1-4 por 100.000 habitantes1 e pico entre 20-40 anos de idade. Não existem dados
epidemiológicos específicos para o Brasil. Trata-se de uma doença de caráter autoimune que acomete
primordialmente a mielina da porção proximal dos nervos periféricos de forma aguda/subaguda.
Aproximadamente 60%-70% dos pacientes com SGB apresentam alguma doença aguda precedente
(1-3 semanas antes)3,4, sendo a infecção por Campylobacter jejuni a mais frequente delas (32%), seguida
por citomegalovírus (13%), vírus Epstein Barr (10%) e outras infecções virais, tais como hepatites por vírus
tipo A, B e C, influenza e HIV1,5. Outros fatores precipitantes de menor importância são cirurgia, imunização e gravidez6,7.
A maioria dos pacientes percebe inicialmente a doença através de sensação de parestesias nas
extremidades distais dos membros inferiores e, em seguida, superiores. Dor neuropática lombar ou nas pernas pode ser vista em pelo menos 50% dos casos2. Fraqueza progressiva é o sinal mais perceptível ao paciente,
ocorrendo geralmente nesta ordem: membros inferiores, braços, tronco, cabeça e pescoço. A intensidade
pode variar desde fraqueza leve, que sequer motiva a busca por atendimento médico em nível primário8, até
tetraplegia completa com necessidade de ventilação mecânica (VM) por paralisia da musculatura respiratória acessória. Fraqueza facial ocorre na metade dos pacientes ao longo do curso da doença. Cerca de 5%-15% dos pacientes desenvolvem oftalmoparesia e ptose. A função esfincteriana é, na maioria das vezes, preservada, enquanto a perda dos reflexos miotáticos pode preceder os sintomas sensitivos até mesmo em músculos pouco afetados. Instabilidade autonômica é um achado comum, causando eventualmente arritmias importantes1,5, mas que raramente persistem após 2 semanas7.
A doença usualmente progride por 2-4 semanas. Pelo menos 50%-75% dos pacientes atingem seu
nadir na segunda semana, 80%-92% até a terceira semana e 90%-94% até a quarta5,9. Insuficiência respiratória com necessidade de VM ocorre em até 30% dos pacientes nesta fase10. Progressão de sinais e sintomas por mais
de 8 semanas exclui o diagnóstico de SGB, sugerindo então polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica
(PDIC). Passada a fase da progressão, a doença entra num platô por vários dias ou semanas com subsequente
recuperação gradual da função motora ao longo de vários meses. Entretanto, apenas 15% dos pacientes ficarão
sem nenhum deficit residual após 2 anos do início da doença e 5%-10% permanecerão com sintomas motores ou
sensitivos incapacitantes. Pacientes com SGB apresentam taxas de mortalidade de aproximadamente 5%-7%,
geralmente resultante de insuficiência respiratória, pneumonia aspirativa, embolia pulmonar, arritmias cardíacas
e sepse hospitalar5,10.
Os fatores de risco para mau prognóstico funcional são idade acima dos 50 anos, diarreia precedente,
início abrupto de fraqueza grave (menos de 7 dias), necessidade de VM e amplitude do potencial da neurocondução
motora inferior a 20% do limite normal5,11-13. O prognóstico motor é melhor nas crianças, pois necessitam menos
de suporte ventilatório e recuperam-se com maior rapidez5. Recorrência do episódio pode ser observada em até
3% dos casos, não havendo relação com a forma de tratamento utilizada na fase aguda, como se acreditava14.
3 Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à
saúde (CID -10)
• G61.0 Síndrome de Guillain-Barré

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da SGB é primariamente clínico. No entanto, exames complementares são necessários
para confirmar a impressão clínica e excluir outras causas de paraparesia flácida.

Diagnóstico Clínico

Os pacientes com SGB devem obrigatoriamente apresentar graus inequívocos de fraqueza em mais de
um segmento apendicular de forma simétrica, incluindo musculatura craniana. Os reflexos miotáticos distais não podem estar normais. A progressão dos sinais e sintomas é de suma importância, não podendo ultrapassar 8 semanas; a recuperação ocorre em 2-4 semanas após a fase de platô. Febre e disfunção sensitiva são achados pouco frequentes, devendo levantar suspeita de uma etiologia alternativa, de causa provavelmente infecciosa.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Análise do líquido cefalorraquidiano
Elevação da proteinorraquia acompanhada por poucas células mononucleares é o achado laboratorial
característico, evidente em até 80% dos pacientes após a segunda semana. Entretanto, na primeira semana, a proteinorraquia pode ser normal em até 1/3 dos pacientes. Caso o número de linfócitos no líquido cefalorraquidiano (LCR) exceda 10 células/mm3, deve-se suspeitar de outras causas de polineuropatia, tais como sarcoidose, doença de Lyme ou infecção pelo vírus HIV2.

Diagnóstico eletrofisiológico

SGB é um processo dinâmico com taxa de progressão variável2. O ideal seria examinar o paciente após
a primeira semana do início dos sintomas quando as alterações eletrofisiológicas são mais evidentes e melhor
estabelecidas. É importante salientar que a ausência de achados eletrofisiológicos neste período não exclui a
hipótese de SGB. No entanto, a exploração eletrofisiológica faz-se necessária para a exclusão de outras doenças neuromusculares causadoras de paraparesia flácida aguda.
Na neurocondução motora, os marcos eletrofisiológicos de desmielinização incluem latências distais
prolongadas, lentificação de velocidade de condução, dispersão temporal, bloqueio de condução e latências da onda-F prolongadas, todos estes parâmetros geralmente simétricos e multifocais. Há controvérsias a respeito da precocidade dos achados eletrofisiológicos. Alguns autores sugerem que o bloqueio de condução seja a alteração mais precoce15, enquanto outros relatam que as latências motoras distais prolongadas e o prolongamento ou ausência da onda-F e da onda-H são os achados mais precoces16,17.
Na neurocondução sensitiva, cerca de 40%-60% dos pacientes demonstrarão anormalidades tanto na
velocidade de condução quanto na amplitude (mais frequente) de vários potenciais de neurocondução sensitiva; tais achados podem estar ausentes durante as primeiras semanas da doença18. Podem se passar até 4-6 semanas para que alterações destes potenciais sejam facilmente detectadas19.

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS11

Existem vários critérios propostos para a definição do diagnóstico de SGB, sendo exigidas todas as condições abaixo:

• presença de 2 critérios essenciais;
• presença de pelo menos 3 critérios clínicos sugestivos de SGB;
• não apresentar mais de 1 situação que reduza a possibilidade de SGB;
• não apresentar nenhuma situação que exclua o diagnóstico de SGB;
• caso apresente 1 achado que reduza a possibilidade de SGB, deve ter LCR e estudo neurofisiológico compatíveis com a doença e investigação adicional criteriosa com intuito de afastar outras etiologias. Nestas situações, o paciente deve ser avaliado por consultor médico especialista em doenças neuromusculares.
Abaixo, estão indicados critérios essenciais, que sugerem, reduzem ou excluem o diagnóstico da SGB, bem como uma escala de gravidade.

Critérios essenciais para o diagnóstico da SGB

• Fraqueza progressiva de mais de um membro ou de músculos cranianos de graus variáveis,  desde paresia leve até plegia
• Hiporreflexia e arreflexia distal com graus variáveis de hiporreflexia proximal

Critérios sugestivos para o diagnóstico da SGB

Clínicos

• Progressão dos sintomas ao longo de 4 semanas
• Demonstração de relativa simetria da paresia de membros
• Sinais sensitivos leves a moderados
• Envolvimento de nervos cranianos, especialmente fraqueza bilateral dos músculos faciais
• Dor
• Disfunção autonômica
• Ausência de febre no início do quadro

Análise do líquor
• Alta concentração de proteína
• Presença de menos de 10 células/mm3

Estudo eletrofisiológico típico5,11 (São necessários 3 dos 4 critérios abaixo)*

• Redução da velocidade de condução motora em 2 ou mais nervos
• Bloqueio de condução do potencial na neurocondução motora ou dispersão temporal
anormal em 1 ou mais nervos
• Prolongamento da latência motora distal em 2 ou mais nervos
• Prolongamento de latência da onda-F ou ausência da mesma
(*Geralmente ausentes antes de 5-7 dias, podendo não revelar anormalidades em até
15%-20% dos casos após este período.)

Critérios que reduzem a possibilidade da SGB

• Fraqueza assimétrica
• Disfunção intestinal e de bexiga no início do quadro
• Ausência de resolução de sintomas intestinais/urinários
• Presença de mais de 50 células/mm3 na análise do líquido cefalorraquidiano
• Presença de células polimorfonucleares no LCR
• Nível sensitivo bem demarcado


Critérios que excluem a possibilidade da SGB
• História de exposição a hexacarbono, presente em solventes, tintas, pesticidas ou metais pesados
• Achados sugestivos de metabolismo anormal da porfirina
• História recente de difteria
• Suspeita clínica de intoxicação por chumbo (ou outros metais pesados)
• Síndrome sensitiva pura (ausência de sinais motores)
• Diagnóstico de botulismo, miastenia gravis, poliomielite, neuropatia tóxica, paralisia conversiva

 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL9

SGB é uma das causas mais frequentes de polineuropatia aguda vista nos hospitais gerais, entretanto
várias outras condições neurológicas devem ser distinguidas da SGB. O dilema imediato é diferenciar SGB de uma doença medular aguda (“segundo versus primeiro neurônio”). Confusão pode ocorrer nas lesões medulares agudas em que os reflexos são inicialmente abolidos (choque espinhal). Nestas situações, outros sinais devem ser buscados. Ausência de nível sensitivo bem definido ao exame físico neurológico, envolvimento da musculatura facial e respiratória acessória e padrão parestésico em bota e luva relatado espontaneamente pelo paciente, com relativa preservação da sensibilidade distal, falam a favor da SGB. Perda do controle esfincteriano, disfunção autonômica e dor lombar podem ocorrer em ambos os casos, embora predominem nas mielopatias. Paralisia predominantemente motora é também característica da poliomielite ou de outras mielites infecciosas. Febre, sinais meníngeos, pleocitose liquórica e distribuição assimétrica da fraqueza costumam coexistir nestes casos.
Outras causas importantes de polineuropatia aguda que devem sempre ser incluídas no diagnóstico
diferencial da SGB são: infecciosas (HIV, doença de Lyme, difteria), paraneoplásicas (principalmente carcinoma brônquico de pulmão), autoimunes (doenças do colágeno, vasculites primárias), tóxicas (história exposicional a amiodarona, cloroquina, organofosforados e metais pesados, entre outros agentes) e metabólicas (porfiria). A polineuropatia deve ser diferenciada da SGB por seu tempo de progressão motora superior a 8 semanas.
Ptose e fraqueza oculomotora podem causar confusão com miastenia gravis. No entanto, nesta situação,
não há padrão ascendente de perda de força e os reflexos miotáticos são usualmente preservados.
Por fim, nos pacientes criticamente enfermos, uma variedade de distúrbios neuromusculares
(polineuromiopatia) pode existir e eles devem ser distinguidos da SGB. Dentre eles incluem-se polineuropatia ou miopatia do paciente crítico, neuropatia rapidamente progressiva em pacientes com insuficiência renal em diálise peritoneal, hipofosfatemia aguda induzida por hiperalimentação, miopatia por glicocorticoide e efeitos prolongados de bloqueadores musculares. Nestes casos, o estudo eletrofisiológico e do LCR é de grande auxílio na definição de doença desmielinizante.

CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Serão incluídos neste protocolo de tratamento os pacientes que:

• preencherem os critérios diagnósticos, incluindo as formas variantes da SGB, avaliados por médico
especialista em Neurologia através de laudo detalhado;
• apresentarem doença moderada-grave (Escala de Incapacidade) e menos de 4 semanas de evolução.

CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Serão excluídos deste protocolo de tratamento os pacientes com mais de 30 dias de evolução da
doença, com insuficiência renal ou que apresentarem contraindicações ou efeitos adversos não toleráveis à
imunoglobulina intravenosa, tais como presença de níveis altos de IgA e infecção ativa.

CASOS ESPECIAIS

 SGB EM CRIANÇAS

Os achados clínicos, laboratoriais e eletrofisiológicos em crianças com SGB são similares aos
encontrados em adultos. No entanto, na população pediátrica, a prevalência de infecção precedente é de 75% e a queixa principal mais frequente é dor. A maioria das crianças com SGB tem recuperação satisfatória, mesmo com redução significativa da amplitude do potencial de neurocondução motora20. Embora a posologia mais usada da imunoglobulina intravenosa (IGIV) seja de 0,4 g/kg por 5 dias, em um estudo envolvendo 50 crianças, não foi observada diferença de desfechos quando a IGIV foi aplicada por 2 dias em comparação com 5 dias21. Desta forma, o tempo de uso da IGIV em crianças não deve ultrapassar 2 dias.


NEUROPATIA AXONAL SENSITIVO-MOTORA AGUDA (NASMA)

Primeiramente descrita como uma variante axonal da SGB2, do ponto de vista clínico e
eletrofisiológico inicial é indistinguível da SGB. Da mesma forma que a SGB, a doença inicia com
anormalidades sensitivas subjetivas nas extremidades e evolução mais rápida (poucos dias) da fraqueza
generalizada, sendo necessária VM para a maioria dos pacientes. O prognóstico da NASMA é pior do
que o da SGB e a maioria dos casos exibe recuperação motora lenta e incompleta22. Em adição ao
padrão liquórico usual de hiperproteinorraquia sem pleocitose, também visto em pacientes com SGB,
há evidência de infecção recente por Campylobacter jejuni e presença de anticorpos antigangliosídeos,
particularmente anti-GM1. Embora não existam ensaios clínicos randomizados e controlados específicos
para esta variante, e devido à impossibilidade de diferenciação clínica (e eletrofisiológica, pelo menos
na fase inicial) entre NASMA e SGB, ambas as situações são tratadas de forma semelhante9.

NEUROPATIA AXONAL MOTORA AGUDA (NAMA)

É outra variante axonal da SGB, caracterizada por início abrupto de fraqueza generalizada,
com músculos distais mais gravemente afetados do que os proximais. Deficit de nervos cranianos e
insuficiência respiratória exigindo VM estão presentes em 33% dos casos. Ao contrário da SGB e da
NASMA, sintomas sensitivos estão ausentes, e os reflexos tendinosos podem ser normais. Anticorpos
anti-GM1 e anti-GD1 são comumente detectados, em geral associados com infecção recente por
Campylobacter jejuni23,24. Os pacientes com NAMA costumam apresentam boa recuperação dentro
do primeiro ano, mas fraqueza distal residual é comum. Não existem ensaios clínicos específicos
avaliando a eficácia da imunoglobulina ou da plasmaférese para NAMA. No entanto, é provável que
esta entidade esteja incluída em alguns ensaios para SGB comparando estas duas modalidade
terapêuticas, como evidenciado posteriormente na análise criteriosa dos pacientes selecionados para o
estudo do Dutch GBS Trial25. No estudo, 18% dos pacientes inicialmente identificados como portadores
de SGB apresentavam na realidade NAMA, havendo recuperação mais rápida com a administração de
imunoglobulina isolada, sendo, portanto, uma prática justificada nestes casos.

SÍNDROME DE MILLER-FISHER

É uma variante da SGB, caracterizada pela tríade ataxia, arreflexia a oftalmoplegia. Diplopia é
a queixa inicial mais frequente (39%-78%), seguida por ataxia (21%-34%) de etiologia provavelmente
sensitiva. Paresia de outros nervos cranianos, especialmente do sétimo, pode ocorrer. Fraqueza
apendicular proximal pode ser demonstrada ao longo do curso da doença em aproximadamente 1/3
dos casos, podendo haver progressão para fraqueza generalizada mais grave de forma semelhante à
vista na SGB2. Em termos de achados eletrofisiológicos, diferentemente das outras variantes da SGB,
a anormalidade mais frequente é a redução das amplitudes do potencial de neurocondução sensitiva
fora de proporção ao prolongamento das latências distais ou lentificação das velocidades de condução
sensitiva26. A recuperação em geral se dá após 2 semanas do início dos sintomas, com evolução
favorável após 3-5 meses. Da mesma forma que nas outras variantes da SGB, há evidência sorológica
de infecção recente por Campylobacter jejuni, bem como presença de anticorpos antigangliosídeos,
particularmente anti-GQ1b27. Não existem ensaios clínicos randomizados e controlados de pacientes
com esta síndrome. Embora a síndrome de Miller-Fisher seja autolimitada27, alguns pacientes podem
evoluir para insuficiência respiratória28. Assim, parece prudente tratar os pacientes com imunoglobulina
ou plasmaférese2 desde que respeitadas as condições previstas no item Critérios de Inclusão.

DETERIORAÇÃO PROGRESSIVA APESAR DO TRATAMENTO IMUNOMODULADOR

Alguns pacientes com SGB continuam piorando depois do tratamento com IGIV ou
plasmaférese29. Nestes casos, não se sabe qual a melhor opção: esperar ou iniciar tratamento adicional.
Um estudo de série de casos investigou o efeito de um segundo curso de IGIV em pacientes com SGB
grave e refratária, sugerindo benefício nestes casos30. Assim, o presente protocolo recomenda uma
segunda realização de IGIV nos casos inicialmente refratários.


TRATAMENTO

Existem dois tipos de tratamento para SGB: (1) antecipação e manejo das comorbidades associadas; (2)
tratamento da progressão dos sinais e sintomas visando menor tempo de recuperação e minimização de deficit motor. Não há necessidade de tratamento de manutenção fora da fase aguda da doença.
Assim, pacientes com SGB necessitam ser inicialmente admitidos no hospital para observação rigorosa.
Melhores cuidados são obtidos em centros terciários, com facilidades de cuidados intensivos e uma equipe de profissionais que estejam familiarizados com as necessidades especiais destes pacientes10. Vigilância estrita e antecipação das potenciais complicações são necessárias para a otimização das chances de um desfecho favorável. Áreas de atenção incluem prevenção de fenômenos tromboembólicos, monitorização cardíaca, avaliações seriadas de reserva ventilatória e de fraqueza orofaríngea, proteção de vias aéreas, manejo apropriado da função intestinal e da dor, nutrição e suporte psicológico adequados. A fisioterapia motora deve ser iniciada nesta fase com intuito de auxiliar na mobilização precoce31. Desde a introdução dos tratamentos imunomoduladores não houve mudança na taxa de mortalidade7.
O tratamento específico da SGB visa primordialmente acelerar o processo de recuperação, diminuindo
as complicações associadas à fase aguda e os deficit neurológicos residuais a longo prazo6. Para a correta
indicação do tratamento, faz-se necessária a determinação da gravidade clínica proposta por Hughes e cols.32, sendo considerada doença leve de 0-2 e moderada-grave de 3-6:

0 - Saudável
1 - Sinais e sintomas menores de neuropatia, mas capaz de realizar tarefas manuais
2 - Apto a caminhar sem auxílio da bengala, mas incapaz de realizar tarefas manuais
3 - Capaz de caminhar somente com bengala ou suporte
4 - Confinado a cama ou cadeira de rodas
5 - Necessita de ventilação assistida
6 - Morte

Glicocorticoides

Não está indicado uso de glicocorticoides. Apenas dois ensaios clínicos randomizados e controlados
por placebo avaliaram adequadamente desfechos de interesse nos pacientes com SGB, tais como melhora
no grau de incapacidade, tempo de recuperação, mortalidade e efeitos adversos32,33. Nestes estudos, não foi encontrada superioridade estatisticamente significativa da metilprednisolona intravenosa ou da prednisolona oral sobre o placebo, discordando de alguns achados anteriormente demonstrados em modelos animais34. Assim, baseado na literatura disponível até o momento, o uso de glicocorticoide no tratamento da SGB não pode ser recomendado35.

Imunoglobulina humana

A imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) tem sido o tratamento de escolha na maioria dos países,
apesar de o mecanismo de ação ser pouco compreendido31. Sua eficácia a curto e longo prazos é similar à
da plasmaférese, evitando complicações inerentes à segunda modalidade (hipotensão, necessidade de cateter venoso, trombofilia). Existem três grandes ensaios clínicos randomizados e controlados que avaliaram a eficácia da IGIV em comparação com plasmaférese, sob vários desfechos clínicos12,25,36. Na análise global dos mesmos, observou-se que ambas as modalidades apresentaram eficácia similar na aceleração da recuperação motora em pacientes com SGB grave (escala 3-6) quando utilizadas nas primeiras 2 semanas após o início dos sintomas. Não existem evidências de que a IGIV seja benéfica nos casos de SGB de grau leve (0-2) e após a quarta semana6,7. Também não há evidência de benefício com associação de plasmaférese e IGIV12, achado corroborado por 2 outras revisões8,37. Em função da falta de padronização de parâmetros de administração da plasmaférese, a incidência de efeitos adversos não pode ser adequadamente aferida, embora pareça ser mais frequente no grupo da plasmaférese. A facilidade de uso foi significativamente superior nos grupos da IGIV em função da via de administração e da necessidade de equipamento e profissionais devidamente habilitados para realização de plasmaférese37. Desta forma, o uso de IGIV é recomendado para todos os pacientes com critérios diagnósticos estabelecidos de SGB em estágio moderado-grave no período de 2-3 semanas após o início dos sintomas, sendo sua administração efetiva dependente da disponibilidade do fármaco e da experiência do centro de atendimento terciário envolvido.


Plasmaférese

Quatro ensaios clínicos randomizados e comparados com tratamento de suporte demonstraram
benefícios inequívocos da plasmaférese em pacientes com SGB (moderada-grave de 3-6),
particularmente se realizada dentro de 7 dias após o início dos sintomas. A recuperação da capacidade
de deambular com ou sem ajuda após 4 semanas foi o principal desfecho avaliado38-41, sendo que 2
estudos evidenciaram benefícios sustentados após 12 meses38,42. Adicionalmente, a combinação de
achados de todos estes estudos (totalizando 604 pacientes) demonstrou que a plasmaférese também
diminuiu tempo de VM, risco de infecções graves, instabilidade cardiovascular e arritmias cardíacas
em relação a tratamento de suporte6. O papel da plasmaférese em crianças com menos de 12 anos de
idade e após 30 dias do início dos sintomas permanece incerto6,21. Em adultos o uso da plasmaférese
dependerá da disponibilidade do método e da experiência do centro de atendimento terciário envolvido.
O esquema de utilização prevê, para casos leves, 2 sessões; para casos moderado-graves (escala de
3-6)6,40,41, o volume de plasma removido por sessão deve ser de 200-250 ml/kg a cada 48 horas25,36.

Outras modalidades terapêuticas

Foram testados através de ensaios clínicos randomizados poliglicosídio versus dexametasona43,
filtragem do líquor versus plasmaférese44 e outros tratamentos adjuvantes à IGIV, tais como fator
neurotrófico cerebral45 ou betainterferon46, comparados com placebo. Nenhum dos ensaios foi
suficientemente grande para detectar mínimos efeitos benéficos.

FÁRMA CO

Imunoglobulina humana: frascos-ampola de 0,5; 1,0; 2,5, 3,0; 5,0 e 6,0 g

ESQUEMAS DE ADMINISTRAÇÃO

Imunoglobulina humana: 0,4 g/kg/dia, por via intravenosa

TEMPO DE TRATAMENTO – CRITÉRIOS DE INTERRUPÇÃO

A imunoglobulina humana deve ser administrada por 5 dias e interrompida caso haja qualquer
evidência de perda da função renal e anafilaxia.

BENEFÍCIOS ESPERADOS

• Diminuição do tempo de recuperação da capacidade de deambular com ajuda e sem ajuda
• Diminuição do número de pacientes com complicações associadas que necessitam de VM
• Diminuição do tempo de VM
• Aumento na porcentagem de pacientes com recuperação total da força muscular em 1 ano
e diminuição da mortalidade em 1 ano

MONITORIZAÇÃO

Devem ser realizados avaliação prévia da função renal, especialmente em pacientes diabéticos,
hidratação prévia, controle de sinais clínicos para anafilaxia e efeitos adversos, tais como dor moderada
no peito, no quadril ou nas costas, náuseas e vômitos, calafrios, febre, mal-estar, fadiga, sensação de
fraqueza ou leve tontura, cefaleia, urticária, eritema, tensão do tórax e dispneia.

ACOMPANHAMENTO PÓS-TRATAMENTO

Os pacientes devem ser reavaliados 1 semana e 1 ano após a administração do tratamento,
através da Escala de Gravidade Clínica na SGB.

REGULAÇÃO/CONTROLE/AVALIAÇÃO PELO GESTOR

Alerta-se ao gestor para organizar-se no sentido de evitar o fornecimento concomitante
da imunoglobulina humana pela Autorização de Internação Hospitalar (AIH/SIH) e Autorização de
Procedimentos de Alta Complexidade (APAC/SIA).


TERMO DE ESCLARECIMENTO E RESPONSABILIDADE – TER

É obrigatória a informação ao paciente ou a seu responsável legal dos potenciais riscos, benefícios e
efeitos adversos relacionados ao uso do medicamento preconizado neste Protocolo, o que deverá ser formalizado por meio da assinatura de Termo de Esclarecimento e Responsabilidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Fluxograma de Tratamento Síndrome de Guillain-Barré




































Fluxograma de Dispensação de Imunoglobulina Humana Síndrome de Guillain-Barré









segunda-feira, 11 de junho de 2012

Alzheimer's vaccine trial a success



[NEWS 6 June] A study led by Karolinska Institutet reports for the first time the positive effects of an active vaccine against Alzheimer's disease. The new vaccine, CAD106, can prove a breakthrough in the search for a cure for this seriously debilitating dementia disease. The study is published in the distinguished scientific journal Lancet Neurology.
Bengt Winblad Photo: Johan Bergmark
Alzheimer's disease is a complex neurological dementia disease that is the cause of much human suffering and a great cost to society. According to the World Health Organisation, dementia is the fastest growing global health epidemic of our age. The prevailing hypothesis about its cause involves APP (amyloid precursor protein), a protein that resides in the outer membrane of nerve cells and that, instead of being broken down, form a harmful substance called beta-amyloid, which accumulates as plaques and kills brain cells.
There is currently no cure for Alzheimer's disease, and the medicines in use can only mitigate the symptoms. In the hunt for a cure, scientists are following several avenues of attack, of which vaccination is currently the most popular. The first human vaccination study, which was done almost a decade ago, revealed too many adverse reactions and was discontinued. The vaccine used in that study activated certain white blood cells (T cells), which started to attack the body's own brain tissue.
The new treatment, which is presented in Lancet Neurology, involves active immunisation, using a type of vaccine designed to trigger the body's immune defence against beta-amyloid. In this second clinical trial on humans, the vaccine was modified to affect only the harmful beta-amyloid. The researchers found that 80 per cent of the patients involved in the trials developed their own protective antibodies against beta-amyloid without suffering any side-effects over the three years of the study. The researchers believe that this suggests that the CAD106 vaccine is a tolerable treatment for patients with mild to moderate Alzheimer's. Larger trials must now be conducted to confirm the CAD106 vaccine's efficacy.
The study was carried out by Professor Bengt Winblad at Karolinska Institutet's Alzheimer's Disease Research Centre in Huddinge and leading neurologists in the Swedish Brain Power network: consultant Niels Andreasen from Karolinska University Hospital, Huddinge; Professor Lennart Minthon from the MAS University Hospital, Malmö; and Professor Kaj Blennow from the Sahlgrenska Academy, Gothenburg. The study was financed by Swiss pharmaceutical company Novartis.

Publication:

Bengt Winblad, Niels Andreasen, Lennart Minthon, Annette Floesser, Georges Imbert, Thomas Dumortier, R Paul Maguire, Kaj Blennow, Joens Lundmark, Matthias Staufenbiel, Jean-Marc Orgogozo & Ana Graf

Safety, tolerability, and antibody response of active A²immunotherapy with CAD106 in patients with Alzheimer s disease: randomised, double-blind, placebo-controlled, first-in-human study

Lancet Neurology, online first 6 June 2012, doi:10.1016/S1474-4422(12)70140-0

La acromioplastia con reparación del manguito rotador y sus efectos en el test de Constant tras la aplicación de plasma rico en factores de crecimiento (PRGF)




Autores:Jiménez-Martín A, Angulo-Gutiérrez J, González-Herranz J, 
Rodríguez de la Cueva J M, Díaz del Río J, Lara-Bullón J

Servicio de Cirugía Ortopédica y Traumatología. Hospital Universitario Nuestra Señora de Valme. Sevilla.




Introduction and objectives: 
Our objective was to evaluate the clinical recovery of patients with subacromial syndrome after surgical plasma rich in growth factors (PRGF) administration.
Patients and methods: Comparative cohort study involving two groups; prospective cohort, group A, treated with PRGF (47 patients) and historical cohort, group B without PRGF treatment (71 patients). The gender distribution was 74.6% of men and 25.4% of women; with an average age of 51 years. Preoperative analysis, one month after surgery and after rehabilitation with the Constant test was made. Also pre- and postoperative MRI was taken.
Resultus: the surgical approach was traditional incision (69.5%), mini-open (24.6%) and arthroscopic (5.9%). We observed improvement in the Constant test one month after surgery, 60.47 points (group A) and 13.75 points (group B) (p<0.05); iafter rehabilitation results was 77.28 points in group A and 63.68 points in group B (p<0.05).
Conclusion: PRGF should be indicated in subacromial syndromes and cuff surgery due to the improvement in the Constant test.
Key words: PRGF, acromioplasty, cuff, subacromial syndrome, Constant.



INTRODUCCIÓN

El síndrome subacromial es una patología prevalente con una frecuencia que oscila entre el 5% y el 47% de la población. En el tratamiento de esta patología se han descrito diferentes procedimientos quirúrgicos desde que Neer [1] preconizara la acromioplastia como tratamiento del síndrome subacromial, surgiendo otras técnicas como la miniopen [2,3] o el abordaje artroscópico [4]. La aplicación de la artroscopia ha mejorado la visualización de la cavidad glenohumeral, con un menor daño sobre la musculatura deltoidea y un postoperatorio más corto, con procedimientos como la convergencia de márgenes de Burkhart [5] o la técnica en doble fila de Meier [6].
Por otro lado, a pesar del interés por la fisiopatología del proceso inflamatorio en el síndrome subacromial [7,8] no hay estudios que analicen la reparación biológica de estas lesiones con la aplicación directa de plasma rico en factores de crecimiento (PRGF). La hipótesis principal de este trabajo fue que la adición de PRGF mejoraría la recuperación clínica de los pacientes intervenidos de síndrome subacromial con afectación del manguito rotador. Para ello, nos planteamos como objetivo la evaluación de la eficacia clínica del PRGF en el síndrome subacromial, estudiando su evolución clínica con el test de Constant [9].

MATERIAL Y MÉTODOS

Diseño del estudio

Efectuamos un estudio comparativo de cohortes, entre una cohorte prospectiva (tratada con PRGF) y otra histórica, aunque reciente, en la que no se aplicó PRGF. A excepción del PRGF, las técnicas quirúrgicas no difirieron entre ambos grupos, ya que se efectuaron según los mismos protocolos quirúrgicos del Servicio de Cirugía Ortopédica y Traumatología del Hospital Universitario de Valme: (a) cirugía tradicional abierta mediante abordaje de Neer; (b) técnica de miniabordaje (miniopen), con o sin apoyo artroscópico y (c) abordaje exclusivamente artroscópico. Los grupos de estudio fueron dos: Grupo A: cohorte prospectivamente recogida de 47 pacientes consecutivos, entre enero de 2006 y abril de 2007, a los que se aplicó PRGF y un grupo B: cohorte histórica de 71 pacientes, operados entre julio de 2004 y diciembre de 2005 en nuestro centro, con las mismas técnicas quirúrgicas sin recibir PRGF.
Consideramos criterios de inclusión en el estudio aquellos pacientes que cumplieron los siguientes criterios: 1. Pacientes adultos (entre 18 y 75 años) de ambos sexos. 2. Historia de hombro doloroso, diagnosticado con la historia clínica y exploración física (signos de Neer, Yochum o Jobe positivos. 3. Confirmación diagnóstica mediante resonancia magnética. 4. Aceptación y firma del documento de consentimiento informado. Por el contrario, excluimos a los pacientes con patologías infecciosas, inmunodepresión o tumorales concomitantes. Otras contraindicaciones fueron las ya conocidas [10] alteraciones de la función plaquetaria, hemoglobina inferior a 11 g/dl, un hematocrito inferior al 34% o la toma de anticoagulantes orales.
El estudio fue aprobado por el Comité de Ética y Ensayos Clínicos de nuestro centro hospitalario.
Las variables clínico-epidemiológicas de los pacientes de edad, sexo, lateralidad, concomitancia con patologías como la diabetes o artrosis, así como la distribución de las técnicas quirúrgicas empleadas en ambos grupos fueron similares, no habiendo diferencias estadísticamente significativas entre ellos. La distribución por sexos fue 74.6% hombres y 25,4% mujeres. La edad media fue de 51 años, con una edad mínima de 28 años y máxima de 75 años (Tabla 1).

Técnica de preparación

Efectuamos acromioplastia con reparación del manguito rotador, con las técnicas indicadas. Una vez finalizado inyectamos el PRGF dentro de la sutura (Figura 1) y luego, colocábamos una membrana de fibrina sobre la misma para crear una película protectora que facilitara la reparación tisular del manguito dañado. Obtuvimos el PRGF por centrifugación, a 1800 rpm durante 8 minutos, de la propia sangre del paciente (45 ml de sangre venosa) extraida 20-30 minutos antes de la cirugía (sistema PRGF II, BTI, Vitoria, España). Posteriormente se realizó la transferencia de sobrenadantes a tubos estériles, obteniendo 3 frascos diferentes, cuya activación se consiguió mediante la administración de 50 ml de cloruro cálcico, 10%, añadidos por cada ml de fracción de plasma rico en plaquetas. Una vez activado el PRGF se formó un coágulo y se separó la serie blanca.
El estudio se valoró mediante el test de Constant y Mur-ley [9] en el preoperatorio (tiempo 1), al mes de la intervención (tiempo 2) y al finalizar la rehabilitación (tiempo 3). Así mismo, se realizó una resonancia magnética nuclear (RNM) pre- y postoperatoria siguiendo los criterios Seeger [11]. También se analizaron el tipo de procedimiento quirúrgico, complicaciones y secuelas, entre otras variables.

Metodología estadística.

Se procedió al análisis descriptivo mediante medias y desviaciones típicas o medianas y percentiles. Por otro lado, el análisis inferencial fue desarrollado a partir de la prueba t de Student en comparación de medias para muestras independientes o, en caso de distribuciones no normales, la prueba no paramétrica U de Mann-Whitney. Las relaciones entre las variables cualitativas y los dos grupos fueron estimadas mediante la prueba Chi-Cuadrado o el test exacto de Fisher. Los cambios en las respuestas antes-después se analizaron mediante el test no paramétrico de homogeneidad marginal. El análisis de los datos se realizó con el programa SPSS 14.0 para Windows. 
Inyección de PRGF en el interior de la sutura del manguito rotador
Fig. 1.Inyección de PRGF en el interior de la sutura del manguito rotador.
Tabla 1. Tabla demográfica comparativa entre ambos grupos, tratado con PRGF (A) y no tratado (B)
 AB
Número pacientes4771
Hombres (%)72,376,1
Mujeres (%)27,723,9
Edad media (años)5251
Rotura del manguito rotador (%)10060,60

RESULTADOS

La clasificación de las lesiones del manguito rotador observadas en la resonancia magnética mostraron un predominio del 44,10% de los casos en el estadio 3, lo que indicaba el alto porcentaje de roturas completas (Tabla 2).
Se apreció rotura del manguito rotador en el 76,3% de los casos, considerando el 100% de los pacientes del grupo A y un 60,60% de los pacientes del grupo B (p=0,0001). El procedimiento más empleado fue la cirugía «abierta» de acromioplastia y reparación del manguito rotador en el 69,50% de los pacientes. Además, se utilizaron el miniaminiabordaje en el 24,60% y la artroscopia en el 5,90% de los casos, sin encontrar diferencias estadísticamente significativas entre ambos grupos.
Se seccionó parcialmente el ligamento coracoacromial en el 72% de los pacientes de nuestra serie, la exéresis de los osteofitos en el 48,3% de toda la serie, perforando el área de Codman en el 47,5%, utilizando arpones para la reinserción del manguito en la mayoría de los casos (Figura 2).
En los pacientes a los que se le aplicó el PRGF había mejoría en el tiempo 2 respecto del tiempo 1 y del en el tiempo 3 respecto del 2, en cuanto al dolor, sueño, máxima amplitud de movimiento indoloro, abducción, flexión, rotación externa, interna (p<0,05). 
Correlación entre la presión sistólica pulmonar (PSP) y la distancia recorrida (metros) en el 6MWT en el grupo de pacientes con hipertensión pulmonar.
Fig. 2.Colocación de 2 arpones en la zona de inserción del supraespinoso. Radiografía postquirúrgica.
Tabla 2. RNM. Estadios de Seeger
Clasificiación de Seeger%
Estadio 12,5
Estadio 2 A33,9
Estadio 2 B17,8
Estadio 344,1
Perdidos1,7
En el tiempo 2 los resultados del test de Constant fueron de 60,47 puntos para el grupo A frente a una media de 13,75 puntos para el grupo B) mientras que en el tiempo 3 fue de 77,28 puntos frente a los 63,68 (Figura 3).
En la Tabla 3 se especifican los resultados obtenidos para cada una de las variables.
En cuanto a las complicaciones destacamos en el grupo A, dos casos de infección superficial que no precisaron ni antibioterapia, ni reintervenciones. No hubo casos de movilización de arpones. En el grupo B, encontramos un caso de capsulitis adhesiva, un caso de infección que requirió drenaje quirúrgico y dos casos de movilización de arpón.
Un 21 % de los pacientes del grupo B presentaban dolor persistente, frente al 6% del grupo A (p=0,029). También el 21% de los pacientes del grupo B presentaron limitación a la movilización frente a un 4% de los pacientes de A (p=0,011). El 8% de los pacientes del grupo B presentaban crepitación frente a ninguno del grupo A (p=0,041). Por otro lado, la hiperabducción resultaba dolorosa en un 22%, en el grupo B, frente a un 4% del grupo A (p=0,007), lo que implica claras diferencias estadísticamente significativas entre ambos grupos. No encontramos diferencias en relación a las cicatrices queloideas. 

DISCUSIÓN

Hemos optado por un estudio de cohortes considerando una cohorte histórica en vez de realizar una metodología menos expuesta a sesgos como sería un ensayo clínico aleatorizado. Para evitar los posibles sesgos de este diseño, se puso especial énfasis en realizar en la cohorte prospectiva los mismos procedimientos quirúrgicos que en el grupo histórico y en la misma proporción, no fue difícil conseguir este objetivo, ya que la cohorte histórica era reciente. Por otro lado, la recogida inicial de los datos clínicos de los pacientes a los que se les aplicó el PRGF se realizó sin conocimiento de los resultados de la cohorte histórica, lo cual determina una mayor objetividad a la hora de comparar los resultados de ambos grupos.
En la cirugía del síndrome subacromial se han ido sucediendo diferentes procedimientos quirúrgicos. Así, Levy et al [12] describen la descompresión artroscópica y sutura del desgarro del manguito por medio de una vía de abordaje pequeña o «miniopen», obteniendo una mejoría en cuanto al dolor, funcionalidad, movimiento y fuerza, con una satisfacción del 96%. Paulos y Kody [13] también proponen el miniabordaje lateral transdeltoideo con descompresión artroscópica. En un estudio de 18 pacientes obtuvieron un 88% de resultados favorables con el test UCLA. Finalmente, Shinners et al [14] desarrollaron la reparación artroscópica asistida con un miniabordaje, sin encontrar diferencias en los valores obtenidos con el test UCLA en función del tamaño del desgarro o la edad del paciente. Por su parte, Fearly et al. [15] aplicaron la visualización previa con artroscopia y efectuaron, posteriormente, un miniabordaje. El 83 % de los pacientes volvieron a sus actividades previas a la intervención.
La cirugía artroscópica del manguito rotador implica una serie de ventajas [16-18] sobre el abordaje tradicional, especialmente sus pequeñas incisiones, la preservación de la musculatura deltoidea, el menor dolor postoperatorio y tiempo de estancia hospitalaria, además de una rehabilitación más sencilla, mejor visualización y acceso de la articulación glenohumeral, permitiendo el tratamiento de los desgarros del manguito rotador sin importar el tamaño o el número de tendones implicados.
En nuestra serie se emplearon la técnica «miniopen» en un 29,6% de los casos y la artroscopia exclusivamente en el 5,9% de los pacienes, debido a la incipiente curva de aprendizaje sobre las técnicas artroscópicas de hombro en nuestro centro.
Los estudios que conciernen a la biología del manguito rotador se centran especialmente en los distintos mediadores inmunológicos que participan en el síndrome subacromial, así como los factores implicados en la reparación tendinosa del manguito implicado. Takahashi et al [19] identificaron que el factor de crecimiento fibroblástico b posee un efecto estimulador de la proliferación celular en el manguito de los rotadores, a dosis dependiente de 1 ng/ml. Kobayashi et al [20] demostraron que en el manguito rotador la expresión de FGF-b se produce entre el primer día postoperatorio y el día 56, con un pico en torno al séptimo día, por lo que puede ser usado como promotor del proceso de curación en los desgarros del manguito rotador para inducir la aparición de colágeno tipo III.
Figura con los resultados del test de Constant.
Fig. 3.Figura con los resultados del test de Constant.[+] ampliar imagen
Tabla 3. Resultados principales obtenidos en el test de Constant
A (%)
Tiempo 1
B(%)
Tiempo 1
A (%)
Tiempo 2
B(%)
Tiempo 2
A (%)
Tiempo 3
B (%)
Tiempo 3
Dolor
Intenso95,795,8-47,9-8,5
Medio4,34,2-46,5-16,9
Ligero--36,25,64,345,1
Ninguno--63,8-95,729,6
Movimiento indoloro
debajo del talle-31-23,9--
Talle14,945,1-47,9-2,8
Xifoides53,218,34,322,5-7,0
Cuello19,15,629,85,68,511,3
cabeza12,8-19,1-4,318,3
encima cabeza--46,8-87,260,6
Abducción
<30º-25,4-15,5--
30-60º27,731-35,2-2,8
60-90º55,328,212,840,84,39,9
90-120º12,89,919,17-11,3
120-150º4,24,229,81,58,523,9
150-180º-1,338,3-87,252,1
Flexión
<30º-28,2-21,1-1,4
30-60º19,147,94,349,3-5,6
60-90º80,918,38,528,28,514,1
90-120º-1,414,9---
120-150º-2,8341,44,333,8
150-180º-138,3-87,245,1
Rotación externa
Incapaz-12,7-9,9--
Mano detrás cabeza codo adelantado3478,9478,9-4,2
Mano detrás cabeza codo retrasado42,65,61711,28,57
Mano sobre cabeza codo adelantado23,41,427,8-4,321,1
Mano sobre cabeza codo retrasado-1,427,8-23,433,8
Por encima de la cabeza--23,4-63,833,8
Rotación interna
Muslo-57,7-49,3-1,4
Glúteo48,922,5-35,24,27
Lumbosacra31,915,58,514,1-36,7
Talle19,14,236,21,44,37
T-12--31,9-44,731
T-7--23,4-46,816,9
crecimiento transformante beta1, (TGF-‚1), provoca un aumento en los niveles de actina del músculo liso o SMA, formando una matriz de colágeno análoga a la matriz extracelular in vitro [21]. En esta línea, con el afán de mejorar la reparación del manguito dañado, han surgido publicaciones que describen posibles sustitutos de manguito rotador, como son los injertos de submucosa intestinal (SMI) [22].
El PRGF [23] puede contribuir a mejorar la curación del manguito rotador o incluso a acelerarla. El origen de los concentrados plaquetarios podríamos establecerlo en el llamado «pegamento de fibrina» [24,25]. La aplicación del concentrado plaquetario con cloruro cálcico como activador, determina la liberación de factores de crecimiento, útiles para la curación tisular sin reacciones inmunológicas, así como la transmisión de enfermedades contagiosas, propias de la trombina de origen bovino [26]. Tampoco el PRGF contiene leucocitos, ni MMP-8 o MMP-9, lo que determina a diferencia de otros preparados de concentrados de plaquetas, una respuesta inflamatoria mucho menor [27-29]. No se han descrito casos de desarrollo tumoral en su aplicación.
Se han estudiado los efectos sobre la posible reparación de tendones de Aquiles en corderos, a los que se les seccionó previamente dicho tendón y posteriormente se los reparó con y sin PRGF [28]. Los resultados demostraron que la presencia de plaquetas en las matrices de fibrina incrementaba la proliferación de células tendinosas. Adicionalmente, las células de tendones cultivadas sintetizaban colágeno I y factores angiogénicos tales como VEGF y HGF; la cantidad de VEGF dependía del número de plaquetas que se hallaran en el concentrado plaquetario. La aplicación del PRGF determinó un aumento en la densidad celular, de aspecto ovoide, en los tendones de Aquiles de corderos y un aumento en la vascularización, sin proliferación inflamatoria.
El mismo grupo de trabajo [10] aplicó PRGF sobre los tendones de Aquiles en atletas. Los que recibieron PRGF recuperaron antes el rango de movilidad y el tiempo hasta volver al entrenamiento fue menor, sin encontrar ninguna complicación de la herida. También se ha utilizado en las avulsiones del cartílago articular de rodilla en futbolistas [23].
En nuestra experiencia consideramos que la aplicación de PRGF intraoperatoriamente, junto con la acromioplastia y reparación del manguito rotador, está indicada en la patología del síndrome subacromial, por cuanto mejora los resultados clínicos del test de Constant de un modo precoz que las técnicas sin factores de crecimiento.

Agradecimientos

Quisiéramos agradecer la colaboración del personal de la Unidad de Investigación del Hospital Universitario de Nuestra Señora de Valme, por la colaboración en el análisis estadístico realizado. Del mismo modo, agradecemos la participación del Servicio de Enfermería de nuestro centro. 
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